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— Inezita, estou tão feliz de estar aqui com você! Quero que seja sincera e me diga se realmente não vou atrapalhar você em nada! — diz Melissa. — Mel, sua boba! Você nunca vai me atrapalhar. Você é minha irmã, eu te amo e fico feliz que venha morar comigo e seguir seus planos, assim como eu fiz! Eu estou orgulhosa de você! E não me chame assim, você sabe que eu detesto. Melissa tem 23 anos, é médica e veio para cá fazer sua residência em um dos melhores hospitais do Brasil. Fiquei muito feliz quando, há alguns meses, ela me contou que gostaria de vir para cá e que pretendia tentar uma vaga aqui. E que bom que ela conseguiu! Vai ser maravilhoso tê-la por perto. Ela, além de irmã, é minha amiga, confidente e porto seguro. Apesar de nossa diferença de idade ser de três anos, sempre fomos unidas e companheiras. — E para de toda essa lenga-lenga de que não quer me atrapalhar! — respondo. Ela me abraça e diz: — Eu também te amo, delegada mandona! Caímos na gargalhada. E, ao contrário do que muitos pensam, não sou uma pessoa chata e amargurada. Pelo menos, eu penso assim. Apenas ajo de acordo com as circunstâncias. Tenho pulso firme e controle sobre as situações e adoro estar no comando, especialmente no trabalho. Já na minha vida pessoal, com meus familiares e amigos, busco sempre ser descontraída e menos exigente, mais dócil, digamos. Porque, se não, tudo desanda. Não tem como ser pulso firme e mão de ferro o tempo todo. Eu sou humana e prezo muito por essas relações, e lhes dou apenas o que é merecido e exigido de mim. — Seja bem-vinda ao seu novo lar, irmã! Sinta-se à vontade! — digo. Ajudo Mel a levar suas malas para o novo quarto e a deixo lá para que possa se organizar, tomar um banho e relaxar um pouco. Ela deve estar cansada; foram horas de voo. Aproveito e ligo para o restaurante e peço nosso jantar. Assim que termino, sinto o celular vibrar. Olho e vejo que é uma mensagem da Cecília. E vou te dizer uma coisa: depois da Mel, se tem uma pessoa que consegue me fazer rir a qualquer momento, é ela. Temos quase a mesma idade, mas parece que ela é bem mais nova. Seu jeito descomplicado e sempre alegre de levar a vida, seus sorrisos gratuitos para todos e suas piadas e gracinhas instantâneas sobre qualquer coisa... Sem contar que, além de tudo, é uma boa amiga. Tenho um carinho enorme por ela, como se fosse uma irmã. Inezita, minha flor, a Mel já chegou? Já estão em casa? Você ficou de me avisar quando chegassem! E não fuja da nossa comemoração amanhã. É sexta e você não tem desculpa. E eu sei que a Mel vai topar!" Sorrio e respondo: Não me chame de Inezita, você sabe que eu odeio esse apelido! Já chegamos e estamos em casa, só esperando o jantar. Ok! Venceu. Eu vou. Amanhã nos confirmamos, tá?" Envio a mensagem e, imediatamente, o celular vibra. Vejo a resposta da Cecília. PARA TUDO!!!! NÃO ACREDITO QUE VOCÊ ACEITOU TÃO RÁPIDO! Está falando sério?" Sorrio e respondo: — Hahaha! Engraçadinha! Claro que não estou brincando. Eu só preciso espairecer um pouco. "Boa noite! Sua maluca!" "Boa noite, amiga! Beijos." P.S.: Ainda não estou acreditando! Ela responde. Coloco o celular de lado, pego um livro e decido ler enquanto espero a comida. Argh! Não consigo me concentrar. Nesse momento, meu telefone toca e vejo no visor que é a mamãe. — Oi, mãe! — Filha, como você está? Sua irmã já chegou? Vocês já jantaram? — Mãe, estou bem e a Mel já está aqui. Ela está no banho e ainda não jantamos. Estou aguardando a comida chegar. — Como vai o trabalho? E os pretendentes? Você sabe que não pode ficar sozinha para sempre! — Muito trabalho. Não tenho tempo para pretendentes, mãe. E, por favor, para com isso. Já conversamos sobre isso e não quero me chatear com a senhora. — Nossa, filha, só quero te ver feliz! Você sabe que eu te amo e só quero o seu bem, certo? — Eu sei, mas já lhe disse que estou bem assim. Tá bem? — Por enquanto, vou deixar para lá, mas não pense que vou parar de abrir seus olhos. É o meu dever, querida! — Ok! Estou cansada, mãe. Amanhã nos falamos. Manda um beijo para o papai. Eu te amo! Estou com saudades... — Eu te amo, filha! Fica com Deus e que Ele te proteja em todos os momentos do dia! — Tchau! Beijinhos! — Tchau! Beijos! Assim nos despedimos. Minha mãe me liga praticamente todos os dias e, sempre que falo com ela ou com papai, fico com os olhos marejados de saudade. Eu sempre fui muito apegada à minha família e raríssimas vezes ficávamos longe uns dos outros. Sinto tanta falta dos meus pais! É muito ruim ficar longe deles. No começo, foi muito difícil para mim, mas o