ANMELDENLorena riu.— É isso mesmo! — Alberto acompanhou o riso dela. — Quando meu pai não está ocupado, ele cozinha para minha mãe. Eu aprendi tudo com ele!Então aquilo era uma espécie de tradição de família. Lorena não esperava por essa.Ela não acreditava que, dentro de uma casa, a cozinha tivesse de ser obrigação da mulher. Mas, numa família riquíssima como a de Alberto, certamente havia inúmeras funcionárias, talvez até chefs profissionais. Além disso, o pai dele deveria ser um homem muito ocupado. Mesmo assim, ele ainda cozinhava com frequência para a esposa?Lorena acreditava que, dentro de uma família, a influência dos pais sobre os filhos vinha justamente das pequenas coisas vistas todos os dias.Por exemplo, com pais como os dela, não era nada estranho que alguém como Francisco tivesse sido criado.Já pais como os de Alberto criavam filhos que... por um instante, Lorena nem sequer soube como definir aquilo. Talvez criassem exatamente alguém como Alberto.Ela e Alberto eram dançarino
Alberto a segurou depressa.— Senta, senta. Eu recolho a louça, está bem?Ele a ajudou a se sentar no sofá. Mesmo assim, Lorena ainda gesticulava com a mão e dizia:— Eu estou bem. Eu não tenho nada, nada mesmo, de verdade...— Está bem, está bem. Você está bem. Eu vou arrumar tudo. — Alberto concordou, entrando no jogo dela.Só que, depois de colocar a louça na lava-louças, Alberto voltou para a sala e viu que ela já havia adormecido no sofá.Com medo de que ela ficasse desconfortável dormindo ali, ele a chamou baixinho:— Lorena, Lorena, você quer ir dormir na cama?Lorena, porém, continuou de olhos fechados. Não havia a menor chance de acordá-la.Alberto suspirou, pegou-a no colo e a levou para o quarto.Ela realmente estava bêbada. As bochechas dela estavam vermelhas, como duas cerejas maduras.Quando ele se inclinou para deitá-la na cama, a respiração quente dela roçou de leve a orelha dele, e todo o corpo de Alberto ficou tenso.Ele ficou encarando o rosto corado dela e os lábios
O celular, que estava sobre o tapete, piscou. Uma mensagem havia chegado.Lorena pegou o aparelho e viu que Alberto, o vizinho da casa ao lado, tinha escrito.[Vem ver o boneco de neve!]Ela vestiu o casaco e abriu a porta.O vento frio entrou de uma vez. Em apenas uma tarde, a neve lá fora já havia acumulado quase meio palmo de altura.No jardim da casa ao lado, havia um boneco de neve meio feioso. Alberto estava parado ao lado dele, acenando com força, com um sorriso tão largo que quase não cabia no rosto.Lorena se aproximou e só então percebeu que o boneco de neve segurava uma rosa na boca.— O nome dele é Snowy. — Alberto disse.Lorena riu.— Esse nome é bem preguiçoso e comum, né?— Mas a atitude dele não é nada preguiçosa! — Alberto de repente tirou um buquê de rosas de trás do boneco de neve. — Snowy disse que quer te dar flores e desejar boas férias.Lorena olhou para Alberto e apenas sorriu, sem dizer nada.O rosto de Alberto foi ficando vermelho aos poucos. Até as mãos que s
A vida de Lorena se tornou simples, regular e plena. Em geral, ela ia à faculdade para assistir às aulas, depois seguia para a clínica para fazer reabilitação e, nos fins de semana, depois da terapia, voltava à casa da tia para fazer companhia à avó.Os dias passaram depressa. Num piscar de olhos, o inverno chegou.Em meados de dezembro, a faculdade entrou em recesso de Natal.As férias durariam quinze dias, e quase todos os colegas deixaram o campus. Lorena, porém, precisava ir à clínica todos os dias para fazer reabilitação, por isso ainda não havia voltado para a casa da tia.No primeiro dia de férias, ela preparou para si mesma um café da manhã simples e saudável. Depois de comer, vestiu um casaco acolchoado bem grosso e foi direto para a clínica.Assim que ela entrou, ouviu uma voz masculina, grave e calorosa, chamá-la em português:— Cisne branco dançarino!Era um paciente da clínica, um homem de meia-idade, por volta dos cinquenta anos, chamado Robert.O médico havia dito que Ro
