로그인Cidade de “FT”, 13 de janeiro, segunda-feira.
O bairro “FT-4.56”, zona leste, próximo da praia, era nobre e repleto de belas mansões, uma maior e mais extravagante que a outra. Os prédios luxuosos completavam o requinte de riqueza do lugar.
A rua Galdino Serpp → com aproximadamente oitocentos metros de extensão → era larga e discreta. Não tinha saída, pois terminava num muro, atrás do qual via-se um matagal.
Rua absolutamente deserta.
Enigmática!
Sombria!
Não gostou dela → nem um pouco.
Contou dez grandiosas mansões ao longo da via → cinco de cada lado →, todas com cerca de cento e dez, cento e vinte metros de largura, em média.
Apreensivo, parou o Corsa na frente da mansão que possuía o número 1275. Terceira casa, do lado direito.
Provavelmente a tal de Ana dera o endereço errado para a dona da boate Rasputin. Impossível uma pessoa que aceitou trabalhar como garçonete numa boate de quinta categoria residir numa casa daquele porte. Um troço completamente sem nexo!
Ou isso ou a dona do Rasputin havia mentido, dando-lhe → sabe-se lá por qual motivo → esse endereço.
Apesar de tudo, decidiu checar, até para eliminar as possibilidades. Depois, pensaria no que fazer.
Saiu do veículo e observou a mansão.
Branca. Larga. Três andares. Cercada por um muro alto. Imponente. Um garboso gigante branco.
Olhou o relógio: 16h10min. Esperava resolver esse problema antes que escurecesse. Tocou a campainha e esperou. Minutos depois, uma voz soou → mecanizada → no interfone.
→ Boa tarde! Pois não?
Parecia uma voz feminina.
→ Boa tarde! Meu nome é Macto e sou investigador da polícia civil. Estou investigando um crime. Gostaria de conversar com o dono da casa, por favor.
Pausa.
A pessoa do outro parecia refletir. Estaria consultando alguém? Estaria pensando no que dizer?
→ E por que quer conversar com o dono?
→ Desculpe, mas só posso dizer isso pessoalmente.
→ E se eu não quiser abrir a porta?
→ Nesse caso, enviarei uma equipe para vigiar essa casa e conseguirei um mandado para revistá-la.
Nova pausa.
Perguntou-se o que estaria acontecendo lá dentro.
→ O senhor está investigando que crime?
→ O assassinato de um homem, pregado numa cruz.
→ O da crucificação?
→ Esse mesmo.
→ E o que o dono desta casa tem a ver com isso?
→ Vai depender da conversa que terei com ele.
Terceira pausa.
Já estava ficando irritado.
→ Então, minha senhora? Vai abrir a porta ou não?
De repente, ouviu um zumbido estranho. Temeroso, afastou-se rapidamente e meteu a mão dentro da jaqueta. Mas era apenas a porta grande → de aço → se abrindo.
→ Entre com o carro, por favor.
Entrou no Corsa e o manobrou para o interior da mansão. Deixou o portão grande para trás e percorreu uma alameda, ladeada por árvores frondosas. O pátio era imenso, com quase cem metros quadrados. Viu → em todos os lados → os mais variados tipos de flores. Mais uma piscina. Uma quadra de tênis. Uma churrascaria coberta. E o prédio de três andares.
Duzentos metros depois estacionou o carro e saiu.
Subiu os oito degraus e parou diante da porta, que se abriu.
Levou um susto!
Cidade de “FT”, 20 de janeiro, segunda-feira. Acordou quando faltavam dez minutos para as oito horas, segundo lhe informou a enfermeira. Ela, por sinal, lhe aplicara uma injeção e colocara o soro; porém não quis lhe dizer mais nada. Insistiu. No entanto, ela se mostrou irredutível. Ordens, havia dito. O médico também nada revelou. Permaneceu deitado, tomando soro e repleto de curiosidade. Curiosidade! A pergunta que lhe veio à mente era uma só: o que havia acontecido? Cidade de “FT”, 20 de janeiro, segunda-feira. Só foi saber das novidades
Cidade de “FT”, 20 de janeiro, segunda-feira. Subitamente, um objeto foi colocado sobre seu rosto. Macio, mas que, naquele instante, o sufocava. O que seria? Um travesseiro??? Óbvio! Um discreto e eficiente travesseiro! Não recebeu uma facada nem um tiro. E muito menos uma pancada na cabeça. Por quê? Com certeza para parecer que teria morrido de parada cardíaca. Assim procedendo, não causaria suspeitas. Sim! Era um bom plano. O delegado Haroldo → apesar de enlouquecido → ainda não tinha perdido a inteligência.&nbs
Cidade de “FT”, 19 de janeiro, domingo. Isso porque, à meia-noite, depois que a enfermeira lhe aplicou uma injeção, recebeu uma inusitada e horripilante visita. A visita do demônio! Um homem entrou na sala. Usava o jaleco branco, típico dos médicos. No pescoço, um estetoscópio. Calça jeans. Sapatos pretos. Cabeça raspada. Bigode discreto. Óculos escuros. Manteve a luz apagada. Apenas a luz do corredor iluminava o quarto. Aproximou-se da cama. → Boa noite, Macto → ele murmurou, sério. Estremeceu, ao reconhecer aquela voz! Tentou gritar, mas nada sai
Cidade de “FT”, 18 de janeiro, sábado. Não sonhou. Não teve pesadelos. A escuridão → no entanto → permanecia ao seu redor, profunda, sinistra, dominando o ambiente. Mansidão. Imobilidade. As dores diminuíram. Cidade de “FT”, 19 de janeiro, domingo. Saiu da UTI, sendo conduzido a um dos quartos. Abriu, enfim, os olhos. Pôde perceber o quarto; os aparelhos; as paredes brancas. Havia bandagens em quase todo o seu corpo. Parecia uma múmia, como nos tempos medievais. Além do mais, foi obrig
Cidade de “MJ”, 17 de janeiro, sexta-feira. Sozinho! A dificuldade de respirar aumentava. Em delírio → com o cérebro atrofiado → já não sentia mais nada, não via mais nada, não pensava em mais nada. Sentiu o tenebroso manto da morte se acercando... o tétrico manto do verdugo negro... realizando um reconhecimento... analisando as possibilidades... cheirando seu corpo... cutucando sua alma... lambendo seu espírito... num frenesi alucinado!!! E não tinha forças para lutar contra ele! Seria o fim? O fim... o fim... o fim... As dores no estômago aumentaram! Urinou novamente
Cidade de “MJ”, 16 de janeiro, quinta-feira. Acordou nas trevas! Calculou ser nove ou dez horas de uma noite de vento brando, com a temperatura na faixa dos vinte e seis graus. A fazenda às escuras. A vontade de beber água ou qualquer líquido era insuportável. Suas mãos estavam horrivelmente inchadas. O sangue lhes dava um aspecto doentio. Seu rosto... pálido! Pálido como se não tivesse uma gota de sangue sequer! Pálido e quase em pânico. Sua pele evidenciava pequenas feridas, devido às queimaduras provocadas pelo sol. Defecou na fralda. Foi obrigado a se acostumar com o fedor.