LOGINCapítulo 6 — Bem-vindo ao meu mundo
Narradora: Isabella Eu tinha acabado de me casar com um homem que conhecia havia poucas horas. Meu marido era um entregador de motocicleta, tinha um senso de humor duvidoso, atendia ligações misteriosas e parecia considerar normal propor casamento a uma desconhecida depois de tomar café com ela. Definitivamente, minha vida tinha saído dos trilhos. E, antes que eu fosse parar em algum lugar desconhecido, havia uma coisa que precisava fazer. Murilo precisava conhecer a minha realidade. Não queria que ele imaginasse que eu era uma mulher rica, nem que tivesse expectativas sobre o que eu poderia oferecer. Eu não tinha uma vida luxuosa, não possuía carros importados e muito menos uma conta bancária recheada. Eu tinha meu trabalho, minha casinha e as coisas que conseguira conquistar com muito esforço. Era pouco para algumas pessoas. Para mim, era tudo. — Murilo, vamos passar na minha casa primeiro — anunciei, enquanto caminhávamos em direção à motocicleta. Ele parou e me olhou. — Na sua casa? — Isso mesmo. Você acabou de se casar comigo. Acho justo conhecer o lugar onde sua esposa mora. Ele pareceu pensar por alguns segundos. — Certo. A facilidade com que concordou me surpreendeu. — Só isso? Você não vai perguntar por quê? — Você quer ir para sua casa. Vamos para sua casa. — Nossa, que marido compreensivo! — Não se acostume. Revirei os olhos. — Sabia que tinha alguma coisa errada nessa história. Murilo soltou uma risada e me entregou o capacete. Coloquei-o na cabeça, ajeitei a tira com cuidado e subi na motocicleta. Dessa vez, não precisei de ajuda para prender o fecho, o que considerei uma pequena vitória pessoal. — Pronta? — ele perguntou. — Não. — Quer voltar para casa? — Quero chegar à minha casa. É diferente. Ele balançou a cabeça, divertindo-se, e ligou a moto. Durante o trajeto, fiquei observando as ruas conhecidas da Rocinha. Eu gostava de morar ali. Apesar das dificuldades, dos becos apertados e dos problemas que faziam parte da rotina de muita gente, aquele lugar também era cheio de vida. Eu conhecia os comerciantes, cumprimentava os vizinhos e sabia onde encontrar a melhor comida quando chegava cansada do trabalho. Era a minha comunidade. Meu lugar. E eu não tinha vergonha disso. Quando Murilo diminuiu a velocidade e entrou em uma das ruas mais estreitas, percebi que ele conduzia a motocicleta com uma familiaridade impressionante. Desviava dos buracos sem hesitar, sabia onde precisava diminuir a velocidade e parecia conhecer cada curva. — Você conhece bem essa região, hein? — comentei. — Conheço algumas ruas. — Algumas? Você está dirigindo como se tivesse nascido aqui. — Talvez eu tenha um talento especial para encontrar caminhos. — Ou talvez você seja mais misterioso do que deveria. Ele não respondeu. Apenas continuou dirigindo. Mais um ponto para a minha lista de coisas estranhas sobre meu marido. Quando chegamos ao beco onde eu morava, pedi que Murilo estacionasse perto de um pequeno comércio. Dona Cida estava na porta, organizando algumas mercadorias, e levantou a cabeça assim que me viu. — Isabella! Minha filha, você voltou! Abri um sorriso. — Voltei, Dona Cida! Ela largou o que estava fazendo e se aproximou. Seus olhos passaram por mim, pelo vestido que eu ainda usava e, finalmente, pelo homem que descia da motocicleta atrás de mim. A expressão dela mudou imediatamente. — Ué… E esse rapaz? Prendi uma risada. Eu sabia que aquela pergunta viria. — Dona Cida, esse é o Murilo. — Muito prazer, senhora — ele cumprimentou, educado. Ela apertou os olhos, examinando-o dos pés à cabeça. — Prazer. Mas você é o quê da minha menina? Olhei para Murilo. Ele olhou para mim. E então respondeu, com a maior tranquilidade do mundo: — Marido. Dona Cida levou a mão à boca. — O QUÊ?! Eu queria desaparecer. — Dona Cida, fala baixo! — Como assim, marido? Isabella Duarte, você saiu daqui hoje vestida de noiva para casar com um homem e voltou casada com outro? Suspirei. — A senhora pode, por favor, não anunciar minha vida inteira para o beco? Ela olhou para os lados, percebendo que algumas pessoas já