LOGINLarissa não disse nada.Só o observou em silêncio, com uma calma tão lúcida que Ícaro teve a incômoda sensação de que ela já enxergou tudo por trás daquela visita.Ele desviou os olhos, subitamente sem graça.— Está bem. Foi alguém que fez questão de me mandar entregar isso a você.Um sorriso discreto surgiu nos lábios de Larissa.Não precisava perguntar quem era esse alguém. Ela empurrou a pasta de volta pela mesa.— Então me faz um favor e devolve.Sua expressão continuava serena, mas não havia hesitação em sua voz.— Eu mesma resolvo os problemas do Grupo Moretti. Ele não precisa se preocupar comigo.Ícaro arregalou ligeiramente os olhos.— Lari, essas informações podem influenciar diretamente o futuro do Grupo Moretti. Fica com elas. Depois de tudo, isso é o mínimo que ele te deve.Larissa baixou os olhos para a pasta.Entre ela e Arthur, porém, nunca existiu uma conta tão simples de quem devia o quê a quem. Quando se casaram, ela agiu movida pela mágoa e pelo impulso de virar a pá
E ainda havia o rombo no braço imobiliário.Sem dinheiro entrando nos canteiros, os salários começaram a atrasar. Os operários entraram em greve, fornecedores suspenderam materiais e equipamentos, e as obras praticamente pararam.Cada dia perdido empurrava os cronogramas ainda mais para trás.Se Larissa não resolvesse aqueles dois grandes problemas, não conseguiria se firmar na presidência do Grupo Moretti.Daqui a uma semana, Marcelo só precisaria se aliar aos conselheiros certos para tirá-la do comando — e, talvez, até do próprio conselho.Por isso, ela não tinha margem para falhar.Precisava colocar tudo em ordem dentro daqueles sete dias.— Já pedi para entrarem em contato com os fornecedores de peças. Devemos ter uma resposta nos próximos dois dias — Explicou Otávio. — Quanto às obras, o problema de caixa não é exatamente falta de dinheiro.Larissa voltou os olhos para ele.Otávio continuou:— Alguém desviou recursos do projeto. Descobrir e recuperar o valor não é difícil...Ele l
Depois que Larissa saiu, Otávio recolheu o olhar e voltou à mesa.— Já que não há mais objeções, assinem este aditivo.Deu duas batidas leves com os dedos sobre o tampo.Leandro distribuiu os documentos que já estavam preparados, uma via para cada responsável.Larissa, por sua vez, não tinha a menor vontade de continuar ali.Já disse tudo o que precisava.Ficar sentada à mesa, sorrindo para homens que dias antes viraram as costas para o Grupo Moretti e agora se desdobravam em gentilezas lhe causava repulsa.Ela nunca viveu de verdade naquele mundo de interesses, alianças e traições. Mas conhecia bem o roteiro.Viu aquilo em séries vezes demais.E, como roteirista nas horas vagas, também escreveu histórias assim mais vezes do que conseguia contar.Larissa seguiu pelo corredor até o banheiro no fim do salão.Nos últimos dois dias, viveu com os nervos esticados ao limite. Lavou as mãos devagar, respirou fundo por alguns instantes e só então voltou para o corredor.Foi quando a porta de ou
Arthur respondeu sem tirar os olhos da tela.— Entendi.Pedro esperava alguma reação maior.Ainda assim, pensando melhor, a saída de Alex não representava uma ameaça imediata. O Grupo Vasconcelos possuía licença permanente de uso do sistema de condução inteligente, e a produção dos veículos seguia normalmente.O problema era outro. Engenheiros do nível de Alex não apareciam todos os dias.Pedro preferiu não insistir e passou ao assunto seguinte:— Sr. Arthur, o Sr. Henrique e o presidente Rafael já procuraram o senhor várias vezes. Vai continuar sem responder?Arthur baixou a cabeça e pressionou os dedos contra a região entre as sobrancelhas.— Estou ocupado. Não responda.Ele sabia perfeitamente por que estavam atrás dele.Ciro.Não se passaram nem alguns dias, e a família já não suportava vê-lo pagar pelas próprias escolhas.E Larissa?Quem se preocupou com tudo o que ela suportou antes disso?Na noite do aniversário, Ciro e Melissa ainda espalharam aquele vídeo recortado e manipulad
