Share

Capítulo 4

last update publish date: 2026-10-07 06:00:34

ARTHUR CASTELO

— Desculpa, eu estava tão distraído que nem olhei para a frente. Foi sem querer, me desculpe! — digo.

Ela dá um aceno com a cabeça e, de forma ríspida e seca, diz:

— Ok, tanto faz. Da próxima vez, olha por onde anda!

E, assim que olho para quem esbarrei, fico hipnotizado, fazendo uma avaliação completa dos pés à cabeça. Ela é uma morena linda, com olhos verdes expressivos, uma boca sensual e um corpo de tirar o fôlego.

Sinto meu corpo todo enrijecer e cada fio de cabelo se arrepiar.

Poxa! Essa mulher é uma visão dos deuses!

Vejo que ela deixou a bolsa cair com o impacto e logo em seguida se abaixa para apanhar algumas coisas que caíram no chão. É quando avisto algo que chama minha atenção.

Ela tem um par de algemas na bolsa que parecem ser bem reais.

Alcanço o objeto e o recolho do chão. Penso que ela deve ser alguma espécie de dominatrix e, só de imaginar, sinto uma onda de desejo. Quando percebo, já externei meus pensamentos.

— Eu adoro mulheres que gostam de dominar — comento, direcionando-lhe um sorriso malicioso.

Vejo surpresa e algo mais, talvez timidez, em seu rosto ao ouvir minha afirmação. No entanto, logo ela me encara e olha para minhas mãos, percebendo que eu estava com suas algemas.

Sinto-a se retrair e avançar rapidamente em direção ao objeto em minhas mãos, tomando-o para si. Logo em seguida, olha ao redor, como se estivesse procurando alguma coisa pelo chão. Deve estar verificando se não há mais nenhum objeto caído de sua bolsa.

É quando ela me fita com uma postura séria e diz:

— Seu babaca! Me respeite! Quem você acha que é para falar assim comigo e vir com esse tipo de gracinha?

Visto meu melhor sorriso sedutor e digo, com ironia, olhando bem no fundo de seus olhos:

— Ok, excelência. Deixe-me te informar uma coisa: não sei quem você é, mas você bem que poderia me mostrar. E outra: se não quer nenhum tipo de gracejo, não fique me encarando com esses olhos lindos.

Mas ela não se intimida.

— Sinto te informar, seu babaca, que essa sua cantada foi ridícula e não vai dar certo. Você escolheu a pessoa errada.

Sorrio, encarando-a, e digo:

— Sabe, eu adorei esse temperamento. Qual seu nome?

Ela responde:

— Não te interessa.

É quando o maldito celular dela toca, interrompendo-nos. Vejo que ela suspira, olha para mim e vira as costas, ignorando-me completamente, saindo sem sequer dizer seu nome.

Observo-a seguir até a saída, até que não consigo mais vê-la. Só então me dou conta de que ainda estou ali, parado, hipnotizado e sem reação diante daquele furacão que acabou de me ignorar e não se intimidou com minhas investidas.

Foi isso mesmo, produção?

Eu acabei de ser ignorado por aquela deusa dos olhos verdes, da boca sensual e afiada!

Ah! Se eu vir essa mulher novamente, ela não me escapará. Ou eu não me chamo Arthur Castelo de Mello e Azevedo!

Coisa que será muito difícil. Essa cidade é enorme!

Confesso que gostei de provocá-la e adorei a forma arredia como ela reagia às minhas cantadas. Eu normalmente não costumo fazer isso, mas não resisti. Minha reação ao vê-la foi muito diferente do normal. Com as outras mulheres, sou controlado.

Poxa! Que mulher!

Ela me deixou instantaneamente excitado.

Só com aquele olhar e aquela boca!

Argh! Isso nunca me aconteceu antes!

Nem na minha fase adolescente!

E, ainda por cima, fiquei excitado pensando naqueles olhos, naquela boca!

Ela só pode ser uma deusa feiticeira!

Saio do meu torpor, pego minha mala e sigo em direção à saída. Pego um táxi, passo o endereço ao taxista e, logo, meu celular toca.

Verifico o visor e vejo que é o Otávio, meu melhor amigo.

— Alô!

