LOGINComo diz o ditado, melhor um inimigo declarado do que um amigo traidor.Leandro trabalhava com Heitor há muitos anos e sabia muito bem o que ele mais detestava e o que mais valorizava. Sua intenção original era convencer Heitor a deixar que Murilo cuidasse do assunto, evitando que ele entrasse em conflito com as pessoas de Santa Marina e acabasse tendo de prestar contas à família Siqueira.Com medo de que Heitor não lhe desse ouvidos, acabou falando aquilo num momento de desespero.— Apenas faça o que te mandei fazer! Se continuar falando tanta besteira, vou te mandar de volta para Belnorte! — O rosto de Heitor se contraiu, e suas feições magras escureceram.Leandro encolheu o pescoço, sem ousar dizer mais nada, e fez o que Heitor havia ordenado.O problema era que a investigação de Murilo também havia chegado a um impasse no desaparecimento de Edna. Um de seus subordinados logo o informou:— Além de nós, pessoas da família Siqueira também estão investigando o paradeiro daquela mulher.
— Ceci, uma das minhas seguidoras me convidou para nos encontrarmos. — Manuela veio correndo com o celular na mão. — É aquela fã rica que eu te contei, a que sempre fica em primeiro lugar no ranking de presentes.— Você não disse que não tinha adicionado ela no WhatsApp? — Cecília desligou o celular e ergueu os olhos para Manuela.— Um dia, ela deixou uma mensagem no meu perfil dizendo que me dava presentes porque eu me parecia muito com a filha dela e que queria guardar essa lembrança. Como eu poderia me recusar a adicioná-la? — Manuela coçou a cabeça.Ela havia apelado para a emoção e para a razão.Manuela era o tipo clássico de pessoa que tinha a língua afiada, mas o coração mole.— Então você aceitou encontrá-la?— Não. Achei a situação meio estranha. Eu disse a ela que minha melhor amiga tinha acabado de sair do resguardo pós-parto e que eu precisava ficar em casa para cuidar dela. Aí ela disse que, se eu não me importasse, ela poderia vir até nossa casa para nos encontrarmos.Man
— Seu celular. — Heitor tirou do bolso o celular de Cecília.Aquela aura de hostilidade que Manuela emanava desapareceu instantaneamente. — Obrigada, Sr. Heitor. Desculpe por fazer você vir até aqui só para entregá-lo. — Ela fez uma expressão aduladora e estendeu a mão para pegar o aparelho.Heitor olhou para ela de lado e desviou o celular da mão que ela estendia.A mão de Manuela ficou suspensa no ar, rígida.— Obrigada. — Cecília se aproximou e pegou o celular das mãos dele. — Gostaria de entrar para tomar um copo d'água?Manuela revirou os olhos e cruzou os braços, bloqueando a entrada. Sua intenção de impedir que ele entrasse não poderia ser mais evidente.— Não precisa, obrigado. — Heitor não demonstrou intenção alguma de entrar.Seu olhar desviou-se instintivamente para a sala de estar. No carrinho de bebê, uma das mãozinhas esticadas do pequeno apareceu por um instante.Seu olhar permaneceu ali por alguns segundos. Depois, ele se virou e foi embora.A porta do apartamento fica
— Vocês não precisam chamar. Eu vou ser o único a chamar assim. — Murilo sabia muito bem o que estava fazendo.Ficar chamando de "Toto Tinhoso" era tão desagradável aos ouvidos que até ele achava o apelido feio. Também não faria isso com frequência. Só aproveitaria as oportunidades para chamá-lo assim na frente de Heitor. Ou, quem sabe, quando Heitor o irritasse, ele soltaria o apelido para provocá-lo.Os dois trocavam provocações, apenas pela satisfação de uma resposta afiada.Murilo morava no andar de baixo do prédio delas e, depois do almoço, desceu para o próprio apartamento.De repente, Manuela se lembrou de uma coisa.— Já faz um tempo que mandei mensagem para Dona Edna, mas ela não respondeu.Ela havia convidado Edna para comer com elas, usando como pretexto a alta de Cecília.Considerando o quanto Edna estava preocupada com Cecília poucos dias antes, aquele silêncio repentino era estranho.— Manu, você realmente acha que eu deveria continuar investigando?Embora Cecília estives
