Se connecter— Mana, meu irmão está bem agora. Ele começou a trabalhar na empresa da família e anda ocupado todos os dias. Meus pais também estão apresentando algumas mulheres para ele conhecer. — Disse Letícia.Ao ouvir aquilo, Lorena sentiu um grande alívio.Ela desejava, de coração, que Alberto ficasse bem.— Mana, você não precisa se sentir culpada. — Continuou Letícia. — Meus pais vão cuidar bem do meu irmão. Na verdade, meu pai nunca gostou muito que ele se dedicasse à dança. Agora que ele voltou para casa, as coisas acabaram ficando do jeito que meu pai queria.Assim que terminou de falar, Letícia pareceu perceber que havia se expressado mal. Ergueu as mãos às pressas, tentando se explicar.— Mana, não é que eu ache que dançar seja ruim...Lorena sorriu.— Eu entendo, Letícia.E entendia mesmo.Lorena até conseguia compreender que talvez o pai de Alberto nunca tivesse desejado que ela se tornasse sua nora. Afinal, considerando a posição social da família, era natural que ele esperasse que Al
No fim, Lorena procurou uma moldura, emoldurou o desenho e o colocou sobre a mesa.Ela ficou olhando para si mesma no desenho. Usava roupa de treino de dança, tinha os cabelos presos em um coque alto, e Theo havia conseguido captar até o brilho em seu olhar.Lorena fotografou o desenho e enviou a foto para Priscila, que estava em Huambo, pedindo que ela adivinhasse quem eram as pessoas retratadas ali.Do outro lado, Priscila começou a gritar de empolgação.Lorena já imaginava que aquela seria a reação dela. Abafando o riso, acomodou-se na espreguiçadeira junto à janela panorâmica e continuou conversando com a amiga.Na carta, Isaac dizia que havia escrito depois da chuva forte. Mas, naquele momento, o céu de Londres estava limpo e o sol brilhava. A luz entrava pela janela panorâmica e banhava o ambiente, trazendo uma sensação de conforto que lembrava o efeito curativo que Isaac atribuía à presença de Theo.[Lorena, naquela época a nossa felicidade era tão simples.]Priscila enviou essa
Era um breve diário de viagem.Mas aquela letra, obviamente, não era de Isaac. Lorena conhecia muito bem a caligrafia dele.Além disso, aquilo parecia mesmo ser uma página reproduzida de outro texto. Então seria um diário de viagem de Theo? Isaac havia chegado ao lugar, copiado um trecho do diário de Theo, colado-o no verso do cartão-postal e enviado tudo para ela?Antes, Lorena não conhecia Theo de verdade. Diziam que a caligrafia revelava muito sobre a personalidade de alguém. Olhando agora, ela percebeu que a letra de Theo era firme, de traços marcantes, e que o texto era conciso, composto de frases curtas, mas carregadas de força.Ela guardou o cartão-postal na gaveta.A segunda carta chegou uma semana depois.Dessa vez, não era um cartão-postal. Era um esboço — ou, mais precisamente, uma reprodução impressa de um desenho feito à mão.Havia algumas pessoas desenhadas na folha, mas Lorena não conseguiu identificar de imediato a cena retratada. Isaac também tinha enviado uma carta ju
Lorena já não tinha mais esperanças naquele amor. A separação era inevitável. Mesmo assim, não conseguiu evitar a dor. Ela também havia amado Alberto de verdade.Ao ouvir aquelas palavras, seus olhos se encheram de lágrimas, que logo embaçaram sua visão. O copo, os pratos e os talheres à sua frente se reduziram a vultos indistintos.— Então... desejo uma boa viagem a vocês.Ela não disse mais nenhuma palavra para tentar convencê-lo a ficar.Alberto olhou para ela, e seus olhos finalmente se encheram de lágrimas.Milena e Ethan eram hábeis em sustentar conversas educadas. Depois que o assunto principal foi resolvido, as duas famílias se limitaram a trocar gentilezas e a conversar sobre banalidades, saltando de um assunto sem importância para outro.Todos se mostravam cordiais. Mas aquela cordialidade parecia menos sincera do que uma reunião de negócios. Afinal, até em uma reunião de negócios havia algum interesse concreto por trás das palavras.Lorena não sabia o que os pais de Alberto
