LOGINPedro sabia, porém, que Arthur não estava blefando.Ameaças nunca bastaram para dobrá-lo. Na noite do aniversário, se cedeu à chantagem de Pamela, foi porque ela guardava uma verdade capaz de destruir Larissa: a participação involuntária da senhora na morte de Heloísa.Arthur podia enfrentar qualquer inimigo. O que não suportava era a possibilidade de Larissa sucumbir àquela culpa.E Pamela descobriu, da pior maneira, o preço de confundir amor com fraqueza.Seus segredos mais sórdidos vieram à tona, um após o outro. O escândalo arruinou sua reputação, atingiu em cheio os Duarte e fez as ações do grupo oscilarem durante dias.Pedro conhecia bem o homem a quem servia. Arthur podia ceder uma vez por amor, mas ninguém devia esperar que ele aceitasse perder duas vezes.De volta ao escritório, Larissa tentava encontrar outro caminho para chegar à verdade sobre a morte do pai. Sem Eduardo e sem o prontuário original, por onde poderia recomeçar?Antes que encontrasse uma resposta, o celular to
A raiva ardia nos olhos de Beatriz, mas a urgência já lhe desfigurava a habitual compostura. Arthur, ao contrário, nem se abalou. Alto, de postura irrepreensível, observava a mãe com a tranquilidade quase insolente de quem recebia uma visita inconveniente. Quanto mais sereno ele parecia, mais evidente ficava o descontrole dela.— Arthur, estou falando com você! Está me ouvindo? Quero Eduardo de volta. Agora!Ele deixou o silêncio se prolongar, sem a menor pressa de responder. Só então um sorriso de escárnio lhe tocou os lábios.— A senhora veio até meu escritório fazer esse escândalo por causa de um estranho? — Arthur inclinou ligeiramente a cabeça. — E o que faz pensar que eu sei onde ele está?Beatriz ficou lívida.Ora, por favor. Não pisaria ali sem antes descobrir quem levou Eduardo.Nos últimos tempos, o filho agiu tantas vezes contra seus interesses que ela já não conseguia atribuir tudo a coincidências. A princípio, acreditou que ele só queria agradar Larissa e, de quebra, abrir
Arthur pareceu não perceber a mudança sutil em seu comportamento. Apenas sorriu.— Está bem.Com a ponta dos dedos, afastou uma mecha de cabelo que caiu sobre a testa dela. Depois se acomodou ao volante, ligou o motor e partiu.Durante o trajeto, quase não conversaram.Arthur a levou a um restaurante famoso pelos pratos bem apimentados. Em Aurimare, poucos estabelecimentos se especializavam naquele tipo de cozinha, e aquele era um dos mais prestigiados, tanto pela qualidade quanto pelo sabor marcante da comida.Assim que o garçom os acompanhou até a mesa, Arthur entregou o cardápio a Larissa para que escolhesse.Ela mal conseguia conter a ansiedade. Mesmo assim, examinou as opções e fez o pedido com calma. Quando o garçom se afastou, decidiu não prolongar mais a espera.— O Grupo Duarte suspendeu os ataques contra o Grupo Moretti. Imagino que você já saiba.Arthur estava sentado à sua frente. Ao ouvir aquilo, seus olhos ganharam um brilho satisfeito, e até a voz soou mais leve.— Soube
Mas havia uma pergunta ainda mais inquietante, como Augusto descobriu que ela estava investigando Eduardo?Larissa tomou todas as precauções possíveis e, mesmo assim, ele parecia conhecer cada movimento seu.Augusto era muito mais perigoso do que deixava transparecer.Agora, precisava acelerar a investigação. Descobrir o que ligava Beatriz, Marcelo e Hedra. E, principalmente, se os três participaram da conspiração que levou Manuel à morte.— Uma mulher inteligente como a Srta. Larissa sabe onde procurar respostas. — A voz de Augusto voltou a soar do outro lado da linha. — Por que não pergunta ao Sr. Arthur? Aposto que ele pode esclarecer muita coisa.Augusto mencionou Arthur sem a menor hesitação, com a segurança irritante de quem conhecia muito mais do que estava disposto a revelar.Larissa sentiu o coração dar um salto.Precisou de alguns segundos para recuperar a firmeza da voz.— Acho melhor o Sr. Augusto se preocupar com os problemas da própria família Duarte.Desligou.Mesmo assi
