LOGINCapítulo 3 — E se a gente se casasse?
Narrador: Murilo Eu não costumava perder tempo com desconhecidos. Muito menos com desconhecidas chorando em banheiros de cartório, vestidas de branco e carregando flores que, pelo visto, não teriam a quem entregar. Ainda assim, eu continuava sentado naquela cafeteria simples, diante de Isabella Duarte, como se não tivesse dezenas de assuntos esperando por mim. O celular vibrava no bolso da minha calça pela terceira vez em poucos minutos. Eu sabia quem estava ligando. Caio provavelmente já estava perdendo a paciência, e Jefinho devia estar inventando alguma desculpa para justificar meu desaparecimento. Problema deles. Naquele momento, eu estava ocupado demais tentando entender a mulher à minha frente. Isabella segurava o copo de café com as duas mãos, olhando para a rua através da vitrine. Seus olhos ainda estavam avermelhados, mas ela já não chorava. Havia alguma coisa interessante naquela garota. Ela tinha sido humilhada no dia do próprio casamento, descobrira que quase três anos da sua vida tinham sido uma mentira e, mesmo assim, não havia tentado despertar minha pena nem por um segundo. Não perguntou quanto eu ganhava. Não perguntou se aquela moto estacionada do lado de fora era minha. Muito menos tentou descobrir se eu tinha alguma coisa além daquela camiseta preta, da calça jeans e do capacete apoiado na cadeira. Nada. Ela simplesmente me tratava como um homem qualquer. E aquilo era tão incomum que chegava a ser desconcertante. — Está olhando para mim por quê? — Isabella perguntou, estreitando os olhos. Desviei a atenção do rosto dela para meu café. — Estou tentando descobrir se você sempre é tão simpática ou se o casamento cancelado melhorou seu humor. Ela soltou uma risada curta, sem nenhuma alegria. — Nossa, você é engraçadinho assim de fábrica ou fez algum curso? — Sou um talento natural. — Então devia pedir reembolso. Sorri de canto. Gostei da resposta. A maioria das pessoas calculava cada palavra quando falava comigo. Algumas tinham medo; outras tentavam agradar. Isabella, por outro lado, parecia disposta a me mandar para aquele lugar a qualquer momento. E eu estava gostando mais do que deveria. — Você sempre responde assim? — perguntei. — Só quando estou conversando com homens inconvenientes. — Então imagino que sua vida social seja bastante movimentada. — Mais do que você imagina. Ela ergueu o queixo, fingindo uma dignidade que quase me fez rir. Era evidente que estava tentando recuperar o controle depois de ter sido despedaçada por um sujeito que não merecia nem a sola do sapato dela. Eu conhecia aquele tipo de humilhação. Talvez por isso tivesse ficado ali. Por muito tempo, aprendi a desconfiar de qualquer pessoa que se aproximasse demais. Dinheiro atraía interesse. Poder atraía bajulação. E, quando alguém jurava gostar de mim, eu nunca sabia se estava falando com o homem ou com aquilo que poderia conseguir através dele. Minha última experiência tinha sido uma prova bastante desagradável disso. Bianca prometera ficar ao meu lado até que a vida nos separasse. Bastou acreditar que eu não tinha dinheiro para desaparecer sem sequer olhar para trás. Eu deveria estar acostumado. Mesmo assim, descobrir que alguém que dizia me amar só gostava da ideia de ser minha mulher ainda tinha sido uma pancada no orgulho. — Posso fazer uma pergunta? — Isabella interrompeu meus pensamentos. — Depende. — Você é sempre tão desconfiado? — Sou. — Deve ser cansativo. — Você não faz ideia. Ela me observou por alguns segundos, como se estivesse tentando decidir se havia alguma coisa por trás da minha resposta. Por um instante, achei que perguntaria sobre meu passado. Sobre minha família. Sobre o motivo de eu estar ali sozinho, prestes a me casar com uma mulher que aparentemente nem conhecia direito. Mas Isabella apenas tomou outro gole de café. — Bom, pelo menos você é sincero em alguma coisa. — E você é sempre tão curiosa? — Eu? Curiosa? Não estou nem aí para a sua vida, querido. Querido. A palavra saiu acompanhada de uma expressão tão debochada que precisei conter o sorriso. — Ainda bem. Eu estava preocupado. — Pode parar de se preocupar. Você não faz meu tipo. — E qual é o seu tipo? Ela abriu a boca, fechou novamente e me lançou um olhar indignado. — Você está tentando flertar comigo? — Estou