trabalho tem preenchido minha rotina e minha vida. E, sempre que dá, eles vêm me visitar. Nas minhas férias, eu sempre vou vê-los. Ainda bem que a Mel vai morar comigo. Ela vai melhorar o astral, amenizar os dias de solidão que sinto às vezes e diminuir essa saudade. Saudade de casa, da minha família. Não é fácil deixar tudo para trás e ir perseguir seus sonhos, longe de tudo que fez parte do meu crescimento como pessoa, onde passei momentos bons e ruins e que foi palco de quase toda a minha vida. Mas a vida é assim. Para conseguir algo, temos que abdicar de alguma coisa. No meu caso, da minha terra e da vida cômoda. Pois minha família, apesar de longe, faz-se presente em minha vida, e dela eu não abro mão por nada. Mas muita coisa, sinceramente, não me faz falta de lá! E prefiro até esquecer! Aprendi a gostar muito daqui e, hoje, sinceramente, não me vejo mais vivendo em nenhum outro lugar. Meu futuro é neste lugar. Pego o livro novamente e me recosto no sofá quando minha campainha toca. Pego minha arma, coloco-a na cintura, presa às costas da calça. Procuro sempre estar precavida. Já pensou se algum desses bandidos que enquadrei me arma uma cilada? Pois é. Por isso, estou sempre preparada e precavida para um confronto. Não tenho medo, mas tenho receio. Sei que não sou queridinha por todos, então tenho que ter sempre minha amiga pistola por perto. Nunca se sabe quando vou precisar dela. Sigo em direção à porta e verifico pelo olho mágico que é o entregador do restaurante. Abro, pego as comidas, entrego o dinheiro e digo que pode ficar com o troco. Fecho a porta. — Mel, o jantar chegou! Não demora, senão vai esfriar! Chamo Mel para jantar e, enquanto ela não vem, vou colocando a mesa. Quando ela chega, iniciamos o jantar. Conversamos bastante, colocamos a conversa em dia e conto para ela sobre os planos da Cecília para amanhã. Ela também não esconde sua surpresa por eu ter aceitado de pronto sair com elas. Uma vez que sou pouco frequentadora de festas e baladas, vou de forma esporádica e, confesso, às vezes até relutante. Por isso, entendo a surpresa das duas. Então, digo à Mel que preciso ir dormir, já que amanhã ainda vou trabalhar. Lembro-a de que ela irá conhecer o hospital onde vai trabalhar e que, à noite, ainda vamos sair para comemorar sua chegada. Para isso, precisamos estar recarregadas. E põe carga nisso! Faz um tempinho que não saio e me divirto, e já está na hora de sair da mesmice! — digo para mim mesma. Dou boa-noite a ela e seguimos para nossos quartos. Vou ao banheiro, escovo os dentes, faço meu ritual de beleza e depois me deito na cama. Fico fitando o teto e sinto um vazio, uma inquietude, uma saudade de algo que não vivi. Então, pego-me lembrando daqueles olhos e das sensações estranhas que ele despertou em mim apenas com aquele olhar faminto. Senti-me despida com a forma como ele me olhava. Não sei como ele conseguiu me deixar sem reação com aquele olhar avaliador. Estranho, lindo, pervertido e canalha! Espero não encontrá-lo novamente. Não vou mentir. Devo confessar que ele abalou minhas estruturas só com aquele olhar e aquele sorriso. Imagina se ele me tocar, me beijar... Argh! Inês, querida, esse cara é sinônimo de PERIGO! — grita meu subconsciente. Fecho os olhos. E então adormeço.INÊS PORTO— Inezita, estou tão feliz de estar aqui com você! Quero que seja sincera e me diga se realmente não vou atrapalhar você em nada! — diz Melissa.— Mel, sua boba! Você nunca vai me atrapalhar. Você é minha irmã, eu te amo e fico feliz que venha morar comigo e seguir seus planos, assim como eu fiz! Eu estou orgulhosa de você! E não me chame assim, você sabe que eu detesto.Melissa tem 23 anos, é médica e veio para cá fazer sua residência em um dos melhores hospitais do Brasil. Fiquei muito feliz quando, há alguns meses, ela me contou que gostaria de vir para cá e que pretendia tentar uma vaga aqui. E que bom que ela conseguiu!Vai ser maravilhoso tê-la por perto. Ela, além de irmã, é minha amiga, confidente e porto seguro. Apesar de nossa diferença de idade ser de três anos, sempre fomos unidas e companheiras.— E para de toda essa lenga-lenga de que não quer me atrapalhar! — respondo.Ela me abraça e diz:— Eu também te amo, delegada mandona!Caímos na gargalhada.E, ao cont