— E aí, cara! Já chegou?

— Sim, brother!

— Espero que tenha feito uma boa viagem. Vai ter a inauguração de uma boate de um parceiro nosso e nós vamos!

Dou uma gargalhada e digo:

— Pode deixar, cara. Manda o endereço por mensagem. Não perco essa por nada! Nos encontraremos lá.

Otávio e eu crescemos juntos. Aprontamos todas e sempre fomos muito apegados, como irmãos.

Estudamos juntos da primeira série até o ensino médio e só então nos “separamos” — em termos. Está mais para dizer que nos desgrudamos, e isso aconteceu apenas porque optamos por cursos distintos.

Eu resolvi fazer Medicina, enquanto ele escolheu Direito, tornando-se um grande advogado de renome que, assim como eu, ama sua profissão e dá o seu melhor, mas também adora sua liberdade, não dispensa uma balada e compartilha do meu lema: curtir a vida sem apegos.

Pensamos parecido. Acho que é por isso que nos damos tão bem.

Para mim, ele é como um irmão.

_______

Chegando em casa, deixo a mala no quarto e vou tomar um banho para relaxar e esfriar o corpo, que esquentou todo e ficou tenso de tanta vontade que senti ao me deparar com aquela deusa de ébano, intempestiva e de língua afiada.

Fico debaixo do chuveiro, curtindo o frescor da água, tentando não pensar em nada. Mas essa diaba me vem à cabeça, deixando-me excitado novamente.

Eu só posso estar ficando louco mesmo!

Pensando novamente nessa mulher de quem não faço a mínima ideia de quem seja ou de onde é.

Se bem que, para fazer o que quero com ela, não preciso saber muito. Apenas sua localização.

Nem parece que acabei de voltar do paraíso e estou em dia com meu amiguinho aqui embaixo.

Estou realmente precisando espairecer. Hoje vou beber e me divertir até cansar.

E só saio de lá com uma mulher bem gostosa ao lado, a fim de esquecer e me livrar dessa tensão — ou frustração — como queiram pensar. Porque só pode ser isso que está me fazendo pensar naquela delícia!

Droga!

Já estou excitado só de imaginá-la, mas me recuso a usar a mão. Esse banho há de servir por enquanto.

Saio do banho, enrolo-me na toalha e busco no closet uma calça jeans e uma camisa polo. Calço o sapatênis, penteio os cabelos, deixando-os um pouco bagunçados, naquele estilo despojado que as mulheres gostam, e finalizo com perfume.

Estou pronto para a caça!

Mas, antes, preciso comer alguma coisa. Beber de estômago vazio não é recomendável. Hahaha! Beber também não é!

E eu, como médico, sei disso melhor do que ninguém.

Mas, como não sou santo e adoro um pecado...

Voilà!

---

Ao chegar ao local indicado por Otávio, percebo que ele, mais uma vez, acertou na escolha do lugar. Está bem movimentado, repleto de mulheres bonitas e gostosas.

Vou me dar bem, como sempre!

Adentro a boate e sigo para a área VIP. Chegando lá, já avisto Otávio em uma mesa. Ele não está só: encontra-se com mais dois parceiros nossos, Raul e Luís, amigos de longa data, já que nos conhecemos desde a faculdade e sempre curtimos a vida de solteiro juntos.

Raul estudou Direito com Otávio, mas seguiu a carreira de delegado. Já Luís e eu fizemos Medicina juntos. Ele é ginecologista.

— E aí, Arthur! — Raul me cumprimenta com um aperto de mão e um tapinha no ombro.

Faço o mesmo com Luís, que pergunta:

— Chegou hoje, cara?

— Sim, algumas poucas horas atrás.

— E aí, mané! Quanto tempo, cara! — digo, abraçando-o.

Sento-me, chamo o garçom e peço um whisky com gelo.

Emendamos um papo animado e, logo, avisto minha presa da noite.

Uma loira linda, alta, com aproximadamente 1,70 m e corpo de violão.

Peço licença aos caras, com tom de deboche, levanto-me, coloco meu melhor sorriso rasga-calcinha e parto para o abate.

Foi fácil.

Com meu charme e minhas habilidades, consegui levá-la dali para um motel. Em poucos minutos, estávamos envolvidos em uma noite intensa de prazer.

