LOGINO tempo passou voando.Pouco depois do Ano-Novo, Alberto recebeu a carta de aceite da universidade. Ele finalmente seguiria os passos de Lorena e faria mestrado também.O irônico era que o mestrado de Lorena durava apenas um ano, e ela se formaria ainda naquele semestre. Por causa disso, Alberto vivia inquieto.Naquela noite, ele preparou especialmente um jantar delicioso. Durante a refeição, ele abriu a boca várias vezes, mas acabou engolindo as palavras.Lorena percebeu tudo. Receber aquela carta de aceite deveria ser motivo de alegria; o jantar daquela noite era para comemorar com ele. Mas Alberto estava nervoso demais, solene demais. Ele até havia mandado a irmã sair de casa, dando dinheiro para que ela jantasse com os colegas.Lorena se sentou, apoiou o queixo nas duas mãos e sorriu.— Alberto, em um dia tão feliz, por que você está com essa cara caída? Você está bravo porque eu não dei presente para você?Alberto ficou sem jeito com a provocação dela.— Não estou...Lorena olhou
— O que você quer dizer com “desapareceu”? Ele simplesmente desapareceu por vontade própria ou aconteceu alguma coisa com ele?— Ele desapareceu por vontade própria. — A voz de Simão saiu embargada. — Hoje eu mandei mensagem para ele, e ele me bloqueou. Eu liguei para ele, e ele já tinha trocado de número. Eu não consigo mais falar com ele.Jéssica também achou aquilo estranho.— Ele emigrou?Simão balançou a cabeça.— Eu não sei. Mas, seja para onde for que ele tenha ido, ele não tem nada. Como ele vai sobreviver?— Você não disse que ele tinha ido ficar com o pai dele? O pai dele morreu. Talvez tenha deixado alguma coisa para ele. Caso contrário, por que ele nem quis o dinheiro da venda da empresa?Ao ouvir aquilo, Simão ficou ainda mais triste.— Ele doou todo o dinheiro que o pai deixou para ele. Não guardou nem um centavo. Ele também não pegou nada do dinheiro da dissolução da empresa. O que ele tinha ganhado antes, ele entregou tudo para Lorena no divórcio. Agora ele realmente nã
Milena sorriu.— Uma moça tão jovem vem estudar tão longe, em outro país. Sentir saudade de casa não é a coisa mais natural do mundo?Depois do jantar na casa da tia, Lorena ficou observando a avó tricotar um suéter de cashmere.Desde que Rita chegara ali, ela havia se apaixonado por design de joias e por corte e costura. Com Milena a incentivando por perto, o entusiasmo saiu completamente do controle. No outono e no inverno, Rita ainda se encantara por tricotar suéteres de cashmere à mão. Ela já havia feito um para Lorena, um para Milena e um para Ethan. A peça que ela tricotava naquele momento parecia masculina pela cor. Alberto ficou olhando com tanta expectativa que a ansiedade quase podia ser vista em seus olhos.— Vovó, esse suéter não é para o Bobby, é? — Perguntou Alberto, com uma expressão de dar pena.Bobby era um cachorrinho criado por Milena.A pergunta fez Rita cair na risada.— O que você acha?Alberto não sabia muito bem o que dizer. Depois de pensar um pouco, ele falou:
Lorena realmente já não tinha interesse algum no dinheiro de Isaac. Mas aquelas três doações absurdas haviam caído em seu nome, e ela não podia simplesmente fingir que não sabia de nada.Ela pretendia desbloquear Isaac primeiro e depois perguntar diretamente a ele o que tinha acontecido.No entanto, quando Lorena abriu outra vez a conversa dos dois no WhatsApp e tentou enviar uma mensagem, ela percebeu que, ao lado do texto, apareceu apenas um único tique cinza durante muito tempo.Isaac a havia bloqueado.Depois de fazer aquelas doações enormes em nome dela, ele simplesmente apagou o contato dela e ainda a bloqueou.Lorena abriu o perfil dele. Isaac já havia trocado a foto.Era uma ilustração gerada por IA, na qual duas mãos seguravam uma borboleta prestes a alçar voo.A frase da bio dele também havia mudado:[Que todas as bênçãos do mundo sejam dela.]Lorena pensou em Jéssica.Jéssica já havia dado à luz, e agora quase tudo o que ela publicava em sua conta pessoal era sobre o bebê. A
