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Em busca da verdade

Penulis: Sah Flor
last update Tanggal publikasi: 2026-07-13 21:54:47

Alguns dias se passaram desde aquela descoberta, e eu finalmente decidi ir em busca da minha história.

Sou imensamente grata por todo o amor que meu pai me deu, mas há algo dentro de mim que não me deixa em paz. Eu preciso ver, preciso conhecer minha família de sangue. Quero saber quem são, o que fazem, se tenho irmãos... preciso entender por que ele nunca quis saber de mim - se é que algum dia soube da minha existência.

Eu preciso descobrir.

Comecei a pesquisar sobre eles, mas não encontrei quase nada. São uma família muito discreta.

Na internet, só aparecem poucas matérias, notas em revistas antigas e nada além disso.

O que consegui descobrir é que são do ramo da hotelaria e moram em São Paulo.

Família Villela.

Esse é o sobrenome deles, o sobrenome que, de alguma forma, também é o meu.

No dia seguinte, coloquei meu plano em prática. Pedi demissão.

Sim, fiz essa loucura.

Mas eu estava decidida.

Comprei minha passagem para São Paulo e comecei a procurar clínicas e hospitais que estivessem contratando enfermeiras.

Consegui uma carta de recomendação do senhor Geovanne, o diretor do hospital onde trabalhava, ele me conhece desde menina e sempre acreditou em mim.

Pouco tempo depois, consegui um estágio em um hospital próximo ao apartamento que aluguei.

Tudo parecia se encaixar.

Meu pai, como sempre, me apoiou.

Ele entende que eu preciso disso, e mesmo com o coração apertado, me encorajou a ir.

Eu o perdoei. Sei que ele não tem culpa de nada. Pelo contrário, ele sempre fez de tudo por mim e pela minha mãe. Não conseguiria partir sem antes fazer as pazes com ele.

Nem eu, nem ele, suportaríamos essa distância.

— Eu vou ficar bem, paizinho - disse, o abraçando enquanto ele preparava o almoço.

—E o Davi? - ele perguntou, tentando disfarçar a preocupação.

— Está bem. Ficou bravo comigo no começo, mas depois entendeu. Até quis ir junto, mas eu disse que não precisava. Ele tem o trabalho dele, não quero atrapalhar.

...

Entrei no ônibus, paguei a passagem e fiquei em pé por causa da superlotação. Não estou acostumada a ônibus cheio, minha cidade é pequena, tranquila, e tudo lá parece andar em outro ritmo.

Fiquei ali, observando as pessoas, sentindo o coração bater rápido, como se cada parada me aproximasse de algo que sempre me foi negado.

Depois de alguns minutos, avistei meu destino. Apertei o sinal e desci.

O vento da cidade grande me atingiu de cheio, junto com o barulho das buzinas, das vozes, dos passos apressados. As pessoas corriam, caminhavam, faziam exercícios; mães empurravam carrinhos de bebê, jovens falavam ao celular, uma confusão viva e pulsante.

Tudo era novo. Intenso. Real.

E naquele instante, ali no meio da agitação de São Paulo, eu senti que minha busca estava apenas começando...

***

O táxi serpenteava pelas ruas movimentadas de São Paulo, e eu não conseguia parar de observar cada detalhe pela janela. Os prédios pareciam infinitos, as ruas abarrotadas de pessoas, carros, buzinas... tudo tão diferente da calma da minha cidade. Meu coração batia rápido,ansiedade, medo e excitação se misturavam em cada batida.

Cheguei ao apartamento que aluguei. Pequeno, simples, mas suficiente para me sentir independente pela primeira vez. Arrumei minhas coisas rapidamente, guardando o que era essencial na mala e respirando fundo enquanto olhava pela janela. A cidade vivia o seu próprio ritmo ali embaixo, e eu ainda precisava aprender a acompanhar.

Na manhã seguinte, acordei antes do despertador. Não consegui dormir direito, a ansiedade não me deixou. Me preparei, vesti meu uniforme e saí para o hospital.

Cada passo no caminho me lembrava do quanto minha vida estava mudando e do quanto eu precisava estar pronta para isso.

Cheguei ao hospital e fui recebida por um movimento constante de enfermeiras, médicos e pacientes. Tudo era novo: o cheiro dos corredores, o som das máquinas, a pressa nos passos de cada profissional. Senti um frio na barriga, mas ao mesmo tempo uma sensação de pertencimento. Era ali que eu deveria estar, fazendo o que sempre sonhei.

Apresentei-me à supervisora e mostrei a carta de recomendação do senhor Geovanne. Ela sorriu, aprovando minha entrada, e me designou a um setor para começar meu turno. Passei o dia inteiro observando, aprendendo e tentando me adaptar ao ritmo intenso da cidade e do hospital. Cada tarefa, cada cuidado com os pacientes, me lembrava do quanto meu esforço e o amor da minha família valeram a pena.

Ao final do dia, enquanto voltava para o apartamento, senti um misto de cansaço e satisfação. São Paulo era grande, agitada e impiedosa em sua rotina, mas eu sabia que precisava estar aqui. Precisava crescer, aprender, me tornar mais forte e, acima de tudo, descobrir minha própria história.

O skyline da cidade se espalhava diante de mim quando cheguei ao apartamento. A luz da tarde refletia nos prédios altos, e por um instante, tudo parecia possível. Fechei a porta, respirei fundo e sussurrei para mim mesma:

- É só o começo...

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