Se connecterIsaac desapareceu de repente.Do Natal até a chegada do Ano-Novo, Isaac não voltou a aparecer diante de Lorena.Lorena não sentiu grande coisa. Na verdade, ela quase não voltou a pensar nele, porque, naquele período, seus dias estavam completamente ocupados pelas festas, pelos reencontros em família e por Alberto. Não sobrava tempo nem espaço para lembranças.Se havia alguma pequena sombra de arrependimento em meio àqueles dias tão felizes, ela veio de uma notícia triste que Lorena recebeu na clínica.Foi Lucy quem contou: Robert havia falecido.Aquele velhinho gentil, sempre alegre, que a chamava de “Cisne branco dançarino”, nunca mais apareceria na clínica.— Ai, eu vi com meus próprios olhos o filho dele colocando o velho na ambulância e levando ele para o hospital. Depois disso, aquele danado nunca mais voltou! — Disse Lucy, enxugando os olhos.Em um lugar como a clínica, existia entre os pacientes uma espécie de cumplicidade silenciosa. Quando alguém partia, era inevitável sentir
Robert estava inconsciente e já não conseguia responder a ela.Os paramédicos o colocaram na ambulância, e Isaac entrou junto.Lucy continuou exclamando “Meu Deus!” sem parar, até a ambulância ir embora e o som desaparecer por completo.Robert passou um dia inteiro na UTI, recebendo atendimento médico.Quando Isaac voltou, já havia anoitecido.O médico disse que o estado do paciente era muito grave e pediu que a família se preparasse para o pior.Mas Isaac não tinha o que preparar. Seu pai já havia deixado tudo organizado. Talvez ele o tivesse chamado apenas para que Isaac estivesse presente até o fim: Marcelo Cunha, também conhecido como Robert, havia vivido sua vida neste mundo e estava prestes a partir.Isaac já havia dito que, nesta vida, ele preferia agir como se jamais tivesse tido aquele pai. Ainda assim, quando Marcelo morresse, Isaac viria se despedir dele uma última vez. Seria o encerramento daquela relação de pai e filho que ele tanto odiava.Naquela noite, na casa de seu pa
Isaac soltou uma risada fria.— Você não está arrependido. Você só perdeu tudo, ficou sozinho, sem ninguém ao seu lado, e então se lembrou da minha mãe.Robert sorriu.— E você? Qual é o motivo para você pensar nessa garota agora?Isaac sentiu como se aquelas palavras tivessem atingido sua cabeça em cheio. Seus ouvidos começaram a zumbir, e uma dor aguda tomou conta de seu peito.— Você não entende nada! Eu sou diferente de você!— Diferente em quê, meu filho? — Robert perguntou. — Eu fui um exemplo tão errado, e mesmo assim você não aprendeu nada comigo. Então me diga: onde está essa diferença?— É diferente! É diferente! É diferente, sim! — Isaac não quis continuar ouvindo aquelas bobagens. — Que direito você tem de falar de mim?Depois de descarregar a raiva, Isaac voltou para o quarto, jogou-se na cama e continuou segurando o celular, com os olhos presos ao vídeo. Na tela, Lorena dançava. Aos poucos, porém, sua visão ficou turva, e ele já não conseguia enxergar mais nada.Em algum
Isaac não queria admitir o quanto Lorena e Alberto combinavam, o quanto os dois pareciam feitos um para o outro, nem o quanto aquela dança fluía entre eles com uma harmonia quase perfeita.O que mais doía em Isaac era descobrir que Lorena ainda podia dançar. Ela ainda podia realizar aquele sonho. Mas quem a havia ajudado a reencontrar esse sonho não tinha sido Isaac...E, no fundo, era Isaac quem mais queria vê-la de volta aos palcos...Era Isaac quem mais desejava vê-la brilhando diante de todos, quem estaria disposto a fazer qualquer coisa para ajudá-la a chegar cada vez mais alto...Durante cinco anos, em mais de mil e oitocentos dias, Isaac dissera mais de mil vezes:“Lorena, eu quero ver você bem mais do que qualquer pessoa.”Às vezes, ele dizia isso para ela. Outras vezes, ele repetia essas palavras em silêncio, como se falasse consigo mesmo. No fim, porém, Isaac escolheu justamente o caminho que mais a afastava daquilo que ela realmente queria.Ele achava que oferecer boa comida