Leandro balançou a cabeça.— Ainda não sabemos. Estamos investigando, mas não conseguimos descobrir o que aconteceu.Larissa sentiu crescer aquela inquietação que já vinha rondando seus pensamentos.— Seja como for, precisamos recuperar o prontuário original. Não vou deixar que apareça mais um imprevisto.A princípio, pretendia ter paciência, deixar a linha correr até que o peixe grande mordesse a isca. Mas bastaram dois dias para a investigação tomar um rumo que ela não esperava.— Pode deixar.Leandro pegou o celular e fez uma ligação.— Podem agir. Recuperem o prontuário original.Larissa permaneceu pensativa, tentando entender o desaparecimento de Eduardo. Havia alguma peça daquela história que ainda lhe escapava.Talvez fosse hora de procurar respostas com Ciro.Ao chegar ao Grupo Moretti, participou da reunião habitual e, assim que saiu da sala, encontrou Otávio à sua espera.— Srta. Larissa, tem um minuto?Ela o encarou com a tranquilidade de sempre.— Vamos conversar no meu esc
Eduardo começou a tremer ainda mais.— Sr. Arthur, eu... eu juro que não sei de nada!Mas havia algo que não conseguia entender.Os Vasconcelos não sabiam de tudo? A morte de Manuel não foi obra da própria família? Por que Arthur estava investigando o caso agora?Será que ele realmente não sabia de nada?— Aaaah!Antes que conseguisse encontrar uma resposta, Arthur pressionou a ponta acesa do cigarro contra seu rosto.O grito de Eduardo ecoou pelo galpão. A dor veio tão violenta que parecia cozinhar sua pele, e um cheiro acre de queimado se espalhou pelo ar.Arthur o encarava sem qualquer traço de piedade. Os olhos negros, imóveis, eram ainda mais assustadores que a brasa que acabava de apagar contra sua carne.— Minha paciência acabou. Você tem três segundos pra falar. Se continuar escondendo a verdade, vou fazer você sentir na própria pele tudo o que Manuel passou.Eduardo conhecia a morte de perto. Como médico, convivia com ela diariamente. E, depois de tantos anos fazendo o serviço
Por sorte, o toque do celular salvou Larissa do constrangimento.— Alô?O coração acelerou. Ela atendeu às pressas.Do outro lado, veio a voz provocadora da modelo famosa e melhor amiga, Alisa Sampaio:— Então? Minha Srta. Larissa assinou ontem. Aposto que à noite já foi aproveitar o corpo jovem e f
Larissa ficou imóvel. O coração acelerou.Quando Arthur abaixou o rosto para beijá-la, o corpo dela tremeu, fora de controle.Ele percebeu. Parou no mesmo instante, forçando o domínio sobre o desejo que quase transbordava.— Com medo?Larissa ainda não tinha recuperado os sentidos.Arthur passou o i
A voz provocadora demorou alguns segundos para atravessar o torpor de Larissa.— Arthur, seu mano acabou de brincar comigo. Agora é a sua vez?Do outro lado da linha estava Arthur Vasconcelos, o irmão mais velho de Ciro.Quando ela começou a namorar Ciro, Arthur nunca lhe ofereceu um olhar gentil.—
— Sr. Ciro, hoje é o dia de você e a Larissa assinarem no cartório. Você não vai mesmo? Você simplesmente não apareceu. Não tem medo de ela explodir?— Explodir? Todo mundo sabe que a Larissa vive grudada no Sr. Ciro, igual carrapato. Mesmo se ela descobrir que ele faltou por causa da Mel, ela engol