tentando descobrir por que uma mulher tão mal-humorada resolveu continuar tomando café com um desconhecido. — Porque o desconhecido pagou o café. — Ah, então é interesseira? — Sou pobre, não sou burra. Café de graça é uma oportunidade que não se desperdiça. Dessa vez, ri de verdade. Uma risada baixa, espontânea, que pareceu surpreendê-la tanto quanto me surpreendeu. Isabella também sorriu, embora tentasse esconder o movimento dos lábios atrás do copo. E, por alguns segundos, a dor que nos havia reunido naquele lugar pareceu um pouco menor. — Então você trabalha com entregas? — ela perguntou depois de um tempo. Assenti. — Faço algumas entregas. Não era exatamente uma mentira. Eu tinha uma motocicleta, sabia conduzi-la e conhecia boa parte das ruas daquela cidade. O que Isabella não precisava saber era que aquele trabalho fazia parte de uma vida cuidadosamente construída para esconder outra muito maior. — Gosta? — Depende do cliente. — Se depender da minha experiência com homens, você deve ter bastante trabalho. — Você está generalizando. — Estou me baseando em fatos. — Um homem te deixou no cartório e agora todos nós somos culpados? Ela me encarou por cima do copo. — Não todos. Só os que merecem. — Justo. Houve uma pausa. Olhei para ela com mais atenção. O vestido branco era simples, sem grandes detalhes, mas estava bem cuidado. O pequeno buquê descansava sobre a mesa, um pouco amassado depois de tantas horas sendo segurado. Não havia luxo, joias caras ou qualquer tentativa de parecer alguém que não era. Isabella parecia ter preparado aquele dia com o pouco que tinha. E Roberto havia conseguido transformar tudo em motivo de vergonha. Minha mão se fechou involuntariamente ao redor do copo. Se aquele desgraçado estivesse na minha frente, eu provavelmente teria algumas palavras muito desagradáveis para dizer. Ou algo pior. Afastei o pensamento. Aquela história não era minha, e eu não precisava me meter em problemas alheios. Pelo menos era isso que eu deveria fazer. — Você mora por aqui? — perguntei. — Na Rocinha. A resposta veio sem hesitação. — E você? — Também conheço bem a região. Ela arqueou uma sobrancelha. — Isso não respondeu à minha pergunta. — Você é sempre tão exigente com as respostas? — Só quando o homem parece estar fugindo delas. Eu quase sorri. Aquela mulher tinha uma capacidade impressionante de perceber quando alguém tentava escapar de uma conversa. — Moro por perto — respondi, escolhendo as palavras com cuidado. Não era toda a verdade, mas era o suficiente para encerrar o assunto. Isabella pareceu perceber que eu não pretendia dizer mais nada. Em vez de insistir, ajeitou o buquê sobre a mesa e soltou um suspiro. — Eu deveria ir embora. — Deveria? — Deveria. Tenho uma casa para limpar, uma vida para reorganizar e uma amiga que provavelmente já está preparando um discurso de quarenta minutos sobre como sempre desconfiou do Roberto. — Ela vai dizer que nunca gostou dele? Isabella me apontou o dedo. — Com certeza. E o pior é que provavelmente vai estar certa. — Amigos adoram estar certos depois que tudo dá errado. — Principalmente quando podem dizer: “Eu avisei”. — Parece uma ótima amiga. — É uma ótima amiga. Só é insuportável quando tem razão. Sorri, observando-a recolher as coisas. Eu poderia ter deixado que fosse embora. Deveria ter levantado, colocado o capacete e seguido para minha vida, onde os problemas eram maiores do que um casamento desfeito. Mas havia uma pergunta que continuava martelando na minha cabeça. Uma pergunta tão absurda que, quando finalmente saiu da minha boca, até eu duvidei da minha sanidade. — Você ainda quer se casar hoje? Isabella congelou. O copo parou no meio do caminho até a boca dela. Ela me encarou como se eu tivesse acabado de confessar que pretendia assaltar o cartório. — O quê? Apoiei os cotovelos na mesa. — Você ouviu. Ela engasgou com o café e começou a tossir. Empurrei um guardanapo na direção dela, tentando não rir. — Você bateu a cabeça? — perguntou assim que conseguiu respirar. — Não. — Caiu da moto? — Também não. — Está usando alguma coisa? — Isabella… — Não, espera! Você precisa responder. Porque, sinceramente, não existe outra explicação para essa conversa. — Estou perguntando se você ainda quer se casar hoje. Ela colocou o copo sobre a mesa com força. — Você acabou de conhecer