LOGINLorena pegou o objeto do chão e, ao olhar melhor, percebeu que era um tsuru de papel...O que aquele tsuru queria dizer?O coração dela estremeceu, inevitavelmente tocado por uma lembrança muito antiga.Será que ele havia descoberto?Aquele tsuru não tinha sido dobrado com o mesmo papel que ela usara naquela época. Parecia novo.Lorena desdobrou o tsuru. Como esperava, havia palavras escritas ali. Era a caligrafia de Isaac, familiar demais para ela. Ele havia escrito: [Minha Lô, que você seja feliz e esteja em paz para sempre.]Então, parecia que ele realmente havia descoberto a verdade sobre os tsurus e o trabalho voluntário.Mas e daí?A Lô dele? Ela já não era mais isso. Há muito tempo não era.Se, em qualquer momento dos últimos doze anos, Lorena tivesse recebido aquele tsuru e lido aquela frase, ela teria ficado profundamente comovida, com os olhos cheios de lágrimas. Mas ela só o recebera agora.Como dizia o ditado, amor tardio não tem valor.Quanto a saber se aquele gesto dele
Lorena olhou para a mensagem de confirmação no celular e já nem se deu ao trabalho de contar quantos zeros havia naquela quantia.Doze anos de amor. Cinco anos de casamento. No fim, tudo o que ela recebeu em troca foi aquela sequência fria de números.Ela não sabia o que faria se o tempo pudesse voltar para doze anos atrás. Mas não havia “se” no mundo. O tempo não voltava. Só restava seguir em frente.Enquanto Lorena ainda segurava o celular, Ethan desceu as escadas e disse:— Isaac está lá fora. Ele disse que tem algo para entregar a você. Você quer sair para vê-lo? Se você não quiser, eu vou no seu lugar.Lorena ficou surpresa por um instante. Como Ethan sabia que Isaac estava ali?Ethan percebeu o que ela estava pensando e explicou:— Você não bloqueou ele? Ele ligou para o advogado, e o advogado me avisou.Lorena já não queria ver Isaac.— Então você fala com ele por mim.— Certo.Ethan assentiu e saiu.Isaac estava sentado no carro, muito nervoso. Não tirava os olhos do caminho po
Como o próprio Isaac havia dito, ele realmente ia se mudar.Por isso, depois de resolver o que precisava naquele dia, ele aproveitou a manhã e o horário do almoço para contratar uma empresa de mudanças. Em poucas horas, o apartamento onde ele e Lorena tinham morado depois do casamento estava completamente vazio.Havia muitos objetos de valor na casa. Eletrodomésticos, peças de decoração, utensílios de cozinha... nada daquilo tinha sido barato na época da compra.Quando os funcionários da empresa de mudanças perguntaram o que ele queria levar, Isaac respondeu sempre a mesma coisa: ele não queria nada.Ele ficou parado no meio da casa. Diante de seus olhos, restavam apenas os vestígios da vida que Lorena levara ali.Ela havia vivido de verdade ao lado dele por cinco anos. Durante cinco anos, estivera presente em cada detalhe da vida dele. Ela era a mulher que tinha depositado a própria existência inteira nas mãos dele...— Eu vou separar as coisas deste quarto. — Ele disse com a voz rouc
Naquele tsuru, estava escrito:[Vovó, você precisa melhorar. Isaac só tem você.]A letra era familiar demais para ele. Era a letra de Lorena.A caligrafia de Lorena tinha uma marca muito própria. Ela sempre escrevia as letras arredondadas, cheias, com uma delicadeza inocente e adorável, completamente diferente da letra de Aurora...Isaac ficou olhando para aquelas palavras, e sentiu o coração despencar.Era como se tivesse perdido o chão e caído em um abismo sem fim...Ele havia perdido muito mais do que imaginava.Isaac colocou lado a lado os dois papéis dos tsurus desdobrados. Só então, finalmente, deixou as lágrimas caírem.Lorena, me desculpe...Ele permaneceu sentado no escritório. O silêncio ao redor era absoluto, como se o mundo inteiro tivesse parado de respirar.Se pudesse escolher, talvez preferisse que tudo terminasse ali. Isaac já não esperava mais ver o dia seguinte nascer.Mas ele só podia continuar desperto, esperando a noite passar.Só que aquela noite foi longa demais.
