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O silêncio como escolha

Author: Leti DB
last update publish date: 2026-10-14 08:45:18

DORIAN

Às sete e quinze da manhã, alguém bateu duas vezes na minha porta e entrou antes que eu respondesse.

Eu já estava acordado.

Dormir oito horas porque uma combinação de exaustão, medicação e rotina clínica finalmente tinha vencido meu organismo não significava acordar descansado. Significava apenas que eu passara mais tempo inconsciente do que nas noites anteriores. Meu corpo ainda parecia pesado, os braços incomodavam quando eu mudava de posição e a primeira coisa que fiz ao abrir os olho
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    MARIANAAcordei com o braço de Júlia atravessado sobre a minha barriga e Valentina discutindo com alguém por mensagem às oito e pouco da manhã.Não precisei abrir os olhos para saber qual das duas estava acordada. Júlia dormia como se pagasse aluguel por metro quadrado e precisasse ocupar todos eles, Valentina digitava com a força de uma pessoa que aparentemente acreditava que o celular responderia melhor sob ameaça física.— Se você quebrar a tela, eu não vou emprestar o meu — murmurei.— Bom dia pra você também.Abri um olho. Valentina estava sentada na própria cama, cabelo preso no alto da cabeça e uma marca de travesseiro atravessando a bochecha. Júlia continuava apagada ao meu lado, metade do cobertor no chão e um pé encostado na parede.Demorei alguns segundos para lembrar onde estava.A janela do quarto mostrava árvores demais para Santa Maria. O som do mar chegava abafado pela casa, misturado a vozes do lado de fora e ao barulho metálico de alguém mexendo em panela. Minha bols

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  • Cicatrizes de um Amor ao Sol   Uma hora

    DORIANÀs oito e dezessete da noite, eu já tinha aberto a conversa com Mariana quatro vezes sem escrever nada.Isso era ridículo.Passei quase quatro meses aprendendo, entre outras coisas, que existiam situações nas quais não fazer nada podia ser uma decisão válida. Ainda não tinha aprendido a gostar delas.O telefone estava sobre a mesa da suíte, ao lado de uma xícara de café que eu tinha deixado esfriar. A cama permanecia desarrumada desde que Mariana saíra, o cabelo dela ainda preso em alguns pontos do travesseiro, e uma das embalagens do café da manhã continuava esquecida sobre o aparador porque nenhum de nós tinha se lembrado de pedir que retirassem tudo.Peguei o telefone novamente.Dorian: Como foi a conversa?A mensagem ficou entregue por pouco mais de um minuto.Então apareceram os dois riscos azuis.Demorou.Mari: difícilEsperei.Outra mensagem chegou.Mari: mas eu contei pra eleMeu polegar permaneceu sobre a tela.Dorian: Tudo?Os três pontos apareceram e sumiram duas vez

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    MARIANAAcordei sem abrir os olhos.Primeiro senti calor no rosto. Depois o peso do braço de Dorian sobre minha cintura e alguma coisa macia presa entre meus dedos. Demorei alguns segundos para entender que era o cabelo dele.Eu estava praticamente deitada sobre seu peito, com uma perna atravessada por cima das dele e um punhado daqueles fios loiros compridos perto do nariz. Em algum momento durante o sono, aparentemente tinha decidido que cheirar Dorian era uma atividade aceitável.— Você está acordada.A voz veio debaixo de mim, rouca de sono. Mantive os olhos fechados.— Não estou.Senti o peito dele se mover com uma risada silenciosa. Abri um olho, Dorian já me observava.As cortinas continuavam abertas desde a noite anterior, e a tempestade tinha deixado no lugar um céu absurdamente limpo. Frestas de sol atravessavam os vidros enormes e alcançavam a cama de um jeito que finalmente explicava parte do preço daquela suíte. A luz batia na pele muito branca de Dorian e aquecia tudo qu

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    MARIANADorian tinha a chave do meu quarto na mão, eu segurava a dele. Ficamos parados no corredor por tempo suficiente para que a situação se tornasse quase absurda. Eu tinha passado quatro meses tentando alcançar um homem que não respondia; agora bastava atravessar dois metros de corredor para encontrá-lo vindo na minha direção.O olhar de Dorian desceu para o cartão entre meus dedos e voltou ao meu rosto.— Você estava vindo?— Ia perguntar a mesma coisa.Ele girou a chave entre os dedos, num gesto pequeno que eu conhecia bem. Dorian mexia em objetos quando precisava pensar antes de falar.— Não gostei de te deixar sozinha depois dessa crise.Passei a mão pelos cabelos ainda úmidos.— Eu também não gostei muito de ficar sozinha.Ele não sorriu nem tentou transformar a resposta em convite para qualquer coisa além do que ela significava. Apenas abriu mais a porta e saiu do caminho.— Então vem.Atravessei o corredor.A suíte parecia diferente agora. As luzes principais estavam apagad

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