LOGINARTHUR CASTELO
O avião acabou de pousar no Aeroporto Internacional de Florianópolis. Acabo de chegar das minhas merecidas férias em Ibiza. Decidi tirar apenas uns quinze dias. Não consigo ficar mais tempo do que isso longe do meu trabalho, se bem que não foi lá nenhum sacrifício. Realmente, estava precisando curtir novos ares, e essas foram férias maravilhosas... Ah! Que lembranças! Muita festa, diversão, mulheres bonitas, desinibidas e despretensiosas, prontas para a ação! E são essas lembranças que me fazem, mais uma vez, pensar e refletir sobre a vida e me questionar: por que, sendo eu um cara bonito, solteiro, bem-sucedido, boa-pinta, livre e desimpedido, cogitaria ter outra vida? Ah! Lógico que não! Sabe a quantidade de mulheres que me aparece? E poder usufruir dessa quantidade boa, tendo sexo casual facilmente garantido, estando totalmente livre e desimpedido para a próxima? Então, com a quantidade de adjetivos e qualidades que possuo, é impossível que as mulheres resistam. E ainda tem algumas que caem matando em cima e se oferecem. Mas eu, particularmente, adoro ir à caça! É bem mais excitante. Além de tudo, esse status de **SOLTEIRO** me permite variar o cardápio e ainda continuar sendo meu próprio dono, ter minhas próprias regras — ou nenhuma, dependendo de qual situação e/ou posição eu estiver. Nada de amarras, sem sentimentalismo, sem cobranças, sem as famosas DRs e muito menos grude. Felicidade pura, cara! No entanto, mesmo sendo eu um cara baladeiro e pegador, não quer dizer que saio por aí pegando tudo que tem buceta pela frente. Não. Sou seletivo e também não chego já agarrando. Adoro um joguinho de sedução. Por isso, primeiro visualizo, vejo se tem potencial para uma boa foda casual e despretensiosa. Depois, abordo, ofereço um drink, puxo para uma conversa e faço uma análise completa e rápida. Só aí jogo todo o meu charme e meu poder irresistível de sedução, levando a presa ao abate. Em pouco tempo, elas estão completamente satisfeitas e soltinhas, prontinhas para muita ação. Mas, tão logo acaba o ato — sexo, que para mim nada mais é do que um ato de acasalamento no qual ambos proporcionam prazer e satisfação carnal um ao outro —, é cada um para o seu lado e fim. Sem estresse e sem nenhum mal-entendido no dia seguinte. Primeiro porque não durmo com nenhuma delas. Faço questão de deixá-las em casa depois de proporcionar uma boa foda e sempre sou sincero quanto ao que quero delas. Só abro exceção para repetir a mesma mulher quando a foda realmente é maravilhosa, mas sempre dentro dos meus termos. Não pretendo me viciar em uma só buceta. Isso seria o fim dos tempos. Tá para nascer essa buceta mágica! Nunca isso vai acontecer! Faço isso como medida preventiva, para evitar cair nas garras daquelas que querem compromisso, namoro, casamento, filhos e cachorro. Assim, evito aborrecimentos, dor de cabeça, blá-blá-blá e mimimi de mulher no meu pé, jogando charme e achando que vai me amarrar por causa de um sexo alucinante. Tá para nascer a mulher que vai colocar um cabresto em mim e me domar. Tenho até crise de risos. Essa é uma possibilidade mais do que descabida e impossível que eu já vi na minha vida. É quase uma sandice. Esses quinze dias passados naquele lugar paradisíaco me deixaram renovado. Sem falar que estou voltando com uma motivação a mais e a sensação de vitória, já que, na próxima semana, assumirei o cargo de diretor do hospital. Finalmente, depois de oito árduos anos de trabalho, fui indicado para concorrer ao cargo e, como eu já esperava, fui eleito para o posto. Sou um renomado nefrologista. Venho de uma família rica e de muitas posses, por sinal, mas prefiro viver