estavam prestando atenção. — Minha filha, mas eu só estou tentando entender! Murilo, o traidor, parecia estar se divertindo. — Foi um dia cheio de acontecimentos — comentou. Virei-me para ele. — Você está gostando disso, não está? — Um pouco. — Eu vou me divorciar. Dona Cida arregalou os olhos. — Mas já?! Murilo soltou uma gargalhada. Eu cobri o rosto com as mãos. Meu casamento tinha durado menos de um dia e eu já estava passando vergonha diante da vizinhança inteira. Maravilhoso. — Entrem, entrem — Dona Cida finalmente disse, recuperando a compostura. — Quero conhecer melhor esse rapaz. — Não precisa, Dona Cida. Estamos com pressa. — Ah, mas agora precisa, sim! Ela lançou outro olhar desconfiado para Murilo. — E você, rapaz, trate bem essa menina. Ela trabalha, corre atrás das coisas dela e nunca fez mal a ninguém. Não quero saber de homem dando desgosto para ela. Murilo ficou sério. — Pode ficar tranquila. Não pretendo machucá-la. Por algum motivo, a resposta me fez olhar para ele. Não havia brincadeira na voz dele. Dona Cida pareceu satisfeita. — Assim espero. Agradeci rapidamente, puxei Murilo pelo braço e praticamente o arrastei para dentro do beco antes que a vizinha resolvesse organizar uma festa para anunciar meu casamento. — Você podia ter me ajudado! — reclamei assim que ficamos longe. — Eu ajudei. — Como? — Disse que sou seu marido. Parei de andar. — Murilo, você é impossível! Ele sorriu. — Você precisa parar de repetir isso. Estou começando a acreditar que é a única coisa que sabe dizer. Dei um tapa leve no braço dele e continuei andando. Ouvi sua risada atrás de mim. Infelizmente, eu estava começando a achar aquela risada bonita. E isso era um problema. Minha casa ficava no final do beco, depois de uma pequena curva onde a iluminação da rua era ainda pior. Era uma construção modesta, com paredes simples, uma porta antiga e uma janela que precisava de alguns reparos. Eu morava sozinha havia algum tempo e fazia o possível para manter tudo organizado, mesmo com o salário apertado. Abri a porta e entrei. — Bem-vindo ao meu mundo — anunciei, tentando esconder o nervosismo. Murilo entrou logo depois. E ficou em silêncio. Observei sua expressão, tentando descobrir o que estava pensando. Ele olhou para a pequena sala, para o sofá antigo coberto por uma manta, para a mesa de madeira encostada na parede e para as fotografias da minha família. Não havia nada caro ali. Nenhuma decoração sofisticada, nenhum móvel de luxo, nenhuma televisão enorme. Mas tudo estava limpo, arrumado e tinha um lugar certo. — É aqui que você mora sozinha? — ele perguntou. Cruzei os braços. — É. Não é grande, mas é meu cantinho. Ele continuou observando o ambiente. Por um instante, fiquei insegura. Não porque tivesse vergonha da minha casa, mas porque conhecia o tipo de julgamento que algumas pessoas faziam quando viam a realidade dos outros. Já ouvi comentários sobre o tamanho da minha casa, sobre o fato de eu não ter carro e sobre trabalhar tanto para ganhar tão pouco. Eu estava acostumada. Mas não queria ouvir nada daquilo do meu próprio marido. — Pode falar — provoquei. — Sei que não é uma mansão. Murilo virou o rosto para mim. — E por que seria? A pergunta me pegou desprevenida. — Não sei. Algumas pessoas acham que, se você não tem dinheiro, não tem nada. Ele olhou novamente para a sala. — Essas pessoas não sabem o que estão dizendo. Fiquei quieta. Murilo caminhou até uma pequena estante onde eu guardava livros, algumas lembranças e fotografias. Pegou uma das imagens, na qual eu aparecia abraçada à minha avó, Dona Lúcia. — Sua família? Aproximei-me. — Minha avó. Ela é a pessoa mais importante da minha vida. — Ela mora aqui? — Não. Mora em outro bairro. Eu visito sempre que posso. Ele assentiu e colocou a fotografia de volta no lugar. Depois, reparou em uma pequena rachadura perto da janela e na fechadura antiga da porta. Não comentou nada. Mas seu maxilar ficou tenso. — O que foi? — perguntei. — Nada. — Murilo. Ele olhou para mim. — O quê? — Você ficou olhando para a janela como se ela tivesse ofendido sua família. Ele soltou uma risada curta. — Ela