meu nome! — E você acabou de descobrir que seu ex é um canalha. Estamos ambos aprendendo coisas importantes hoje. Ela ficou de boca aberta. Eu não sabia se ela queria rir, me bater ou chamar alguém para me internar. Talvez as três coisas. — Você é completamente maluco. — Já me disseram. — E tem orgulho disso? — Depende do dia. — Pois hoje você está se superando. Deixei que terminasse de reclamar. Não pretendia obrigá-la a nada, muito menos convencer uma mulher ferida a tomar uma decisão que poderia destruir ainda mais sua vida. A verdade era que eu mesmo não sabia exatamente por que tinha feito aquela proposta. Talvez fosse o impulso de alguém que também havia sido rejeitado. Talvez fosse curiosidade. Ou talvez eu estivesse cansado de ver pessoas transformando dinheiro em condição para amar alguém. Isabella não sabia quem eu era. E eu queria descobrir como seria estar perto de uma mulher que não tivesse nenhuma expectativa sobre meu nome, minha fortuna ou o que eu poderia oferecer. — Escuta — comecei, deixando o tom de brincadeira de lado. — Não estou dizendo que precisamos sair daqui apaixonados, trocar juras de amor ou fingir que nos conhecemos há anos. Ela cruzou os braços. — Que bom, porque eu não estou apaixonada por você. — Seria preocupante se estivesse. Faz menos de uma hora que nos conhecemos. — Menos de uma hora e você já está me pedindo em casamento. — Tecnicamente, estou apresentando uma possibilidade. — Uma possibilidade absurda. — Não vou discordar. Ela apertou os lábios, tentando decidir se eu estava falando sério. Eu estava. Pelo menos, mais sério do que gostaria de admitir. — Dois desconhecidos — continuei. — Os dois foram abandonados por pessoas que achavam que dinheiro era mais importante do que qualquer outra coisa. Os dois tinham planos para hoje e acabaram vendo tudo desmoronar. Talvez a gente não precise voltar para casa fingindo que nada aconteceu. Isabella baixou os olhos para o buquê. — E o que você está propondo, exatamente? — Um casamento sem promessas impossíveis. Sem fingir que existe amor onde ainda não existe. A gente se conhece, aprende a conviver e descobre se consegue construir alguma coisa juntos. Ela soltou uma risada incrédula. — Você fala como se estivesse sugerindo dividir o aluguel de uma casa. — Casamento também envolve dividir uma casa, não envolve? — Você é inacreditável. — E você está evitando responder. Ela me olhou de um jeito que me fez perceber que eu tinha acertado em cheio. — Porque não existe resposta! — retrucou. — Eu não acredito em casamento sem amor, Murilo. Eu passei quase três anos acreditando que estava construindo uma vida com alguém. Achei que conhecia o Roberto. Achei que ele me amava. E hoje descobri que fui uma aposta idiota para ele. A voz dela falhou na última frase. Dessa vez, não fiz piada. Isabella respirou fundo, tentando recuperar o controle. — Não quero ser motivo de piada outra vez. Não quero acordar daqui a seis meses e descobrir que fui enganada por outro homem. E, definitivamente, não quero me casar só porque estou com raiva. A sinceridade dela me atingiu com mais força do que eu esperava. — Eu não quero que você faça isso por raiva — respondi. — Então por quê? A pergunta ficou suspensa entre nós. Porque eu queria provar que ainda era possível encontrar alguém que não me enxergasse como uma fortuna ambulante. Porque eu estava cansado de relações em que cada gesto parecia ter um preço. Porque aquela mulher, mesmo machucada, ainda tinha coragem de me olhar nos olhos e dizer que não queria ser enganada outra vez. Mas eu não podia contar tudo isso. Não ainda. — Porque talvez nós dois precisemos de um recomeço — respondi. — E porque eu não vou te pedir para me amar. Nem hoje, nem amanhã. Ela ficou em silêncio. — E se eu nunca amar você? — Então teremos sido dois adultos que tomaram uma decisão ruim. Isabella soltou uma gargalhada inesperada. — Meu Deus! Você é péssimo em fazer propostas românticas! — Não prometi romance. — Pelo menos isso. — Também não vou prometer que sou perfeito. — Ótimo. Porque eu já percebi que você é irritante. — E você é mandona. — Eu sou determinada. — Claro. — E não gosto que decidam as coisas por mim. — Ainda bem. Porque a decisão seria sua. Ela parou de sorrir. Aquela frase pareceu fazê-la pensar de verdade. Eu não insistiria. Se