— Quem é? Eu conheço essa pessoa?No passado, Teresa não tinha o menor interesse em saber quem eram as mulheres que Breno mantinha fora de casa.Jéssica assentiu.— É Aurora. Eu fiquei com medo de você sofrer e nunca tive coragem de te contar.Teresa ficou atônita por apenas um breve instante. Depois, pareceu se livrar de um peso e assentiu.— Eles até combinam.— O quê?Diante de uma notícia tão bombástica, Teresa se limitara a dizer aquilo.— Não é verdade? — Teresa sorriu. — Duas pessoas podres juntas. Parece até coisa do destino.— Pensando bem, é mesmo... — Jéssica também riu. — Mas eu acho que essa criança não vai nascer. Eu conheço Aurora bem demais. Ela coloca os próprios interesses acima de tudo. Antes, ela tentou empurrar a responsabilidade pela gravidez para Isaac, dizendo que o filho era dele. Eu nem sei como Isaac se sentiu ao ser traído pela mulher que sempre foi o grande amor da vida dele, aquela que ele idealizava. Agora que tudo veio à tona e Breno vai para a prisão, q
Em resumo, os pais de Breno não estavam dispostos a gastar um centavo sequer com o próprio filho.O advogado disse, sem saber mais o que fazer:— Eu já procurei os pais dele, mas...— Mas? — Teresa ainda não entendeu aonde o advogado queria chegar com aquele “mas”.Afinal, Breno confiava tanto nos próprios pais que havia transferido todos os bens para o nome deles.— Os pais dele não querem contratar advogado. E, quando eu fui procurá-los pela segunda vez, eles já tinham viajado com o filho mais novo e a nora. — O advogado disse, desanimado.— O quê?Teresa demorou alguns segundos para assimilar. Então caiu na gargalhada.— Excelente! Então ele também acabou assim! Bem feito!— Teresa? — Dessa vez, foi o advogado que não entendeu.Teresa ria tanto que nem conseguia conter o sorriso.— Se nem os pais dele querem saber dele, por que uma ex-esposa teria que se meter nisso? Você procurou a pessoa errada. Eu e Breno não temos mais nenhuma ligação.— Teresa, espere, espere... — O advogado, c
— Isaac… — A voz de Lorena falhou, traindo o nó na garganta.— Hein? Lorena? — Isaac segurou a mão dela. — O que aconteceu? Você está com vontade de chorar? Se quiser chorar, chora. Não precisa segurar.A voz de Isaac era muito, muito doce.Era igual àquela época em que Lorena tinha saído da sala de
Depois daquele dia, Lorena voltou para os livros. Ela recomeçou a estudar. Na época, ela não tinha grandes planos. Ela só queria colocar algum tipo de apoio secreto naquela vida pálida que ela levava. Se ela tivesse coisas para fazer, ela não ia ficar o tempo todo lembrando daquela frase e se machu
Aurora, sempre atenta ao clima, entrou na conversa na hora certa:— Isaac, você não fica chateado só porque o pessoal falou mal da Lorena. Eles realmente estão pensando no seu bem. Pensa só: a nossa amizade já dura tantos anos… mesmo que alguma coisa que eles falaram tenha passado do ponto, você ouv
Mas a atuação exagerada de Breno fazia todo mundo dentro da sala cair na gargalhada. Aurora, sentada ao lado de Isaac, ria tanto que ela se jogava no ombro dele.E Isaac continuava sem dizer uma palavra.Breno virou-se ainda rindo:— Isaac, é assim que ela…Antes que ele terminasse a frase, ele viu