fecha direito? Olhei para a janela. — Mais ou menos. — Mais ou menos? — Se eu puxar com força, fecha. Ele se aproximou e testou a trava. A janela se moveu um pouco, mas não ficou completamente firme. — Você precisa consertar isso. Suspirei. — Eu sei. Só não consegui ainda. — E a fechadura? — Também precisa de reparo. Murilo ficou alguns segundos olhando para a porta. Eu já estava me preparando para ouvir um comentário desagradável, mas ele apenas perguntou: — Você se sente segura aqui? A pergunta me surpreendeu. — Na maior parte do tempo. — Na maior parte? — Murilo, eu moro sozinha. Não existe lugar completamente seguro. Mas conheço meus vizinhos, tenho cuidado com meus horários e procuro não dar confiança a qualquer pessoa. Ele assentiu lentamente. — Certo. A forma como respondeu me deixou curiosa. Parecia estar guardando aquela informação para si, como se pretendesse fazer alguma coisa a respeito. — Não precisa se preocupar comigo — falei. — Eu sei cuidar de mim. Murilo voltou os olhos para os meus. — Não duvido disso. Houve uma pausa. — Mas saber cuidar de si mesma não significa que você precise resolver tudo sozinha. Eu não soube o que responder. Talvez porque estivesse acostumada a resolver tudo sozinha havia tanto tempo que já nem considerava a possibilidade de dividir algumas preocupações com outra pessoa. Desviei o olhar. — Bom, quer conhecer a cozinha? Ele sorriu de canto. — Claro. Estou curioso para descobrir se você sabe cozinhar tão bem quanto sabe discutir. Recuperei minha capacidade de me irritar imediatamente. — Pode ir embora. — Acabei de chegar. — E já está abusando da hospitalidade! Ele riu e me acompanhou até a cozinha. Era pequena, com um fogão simples, uma geladeira antiga e poucos armários. Eu gostava daquele espaço porque tinha sido o primeiro lugar da casa que consegui organizar exatamente como queria. Abri a geladeira e peguei os ingredientes para preparar um café. — Você quer? — Quero. — Tem açúcar? — Tenho. — Leite? — Também. — Ótimo. Porque não pretendo ir ao mercado para agradar um marido que conheci hoje. Murilo encostou no balcão. — Eu jamais exigiria tanto. — Ainda bem. Enquanto preparava tudo, percebi que ele continuava observando a casa. Não com desprezo, mas com uma atenção que me deixava um pouco desconfortável. — Pode parar de olhar para tudo como se estivesse fazendo uma vistoria — pedi. — Estou conhecendo a casa da minha esposa. A palavra ainda soava estranha. Minha esposa. Meu marido. Era uma loucura. — Você fala isso como se fosse normal. — Para mim, também é novidade. Olhei para ele, surpresa. — Você nunca foi casado? — Não. — E sua noiva? A expressão dele mudou discretamente. Eu me arrependi da pergunta no mesmo instante. — Desculpa. Não precisa responder. Murilo ficou em silêncio por alguns segundos. — Não tem problema. Eu achei que ela me amava. Estava errado. A simplicidade da resposta doeu mais do que qualquer explicação longa. Abaixei os olhos para o café. — Acho que nós dois fomos enganados. — Acho que sim. Servi duas xícaras e coloquei uma diante dele. — Pelo menos não estamos começando esse casamento com expectativas muito altas. Murilo pegou a xícara. — Você realmente sabe como deixar um homem romântico. — E você realmente sabe como fazer uma mulher se arrepender de ter assinado um documento. Ele riu. E, por alguns minutos, ficamos ali, tomando café na minha cozinha simples, como se aquela fosse uma tarde qualquer. Como se não tivéssemos acabado de mudar nossas vidas. Meu celular vibrou sobre a mesa. Era uma mensagem de Mariana. Mah: Você chegou em casa? Está viva? Esse homem não te sequestrou, né? Sorri antes de responder. Eu: Estou viva, sua exagerada. Ele está aqui comigo. A resposta veio quase imediatamente. Mah: COM VOCÊ AÍ? NA SUA CASA? Eu: Sim. Mah: ISABELLA, EU VOU TER UM TRECO! Balancei a cabeça, rindo. Murilo me observou. — Sua amiga? — Infelizmente, sim. — Ela parece preocupada. — Ela está convencida de que você é um psicopata. — Começo a gostar dela. — Você gosta de todo mundo que ameaça minha paz? — Não. Só das pessoas que parecem ter razão. Mostrei a língua