Isaac desapareceu de repente.Do Natal até a chegada do Ano-Novo, Isaac não voltou a aparecer diante de Lorena.Lorena não sentiu grande coisa. Na verdade, ela quase não voltou a pensar nele, porque, naquele período, seus dias estavam completamente ocupados pelas festas, pelos reencontros em família e por Alberto. Não sobrava tempo nem espaço para lembranças.Se havia alguma pequena sombra de arrependimento em meio àqueles dias tão felizes, ela veio de uma notícia triste que Lorena recebeu na clínica.Foi Lucy quem contou: Robert havia falecido.Aquele velhinho gentil, sempre alegre, que a chamava de “Cisne branco dançarino”, nunca mais apareceria na clínica.— Ai, eu vi com meus próprios olhos o filho dele colocando o velho na ambulância e levando ele para o hospital. Depois disso, aquele danado nunca mais voltou! — Disse Lucy, enxugando os olhos.Em um lugar como a clínica, existia entre os pacientes uma espécie de cumplicidade silenciosa. Quando alguém partia, era inevitável sentir
Robert estava inconsciente e já não conseguia responder a ela.Os paramédicos o colocaram na ambulância, e Isaac entrou junto.Lucy continuou exclamando “Meu Deus!” sem parar, até a ambulância ir embora e o som desaparecer por completo.Robert passou um dia inteiro na UTI, recebendo atendimento médico.Quando Isaac voltou, já havia anoitecido.O médico disse que o estado do paciente era muito grave e pediu que a família se preparasse para o pior.Mas Isaac não tinha o que preparar. Seu pai já havia deixado tudo organizado. Talvez ele o tivesse chamado apenas para que Isaac estivesse presente até o fim: Marcelo Cunha, também conhecido como Robert, havia vivido sua vida neste mundo e estava prestes a partir.Isaac já havia dito que, nesta vida, ele preferia agir como se jamais tivesse tido aquele pai. Ainda assim, quando Marcelo morresse, Isaac viria se despedir dele uma última vez. Seria o encerramento daquela relação de pai e filho que ele tanto odiava.Naquela noite, na casa de seu pa
Isaac tinha voltado a beber. Ele tinha quebrado a própria regra. Pelo tom da voz, Lorena percebeu que ele estava até um pouco bêbado. Mas será que Isaac realmente seria capaz de gritar daquele jeito em público?Na lembrança de Lorena, Isaac, no ensino médio, tinha sido o típico gênio frio: o melhor
O som contínuo da água ecoava no banheiro. Isaac estava tomando banho. Eram três horas da manhã. Ele tinha acabado de chegar em casa.Lorena ficou parada na porta do banheiro, porque ela queria conversar com ele sobre uma coisa. Ela estava tensa e não sabia se ele ia concordar com o que ela estava p
Lorena viu que, depois de um breve constrangimento, Isaac e Aurora logo assumiram esse “novo” papel. Os dois passaram a conversar e rir com o parceiro de negócios como se nada tivesse acontecido. Eles pareciam um casal perfeito…Lorena, em silêncio, tirou uma foto com o celular. Quando ela se virou
— Isaac… — A voz de Lorena falhou, traindo o nó na garganta.— Hein? Lorena? — Isaac segurou a mão dela. — O que aconteceu? Você está com vontade de chorar? Se quiser chorar, chora. Não precisa segurar.A voz de Isaac era muito, muito doce.Era igual àquela época em que Lorena tinha saído da sala de







