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CAPÍTULO 5 — O REENCONTRO

ผู้เขียน: Luci Carvalho
last update วันที่เผยแพร่: 2026-10-02 09:40:18

Depois daquele incidente, Anamaria não pensou em Juan Fran. Pelo menos foi isso que decidiu dizer a si mesma. Era uma decisão bastante conveniente, porque ninguém poderia provar o contrário. Ela voltou para o apartamento dela naquela tarde, colocou as sacolas sobre a cama, guardou algumas coisas, deixou outras espalhadas pelo quarto e seguiu a vida normalmente. Ou o mais próximo de normalmente que alguém como Anamaria conseguia chegar. Saiu com as amigas, foi dançar naquele sábado. Continuou sua rotina como antes.

E, no domingo à noite, encontrou o cartão. Estava dentro da bolsa. Ela o tirou. Olhou. Colocou sobre a mesa. Continuou fazendo outra coisa. Depois de alguns minutos, voltou a olhar. Era ridículo. Ela nem sabia por que ainda estava com aquilo. O homem era um desconhecido. Um desconhecido irritante. Um desconhecido convencido. Um desconhecido bonito. Ela pegou o cartão e colocou dentro de uma gaveta. Problema resolvido.

No dia seguinte, abriu a gaveta procurando outra coisa e encontrou o cartão. Pegou-o, olhou bem e pensou: “Por que não?” Depois o devolveu à gaveta. No quinto dia, levou-o na bolsa. No nono, guardou-o outra vez. No décimo, começou a considerar a possibilidade de ligar. No décimo primeiro, tornou a procurá-lo. No décimo quarto, finalmente pegou o telefone.

Foi assim. Sem grandes acontecimentos. Apenas quatorze dias de uma mulher tentando convencer a si mesma de que não estava curiosa. Naquela manhã, Anamaria estava sentada na beirada da cama. O cartão estava entre os dedos. Ela leu novamente o nome:

Juan Fran Guzman.

O número vinha logo abaixo. Nada além disso.

Fiz uma pausa, deixando o silêncio se instalar por um segundo antes de continuar.

— E aqui, pessoal, é onde eu preciso corrigir uma coisa que talvez vocês estejam supondo. Porque a versão fácil dessa história seria minha irmã inventando uma desculpa esfarrapada só para ter um motivo de falar com ele de novo, escondendo o quanto estava interessada atrás de um pretexto ridículo. Mas não foi bem assim.

— Não? — perguntou Tomás, o rapaz de óculos, colega de trabalho de Javier e que estava dividindo a mesa comigo desde o início da festa.

— Não. Minha irmã, apesar de todo o teatro e de todo o drama, tem uma coisa que sempre admirei nela: quando decide algo, vai atrás sem se esconder em desculpas bobas. E o que decidiu, depois de alguns dias remoendo aquele encontro, foi que — nas palavras dela mesma — “aquele homem tinha sido grosso demais na primeira impressão e merecia uma segunda chance de se desculpar direito”.

— Espera — interrompeu Lúcia, os olhos brilhando —, então ela ligou para dar uma segunda chance para ele?

— Precisamente isso. Sem fingir que era sobre um brinco perdido ou um sapato riscado, sem inventar história mirabolante. Ela simplesmente pegou o celular. Digitou o número, apertou para chamar. Um toque. Dois. No quarto, alguém atendeu.

— Juan Fran.

Anamaria ficou em silêncio. A voz era exatamente como ela lembrava. Calma. Séria. Controlada. Irritantemente controlada.

— Oi.

Houve uma pequena pausa.

— Quem fala?

Ela fechou os olhos. Ele não tinha como saber que era ela. Por algum motivo, isso a deixou um pouco decepcionada.

— Ana. Do incidente na Passeig de Gràcia, há alguns dias.

Do outro lado, silêncio. Depois:

— Ah.

Segundo a própria Anamaria, ela revirou os olhos e quase desligou.

— Eu estava ligando por causa daquele dia.

— Da colisão?

— Não precisa chamar de colisão.

— Foi uma colisão.

Ela respirou fundo.

— Você também não estava prestando atenção.

— É, eu estava distraído.

— Então foi culpa dos dois.

— Concordo.

— Você foi rude comigo naquele dia e nem teve a decência de se desculpar direito depois de derrubar todas as minhas compras. Acho que merece uma segunda chance de fazer isso.

A mesa toda riu e Marta bateu palma de leve.

— Isso é... incrivelmente ela — comentei, ainda rindo da própria lembrança da história. — Porque, convenhamos, é o tipo de abordagem que só funciona quando você já sabe, no fundo, que a pessoa do outro lado da linha também está louca para uma desculpa de te ligar de volta. Ela transformou o próprio orgulho numa vantagem, o que só prova que os dois eram parecidos demais para dar errado.

— E ele caiu na conversa? — perguntou Javier.

— Caiu direitinho. Juan Fran, do jeito sério e cavalheiro que é, aceitou na hora, meio sem graça, admitindo que sim, tinha sido rude, e que devia mesmo uma desculpa como deve ser. E aí, amigos, foi ele quem sugeriu:

— Deixa eu te pagar um café, ou algo mais decente, para me redimir direito?

Anamaria sentiu o coração dar uma pequena cambalhota.

O que era absurdo. Era apenas um café.

— Um encontro?

— É.

Ela sorriu.

— Você sempre convida mulheres para um encontro depois de discutir com elas na rua?

— Não.

— Então por que eu?

Houve uma pequena pausa.

— Porque você ligou.

— E ela aceitou? — perguntou Tomás, ansioso.

— Aceitou. Sem hesitação, sem joguinho de orgulho. A desculpa já tinha cumprido o papel de justificar, para ela mesma, o quanto estava interessada. Marcaram, então, para poucos dias depois, num bar de t***s perto da faculdade. O encontro virou vinho e t***s, o que combinava bastante com os dois.

Do outro lado de Barcelona, Juan Fran guardou o telefone e ficou olhando para a tela apagada por alguns segundos. Eu estava sentado diante dele e percebi imediatamente a expressão do meu amigo.

— Quem era?

— Ninguém — Juan Fran guardou o celular no bolso.

— Ninguém liga e deixa você com essa cara.

— Que cara?

— Essa cara.

Juan Fran tentou parecer sério. Não conseguiu completamente.

— Uma mulher que eu conheci há duas semanas.

— Aaahhh. — Abri um sorriso.

— Nem começa.

— Eu não disse nada.

— Mas pensou.

— Claro que pensei.

Juan Fran balançou a cabeça.

— É só um café.

Juan Fran pegou o copo sobre a mesa, deu dois goles, me chamou de insuportável, não quis admitir que tinha ficado nervoso e não quis me contar o nome da garota com quem iria “só tomar um café”.

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