para ele. Ele riu. Meu celular vibrou novamente, mas, antes que eu pudesse ler a mensagem, o aparelho de Murilo começou a tocar. A mudança nele foi imediata. O sorriso desapareceu. Ele olhou para a tela e ficou sério de um jeito que eu ainda não tinha visto. Não parecia apenas irritado com uma ligação inconveniente. Parecia alguém que acabara de receber uma notícia importante. Levantou-se. — Preciso atender. — Tudo bem. Murilo caminhou até a porta, mas parou antes de sair. — Já volto. Assenti. Ele foi para o lado de fora e fechou a porta atrás de si. Tentei não prestar atenção. Era uma ligação particular, e eu não queria começar nosso casamento invadindo a privacidade dele. Ainda assim, a maneira como sua expressão havia mudado me deixou curiosa. Alguns segundos depois, ouvi sua voz abafada do lado de fora. Não consegui entender as palavras, mas o tom era completamente diferente daquele que usava comigo. Firme. Frio. Autoritário. Parei de mexer na xícara. Quem era aquele homem? Meu marido parecia uma pessoa quando estava comigo e outra quando atendia ao telefone. Talvez fosse apenas um problema familiar. Talvez tivesse dívidas. Talvez estivesse passando por dificuldades no trabalho e não quisesse me contar. Eu não sabia. E não tinha o direito de exigir que ele me revelasse toda a sua vida depois de algumas horas de casamento. Mas a curiosidade estava começando a me incomodar. Quando Murilo voltou, guardou o celular no bolso e se sentou como se nada tivesse acontecido. — Está tudo bem? — perguntei. — Está. Observei seu rosto. — Tem certeza? — Tenho. Ele pegou a xícara e tomou um gole de café. Eu cruzei os braços. — Você sempre desaparece assim? Murilo levantou os olhos. — Assim como? — Atende a uma ligação, sai sem explicar nada e volta fingindo que não aconteceu absolutamente nada. Ele apoiou a xícara sobre a mesa. — Às vezes preciso resolver algumas coisas. — Então me avise. Ele franziu a testa. — Como? — Me avise antes de sair. Sou sua esposa, Murilo. Não sou uma encomenda que você pode deixar esperando em qualquer lugar. Por um instante, ele ficou me encarando. Então soltou uma risada. — Uma encomenda? — Isso mesmo. — Você acabou de comparar nosso casamento a uma entrega? — Foi você quem me deu a ideia. Trabalha com isso, lembra? Ele balançou a cabeça, ainda rindo. — Você é inacreditável. — E você precisa aprender a se comunicar. O sorriso dele diminuiu um pouco. — Certo. Vou avisar. A resposta foi tão simples que me desarmou. Eu esperava uma discussão, alguma provocação ou uma desculpa qualquer. Em vez disso, ele simplesmente concordou. Talvez pudéssemos aprender a conviver. Talvez. Depois do café, comecei a separar algumas roupas e objetos que precisaria levar comigo. Eu ainda não sabia exatamente onde Murilo morava, mas ele havia prometido me mostrar o lugar. Como não pretendia passar a noite na minha casa sem saber se ele voltaria ou não, resolvi organizar uma pequena bolsa com o necessário. Enquanto dobrava uma blusa, ouvi passos do lado de fora. Murilo estava perto da porta, falando com alguém. — Está tudo certo, patrão? Meu corpo ficou imóvel. Patrão? Parei de dobrar a roupa e olhei para a porta entreaberta. Um homem estava parado do lado de fora, falando com Murilo em um tom respeitoso. Não consegui ver seu rosto direito, mas percebi que parecia conhecer meu marido. Murilo respondeu rapidamente: — Está tudo certo. Pode ir. O homem assentiu e se afastou sem fazer mais perguntas. Fiquei olhando para a porta. Meu coração começou a bater um pouco mais rápido. Patrão. Aquela não era a primeira vez que eu ouvia alguém chamar Murilo daquela maneira. Na saída do cartório, um homem havia usado a mesma palavra. Depois, durante as ligações, alguém também o tratara de um jeito que parecia muito mais formal do que o esperado para um simples entregador. Eu não queria tirar conclusões precipitadas. Mas alguma coisa não fazia sentido. Murilo entrou e me encontrou parada no meio da sala, com uma blusa nas mãos e a testa franzida. — O que foi? Olhei diretamente para ele. — Patrão? Ele parou. Foi uma pausa pequena, quase imperceptível. Mas