ela recusasse, eu aceitaria. A proposta tinha sido minha, mas a vida era dela. Meu celular vibrou novamente. Dessa vez, tirei o aparelho do bolso e olhei a tela. O nome de Caio apareceu, acompanhado de uma sequência de mensagens que prometiam uma conversa nada agradável quando eu voltasse. Ignorei todas. — Você não vai atender? — Isabella perguntou. — Não é importante. — Você tem certeza? Seu celular parece estar implorando por socorro. — Ele é dramático. — Combina com você. Guardei o aparelho. Ela balançou a cabeça, ainda incrédula, e se levantou. — Eu vou embora antes que você invente de me pedir para comprar uma casa, adotar cinco cachorros e escolher os nomes dos nossos filhos. — Cinco cachorros? Você gosta de animais? Ela me olhou, horrorizada. — Não acredito que você está levando essa parte a sério! Ri enquanto me levantava também. Ela pegou o buquê, ajeitou a saia do vestido e caminhou em direção à saída. Eu a acompanhei até a porta, sem saber se aquele seria nosso último encontro ou se a vida ainda tinha alguma surpresa preparada. O sol da tarde iluminava a rua, e o movimento seguia normalmente. Pessoas entravam e saíam do cartório, carros buzinavam, vendedores anunciavam seus produtos. O mundo não havia parado só porque duas pessoas tinham sido abandonadas. Isabella parou na calçada. — Obrigada pelo café — disse, sem me encarar. — Disponha. — E pela conversa. — Você também foi uma companhia interessante. Ela virou o rosto para mim. — Não se acostume. Eu não costumo conversar com homens que propõem casamento antes de perguntar meu sobrenome. — Vou tentar melhorar minha abordagem. — Faça isso. Ela deu alguns passos, mas parou de repente quando o celular vibrou em sua mão. Observei sua expressão mudar. O pouco de leveza que havia conquistado durante nossa conversa desapareceu, substituído por uma mistura de incredulidade e raiva. — O que foi? — perguntei. Ela não respondeu. Virou a tela na minha direção por um instante. Uma fotografia de Roberto e Carla aparecia no perfil dele. Os dois estavam juntos, sorrindo, como se aquele dia fosse uma grande vitória. Carla segurava o braço dele, exibindo um anel brilhante, enquanto Roberto parecia satisfeito com a própria escolha. A legenda dizia: “Às vezes, precisamos deixar o passado para trás e escolher o futuro que merecemos. Feliz por finalmente estar ao lado da pessoa certa.” Senti meu maxilar travar. Que desgraçado arrogante. Ele não havia se contentado em humilhá-la no cartório. Precisava esfregar a nova conquista na cara dela, como se Isabella fosse apenas um obstáculo que finalmente tinha conseguido remover do caminho. Olhei para a jovem ao meu lado. Ela não chorava. Seus olhos estavam fixos na tela, e sua mão apertava o celular com tanta força que imaginei que fosse quebrá-lo. — Isabella… — Não. A resposta saiu baixa, mas firme. Ela bloqueou a tela e guardou o aparelho na bolsa. — Não vou dar esse gostinho a ele. — Ótimo. — Ele quer que eu veja. Quer que eu fique chorando, implorando, perguntando o que fiz de errado. — E você não precisa fazer nada disso. Ela respirou fundo e ergueu o rosto. — Eu sei. Havia raiva em seus olhos, mas também alguma coisa diferente. Uma determinação que não estava ali quando nos conhecemos. — Só não faça nada para se vingar dele — aconselhei. — Não deixe que aquele idiota decida o que você vai fazer da própria vida. Isabella virou-se para mim devagar. — E quem disse que eu faria isso por ele? Fiquei em silêncio. Ela deu um passo na minha direção, segurando o pequeno buquê contra o corpo. — Você disse que não precisa existir amor no começo. Disse que não vai me obrigar a nada e que a decisão seria minha. — Disse. — E você também foi abandonado hoje. — Fui. Ela me examinou por alguns segundos. Dessa vez, não havia deboche em seu olhar, nem a desconfiança divertida com que me tratara durante a conversa. Havia medo. E coragem. Uma combinação perigosa. — Murilo, eu não conheço você. Não sei onde mora, não sei quase nada sobre sua vida e tenho certeza de que vou me arrepender de pelo menos metade das coisas que você disser. — Você está vendendo muito bem a ideia. — Cala a boca. Estou falando sério! Levantei as mãos, rendido. Ela respirou fundo mais uma vez. — Eu não quero me casar para provar nada ao Roberto. Quero que isso fique muito claro. — Está