ARTHUR CASTELO— Desculpa, eu estava tão distraído que nem olhei para a frente. Foi sem querer, me desculpe! — digo.Ela dá um aceno com a cabeça e, de forma ríspida e seca, diz:— Ok, tanto faz. Da próxima vez, olha por onde anda!E, assim que olho para quem esbarrei, fico hipnotizado, fazendo uma avaliação completa dos pés à cabeça. Ela é uma morena linda, com olhos verdes expressivos, uma boca sensual e um corpo de tirar o fôlego.Sinto meu corpo todo enrijecer e cada fio de cabelo se arrepiar.Poxa! Essa mulher é uma visão dos deuses!Vejo que ela deixou a bolsa cair com o impacto e logo em seguida se abaixa para apanhar algumas coisas que caíram no chão. É quando avisto algo que chama minha atenção.Ela tem um par de algemas na bolsa que parecem ser bem reais.Alcanço o objeto e o recolho do chão. Penso que ela deve ser alguma espécie de dominatrix e, só de imaginar, sinto uma onda de desejo. Quando percebo, já externei meus pensamentos.— Eu adoro mulheres que gostam de dominar
ARTHUR CASTELO O avião acabou de pousar no Aeroporto Internacional de Florianópolis. Acabo de chegar das minhas merecidas férias em Ibiza. Decidi tirar apenas uns quinze dias. Não consigo ficar mais tempo do que isso longe do meu trabalho, se bem que não foi lá nenhum sacrifício. Realmente, estava precisando curtir novos ares, e essas foram férias maravilhosas...Ah! Que lembranças! Muita festa, diversão, mulheres bonitas, desinibidas e despretensiosas, prontas para a ação!E são essas lembranças que me fazem, mais uma vez, pensar e refletir sobre a vida e me questionar: por que, sendo eu um cara bonito, solteiro, bem-sucedido, boa-pinta, livre e desimpedido, cogitaria ter outra vida?Ah! Lógico que não!Sabe a quantidade de mulheres que me aparece? E poder usufruir dessa quantidade boa, tendo sexo casual facilmente garantido, estando totalmente livre e desimpedido para a próxima?Então, com a quantidade de adjetivos e qualidades que possuo, é impossível que as mulheres resistam. E
INÊS PORTOEstava tão compenetrada no trabalho, terminando de avaliar provas para finalizar um inquérito, que nem vi o tempo passar. Só percebi que finalmente meu turno havia acabado quando o delegado de plantão, Ventana, bateu à porta.— Olá, Dra.! Como anda sua excelência? Cada dia mais bela, se permite — diz Ventana.Como sempre, ele é bem galanteador. Às vezes fico sem graça, mas não vou ser hipócrita e dizer que não gosto.Pois bem, eu gosto. Faz-me sentir desejada e, é claro, alimenta meu ego. Sei que sou uma mulher bonita e tenho lá meus atributos, mas é sempre bom ouvir isso de outras pessoas e receber elogios. Qual mulher não gosta, não é mesmo?Mas, ao mesmo tempo, fico em alerta e não me deixo levar por galanteios, ainda mais no meu ambiente de trabalho.— Obrigada, Ventana! Estou bem e sem muito tempo para conversar no momento. Agradeço seu elogio, mas permaneço igualzinha à última vez que nos vimos. Acredito que sejam seus olhos.Sei que fui um pouco áspera ao dar minha r
Suspiro fundo e peço silenciosamente, mais uma vez, a proteção de Deus. Verifico se está tudo de acordo com o planejado e repasso as instruções costumeiras aos meus agentes pelo rádio comunicador.— Ao meu comando, após o três, vamos avançar e dar início à operação. Mantenham-se todos em suas posições, em alerta e com suas armas em punho.— E nem um passo sem o meu aval. Entendido?— Positivo.Ouço a confirmação dos agentes e fico satisfeita.Sou firme e intolerante. Irrito-me com desobediência e não suporto insubordinação! Saiu da linha, sofreu as consequências.Por essa razão, sempre que estou conduzindo qualquer operação e, por conseguinte, me encontro na linha de frente, busco comandar de forma firme, decidida e precisa ao dar instruções, para que, em contrapartida, não haja motivos para falhas, nada saia do controle e, por fim, não reste dúvida de quem está no comando.Não vou negar: a carga é grande e há uma responsabilidade enorme junto com a minha posição. Meu cargo é intrinca
INÊS PORTO2 (dois) anos antes...Acordo olhando para o teto. Depois, faço uma vistoria ao meu redor. Ainda não me acostumei com meu novo lar; a ficha está demorando para cair por completo.Abro um sorriso daqueles que demonstram toda a alegria e satisfação possíveis de se estampar na cara de uma pessoa. Espreguiço o corpo, a fim de jogar fora toda a fleuma existente nele, para, automaticamente, ir ao banheiro em busca de fazer minha higiene matinal. Ao término, encaro o espelho e constato minha cara de boboca cansada, mas muito feliz.Em seguida, conduzo-me, com toda a graça e elegância agraciadas por Deus, até a singela cozinha do meu novo e recém-adquirido apartamento. Tomo um café reforçado, com pães — pães no plural mesmo — e um café com leite bem forte.Após lavar a louça suja, sigo para a sala e me jogo no sofá. Pego uma almofada, coloco-a embaixo da cabeça como apoio e, instantaneamente, fecho os olhos por breves instantes. Tão logo, sou tomada por divagações da minha mente, q