eu percebi. — O quê? — Eu ouvi aquele homem te chamar de patrão. Murilo colocou o celular sobre a mesa. — Ah, isso. Cruzei os braços. — Isso o quê? — Ele deve ter me confundido com outra pessoa. Fiquei olhando para ele. Depois olhei para a porta. Depois voltei a olhar para ele. — Você está falando sério? — Estou. — Murilo, eu ouvi claramente! — E eu estou dizendo que ele se confundiu. A resposta veio com tanta tranquilidade que quase me convenceu. Quase. Aproximei-me um pouco. — Você conhece aquele homem? — Conheço muita gente. — Isso não responde à minha pergunta. Ele soltou um suspiro. — Isabella, eu trabalho na rua. Faço entregas, converso com pessoas, conheço comerciantes. Não acho estranho alguém me reconhecer. — E chamar você de patrão? — Talvez seja o jeito dele falar. Eu deveria ter deixado o assunto morrer. Talvez fosse apenas uma expressão usada por aquele homem. Talvez Murilo tivesse uma história que ainda não estava pronto para contar. Mas alguma coisa no meu peito dizia que eu não estava recebendo todas as respostas. E eu não gostava de ser enganada. Já tinha passado por isso uma vez. Não pretendia repetir a experiência. — Certo — falei, pegando a bolsa que havia preparado. — Vamos fazer de conta que acredito em você. Murilo estreitou os olhos. — Isso quer dizer que acredita ou não? — Quer dizer que estou cansada e quero conhecer a casa onde vou passar a noite. Ele ficou me observando por alguns segundos. Depois pegou minha bolsa. — Vamos, Isabella. Acompanhei-o até a porta, mas, antes de sair, olhei uma última vez para a pequena sala onde havia construído minha vida. Eu não sabia se aquele casamento seria um recomeço ou um erro. Não sabia se Murilo era apenas um homem com problemas que ainda não conseguia compartilhar comigo ou se escondia alguma coisa muito maior. Mas sabia de uma coisa. Meu marido estava mentindo sobre alguma coisa. E eu pretendia descobrir o quê. Recadinho da autora ❤️🔥 MENINAS, MAIS UM “PATRÃO” NA CONTA! 👀😂 Será que Murilo é mesmo só um entregador? Isabella está começando a desconfiar, e eu quero saber: vocês já descobriram o segredo dele? Comentem! ❤️Capítulo 6 — Bem-vindo ao meu mundoNarradora: IsabellaEu tinha acabado de me casar com um homem que conhecia havia poucas horas.Meu marido era um entregador de motocicleta, tinha um senso de humor duvidoso, atendia ligações misteriosas e parecia considerar normal propor casamento a uma desconhecida depois de tomar café com ela.Definitivamente, minha vida tinha saído dos trilhos.E, antes que eu fosse parar em algum lugar desconhecido, havia uma coisa que precisava fazer.Murilo precisava conhecer a minha realidade.Não queria que ele imaginasse que eu era uma mulher rica, nem que tivesse expectativas sobre o que eu poderia oferecer. Eu não tinha uma vida luxuosa, não possuía carros importados e muito menos uma conta bancária recheada.Eu tinha meu trabalho, minha casinha e as coisas que conseguira conquistar com muito esforço.Era pouco para algumas pessoas.Para mim, era tudo.— Murilo, vamos passar na minha casa primeiro — anunciei, enquanto caminhávamos em direção à motocicleta
Capítulo 5 — Meu marido é um entregadorNarrador: MuriloEu tinha enfrentado homens armados, resolvido problemas que fariam muita gente perder o sono e tomado decisões capazes de mudar o destino de centenas de pessoas.Mas nada, absolutamente nada, havia me preparado para sair de um cartório com uma esposa que ameaçava me colocar no meu devido lugar a cada cinco minutos.— Você está sorrindo por quê? — Isabella perguntou, caminhando ao meu lado.Apaguei o sorriso imediatamente.— Não estou sorrindo.— Está, sim. Está com essa cara de quem acabou de aprontar alguma coisa.— Talvez eu esteja feliz por ter me casado.Ela parou no meio da calçada.— Você está feliz?Olhei para ela.— Quer que eu chore?— Não, mas… Murilo, nós nos conhecemos hoje!— Você já mencionou isso umas vinte vezes.— E vou mencionar mais vinte, se for necessário! Você tem noção de que agora somos marido e mulher?Olhei para a aliança no meu dedo.Era uma peça simples, discreta, mas parecia estranhamente importante.