À medida que o ritmo da música diminuía, os passos de todos também se tornavam mais lentos.No começo, todos dançavam juntos, apertados e rindo no meio do salão. Aos poucos, porém, o espaço ao redor de Lorena e Alberto começou a ficar cada vez mais vazio.A música tinha o poder de arrastar qualquer um para dentro dela. Naquele instante, sobretudo, a banda tocava uma canção de amor envolvente, daquelas que pareciam fazer o mundo ao redor desaparecer. Dois apaixonados mergulhados naquela atmosfera simplesmente não conseguiam perceber o que acontecia ao redor. Além disso, os dois eram loucos por dança. Sem nem se darem conta, Lorena e Alberto acabaram sincronizando os passos e transformando a dança em um verdadeiro dueto.E, uma vez que eles começaram a dançar, já não conseguiram mais parar.O espaço ao redor ficou vazio? Não importava.Todos voltaram para as mesas e passaram a assistir? Também não importava.Naquele instante, bastava que eles continuassem dançando.Depois de quase meio a
— Se você não consegue controlar essa boca, é melhor tomar cuidado para eu não largar o seu corpo em algum terreno abandonado! — Ele virou a cabeça e retrucou, furioso.Robert ergueu uma sobrancelha.— Faça como quiser. Quando eu morrer, você pode me jogar onde bem entender. Eu já não consigo controlar nem os meus dias de vivo, imagine depois de morto.Alberto dirigia com o coração em festa. Quando o carro estava prestes a chegar à rua do parque, faltando pouco para alcançarem a casa, ele parou de repente.— Lorena, eu quero ligar para o Ethan.— Ligar para ele para quê? — Lorena perguntou.Na opinião de Lorena, Alberto era bem astuto. Sempre que ele fazia aquela cara de coitado, igual a um cachorrinho abandonado, ela acabava sem coragem de culpá-lo.— Lorena, eu reservei uma mesa num restaurante. Eu fiz a reserva há um mês. Eu pensei que, no Natal, talvez eu tivesse uma chance de convidar você para sair... — Ele disse.Aquele olhar miserável, tão típico dele, apareceu de novo.Lorena
Mas a atuação exagerada de Breno fazia todo mundo dentro da sala cair na gargalhada. Aurora, sentada ao lado de Isaac, ria tanto que ela se jogava no ombro dele.E Isaac continuava sem dizer uma palavra.Breno virou-se ainda rindo:— Isaac, é assim que ela…Antes que ele terminasse a frase, ele viu
Isaac tinha voltado a beber. Ele tinha quebrado a própria regra. Pelo tom da voz, Lorena percebeu que ele estava até um pouco bêbado. Mas será que Isaac realmente seria capaz de gritar daquele jeito em público?Na lembrança de Lorena, Isaac, no ensino médio, tinha sido o típico gênio frio: o melhor
O som contínuo da água ecoava no banheiro. Isaac estava tomando banho. Eram três horas da manhã. Ele tinha acabado de chegar em casa.Lorena ficou parada na porta do banheiro, porque ela queria conversar com ele sobre uma coisa. Ela estava tensa e não sabia se ele ia concordar com o que ela estava p
Lorena viu que, depois de um breve constrangimento, Isaac e Aurora logo assumiram esse “novo” papel. Os dois passaram a conversar e rir com o parceiro de negócios como se nada tivesse acontecido. Eles pareciam um casal perfeito…Lorena, em silêncio, tirou uma foto com o celular. Quando ela se virou







