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Casei com o entregador… BILIONÁRIO!
Casei com o entregador… BILIONÁRIO!
Author: Autora Vanessa

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last update publish date: 2026-10-29 02:42:45

Capítulo 1 — O dia em que meu primeiro amor me destruiu

Narradora: Isabella

Acordei sorrindo.

Eram seis horas da manhã, e eu já estava de pé, parada diante do pequeno espelho pendurado na parede do meu quarto, tentando controlar a ansiedade que fazia meu coração bater tão depressa.

Naquela manhã, eu me casaria.

Eu, Isabella Duarte, aos vinte e um anos, finalmente realizaria o sonho que carregava desde menina. Teria uma família, uma casa para chamar de nossa e alguém esperando por mim no fim de cada dia.

Pelo menos era nisso que eu acreditava.

— Meu Deus, Isabella, você vai casar! — murmurei para meu próprio reflexo, levando as mãos ao rosto. — Você vai casar!

Comecei a rir sozinha, feito uma maluca.

Minha casa era pequena, escondida em um beco estreito da parte mais pobre da Rocinha. A parede da cozinha precisava de uma pintura, a janela do quarto não fechava direito e o chuveiro tinha o péssimo hábito de decidir sozinho quando queria funcionar.

Mas era minha.

Eu pagava minhas contas com o salário de secretária na escola da comunidade, fazia compras contando cada real e, quando sobrava alguma coisa, guardava um pouquinho para o futuro.

Nunca tive uma vida luxuosa. Nunca precisei de roupas de marca ou restaurantes caros para ser feliz.

Eu só queria ser amada.

E Roberto havia me prometido exatamente isso.

Peguei o vestido branco que estava pendurado atrás da porta. Era simples, com a cintura marcada e uma saia delicada que chegava pouco abaixo dos joelhos. Não custara uma fortuna, mas eu havia passado semanas procurando um modelo que coubesse no meu orçamento.

Quando o vesti, fiquei alguns segundos olhando para mim mesma.

Pela primeira vez na vida, senti que estava vivendo uma daquelas histórias de amor que eu costumava ler escondida antes de dormir.

Roberto seria meu marido.

O primeiro homem que beijei. O primeiro por quem chorei de saudade. O primeiro que conheceu meus medos, minhas inseguranças e meus sonhos.

Nós nos conhecíamos havia quase três anos. Durante esse tempo, ele segurou minha mão em dias difíceis, levou flores quando eu estava triste e prometeu tantas vezes que construiríamos uma família que, em algum momento, deixei de imaginar um futuro sem ele.

Eu realmente acreditava que o conhecia.

Terminei de arrumar os cabelos, passei um batom rosado e peguei o pequeno buquê de flores brancas que havia comprado no dia anterior.

Meu celular vibrou.

Sorri imediatamente, imaginando que fosse uma mensagem de Roberto.

Mas era apenas Mariana, minha melhor amiga.

Mariana: AMIGA, PELO AMOR DE DEUS, ME MANDA UMA FOTO! VOCÊ JÁ ESTÁ PRONTA?

Ri e tirei uma fotografia diante do espelho.

Eu: Estou pronta! Estou nervosa, Mah. Acho que vou desmaiar.

Mariana: Se desmaiar, desmaia depois de assinar os papéis. Não quero que esse casamento seja cancelado por falta de noiva!

Eu: Idiota! KKKKKKK.

Mariana: Falando sério agora… você está linda. Vai dar tudo certo, amiga. Você merece ser muito feliz.

Fiquei olhando para a última mensagem por alguns segundos.

Você merece ser muito feliz.

Eu merecia mesmo.

Depois de tudo o que havia enfrentado, queria acreditar que finalmente chegara a minha vez.

Peguei a bolsa, conferi os documentos e saí de casa.

O beco estava começando a despertar. Uma vizinha varria a entrada, um homem empurrava um carrinho de mercadorias e duas crianças corriam pela rua estreita, atrasadas para a escola.

— Vai casar, Isabella? — perguntou dona Cida, a vizinha que mantinha uma pequena mercearia perto da minha casa.

Sorri, um pouco envergonhada.

— Vou, dona Cida!

Ela largou a vassoura e veio me abraçar.

— Que Deus abençoe vocês, minha filha! Que seu marido seja um homem de verdade, porque mulher trabalhadora como você merece alguém que cuide bem dela.

Aquelas palavras aqueceram meu coração.