— Claro.Leandro respondeu com a deferência de sempre e saiu do escritório.Mal a porta se fechou, Otávio entrou.Era alto, de pernas longas e postura naturalmente elegante. Os óculos de aro prateado acentuavam ainda mais os traços bem definidos e a ponte alta do nariz. Quando sorria, duas covinhas discretas apareciam no rosto, suavizando aquela imagem impecável.Havia nele uma serenidade limpa, quase luminosa, que lembrava o luar numa noite clara.Era a primeira vez que Larissa o via pessoalmente.Por um instante, entendeu por que o nome de Otávio Barreto circulava tanto entre a nova geração do mundo empresarial.— Prazer em conhecê-la, senhorita — Cumprimentou Otávio.A voz era suave, agradável de ouvir, sem qualquer pressa.Larissa chegou a se perguntar como um homem de aparência tão tranquila conseguia sobreviver num ambiente em que todos escondiam uma lâmina atrás do sorriso.Ela indicou o sofá com o queixo.— Por favor, sente-se.Otávio assentiu e seguiu até a área de estar.Lari
Um leve sorriso apareceu nos traços afiados de Augusto.— O quê? A Srta. Larissa tem medo de mim?Larissa nem mudou de expressão.— O senhor está brincando. Nós podemos chamar um carro.Leandro continuou em alerta.Nunca gostou muito de Augusto.Ainda mais agora que o Grupo Moretti mantinha negócios com a família Vasconcelos, enquanto os Duarte ocupavam justamente o outro lado dessa disputa.E havia mais.Anos antes, ele ouviu Samuel mencionar que os Moretti e os Duarte chegaram a trabalhar juntos em um projeto.O resultado foi desastroso.Depois daquele episódio, as duas famílias nunca mais fizeram negócios entre si.Augusto inclinou a cabeça na direção da colisão alguns metros atrás.— Então podemos conversar sobre a indenização do meu carro.Fez uma pausa, o sorriso ficando mais provocador.— Ou sobre como pretende me agradecer pela carona. Você escolhe.Naquele horário, o trânsito da manhã em Aurimare já começava a travar as principais avenidas.Larissa olhou para a fila de carros
Por sorte, o toque do celular salvou Larissa do constrangimento.— Alô?O coração acelerou. Ela atendeu às pressas.Do outro lado, veio a voz provocadora da modelo famosa e melhor amiga, Alisa Sampaio:— Então? Minha Srta. Larissa assinou ontem. Aposto que à noite já foi aproveitar o corpo jovem e f
Larissa ficou imóvel. O coração acelerou.Quando Arthur abaixou o rosto para beijá-la, o corpo dela tremeu, fora de controle.Ele percebeu. Parou no mesmo instante, forçando o domínio sobre o desejo que quase transbordava.— Com medo?Larissa ainda não tinha recuperado os sentidos.Arthur passou o i
A voz provocadora demorou alguns segundos para atravessar o torpor de Larissa.— Arthur, seu mano acabou de brincar comigo. Agora é a sua vez?Do outro lado da linha estava Arthur Vasconcelos, o irmão mais velho de Ciro.Quando ela começou a namorar Ciro, Arthur nunca lhe ofereceu um olhar gentil.—
— Sr. Ciro, hoje é o dia de você e a Larissa assinarem no cartório. Você não vai mesmo? Você simplesmente não apareceu. Não tem medo de ela explodir?— Explodir? Todo mundo sabe que a Larissa vive grudada no Sr. Ciro, igual carrapato. Mesmo se ela descobrir que ele faltou por causa da Mel, ela engol