Rita agia como se aquelas cartas fossem algum perigo mortal e não deixava Lorena lê-las de jeito nenhum.— Vó, eu já estou bem. Só vou conseguir seguir em frente de verdade se enfrentar tudo isso de uma vez, né? — Lorena estendeu a mão, pedindo as cartas.Rita hesitou por um longo tempo. No fim, ainda apreensiva, entregou as cartas a ela.Lorena abriu uma por uma e leu cada palavra com atenção.Nas cartas, Alberto pedia desculpas. Ele relembrava os bons momentos que haviam vivido juntos e perguntava o que mais poderia fazer para reconquistar o coração dela. Será que tudo o que já havia feito ainda não era suficiente?Ao se deparar com a palavra “feito”, Lorena sentiu o estômago se revirar novamente. Ainda assim, pegou o copo de água gelada que estava à sua frente e bebeu tudo de uma vez, tentando conter o enjoo.Só depois que ela terminou de ler todas as cartas é que Rita, que a observava com absoluta atenção, enfim se tranquilizou.— Vó, eu falei que estou bem. — Lorena sorriu, tentan
Isaac a escutou em silêncio. Só depois que Lorena terminou de falar, ele disse:— Então, está vendo?— O quê? — Lorena franziu a testa. Ela não fazia ideia do que ele queria que ela entendesse.— Você está vendo? Você sabe de tudo. — Isaac repetiu as palavras dela. — Casamento não é pagamento de dívida, não é obrigação, não é prisão. Casamento é para duas pessoas viverem felizes juntas.Lorena ficou paralisada.— Lorena.Isaac se levantou e caminhou até ficar diante dela.— Você precisa confiar em si mesma. Você estava certa. Independentemente de com quem você se case, o importante é que os dois sejam felizes juntos. Se não existe felicidade, qualquer um dos dois tem o direito de pedir o fim. Se o outro não aceita, isso é problema dele, não seu. Você não errou.Então era isso.Depois de dar tantas voltas, Isaac finalmente havia chegado ao verdadeiro motivo daquela conversa.— Lorena, amar alguém de verdade é querer entregar tudo o que se tem de melhor e, ainda assim, achar pouco. Não é
Isaac tinha voltado a beber. Ele tinha quebrado a própria regra. Pelo tom da voz, Lorena percebeu que ele estava até um pouco bêbado. Mas será que Isaac realmente seria capaz de gritar daquele jeito em público?Na lembrança de Lorena, Isaac, no ensino médio, tinha sido o típico gênio frio: o melhor
O som contínuo da água ecoava no banheiro. Isaac estava tomando banho. Eram três horas da manhã. Ele tinha acabado de chegar em casa.Lorena ficou parada na porta do banheiro, porque ela queria conversar com ele sobre uma coisa. Ela estava tensa e não sabia se ele ia concordar com o que ela estava p
Lorena viu que, depois de um breve constrangimento, Isaac e Aurora logo assumiram esse “novo” papel. Os dois passaram a conversar e rir com o parceiro de negócios como se nada tivesse acontecido. Eles pareciam um casal perfeito…Lorena, em silêncio, tirou uma foto com o celular. Quando ela se virou
— Isaac… — A voz de Lorena falhou, traindo o nó na garganta.— Hein? Lorena? — Isaac segurou a mão dela. — O que aconteceu? Você está com vontade de chorar? Se quiser chorar, chora. Não precisa segurar.A voz de Isaac era muito, muito doce.Era igual àquela época em que Lorena tinha saído da sala de