Capítulo 4 — Um casamento sem amorNarradora: IsabellaEu devia estar completamente maluca.Essa era a única explicação razoável para o fato de estar parada na calçada de um cartório, usando um vestido branco, segurando um buquê amassado e considerando seriamente me casar com um homem cujo sobrenome eu sequer sabia.Um desconhecido!Um entregador que eu conhecera havia poucas horas e que, aparentemente, tinha perdido o juízo junto com a noiva dele.Olhei para Murilo, que continuava me encarando com uma tranquilidade irritante.— Você está esperando uma resposta? — perguntei.— Estou.— Pois pode esperar sentado.Ele olhou para o banco próximo à entrada.— Tem um ali.Fechei os olhos por um instante.Meu Deus, me dá paciência, porque, se me der força, eu vou bater nesse homem com o buquê!— Você não leva nada a sério?— Levo. Só não vejo motivo para transformar tudo em um funeral.— Eu acabei de ser abandonada no dia do meu casamento!— Eu sei. Estava lá quando você quase engasgou com
Capítulo 3 — E se a gente se casasse?Narrador: MuriloEu não costumava perder tempo com desconhecidos.Muito menos com desconhecidas chorando em banheiros de cartório, vestidas de branco e carregando flores que, pelo visto, não teriam a quem entregar.Ainda assim, eu continuava sentado naquela cafeteria simples, diante de Isabella Duarte, como se não tivesse dezenas de assuntos esperando por mim.O celular vibrava no bolso da minha calça pela terceira vez em poucos minutos. Eu sabia quem estava ligando. Caio provavelmente já estava perdendo a paciência, e Jefinho devia estar inventando alguma desculpa para justificar meu desaparecimento.Problema deles.Naquele momento, eu estava ocupado demais tentando entender a mulher à minha frente.Isabella segurava o copo de café com as duas mãos, olhando para a rua através da vitrine. Seus olhos ainda estavam avermelhados, mas ela já não chorava. Havia alguma coisa interessante naquela garota. Ela tinha sido humilhada no dia do próprio casamen
Capítulo 2 — Você também foi descartado?Narradora: Isabella— Pelo visto, hoje não foi um bom dia para nenhum de nós, hein, noivinha?Encarei o desconhecido por alguns segundos, tentando decidir se estava diante de um homem sem noção ou se o universo havia resolvido me castigar com mais uma humilhação naquela manhã.Eu acabara de ser abandonada no dia do meu casamento. Meu primeiro namorado havia confessado que me conquistara por causa de uma aposta, me trocado por uma mulher rica e ido embora sem olhar para trás.E aquele sujeito estava me chamando de noivinha como se estivéssemos conversando sobre o tempo!— Você sempre aborda mulheres chorando ou hoje é uma ocasião especial? — perguntei, limpando o rosto.Ele ergueu uma sobrancelha.— Depende. Você sempre recebe desconhecidos com essa simpatia ou eu tive o privilégio?Revirei os olhos.— O meu dia não é da sua conta.— Ainda bem. Porque, se fosse, eu pediria reembolso.Abri a boca, indignada.Aquele homem estava brincando comigo?
Capítulo 1 — O dia em que meu primeiro amor me destruiuNarradora: IsabellaAcordei sorrindo.Eram seis horas da manhã, e eu já estava de pé, parada diante do pequeno espelho pendurado na parede do meu quarto, tentando controlar a ansiedade que fazia meu coração bater tão depressa.Naquela manhã, eu me casaria.Eu, Isabella Duarte, aos vinte e um anos, finalmente realizaria o sonho que carregava desde menina. Teria uma família, uma casa para chamar de nossa e alguém esperando por mim no fim de cada dia.Pelo menos era nisso que eu acreditava.— Meu Deus, Isabella, você vai casar! — murmurei para meu próprio reflexo, levando as mãos ao rosto. — Você vai casar!Comecei a rir sozinha, feito uma maluca.Minha casa era pequena, escondida em um beco estreito da parte mais pobre da Rocinha. A parede da cozinha precisava de uma pintura, a janela do quarto não fechava direito e o chuveiro tinha o péssimo hábito de decidir sozinho quando queria funcionar.Mas era minha.Eu pagava minhas contas