— Quem disse que eu quero me envolver?O coração de Heitor afundou, e seu rosto ficou sombrio. Ele lançou a Leandro um olhar carregado de autoridade e pressão.Leandro não respondeu.No carro, quem tinha dito: "Se eu não cuidar dela, vou cuidar de quem? Você?"? Isso não significava que ele queria se envolver?Será que ele se sentiu ferido ao perceber que não está numa posição adequada para interferir?— Vamos. — Heitor se levantou, jogou o paletó sobre os ombros e saiu.Leandro não teve outra escolha a não ser segui-lo. De qualquer forma, não voltar para Belnorte também não era algo ruim, ali havia menos trabalho.Murilo alugou para Cecília um apartamento espaçoso de trezentos metros quadrados no centro da cidade. Aproveitando-se de sua posição para benefício próprio, ele ainda providenciou para que Manuela ficasse no mesmo apartamento.O imóvel tinha seis quartos habitáveis, distribuídos nas duas extremidades, com a sala de estar, a cozinha e a sala de jantar no meio.A distância entr
Heitor ergueu ligeiramente uma sobrancelha, sem acreditar.— Bem, e quanto à Cecília? Devemos deixá-la por conta própria e voltar para Belnorte? — Leandro perguntou, hesitante.Se Heitor abandonasse Cecília naquele momento e voltasse para Belnorte, Tânia deixaria de pressioná-lo para investigar o assunto e passaria a perguntar diretamente ao próprio filho. Assim, ele conseguiria escapar daquela enrascada.— Se eu não cuidar dela, vou cuidar de quem? Você? — Retrucou Heitor. — Pedi que você enviasse um presente generoso a Danilo. Já fez isso?Naquele dia, quando saiu às pressas de Belnorte, Heitor não levou o celular. Por coincidência, encontrou Danilo no aeroporto, que lhe disponibilizou alguns homens de última hora, e foi graças a isso que Heitor conseguiu chegar ao hospital com reforços.— Já enviei, mas o Sr. Danilo não aceitou. Ele disse que pediria um favor quando o senhor estivesse menos ocupado. — Leandro respondeu.— Então vamos nos encontrar. Algumas coisas já deveriam vir à t
Os passos de Cecília cessaram de repente. Sua respiração falhou por um instante, e seu semblante foi ficando cada vez mais sério.— O que foi? — Leandro não entendeu. — Não foi você que pediu ao Sr. Heitor para te transferir de volta?— Não. Eu vim pedir demissão. — Cecília balançou a cabeça.— Demi
A cena de Nicole puxando Heitor para a mesa, sentando-se colada a ele, repetia-se incessantemente na mente de Cecília.Ela não deveria ter olhado.No caminho de volta, deixou o vento frio bater no rosto, tentando se acalmar. No meio do trajeto, parou para comer um pouco de mingau quente antes de vol
Cecília, quase instintivamente, puxou o casaco acolchoado para baixo, cobrindo a barriga lisa.— Fui sim. Acho que estou ficando velha. Este ano estou sentindo mais frio do que o normal. — Ela se aproximou, sentou-se e mudou de assunto. — Precisa do meu notebook? Posso ir buscar no carro.— Use o me
No meio da noite, Cecília postou uma foto do seu bebê recém-nascido, acompanhada da legenda: [Promovida a mamãe! Meu herdeiro legítimo!]Em menos de uma hora, o ex-marido, de quem ela tinha se divorciado há seis meses, bateu à porta.Assim que Cecília abriu a porta, o rosto sombrio de Heitor fez a