Mas, mesmo assim, não me sinto satisfeito como nas outras vezes.

Sinto falta de algo que não consigo decifrar.

Não que a loira não fosse boa. Era gostosa e sabia muito bem o que fazer. Mas, mesmo assim, não consegui sentir aquela sensação de alívio que o prazer normalmente proporciona.

— Deve ser cansaço da viagem — penso.

Deixo a loira em casa, troco telefone com ela e me despeço com um beijo quente. Meu corpo já está aceso novamente. Também é impossível não ficar assim com essa gata se insinuando toda para mim.

Porém, decido parar por aqui. Se não, ela vai acabar viciando no papai aqui.

Sigo para casa e, quando chego, jogo-me na cama e suspiro.

Penso no sexo louco que acabei de ter e em como me senti diferente, estranho.

Não que tenha sido ruim. Claro que não. Foi gostoso, mas parece ter faltado alguma coisa.

Estou ficando louco. Só pode.

Fito o teto e sinto uma estranha sensação de vazio.

Fome não é.

Deve ser estresse pós-viagem. Só pode.

— Porra! Eu nunca me senti assim antes. O que está acontecendo comigo?

Será que estou ficando doente?

Fico procurando mentalmente mil doenças e sintomas, mas não encontro nada que explique aquilo.

Até que Hipnos me assalta e sou agraciado por Morfeu.

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • Apenas um olhar -O despertar    Capítulo 5

    INÊS PORTO— Inezita, estou tão feliz de estar aqui com você! Quero que seja sincera e me diga se realmente não vou atrapalhar você em nada! — diz Melissa.— Mel, sua boba! Você nunca vai me atrapalhar. Você é minha irmã, eu te amo e fico feliz que venha morar comigo e seguir seus planos, assim como eu fiz! Eu estou orgulhosa de você! E não me chame assim, você sabe que eu detesto.Melissa tem 23 anos, é médica e veio para cá fazer sua residência em um dos melhores hospitais do Brasil. Fiquei muito feliz quando, há alguns meses, ela me contou que gostaria de vir para cá e que pretendia tentar uma vaga aqui. E que bom que ela conseguiu!Vai ser maravilhoso tê-la por perto. Ela, além de irmã, é minha amiga, confidente e porto seguro. Apesar de nossa diferença de idade ser de três anos, sempre fomos unidas e companheiras.— E para de toda essa lenga-lenga de que não quer me atrapalhar! — respondo.Ela me abraça e diz:— Eu também te amo, delegada mandona!Caímos na gargalhada.E, ao cont

  • Apenas um olhar -O despertar    Capítulo 4

    ARTHUR CASTELO— Desculpa, eu estava tão distraído que nem olhei para a frente. Foi sem querer, me desculpe! — digo.Ela dá um aceno com a cabeça e, de forma ríspida e seca, diz:— Ok, tanto faz. Da próxima vez, olha por onde anda!E, assim que olho para quem esbarrei, fico hipnotizado, fazendo uma avaliação completa dos pés à cabeça. Ela é uma morena linda, com olhos verdes expressivos, uma boca sensual e um corpo de tirar o fôlego.Sinto meu corpo todo enrijecer e cada fio de cabelo se arrepiar.Poxa! Essa mulher é uma visão dos deuses!Vejo que ela deixou a bolsa cair com o impacto e logo em seguida se abaixa para apanhar algumas coisas que caíram no chão. É quando avisto algo que chama minha atenção.Ela tem um par de algemas na bolsa que parecem ser bem reais.Alcanço o objeto e o recolho do chão. Penso que ela deve ser alguma espécie de dominatrix e, só de imaginar, sinto uma onda de desejo. Quando percebo, já externei meus pensamentos.— Eu adoro mulheres que gostam de dominar