— Obrigada. Depois eu venho aqui mostrar as fotos.

— Vou cobrar!

Continuei meu caminho com o buquê apertado contra o peito.

Eu não fazia ideia de que, poucas horas depois, desejaria voltar no tempo e nunca ter conhecido o homem com quem estava prestes a me casar.

Cheguei ao cartório às oito e quarenta.

Nosso horário estava marcado para as nove.

Havia algumas pessoas esperando atendimento, um casal discutindo perto da recepção e uma senhora tentando organizar os documentos dentro de uma pasta. Escolhi um lugar para me sentar e peguei o celular.

Nenhuma mensagem.

Estranhei.

Roberto havia dito que sairia cedo de casa. Na noite anterior, conversamos até quase meia-noite, e ele parecia tão animado quanto eu.

Ou, pelo menos, era o que eu pensava.

Abri nossa conversa e escrevi:

Eu: Amor, já estou aqui. Onde você está?

A mensagem foi entregue, mas ele não respondeu.

Olhei o horário.

Oito e cinquenta e dois.

Dez minutos depois, liguei.

Chamou até cair na caixa postal.

Franzi a testa.

Talvez estivesse preso no trânsito. Talvez tivesse esquecido alguma coisa em casa. Talvez estivesse nervoso.

Tentei encontrar uma explicação para cada minuto de atraso, porque a última coisa que eu queria era começar nosso casamento desconfiando do homem que amava.

Às nove e dez, mandei outra mensagem.

Eu: Roberto, está tudo bem? Estou ficando preocupada.

Nada.

Meu sorriso desapareceu aos poucos.

Comecei a sentir um aperto no peito, uma sensação desagradável que tentei afastar respirando fundo.

— Calma, Isabella — murmurei. — Ele vai chegar.

Mas os minutos continuavam passando.

Às nove e vinte, uma funcionária do cartório se aproximou.

— Moça, você está aguardando o noivo?

Forcei um sorriso.

— Estou, sim. Ele já deve estar chegando.

Ela assentiu gentilmente e voltou para o balcão.

Olhei ao redor.

Um casal que havia chegado depois de mim já estava assinando os documentos. A mulher segurava a mão do noivo e sorria enquanto uma funcionária explicava onde deveriam assinar.

Senti meus olhos arderem.

Não era possível que Roberto tivesse esquecido o próprio casamento.

Não depois de tudo o que havíamos planejado.

Peguei o celular novamente e liguei mais uma vez.

Dessa vez, ele atendeu.

— Roberto? Onde você está? — perguntei depressa. — Já passou do nosso horário. Está acontecendo alguma coisa?

Do outro lado, ouvi um barulho que parecia o de uma porta sendo fechada.

Depois, silêncio.

— Roberto?

— Estou chegando.

Soltei o ar que estava prendendo.

— Graças a Deus! Você me assustou. Aconteceu alguma coisa?

— Isabella, não começa.

Pisquei, confusa.

— Como assim, não começa?

— Estou chegando. Espera aí.

Ele desligou.

Fiquei olhando para a tela, sem entender a irritação em sua voz.

Meu coração continuava apertado, mas tentei me convencer de que estava apenas nervoso.

Afinal, casamentos eram momentos importantes. Talvez ele tivesse enfrentado algum problema de última hora.

Dez minutos depois, a porta do cartório se abriu.

E Roberto entrou.

Por um instante, meu coração disparou de alívio.

Ele estava usando o terno azul-marinho que eu havia elogiado quando o compramos. Os cabelos estavam impecáveis, e o perfume que eu conhecia tão bem chegou até mim quando ele se aproximou.

Mas havia algo errado.

Ele não estava sorrindo.

E não estava sozinho.

Uma mulher entrou ao lado dele, segurando seu braço como se tivesse todo o direito de estar ali.

Era linda. Cabelos longos e perfeitamente arrumados, vestido elegante, bolsa de grife e joias discretas que provavelmente custavam mais do que tudo o que eu possuía.

Ela olhava ao redor com uma expressão de impaciência.

Depois, voltou os olhos para Roberto.

— Você não disse que seria rápido?

Ele acariciou a mão dela.

Aquele gesto fez meu estômago afundar.

Eu conhecia aquela mão.

Conhecia os dedos que haviam segurado os meus durante tantas caminhadas, que haviam afastado meus cabelos do rosto e que tinham colocado uma aliança no meu dedo durante o pedido de casamento.

A mesma mão agora acariciava a de outra mulher.