do meu suor. Por isso, estudei bastante e me especializei, tornando-me um profissional exemplar e gabaritado na minha área. Possuo especializações e vários cursos em Harvard. Isso mesmo! Além de lindo, rico e inteligente, e bom de cama, sou um dos melhores profissionais e mais capacitados da minha área. Modéstia à parte, sou bom mesmo, em todos os sentidos imagináveis e inimagináveis, se é que me compreendem. Confesso que a medicina me tem rendido muito. Sou apaixonado por ela e somente por ela. Mas confesso que sou tão safado e mulherengo que até no hospital já entrei em campo e coloquei meu time para jogar algumas vezes durante alguns plantões. Não resisti às tentações que encontrei vestidas de branco, dando mole para mim. Enfermeiras, médicas e técnicas, todas safadas. E eu fiz bom proveito do quartinho de descanso destinado aos médicos e parti para a jogada, entrando em ação. Eu meio que tenho uma tara por lugares assim, de sentir aquele perigo e ficar na iminência de quase ser pego por alguém. Mas agora, com minha nova posição, devo ser mais discreto e contido em relação às minhas colegas, que agora também serão minhas subordinadas. Enfim, é melhor evitar processos por assédio moral. Não que eu vá fazê-lo. É claro que não, né? Mas mulher rejeitada, cara, essa é capaz de tudo. Nunca se sabe! Modéstia à parte, se tem uma qualidade minha que é admirável, é o fato de eu ser um cara muito sincero, sempre honesto e de jogo aberto com as mulheres. Gosto de ser direto e claro quanto aos meus objetivos e sempre abro o jogo, não deixando margem para dúvidas. Assim, fica evidente que, para mim, não passará de sexo. Se topar, tem que ser nesses termos: no máximo, duas ou três transas, que podem ocorrer ou não com a mesma parceira, mas sem vínculo algum. Na hora que eu quiser e se eu quiser. Vocês devem estar pensando que sou um canalha, ou que sou algum idiota que sofreu uma desilusão amorosa, ou ainda que teve traumas com os pais, que se odiavam etc. e tal. Coitadinho, ficou traumatizado e, por isso, foge de relacionamentos. Pois bem, devo esclarecer, de antemão, que não me encaixo em nenhum desses perfis acima citados. E, por favor, não me julguem mal por isso, pois, como havia dito antes, sou um cara sincero e honesto com as mulheres, que usa muito bem a cabeça para pensar e fazer o certo, ao invés de ludibriar alguma pobre coitada iludida. Para que se prender a um relacionamento com uma única pessoa se sabemos que há 95% de chances de dar errado? Relacionamentos são muito complicados e a convivência, ufa, nem se fala! E mais: eu não me acho capacitado para tal. Não conseguiria ser fiel e, então, por isso, afasto-me ao máximo desse tipo de relação. Definitivamente, nasci para ser apenas um bom fodedor. Perdoem-me pelo palavrão, mas é a mais pura verdade. Confesso que tentei, uma vez, me aventurar em uma relação monogâmica e exclusiva com uma mulher perfeita, pode-se dizer, que realmente tinha qualidades excepcionais. Era uma excelente parceira, mas suas qualidades não foram suficientes, uma vez que não durou nem um mês. Tudo porque eu não resisti à tentação de ter outras mulheres. Então, abri logo o jogo com ela e esclareci que ela não tinha culpa de nada. Deixei-a livre para seguir em frente em busca de um cara que pudesse dar a ela o que eu não podia dar a ela e a mais ninguém. Fidelidade! Eu sentia tesão, nosso sexo era fenomenal, mas nada mais do que isso. Então, não fazia sentido eu insistir em coisas desse tipo. Fui e sou honesto! Prefiro assim. Bom, e só a título de informação — uma das valiosas, diga-se de passagem —, deixo bem claro que eu tenho um coração, tá? Mas nele só há espaço para duas mulheres, que são elas: Minha mãe, a dona Maristela, e minha irmã caçula, Anne. Então façam assim: considerem-me uma pessoa generosa, pois deixo que usem e abusem de um pedaço muito importante de mim. Não faço distinção e não tenho preconceito de raça, credo ou religião. Só tem que ser mulher e ser boa de cama. Não deixo nenhuma delas na vontade e muito menos com inveja umas das outras. Busco satisfazer todas, sem deixar expectativas e frustrações para nenhuma delas. E o meu lema é: **sexo, diversão e liberdade!