  • Apenas um olhar -O despertar    Capítulo 3

    ARTHUR CASTELO O avião acabou de pousar no Aeroporto Internacional de Florianópolis. Acabo de chegar das minhas merecidas férias em Ibiza. Decidi tirar apenas uns quinze dias. Não consigo ficar mais tempo do que isso longe do meu trabalho, se bem que não foi lá nenhum sacrifício. Realmente, estava precisando curtir novos ares, e essas foram férias maravilhosas...Ah! Que lembranças! Muita festa, diversão, mulheres bonitas, desinibidas e despretensiosas, prontas para a ação!E são essas lembranças que me fazem, mais uma vez, pensar e refletir sobre a vida e me questionar: por que, sendo eu um cara bonito, solteiro, bem-sucedido, boa-pinta, livre e desimpedido, cogitaria ter outra vida?Ah! Lógico que não!Sabe a quantidade de mulheres que me aparece? E poder usufruir dessa quantidade boa, tendo sexo casual facilmente garantido, estando totalmente livre e desimpedido para a próxima?Então, com a quantidade de adjetivos e qualidades que possuo, é impossível que as mulheres resistam. E

  • Apenas um olhar -O despertar    Capítulo 2

    INÊS PORTOEstava tão compenetrada no trabalho, terminando de avaliar provas para finalizar um inquérito, que nem vi o tempo passar. Só percebi que finalmente meu turno havia acabado quando o delegado de plantão, Ventana, bateu à porta.— Olá, Dra.! Como anda sua excelência? Cada dia mais bela, se permite — diz Ventana.Como sempre, ele é bem galanteador. Às vezes fico sem graça, mas não vou ser hipócrita e dizer que não gosto.Pois bem, eu gosto. Faz-me sentir desejada e, é claro, alimenta meu ego. Sei que sou uma mulher bonita e tenho lá meus atributos, mas é sempre bom ouvir isso de outras pessoas e receber elogios. Qual mulher não gosta, não é mesmo?Mas, ao mesmo tempo, fico em alerta e não me deixo levar por galanteios, ainda mais no meu ambiente de trabalho.— Obrigada, Ventana! Estou bem e sem muito tempo para conversar no momento. Agradeço seu elogio, mas permaneço igualzinha à última vez que nos vimos. Acredito que sejam seus olhos.Sei que fui um pouco áspera ao dar minha r

  • Apenas um olhar -O despertar    Capítulo 1

    Suspiro fundo e peço silenciosamente, mais uma vez, a proteção de Deus. Verifico se está tudo de acordo com o planejado e repasso as instruções costumeiras aos meus agentes pelo rádio comunicador.— Ao meu comando, após o três, vamos avançar e dar início à operação. Mantenham-se todos em suas posições, em alerta e com suas armas em punho.— E nem um passo sem o meu aval. Entendido?— Positivo.Ouço a confirmação dos agentes e fico satisfeita.Sou firme e intolerante. Irrito-me com desobediência e não suporto insubordinação! Saiu da linha, sofreu as consequências.Por essa razão, sempre que estou conduzindo qualquer operação e, por conseguinte, me encontro na linha de frente, busco comandar de forma firme, decidida e precisa ao dar instruções, para que, em contrapartida, não haja motivos para falhas, nada saia do controle e, por fim, não reste dúvida de quem está no comando.Não vou negar: a carga é grande e há uma responsabilidade enorme junto com a minha posição. Meu cargo é intrinca

  • Apenas um olhar -O despertar    Prólogo

    INÊS PORTO2 (dois) anos antes...Acordo olhando para o teto. Depois, faço uma vistoria ao meu redor. Ainda não me acostumei com meu novo lar; a ficha está demorando para cair por completo.Abro um sorriso daqueles que demonstram toda a alegria e satisfação possíveis de se estampar na cara de uma pessoa. Espreguiço o corpo, a fim de jogar fora toda a fleuma existente nele, para, automaticamente, ir ao banheiro em busca de fazer minha higiene matinal. Ao término, encaro o espelho e constato minha cara de boboca cansada, mas muito feliz.Em seguida, conduzo-me, com toda a graça e elegância agraciadas por Deus, até a singela cozinha do meu novo e recém-adquirido apartamento. Tomo um café reforçado, com pães — pães no plural mesmo — e um café com leite bem forte.Após lavar a louça suja, sigo para a sala e me jogo no sofá. Pego uma almofada, coloco-a embaixo da cabeça como apoio e, instantaneamente, fecho os olhos por breves instantes. Tão logo, sou tomada por divagações da minha mente, q

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status