claro. — E não vou aceitar que um homem controle minha vida só porque tem uma aliança no meu dedo. — Não pretendo controlar você. — Também não vou abandonar meu trabalho, minhas amigas ou minha liberdade. — Certo. — E, se eu descobrir que você mentiu para mim sobre alguma coisa importante, pode ter certeza de que não vou ficar quieta. Aquela última condição quase me fez sorrir. Se ela soubesse quantas coisas eu ainda não podia contar… — Você sempre apresenta uma lista de exigências antes de aceitar um encontro? — provoquei. — Isso não é um encontro! — Então imagino que o casamento seja mais formal. — Murilo! Ri baixinho. Ela tentou manter a expressão séria, mas o canto de sua boca tremeu. E então, pela primeira vez desde que a conheci, Isabella pareceu realmente considerar a possibilidade de que aquele dia ainda pudesse lhe trazer alguma coisa além de sofrimento. Meu coração bateu um pouco mais forte, embora eu não tivesse intenção de admitir isso nem sob ameaça. Eu não sabia o que aconteceria se ela aceitasse. Não sabia se conseguiríamos conviver, se nossas diferenças acabariam nos afastando ou se aquela proposta maluca se tornaria a pior decisão das nossas vidas. Mas eu queria descobrir. Isabella apertou o buquê entre os dedos, ergueu o queixo e me encarou. — Se eu aceitasse, você realmente se casaria comigo? Dessa vez, não sorri. Olhei diretamente nos olhos dela. — Sim, Isabella. Eu me casaria com você. O silêncio que veio depois pareceu durar uma eternidade. Ela olhou para o cartório atrás de nós, depois para a rua e, finalmente, para mim. — Então acho melhor você começar a me explicar como pretende fazer isso. Meu celular vibrou novamente. Na tela, uma mensagem de Caio apareceu: “Patrão, onde o senhor está? Precisamos resolver um problema urgente.” Virei o aparelho para baixo antes que Isabella pudesse ler. Porque, naquele instante, eu estava prestes a tomar uma decisão que mudaria minha vida inteira. E, pela primeira vez em muito tempo, não fazia ideia se estava prestes a cometer um erro… Ou encontrar algo que nem toda a minha fortuna seria capaz de comprar. Recadinho da autora ❤️🔥 MEU DEUS, MENINAS! 😱 Isabella vai mesmo aceitar casar com esse entregador misterioso? E por que será que o celular dele não para de tocar? Comentem, porque no próximo capítulo esse casamento pode sair do papel! 💍Capítulo 6 — Bem-vindo ao meu mundoNarradora: IsabellaEu tinha acabado de me casar com um homem que conhecia havia poucas horas.Meu marido era um entregador de motocicleta, tinha um senso de humor duvidoso, atendia ligações misteriosas e parecia considerar normal propor casamento a uma desconhecida depois de tomar café com ela.Definitivamente, minha vida tinha saído dos trilhos.E, antes que eu fosse parar em algum lugar desconhecido, havia uma coisa que precisava fazer.Murilo precisava conhecer a minha realidade.Não queria que ele imaginasse que eu era uma mulher rica, nem que tivesse expectativas sobre o que eu poderia oferecer. Eu não tinha uma vida luxuosa, não possuía carros importados e muito menos uma conta bancária recheada.Eu tinha meu trabalho, minha casinha e as coisas que conseguira conquistar com muito esforço.Era pouco para algumas pessoas.Para mim, era tudo.— Murilo, vamos passar na minha casa primeiro — anunciei, enquanto caminhávamos em direção à motocicleta
Capítulo 5 — Meu marido é um entregadorNarrador: MuriloEu tinha enfrentado homens armados, resolvido problemas que fariam muita gente perder o sono e tomado decisões capazes de mudar o destino de centenas de pessoas.Mas nada, absolutamente nada, havia me preparado para sair de um cartório com uma esposa que ameaçava me colocar no meu devido lugar a cada cinco minutos.— Você está sorrindo por quê? — Isabella perguntou, caminhando ao meu lado.Apaguei o sorriso imediatamente.— Não estou sorrindo.— Está, sim. Está com essa cara de quem acabou de aprontar alguma coisa.— Talvez eu esteja feliz por ter me casado.Ela parou no meio da calçada.— Você está feliz?Olhei para ela.— Quer que eu chore?— Não, mas… Murilo, nós nos conhecemos hoje!— Você já mencionou isso umas vinte vezes.— E vou mencionar mais vinte, se for necessário! Você tem noção de que agora somos marido e mulher?Olhei para a aliança no meu dedo.Era uma peça simples, discreta, mas parecia estranhamente importante.
