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Capítulo 21

مؤلف: Sheid
last update تاريخ النشر: 2026-10-27 23:21:33

Na sexta-feira, André chegou em casa às seis e quarenta, quase duas horas mais cedo do que o normal. Não trazia flores, mas trazia duas sacolas de mercado.

Lavínia estava na cozinha, cortando tomate. Parou com a faca no ar quando ouviu a chave na porta e viu o marido entrar com as sacolas penduradas nas duas mãos, o paletó dobrado no braço e a gravata frouxa. Ele pôs tudo em cima da bancada e coçou a nuca, sem olhar direito para ela.

— Eu comprei umas coisas.

— Estou vendo.

— Ovo, arroz, al
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  • Casada com a Culpa: A Chef e o Marido em Dívida   Capítulo 28

    Lavínia o levou para o terraço do clube. Andou rápido, com os saltos batendo no piso de pedra, e André foi atrás, sem dizer nada, mas o corpo não escondia a tensão. Atrás deles, o salão voltou aos poucos ao burburinho. Ela ouviu uma voz de mulher gritar um nome, uma risada abafada, o som de uma taça quebrando.O terraço estava vazio. Tinha um jardim iluminado com lanternas baixas, duas cadeiras de ferro e um banco de madeira. Lavínia parou perto do parapeito, apoiou as duas mãos na pedra fria e respirou para conter o nervosismo. — Me conta que porra está acontecendo, Lavínia. — Ele estava confuso, com certa raiva.Ela virou. André estava a poucos passos de distância, a gravata já estava torta, os braços caídos ao longo do corpo. O rosto dele estava sem cor.— Eu ia te contar. — Quando? — Ele quase berrou.— Depois de trinta de junho.— Por que depois de trinta de junho? — Porque é o prazo do dossiê. — Ela engoliu em seco, reunindo coragem. — Eu precisava ter enviado para você não

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    O salão do clube tinha lustres de cristal, mesas redondas com toalhas brancas e uma orquestra de cordas tocando num canto. Oitenta convidados, quase todos de preto e dourado, que circulavam com taças de espumante nas mãos e cochichavam quando um casal específico passava.Lavínia usava um vestido azul-marinho de manga longa, simples, que ela mesma escolhera numa loja de rua. O cabelo estava preso num coque baixo. André usava um terno escuro e tinha o braço esquerdo dobrado, oferecendo o cotovelo. Ela aceitou.Ao entrar, ela sentiu os olhares. Alguns eram de curiosidade, outros de piedade, alguns de satisfação. A prima de Campinas desviou o rosto. Os tios de André fingiram conversar entre si. Uma senhora de cabelo claro olhou-a de cima a baixo e pegou a bolsa com os dois braços, como se Lavínia fosse a assaltar.— Cabeça erguida — murmurou André, sem olhar para ela.— Estou.Dona Zuleide e Tobias já estavam numa mesa perto da pista. Helga os convidara, e Lavínia ainda não tinha entendid

  • Casada com a Culpa: A Chef e o Marido em Dívida   Capítulo 26

    Na sexta-feira à noite, Lavínia pôs a mesa para dois.Não era a mesa de oito lugares. Era a ilha de mármore da cozinha, com dois pratos, dois copos e uma jarra de água. Fez um frango assado com batatas e alecrim, sem sal demais. Tomou o remédio, mediu a pressão duas vezes e anotou. Treze por oito. Ajeitou o cabelo no reflexo do micro-ondas e esperou.André chegou às sete e dez. Estava cansado. Tinha passado o dia em reuniões com o jurídico e o contador, e a gravata estava solta no pescoço. Quando viu a mesa posta, parou na porta da cozinha.— O que aconteceu? — Parecia surpreso.— Nada. Senta.Ele sentou. Comeram em silêncio nos primeiros cinco minutos. Lavínia mexeu na batata com o garfo, sem comer. Ele percebeu.— Você disse que precisava me contar uma coisa. — Ele adiantou.— Três. — Ela corrigiu.— Três coisas.— Eu vou falar tudo de uma vez, e eu preciso que você me deixe terminar.André pousou o garfo. Cruzou as mãos em cima do mármore.— Pode falar.Lavínia respirou fundo. Sent