** Sou tirado dos pensamentos e divagações nada ingênuas, lembrancinhas e autoanálise da minha bela vida pelo vibrar do meu celular, que retiro do bolso e visualizo a tela. Vejo que é uma mensagem da Anne. — Mano querido! Quando chegar, me avisa. Quero te fazer uma visitinha junto com a mamãe! Ela está te mandando mil beijos e disse que você a abandonou! Beijos, príncipe. — Minha linda, estou chegando agora. Seguindo para casa! Diz para a mamãe parar de drama! Amo vocês! Mulheres da minha vida! Beijão, princesa. Respondo. Sigo distraído e rindo com a mensagem da Anne. Confesso: sou um irmão babão. Continuo andando pela área de desembarque, a fim de chegar o mais rápido possível à saída do aeroporto e ir para casa o quanto antes. De repente, sem querer, acabo esbarrando em uma pessoa. — Droga! — exclamo, em descontentamento...INÊS PORTO— Inezita, estou tão feliz de estar aqui com você! Quero que seja sincera e me diga se realmente não vou atrapalhar você em nada! — diz Melissa.— Mel, sua boba! Você nunca vai me atrapalhar. Você é minha irmã, eu te amo e fico feliz que venha morar comigo e seguir seus planos, assim como eu fiz! Eu estou orgulhosa de você! E não me chame assim, você sabe que eu detesto.Melissa tem 23 anos, é médica e veio para cá fazer sua residência em um dos melhores hospitais do Brasil. Fiquei muito feliz quando, há alguns meses, ela me contou que gostaria de vir para cá e que pretendia tentar uma vaga aqui. E que bom que ela conseguiu!Vai ser maravilhoso tê-la por perto. Ela, além de irmã, é minha amiga, confidente e porto seguro. Apesar de nossa diferença de idade ser de três anos, sempre fomos unidas e companheiras.— E para de toda essa lenga-lenga de que não quer me atrapalhar! — respondo.Ela me abraça e diz:— Eu também te amo, delegada mandona!Caímos na gargalhada.E, ao cont
ARTHUR CASTELO— Desculpa, eu estava tão distraído que nem olhei para a frente. Foi sem querer, me desculpe! — digo.Ela dá um aceno com a cabeça e, de forma ríspida e seca, diz:— Ok, tanto faz. Da próxima vez, olha por onde anda!E, assim que olho para quem esbarrei, fico hipnotizado, fazendo uma avaliação completa dos pés à cabeça. Ela é uma morena linda, com olhos verdes expressivos, uma boca sensual e um corpo de tirar o fôlego.Sinto meu corpo todo enrijecer e cada fio de cabelo se arrepiar.Poxa! Essa mulher é uma visão dos deuses!Vejo que ela deixou a bolsa cair com o impacto e logo em seguida se abaixa para apanhar algumas coisas que caíram no chão. É quando avisto algo que chama minha atenção.Ela tem um par de algemas na bolsa que parecem ser bem reais.Alcanço o objeto e o recolho do chão. Penso que ela deve ser alguma espécie de dominatrix e, só de imaginar, sinto uma onda de desejo. Quando percebo, já externei meus pensamentos.— Eu adoro mulheres que gostam de dominar