Capítulo 4 — Um casamento sem amorNarradora: IsabellaEu devia estar completamente maluca.Essa era a única explicação razoável para o fato de estar parada na calçada de um cartório, usando um vestido branco, segurando um buquê amassado e considerando seriamente me casar com um homem cujo sobrenome eu sequer sabia.Um desconhecido!Um entregador que eu conhecera havia poucas horas e que, aparentemente, tinha perdido o juízo junto com a noiva dele.Olhei para Murilo, que continuava me encarando com uma tranquilidade irritante.— Você está esperando uma resposta? — perguntei.— Estou.— Pois pode esperar sentado.Ele olhou para o banco próximo à entrada.— Tem um ali.Fechei os olhos por um instante.Meu Deus, me dá paciência, porque, se me der força, eu vou bater nesse homem com o buquê!— Você não leva nada a sério?— Levo. Só não vejo motivo para transformar tudo em um funeral.— Eu acabei de ser abandonada no dia do meu casamento!— Eu sei. Estava lá quando você quase engasgou com
Capítulo 3 — E se a gente se casasse?Narrador: MuriloEu não costumava perder tempo com desconhecidos.Muito menos com desconhecidas chorando em banheiros de cartório, vestidas de branco e carregando flores que, pelo visto, não teriam a quem entregar.Ainda assim, eu continuava sentado naquela cafeteria simples, diante de Isabella Duarte, como se não tivesse dezenas de assuntos esperando por mim.O celular vibrava no bolso da minha calça pela terceira vez em poucos minutos. Eu sabia quem estava ligando. Caio provavelmente já estava perdendo a paciência, e Jefinho devia estar inventando alguma desculpa para justificar meu desaparecimento.Problema deles.Naquele momento, eu estava ocupado demais tentando entender a mulher à minha frente.Isabella segurava o copo de café com as duas mãos, olhando para a rua através da vitrine. Seus olhos ainda estavam avermelhados, mas ela já não chorava. Havia alguma coisa interessante naquela garota. Ela tinha sido humilhada no dia do próprio casamen
Capítulo 2 — Você também foi descartado?Narradora: Isabella— Pelo visto, hoje não foi um bom dia para nenhum de nós, hein, noivinha?Encarei o desconhecido por alguns segundos, tentando decidir se estava diante de um homem sem noção ou se o universo havia resolvido me castigar com mais uma humilhação naquela manhã.Eu acabara de ser abandonada no dia do meu casamento. Meu primeiro namorado havia confessado que me conquistara por causa de uma aposta, me trocado por uma mulher rica e ido embora sem olhar para trás.E aquele sujeito estava me chamando de noivinha como se estivéssemos conversando sobre o tempo!— Você sempre aborda mulheres chorando ou hoje é uma ocasião especial? — perguntei, limpando o rosto.Ele ergueu uma sobrancelha.— Depende. Você sempre recebe desconhecidos com essa simpatia ou eu tive o privilégio?Revirei os olhos.— O meu dia não é da sua conta.— Ainda bem. Porque, se fosse, eu pediria reembolso.Abri a boca, indignada.Aquele homem estava brincando comigo?
Capítulo 1 — O dia em que meu primeiro amor me destruiuNarradora: IsabellaAcordei sorrindo.Eram seis horas da manhã, e eu já estava de pé, parada diante do pequeno espelho pendurado na parede do meu quarto, tentando controlar a ansiedade que fazia meu coração bater tão depressa.Naquela manhã, eu me casaria.Eu, Isabella Duarte, aos vinte e um anos, finalmente realizaria o sonho que carregava desde menina. Teria uma família, uma casa para chamar de nossa e alguém esperando por mim no fim de cada dia.Pelo menos era nisso que eu acreditava.— Meu Deus, Isabella, você vai casar! — murmurei para meu próprio reflexo, levando as mãos ao rosto. — Você vai casar!Comecei a rir sozinha, feito uma maluca.Minha casa era pequena, escondida em um beco estreito da parte mais pobre da Rocinha. A parede da cozinha precisava de uma pintura, a janela do quarto não fechava direito e o chuveiro tinha o péssimo hábito de decidir sozinho quando queria funcionar.Mas era minha.Eu pagava minhas contas







