LOGINHeitor a observava quando, de repente, seu olhar parou sobre ela e permaneceu imóvel.Após um longo silêncio, seu pomo de Adão se moveu levemente e ele disse apenas duas palavras:— Você engordou.As costas de Cecília se endireitaram imediatamente e ela engoliu em seco.Em quase um mês, ela havia ganhado cerca de cinco quilos. Os membros não tinham mudado muito, mas suas curvas haviam se tornado visivelmente mais cheias.As calças que usava antes já não serviam mais. Não era apenas a cintura que apertava, até os quadris arredondados ficavam tão justos que ela mal conseguia puxá-las para cima.Nos poucos dias em que trabalhou no setor de logística, já tinha ouvido vários antigos colegas do departamento de secretariado comentarem que ela havia engordado. Agora até Heitor tinha percebido...— À medida que envelhecemos, o metabolismo desacelera, e ficar sentada no escritório o dia todo facilita o ganho de peso.A desculpa desajeitada não despertou qualquer suspeita em Heitor. Afinal, ele h
— Fique de guarda aqui. Não deixe ninguém entrar! — A raiva de Tânia era intensa, mas não estava direcionada a Cecília.Depois de dar a ordem, ela entrou no escritório do presidente. A porta se fechou com um estrondo. O impacto foi tão forte que pareceu fazer todo o prédio tremer.Cecília olhou surpresa para a porta fechada. Não apenas porque Tânia não havia descontado sua raiva nela, mas também porque ela parecia estar furiosa com Heitor.O que Heitor tinha feito?Separados apenas por uma porta, do lado de fora reinava um silêncio absoluto, dava para ouvir até um alfinete cair. Do lado de dentro, porém, a discussão era acalorada. Ou, para ser mais exato, Tânia gritava sozinha.— Como você se atreve a ameaçar Nicole?! Como quer que eu dê explicações à família Borba?Sentado calmamente atrás da mesa, Heitor permitia que ela descarregasse toda a sua indignação.— Heitor, uma pessoa não pode ser tão insensível! Nicole é uma garota maravilhosa. Tudo bem se você não sabe valorizá-la, mas co
Judite continuou insistindo e tentando convencê-lo incansavelmente. No fim, o assunto foi encerrado por Heitor com uma simples frase:— Vou pensar a respeito.Depois de sair do escritório de Heitor, Judite encontrou Cecília já de volta ao seu posto após o término da reunião.— Sra. Judite? — Ao vê-la saindo do escritório de Heitor, Cecília largou imediatamente os documentos que estava organizando, levantou-se e foi ao seu encontro.— Ceci. — Judite sorriu com carinho. — Está cansada?— Não. — Cecília balançou a cabeça. — A senhora veio à empresa por algum motivo?— Vim dar uma volta. Estava entediada e quis vir ver você. — Ao vê-la, Judite abriu um sorriso de orelha a orelha. — Já pensou a respeito daquilo que comentei da última vez? Só então Cecília se lembrou da história de se tornar afilhada dela. Aquilo era tão absurdo e tinha surgido tão de repente que ela acreditou ter sido apenas um impulso momentâneo de Judite, e que, quando o entusiasmo passasse, o assunto desapareceria junto
— É... é claro que tenho certeza! — A ideia de que Cecília estava grávida do filho de Murilo já estava profundamente enraizada na mente de Flávia. Ao ouvir o tom de dúvida da avó, ela retrucou como se fosse algo óbvio. — Se não for do Murilo, será que é do Heitor?— Durante os dois anos de casamento, ela não engravidou dele. Agora, depois do divórcio, ele simplesmente a engravidaria? — Quanto mais pensava, mais Judite sentia que algo estava errado.Flávia não acreditava nisso. Ela sabia que, durante os dois anos em que Cecília e Heitor foram casados, eles sempre tomaram precauções. Judite havia pressionado algumas vezes sobre ter filhos, mas Heitor sempre dizia que não havia pressa. Era evidente que ele nunca teve a intenção de ter filhos com Cecília. Então, por que, depois do divórcio, teria essa intenção? Só se tivesse enlouquecido.Após pensar bem, Judite concordou com a mesma lógica.— Vou sondar a família Siqueira. — Suspirando, a avó disse.Não havia uma inimizade profunda entre
As funcionárias do departamento de secretariado foram chegando aos poucos, e todas lançavam um olhar para Cecília.— Ceci, o que você está fazendo aqui? — Valéria a viu, largou a bolsa e correu até ela.— Esperando o Sr. Heitor chegar para começar o expediente. — Depois de responder, ela perguntou. — Sobre a votação daqui a pouco, o departamento de secretariado...Antes que ela pudesse terminar a frase, a porta do elevador se abriu.Heitor vestia um terno cinza-claro. Sua figura alta, esguia e elegante aproximou-se de longe. Seus passos eram firmes, e seus olhos profundos possuíam uma severidade cortante.Naquele instante, Cecília desistiu da ideia de tentar buscar informações.Valéria estava de costas para o elevador e não percebeu que Heitor havia chegado. Ao vê-la interromper a fala no meio, não conseguiu evitar perguntar:— Que votação... — Antes que terminasse, Valéria ouviu os passos e finalmente entendeu o que estava acontecendo. Fechou a boca imediatamente e recuou para o lado.
"Se houvesse qualquer outra possibilidade com o Murilo, eu nem consideraria voltar para o Grupo Prospera." Essa frase ecoava na mente de Heitor como uma espécie de maldição. Cada vez que ela se repetia, sua expressão ficava ainda mais sombria. Seus olhos, afiados como os de uma águia, estavam fixos em Cecília, que não fazia ideia de que ele estava ali.Manuela também concordava com o que Cecília havia dito. Depois de reclamar um pouco, ela lembrou Cecília de tomar cuidado no Grupo Prospera.O coração de Cecília sentiu uma mistura complexa de emoções, mas ela apenas ficou em silêncio, ouvindo.No final, do outro lado da ligação, veio o choro de uma criança. Só então Manuela falou novamente:— Tudo bem, preciso cuidar do bebê. Vou desligar. A ligação terminou. Cecília guardou o celular no bolso e se virou para ir embora. De repente, ela sentiu um arrepio percorrer sua coluna e, sem perceber, olhou em determinada direção. Pega de surpresa, acabou encontrando inesperadamente o olhar inten
A cena de Nicole puxando Heitor para a mesa, sentando-se colada a ele, repetia-se incessantemente na mente de Cecília.Ela não deveria ter olhado.No caminho de volta, deixou o vento frio bater no rosto, tentando se acalmar. No meio do trajeto, parou para comer um pouco de mingau quente antes de vol
Cecília, quase instintivamente, puxou o casaco acolchoado para baixo, cobrindo a barriga lisa.— Fui sim. Acho que estou ficando velha. Este ano estou sentindo mais frio do que o normal. — Ela se aproximou, sentou-se e mudou de assunto. — Precisa do meu notebook? Posso ir buscar no carro.— Use o me
Antes mesmo que as pessoas na sala tivessem tempo de reagir, passos apressados ecoaram do andar de cima.A mãe de Heitor, Tânia Melo, desceu às pressas. À beira dos cinquenta anos, ela mantinha uma figura impecável, bem cuidada como alguém de pouco mais de trinta.Enrolada apenas em um xale vermelho
Os passos de Cecília cessaram de repente. Sua respiração falhou por um instante, e seu semblante foi ficando cada vez mais sério.— O que foi? — Leandro não entendeu. — Não foi você que pediu ao Sr. Heitor para te transferir de volta?— Não. Eu vim pedir demissão. — Cecília balançou a cabeça.— Demi