ARTHUR CASTELO O avião acabou de pousar no Aeroporto Internacional de Florianópolis. Acabo de chegar das minhas merecidas férias em Ibiza. Decidi tirar apenas uns quinze dias. Não consigo ficar mais tempo do que isso longe do meu trabalho, se bem que não foi lá nenhum sacrifício. Realmente, estava precisando curtir novos ares, e essas foram férias maravilhosas...Ah! Que lembranças! Muita festa, diversão, mulheres bonitas, desinibidas e despretensiosas, prontas para a ação!E são essas lembranças que me fazem, mais uma vez, pensar e refletir sobre a vida e me questionar: por que, sendo eu um cara bonito, solteiro, bem-sucedido, boa-pinta, livre e desimpedido, cogitaria ter outra vida?Ah! Lógico que não!Sabe a quantidade de mulheres que me aparece? E poder usufruir dessa quantidade boa, tendo sexo casual facilmente garantido, estando totalmente livre e desimpedido para a próxima?Então, com a quantidade de adjetivos e qualidades que possuo, é impossível que as mulheres resistam. E
INÊS PORTOEstava tão compenetrada no trabalho, terminando de avaliar provas para finalizar um inquérito, que nem vi o tempo passar. Só percebi que finalmente meu turno havia acabado quando o delegado de plantão, Ventana, bateu à porta.— Olá, Dra.! Como anda sua excelência? Cada dia mais bela, se permite — diz Ventana.Como sempre, ele é bem galanteador. Às vezes fico sem graça, mas não vou ser hipócrita e dizer que não gosto.Pois bem, eu gosto. Faz-me sentir desejada e, é claro, alimenta meu ego. Sei que sou uma mulher bonita e tenho lá meus atributos, mas é sempre bom ouvir isso de outras pessoas e receber elogios. Qual mulher não gosta, não é mesmo?Mas, ao mesmo tempo, fico em alerta e não me deixo levar por galanteios, ainda mais no meu ambiente de trabalho.— Obrigada, Ventana! Estou bem e sem muito tempo para conversar no momento. Agradeço seu elogio, mas permaneço igualzinha à última vez que nos vimos. Acredito que sejam seus olhos.Sei que fui um pouco áspera ao dar minha r
Suspiro fundo e peço silenciosamente, mais uma vez, a proteção de Deus. Verifico se está tudo de acordo com o planejado e repasso as instruções costumeiras aos meus agentes pelo rádio comunicador.— Ao meu comando, após o três, vamos avançar e dar início à operação. Mantenham-se todos em suas posições, em alerta e com suas armas em punho.— E nem um passo sem o meu aval. Entendido?— Positivo.Ouço a confirmação dos agentes e fico satisfeita.Sou firme e intolerante. Irrito-me com desobediência e não suporto insubordinação! Saiu da linha, sofreu as consequências.Por essa razão, sempre que estou conduzindo qualquer operação e, por conseguinte, me encontro na linha de frente, busco comandar de forma firme, decidida e precisa ao dar instruções, para que, em contrapartida, não haja motivos para falhas, nada saia do controle e, por fim, não reste dúvida de quem está no comando.Não vou negar: a carga é grande e há uma responsabilidade enorme junto com a minha posição. Meu cargo é intrinca
INÊS PORTO2 (dois) anos antes...Acordo olhando para o teto. Depois, faço uma vistoria ao meu redor. Ainda não me acostumei com meu novo lar; a ficha está demorando para cair por completo.Abro um sorriso daqueles que demonstram toda a alegria e satisfação possíveis de se estampar na cara de uma pessoa. Espreguiço o corpo, a fim de jogar fora toda a fleuma existente nele, para, automaticamente, ir ao banheiro em busca de fazer minha higiene matinal. Ao término, encaro o espelho e constato minha cara de boboca cansada, mas muito feliz.Em seguida, conduzo-me, com toda a graça e elegância agraciadas por Deus, até a singela cozinha do meu novo e recém-adquirido apartamento. Tomo um café reforçado, com pães — pães no plural mesmo — e um café com leite bem forte.Após lavar a louça suja, sigo para a sala e me jogo no sofá. Pego uma almofada, coloco-a embaixo da cabeça como apoio e, instantaneamente, fecho os olhos por breves instantes. Tão logo, sou tomada por divagações da minha mente, q