  • Casada com a Culpa: A Chef e o Marido em Dívida   Capítulo 25

    André ficou um tempo parado em frente à padaria, com o motor ligado e as mãos no volante, olhando a foto de Lavínia na tela do celular. Ela viu o maxilar dele se mexer duas vezes antes de ele falar.— Eu vou contratar alguém para descobrir quem foi.— Não.— Lavínia, alguém seguiu você. Tirou foto. Publicou. — Ele estava irritado. — Sabe-se lá o que mais essa pessoa pode fazer.— Eu sei. Mas eu não quero ninguém no meu pé. — Ela virou o corpo no banco para olhar para ele. — Eu quero que você pare de resolver tudo sozinho, André. Principalmente as coisas que são minhas.Ele apertou o volante com mais força. Os nós dos dedos ficaram brancos.— E se acontecer alguma coisa com você?— Se acontecer, eu te aviso.— Você não avisa nada. — Então vai ter que confiar.André respirou fundo e soltou o ar pelo nariz. Passou a mão no rosto e deixou os ombros caírem.— Está bem — disse. — Por enquanto.— Obrigada.Ele engatou a marcha e voltou para a avenida. Nenhum dos dois falou mais até chegarem

  • Casada com a Culpa: A Chef e o Marido em Dívida   Capítulo 24

    O consultório do Dr. Otávio estava com o ar-condicionado ligado demais. Lavínia sentou na cadeira da esquerda, com a bolsa no colo e as mãos apertando a alça. André ocupou a da direita, com o paletó dobrado sobre os joelhos e a coluna reta. Entre os dois havia uma distância de um braço, que nenhum tentou encurtar. Antes de entrarem, na sala de espera, André preencheu sozinho a ficha dela, com a letra apertada. Lavínia o observou escrever de memória o número do convênio, a data de nascimento, o tipo sanguíneo, o nome dos remédios. Ele sabia tudo. Ela sentiu uma coisa confusa, uma mistura de carinho e irritação, e desviou o olhar para a revista que não ia ler. Otávio entrou com uma pasta, sentou, abriu e leu em silêncio por quase um minuto. Lavínia reparou que a testa dele ficou franzida duas vezes. Sentiu um aperto no peito. — Eu preciso fazer uma pergunta antes de começar — disse ele, levantando os olhos. — Lavínia, você autoriza que eu fale sobre o seu quadro na frente do seu mari

  • Casada com a Culpa: A Chef e o Marido em Dívida   Capítulo 23

    André esperou quarenta minutos na sala do hospital, sentado numa cadeira de plástico, com os joelhos balançando. Quando a porta do consultório abriu e o Dr. Otávio apareceu de jaleco e óculos, ele se levantou depressa. — Entra, André. Os dois se sentaram. Otávio cruzou as mãos sobre a mesa, e André notou que o médico não olhava para a gaveta onde guardava as pastas dos pacientes. — Eu sei por que você veio — disse Otávio. — E sei que você sabe que eu não posso discutir um paciente sem autorização. — Ela é minha esposa. — E é uma paciente. Mesmo assim. — Otávio tirou os óculos e os esfregou na manga. — Mas eu posso te perguntar uma coisa. Por que você acha que ela escondeu isso de você? André baixou a cabeça. Apoiou os cotovelos nos joelhos e ficou olhando para o chão. — Porque eu a trato como se ela fosse um objecto frágil. — E você trata? — Trato. — Ele devia estar com vergonha. — Então talvez ela tenha medo de que você faça justamente isso agora. André passou as duas mão

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