Felipe e Joana já tinham se acostumado com as visitas de Isaac. Assim que ele entrou, os dois o receberam e o levaram para dentro. Pela casa, pairava um aroma suave de comida recém-preparada. Eles estavam prestes a jantar.Isaac havia comprado muitos legumes, frutas e mantimentos no supermercado no fim da rua. Ele chegou carregado de sacolas. Ao verem aquilo, Felipe e Joana repetiram várias vezes:— Isaac, você é gentil demais. Daqui em diante, considere esta casa como sua.Ao ouvir aquelas palavras, Isaac quase desabou em lágrimas. A partir daquele dia, ele realmente não tinha mais um lar. Também não tinha para onde ir.Ele tinha entregado todos os imóveis a Lorena. Não deixara nada para si, nem sequer pensara em onde viveria dali em diante.Felipe e Joana o convidaram para jantar. Isaac não fez cerimônia. Ele jantou, ajudou a lavar a louça e depois ficou conversando com os dois idosos. A conversa se estendeu até tarde da noite. Em algum momento, seu rosto assumiu uma expressão vazia.
— Não vai acontecer. — Lorena respondeu, sem olhar para trás. — Mesmo que a gente se encontre outra vez algum dia, vamos agir como dois estranhos.— Lorena!O grito de Isaac saiu entrecortado por um soluço, mas Lorena não ouviu. Ela já tinha entrado no carro e se afastava cada vez mais, sem olhar para trás.A tristeza que ele havia segurado à força por tanto tempo finalmente tomou conta dele. As lágrimas deixaram sua visão tão turva que ele já não conseguia enxergar nada ao redor. Isaac se apoiou no carro, incapaz de se recompor.A única coisa pela qual ele se sentiu grato foi ter conseguido se controlar durante a despedida final. Ao menos, ele ainda deixara para Lorena a imagem de si mesmo com um mínimo de dignidade.— Isaac.Com a visão turva pelas lágrimas, uma exclamação surpresa soou.Ele virou o rosto, impedindo que alguém visse sua expressão naquele momento.— Isaac, você está chorando... — A voz de Aurora trazia choque e decepção.Isaac se virou de costas. Só depois de algum te
Isaac tinha voltado a beber. Ele tinha quebrado a própria regra. Pelo tom da voz, Lorena percebeu que ele estava até um pouco bêbado. Mas será que Isaac realmente seria capaz de gritar daquele jeito em público?Na lembrança de Lorena, Isaac, no ensino médio, tinha sido o típico gênio frio: o melhor
O som contínuo da água ecoava no banheiro. Isaac estava tomando banho. Eram três horas da manhã. Ele tinha acabado de chegar em casa.Lorena ficou parada na porta do banheiro, porque ela queria conversar com ele sobre uma coisa. Ela estava tensa e não sabia se ele ia concordar com o que ela estava p
Lorena viu que, depois de um breve constrangimento, Isaac e Aurora logo assumiram esse “novo” papel. Os dois passaram a conversar e rir com o parceiro de negócios como se nada tivesse acontecido. Eles pareciam um casal perfeito…Lorena, em silêncio, tirou uma foto com o celular. Quando ela se virou
— Isaac… — A voz de Lorena falhou, traindo o nó na garganta.— Hein? Lorena? — Isaac segurou a mão dela. — O que aconteceu? Você está com vontade de chorar? Se quiser chorar, chora. Não precisa segurar.A voz de Isaac era muito, muito doce.Era igual àquela época em que Lorena tinha saído da sala de