Levantei-me devagar.

— Roberto?

Ele finalmente olhou para mim.

E eu soube.

Não sei explicar como. Talvez tenha sido a ausência de surpresa em seu rosto. Talvez a frieza de seus olhos. Talvez porque, em algum lugar dentro de mim, eu já tivesse percebido que aquele homem não havia chegado ali para se casar comigo.

— O que está acontecendo? — perguntei.

A mulher ao lado dele olhou para meu vestido e depois para o buquê.

Um sorriso discreto surgiu em seus lábios.

— Essa é ela?

Roberto não respondeu imediatamente.

Meu coração começou a bater tão forte que senti as mãos tremerem.

— Roberto, estou falando com você.

Ele soltou o braço da mulher e colocou as mãos nos bolsos da calça.

— Isabella, acho melhor você se sentar.

Soltei uma risada nervosa.

— Me sentar? Você está atrasado quase uma hora, aparece com uma mulher que eu nunca vi na vida e quer que eu me sente?

Algumas pessoas começaram a olhar para nós.

Senti o rosto queimar, mas não me importei.

Eu precisava de uma explicação.

— Quem é ela, Roberto?

A mulher ergueu o queixo.

— Carla.

— Eu não perguntei seu nome. Perguntei quem você é na vida do meu noivo.

Carla olhou para Roberto, como se esperasse que ele respondesse.

E ele respondeu.

— Ela é a mulher com quem eu vou ficar.

Por alguns segundos, não consegui compreender as palavras.

Elas chegaram aos meus ouvidos, mas minha mente se recusou a aceitá-las.

— O quê?

Roberto suspirou, impaciente.

— Eu não vou me casar com você, Isabella.

O cartório pareceu ficar em silêncio.

Eu olhei para ele, esperando que sorrisse, que dissesse que era uma brincadeira de péssimo gosto, que me abraçasse e explicasse que havia alguma coisa errada.

Mas ele apenas me encarou.

— Você está brincando comigo — sussurrei.

— Não estou.

Meu buquê escorregou um pouco entre meus dedos.

— Roberto, hoje é o nosso casamento.

— Eu sei muito bem que dia é hoje.

— Então por que está fazendo isso?

Ele passou a mão pelos cabelos e olhou para Carla antes de voltar a falar comigo.

— Porque eu não quero mais me casar com você.

Senti alguma coisa se partir dentro do meu peito.

— Mas… nós planejamos tudo. Você disse que me amava. Disse que queria construir uma família comigo.

— Isabella, pelo amor de Deus, não dificulta as coisas.

Aquela frase me atingiu como um tapa.

Não dificulte as coisas.

Como se eu fosse um problema.

Como se três anos de relacionamento pudessem ser descartados com a mesma facilidade com que alguém cancela um compromisso.

Dei um passo em sua direção.

— Você está me deixando no dia do nosso casamento. Na frente de todo mundo. E quer que eu não dificulte?

Roberto apertou a mandíbula.

— Eu não vou passar o resto da minha vida vivendo dessa maneira.

Olhei para ele sem entender.

— Dessa maneira como?

Ele fez um gesto vago em minha direção.

— Você sabe como, Isabella. Sempre contando dinheiro, sempre falando que precisamos economizar, sempre adiando as coisas porque não podemos pagar.

Meu rosto perdeu a cor.

— Nós dois trabalhamos. Estamos construindo nossa vida aos poucos. Você sempre concordou comigo!

— Porque era o que tinha para fazer naquela época.

Naquela época.

As palavras ficaram suspensas entre nós.

— E agora? — perguntei, quase sem voz.

Carla se aproximou dele e ajeitou a lapela de seu terno.

— Agora ele conheceu alguém que pode oferecer um futuro melhor.

Olhei para ela.

Depois para Roberto.

E, de repente, compreendi.

Não era apenas outra mulher.

Era o dinheiro dela.

A bolsa cara. As joias. As roupas. A maneira como Roberto a olhava, como se ela representasse tudo o que ele desejava.

— Você está me trocando por dinheiro? — perguntei.

Ele soltou uma risada sem humor.

— Não seja dramática.

— Eu estou perguntando se você está me trocando por dinheiro!

Minha voz saiu mais alta do que eu pretendia.

Algumas pessoas se viraram completamente para nós.

Roberto pareceu perder a paciência.

— Quer saber? Sim! Eu estou cansado de viver sem dinheiro, Isabella. Cansado de fazer planos que nunca saem do papel. Carla pode me oferecer uma vida que você nunca conseguiria.

