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Assim que ele te toca

مؤلف: Leti DB
last update تاريخ النشر: 2026-10-25 01:05:15

MARIANA

Dorian tinha a chave do meu quarto na mão, eu segurava a dele. Ficamos parados no corredor por tempo suficiente para que a situação se tornasse quase absurda. Eu tinha passado quatro meses tentando alcançar um homem que não respondia; agora bastava atravessar dois metros de corredor para encontrá-lo vindo na minha direção.

O olhar de Dorian desceu para o cartão entre meus dedos e voltou ao meu rosto.

— Você estava vindo?

— Ia perguntar a mesma coisa.

Ele girou a chave entre os dedos, nu
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  • Cicatrizes de um Amor ao Sol   Uma hora

    DORIANÀs oito e dezessete da noite, eu já tinha aberto a conversa com Mariana quatro vezes sem escrever nada.Isso era ridículo.Passei quase quatro meses aprendendo, entre outras coisas, que existiam situações nas quais não fazer nada podia ser uma decisão válida. Ainda não tinha aprendido a gostar delas.O telefone estava sobre a mesa da suíte, ao lado de uma xícara de café que eu tinha deixado esfriar. A cama permanecia desarrumada desde que Mariana saíra, o cabelo dela ainda preso em alguns pontos do travesseiro, e uma das embalagens do café da manhã continuava esquecida sobre o aparador porque nenhum de nós tinha se lembrado de pedir que retirassem tudo.Peguei o telefone novamente.Dorian: Como foi a conversa?A mensagem ficou entregue por pouco mais de um minuto.Então apareceram os dois riscos azuis.Demorou.Mari: difícilEsperei.Outra mensagem chegou.Mari: mas eu contei pra eleMeu polegar permaneceu sobre a tela.Dorian: Tudo?Os três pontos apareceram e sumiram duas vez

  • Cicatrizes de um Amor ao Sol   À luz do dia

    MARIANAAcordei sem abrir os olhos.Primeiro senti calor no rosto. Depois o peso do braço de Dorian sobre minha cintura e alguma coisa macia presa entre meus dedos. Demorei alguns segundos para entender que era o cabelo dele.Eu estava praticamente deitada sobre seu peito, com uma perna atravessada por cima das dele e um punhado daqueles fios loiros compridos perto do nariz. Em algum momento durante o sono, aparentemente tinha decidido que cheirar Dorian era uma atividade aceitável.— Você está acordada.A voz veio debaixo de mim, rouca de sono. Mantive os olhos fechados.— Não estou.Senti o peito dele se mover com uma risada silenciosa. Abri um olho, Dorian já me observava.As cortinas continuavam abertas desde a noite anterior, e a tempestade tinha deixado no lugar um céu absurdamente limpo. Frestas de sol atravessavam os vidros enormes e alcançavam a cama de um jeito que finalmente explicava parte do preço daquela suíte. A luz batia na pele muito branca de Dorian e aquecia tudo qu

  • Cicatrizes de um Amor ao Sol   Assim que ele te toca

    MARIANADorian tinha a chave do meu quarto na mão, eu segurava a dele. Ficamos parados no corredor por tempo suficiente para que a situação se tornasse quase absurda. Eu tinha passado quatro meses tentando alcançar um homem que não respondia; agora bastava atravessar dois metros de corredor para encontrá-lo vindo na minha direção.O olhar de Dorian desceu para o cartão entre meus dedos e voltou ao meu rosto.— Você estava vindo?— Ia perguntar a mesma coisa.Ele girou a chave entre os dedos, num gesto pequeno que eu conhecia bem. Dorian mexia em objetos quando precisava pensar antes de falar.— Não gostei de te deixar sozinha depois dessa crise.Passei a mão pelos cabelos ainda úmidos.— Eu também não gostei muito de ficar sozinha.Ele não sorriu nem tentou transformar a resposta em convite para qualquer coisa além do que ela significava. Apenas abriu mais a porta e saiu do caminho.— Então vem.Atravessei o corredor.A suíte parecia diferente agora. As luzes principais estavam apagad

  • Cicatrizes de um Amor ao Sol   O peso das revelações

    MARIANADorian passou o cartão e abriu a porta.Entrei esperando um quarto de hotel e encontrei alguma coisa mais próxima de um apartamento montado muitos andares acima da cidade.À direita, uma parede de espelhos ampliava um closet aberto e uma mesa com quatro cadeiras. Mais adiante, a suíte se alargava numa sala com sofá, uma televisão enorme e um móvel baixo cheio de garrafas e copos. À esquerda ficava o banheiro, grande demais para qualquer necessidade razoável, separado do quarto por paredes de vidro quase inteiras. A cama ocupava o centro do espaço, larga, impecável, e outra porta, à direita dela, levava ao que parecia ser um escritório.Não havia sacada.Só paredes de vidro do chão ao teto, cobertas por cortinas enormes que estavam erguidas naquela noite. Santa Maria aparecia abaixo de nós aos pedaços, distorcida pela chuva que batia contra os vidros e pelos clarões brancos dos relâmpagos.Parei perto da entrada. A água ainda escorria do meu vestido.Dorian colocou os capacetes

  • Cicatrizes de um Amor ao Sol   Segundo capacete

    MARIANAEu aceitei o capacete. Não houve nenhuma grande decisão escondida no gesto. Eu estava numa calçada sob uma tempestade, não havia carro disponível no aplicativo e o Hotel Valmont ficava perto o bastante para parecer uma solução razoável.Foi isso que repeti mentalmente enquanto seguia Dorian até a garagem. A moto era a Ducati. É claro que era. Depois de quatro meses sem vê-lo, descobrir que algumas coisas continuavam absolutamente previsíveis chegou a ser ofensivo.Dorian abriu um compartimento e tirou o segundo capacete. Colocou-o na minha mão sem tentar ajudar com o cabelo, com a bolsa ou com qualquer outra coisa que eu não tivesse pedido.— Ainda serve?Olhei para ele.— Minha cabeça não cresceu durante a tua ausência.O canto da boca dele se moveu no que parecia um sorriso contido.Prendi o cabelo de qualquer jeito, coloquei o capacete e subi atrás dele. A chuva atravessava parte da lateral da cobertura e já tinha molhado a barra do meu vestido. Segurei na alça traseira.Do

  • Cicatrizes de um Amor ao Sol   Ele voltou

    MARIANAÀs nove e trinta e dois da noite, Caio mandou uma fotografia do painel do carro acompanhada de uma mensagem dizendo que estava contabilizando meus dois minutos de atraso.Eu ainda estava diante do espelho da CEU tentando decidir se repetir o vestido preto da semana anterior configurava falta de criatividade ou apenas responsabilidade financeira quando Valentina pegou meu celular sobre a cama e respondeu por mim.— O que você escreveu?— Que você está descendo.Virei tão rápido que quase enfiei o aplicador de rímel no olho. Valentina não demonstrou nenhum arrependimento, apenas me entregou o telefone e pegou minha bolsa.— Eu não estou descendo.— Agora está.Dez minutos depois, eu entrava no carro de Caio com um olho possivelmente mais maquiado do que o outro e a certeza de que ter amigas era uma forma socialmente aceita de perder autonomia.Caio me examinou assim que fechei a porta.— Dois minutos.— Você sobreviveu.— Por pouco.Ele se inclinou para me beijar, uma das mãos a

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