Senti as lágrimas se acumularem nos olhos.

— Eu nunca pedi que você me desse uma vida de luxo.

— Esse é o problema! Você se contenta com tão pouco.

Fiquei imóvel.

Ele continuou:

— Você acha que trabalhar a vida inteira, morar num beco e contar moedas é suficiente. Eu não quero isso para mim.

Olhei para aquele homem e tentei encontrar o Roberto que eu conhecia.

O rapaz que me esperava na saída da escola.

O homem que me abraçava quando eu tinha um dia ruim.

O namorado que dizia que não precisava de uma mulher rica, porque já tinha tudo o que precisava em mim.

Onde ele estava?

Será que algum dia havia existido?

— Você me ama? — perguntei.

Roberto desviou os olhos por um instante.

Foi o suficiente para me fazer sentir medo da resposta.

— Roberto, olha para mim e responde. Você me amou alguma vez?

Ele respirou fundo.

— Isabella…

— Responde!

Minha voz falhou.

Ele me encarou.

E então disse:

— No começo, foi uma aposta.

O mundo parou.

Não ouvi mais o barulho das pessoas, os passos no corredor ou a voz da funcionária chamando alguém no balcão.

Só ouvi aquela frase.

No começo, foi uma aposta.

Levei a mão à boca.

— O quê?

Roberto pareceu perceber que havia ido longe demais, mas já não havia motivo para esconder.

— Eu apostei com meus amigos que conseguiria fazer você se apaixonar por mim e chegar até o casamento.

Senti as pernas fraquejarem.

— Você está mentindo.

— Não estou.

— Não…

Balancei a cabeça, tentando afastar aquelas palavras.

— Você me pediu em namoro. Disse que me amava. Conheceu minha família. Fez planos comigo…

— E você acreditou em tudo.

Ele falou aquilo com uma naturalidade cruel.

Como se minha confiança fosse motivo de vergonha.

Como se eu fosse culpada por ter acreditado no homem que dizia me amar.

— Quem são esses amigos? — perguntei, chorando. — Quem participou disso?

Roberto desviou o olhar.

— Isso não importa mais.

— Para mim, importa!

— Já chega, Isabella.

Carla consultou o relógio.

— Roberto, nós precisamos ir.

Ele assentiu e se virou para ela.

Foi naquele instante que alguma coisa dentro de mim mudou.

Até então, eu estava implorando por uma explicação, procurando uma razão para salvar as lembranças que tinha dele.

Mas Roberto não queria salvar nada.

Ele queria ir embora.

Então enxuguei as lágrimas com as costas da mão e respirei fundo.

— Você me fez acreditar que eu era a mulher da sua vida.

Ele ficou em silêncio.

— Eu economizei dinheiro para esse casamento. Recusei coisas que queria comprar porque acreditava que estava construindo um futuro com você. Eu defendia você quando as pessoas diziam que eu merecia alguém melhor.

Minha voz tremia, mas continuei.

— E você estava rindo de mim pelas costas?

Roberto não respondeu.

Aquele silêncio foi pior do que qualquer insulto.

— Eu nunca tive vergonha de ser pobre — falei. — Nunca tive vergonha da minha casa, do meu trabalho ou da vida que construí. Mas hoje você conseguiu me fazer sentir vergonha de uma coisa.

Ele finalmente olhou para mim.

— De quê?

Apertei o buquê contra o peito.

— De ter amado você.

Por um segundo, algo parecido com desconforto atravessou seu rosto.

Mas passou rápido.

Roberto tirou do bolso uma pequena caixa e a colocou sobre o balcão ao lado da recepção.

Dentro estava a aliança que eu havia escolhido para ele.

— Fica com isso — disse. — Não vamos precisar.

Olhei para a caixa.

Depois para a mão dele, onde não havia mais a aliança que eu lhe dera.

Ele já havia tirado.

Antes mesmo de chegar ao cartório.

Senti as lágrimas escorrerem novamente, mas não tentei escondê-las.

Eu o amava.

Essa era a parte mais humilhante.

Mesmo depois de tudo o que havia acabado de ouvir, uma parte de mim ainda queria que ele voltasse atrás, segurasse meu rosto e dissesse que estava arrependido.

Mas Roberto apenas estendeu a mão para Carla.

Ela a segurou imediatamente.

— Vamos? — perguntou.

— Vamos.

Ele passou por mim sem sequer tocar em meu ombro.

Sem pedir desculpas.

Sem olhar para trás.

A porta do cartório se fechou depois que os dois saíram.

E eu fiquei ali.

Vestida de noiva.

Com um buquê de flores brancas nas mãos e a certeza de que o homem que eu amava havia transformado meu coração em uma piada.

Não sei quanto tempo fiquei parada naquele lugar.

As pessoas voltaram às próprias vidas. A funcionária chamou outro casal. Alguém comentou alguma coisa em voz baixa, e eu fingi não ouvir.

Eu só queria desaparecer.

Entrei no banheiro do cartório, fechei a porta e me apoiei na pia.

Meu reflexo parecia o de outra pessoa.

O vestido branco continuava bonito. Meu cabelo ainda estava arrumado. O batom permanecia nos lábios.

Mas meus olhos…

Meus olhos estavam vermelhos, inchados, cheios de lágrimas.

Levei as mãos ao rosto e comecei a chorar de verdade.

Chorei pelo casamento que não aconteceu.

Pelos planos que fiz.

Pelas mensagens carinhosas que agora pareciam falsas.

Pelos abraços que talvez nunca tivessem significado nada.

Chorei porque Roberto havia sido meu primeiro amor, e eu não sabia como deixar de amar alguém que acabara de destruir tudo o que eu acreditava sobre nós.

Meu celular vibrou dentro da bolsa.

Por um instante, meu coração idiota teve esperança.

Peguei o aparelho depressa.

Era uma notificação de uma rede social.

Roberto havia publicado uma fotografia.

Na imagem, ele aparecia ao lado de Carla, sorrindo diante de um restaurante elegante. O braço dele estava ao redor da cintura dela.

A legenda dizia:

“Às vezes, precisamos escolher o futuro que merecemos. Feliz por finalmente estar ao lado da pessoa certa.”

Li uma vez.

Duas.

Na terceira, já não conseguia enxergar direito por causa das lágrimas.

A pessoa certa.

Eu havia passado três anos tentando ser a pessoa certa para ele.

E, aparentemente, nunca havia sido suficiente.

Apaguei a tela, tirei o véu e o coloquei dentro da bolsa. Não queria mais olhar para aquela roupa.

Eu precisava ir para casa.

Precisava tomar banho, tirar aquele vestido e fingir que aquele dia nunca havia existido.

Mas, quando saí do banheiro, ouvi uma voz masculina perto da recepção.

Uma voz irritada.

— Você está me dizendo que ela foi embora porque descobriu que eu não tinha dinheiro?

Parei no corredor.

O homem falava ao telefone, andando de um lado para o outro.

— Não, não. Espera aí. Ela sabia que eu trabalhava fazendo entregas! Sabia exatamente o que eu fazia!

Ele soltou uma risada amarga.

— Ah, entendi. O problema não era o trabalho. Era o dinheiro que ela achou que eu não tinha.

Fiquei observando discretamente.

Era alto, de ombros largos, cabelos pretos ligeiramente bagunçados e barba bem cuidada. Usava uma camiseta preta simples, calça jeans e tênis escuros. Tinha um capacete de motociclista preso debaixo do braço e uma expressão que deixava bastante claro que não estava disposto a aceitar desaforos.

Não parecia um homem rico.

Também não parecia alguém particularmente preocupado em impressionar os outros.

Ele escutou o que a pessoa do outro lado dizia e apertou a mandíbula.

— Pois ela que fique com a própria decisão. Não vou correr atrás de ninguém.

Desligou.

Guardou o celular no bolso e passou a mão pelo rosto.

Foi quando virou a cabeça.

E me viu.

Olhou para o vestido branco.

Para o buquê amassado que eu ainda segurava.

Depois para o meu rosto molhado de lágrimas.

Seus olhos escuros se estreitaram ligeiramente.

Por um instante, achei que ele fosse perguntar se eu precisava de ajuda.

Mas aquele homem parecia ter nascido sem o menor talento para delicadezas.

Ele inclinou a cabeça, observou meu vestido mais uma vez e soltou um suspiro.

— Pelo visto, hoje não foi um bom dia para nenhum de nós, hein, noivinha?

Mensagem da autora: Eita, meninas! 😭 Isabella foi destruída no dia em que deveria ser mais feliz. Mas quem será esse entregador que também acabou abandonado? Comentem, porque o encontro desses dois promete! ❤️‍🔥

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