Masuk“O ser humano é um bicho estranho, ora ele ama, ora machuca, depende muito de como você reflete em sua cabeça”. - Samara Morris.
Se o diretor daquele ano, o ex professor, Alex Cooper, tivesse a função de vigiar os passos de cada aluno da instituição, ele precisaria se dividir em 300, mas ele tinha uma certeza quase fanática de que os alunos eram tão disciplinados quanto os apagadores de algodão que comprara aos montes para aquele ano em especial. Ah! Eles são só crianças. Costumava dizer para os professores, que só observavam com olhos compendiados, o discurso surrealista do diretor. Não há nada de errado no futuro do país, pois os jovenzinhos estão fazendo suas funções. Que alegria é vê-los aprender, crescer e criar conexões. Ele costumava pensar assim ocasionalmente. Ah! Essa era a preferida do Cooper: os jovenzinhos são como animais no pasto, eles comem o que estiver em seu alcance, então, apenas dê comida. Ele se referia a conhecimento. Também chamada: grama da sabedoria.
Frederick, o cara que era o jovenzinho sábio e peça chave do futuro da humanidade, atravessou o corredor com uma confiança que o deixava esquisito, ele se aproximou de um menino e tomou a barrinha de cereal que ele comia e enfiou nas calças de outro, fazendo-os correr para direções opostas. Ele adorava aquela sensação de desordem. Caos era sua palavra preferida, apesar de não saber como soletrá-la.
— Tire as mãos imundas desta pobre criatura de Deus, senhor Cornwell — disse o diretor para Frederick e ele apenas colocou o boné novamente na cabeça de um dos alunos e virou-se para ele, quieto. — Venha até aqui — chamou, entrando na diretoria. Frederick o seguiu.
— Não vou ser suspenso por tirar o boné da cabeça daquele moleque, vou? — perguntou Frederick, sentando-se na cadeira frente a mesa do diretor.
— Não… hoje não — Alex abriu algumas das gavetas, parecendo procurar algo — aqui está…
— Que isso?
— Chave do quarto de limpeza… — a voz do diretor soou clara. Tão clara que ele não queria acreditar naquilo.
— Está bem, mas… e daí?
— E daí que, você vai até lá, pega o esfregão e limpe o corredor, engraçadinho. Eu vi você enfiar algo nas calças do Steve.
— Que droga!
— Apenas faça! — disse com autoridade. Frederick tomou a chave da mão dele com força, saindo da sala da diretoria.
Limpar os corredores era uma tarefa fácil, do ponto de vista lógico: eram estreitos e curtos, se não fosse os demais pavimentos, mas, limpá-los durante a circulação de alunos, era como secar a neve do pátio em um dia tendencioso a nevar.
— Se vocês pisarem na poça d’água e cair de bunda no chão, eu terminarei de molhar seus traseiros com isso aqui — Frederick balançou o esfregão no ar, enquanto alunos corriam pelo chão molhado e escorregadio.
— Muito trabalho, senhora Cornwell? — Daniel perguntou, chegando por trás dele e o surpreendendo. Ele carregava uma mochila nas mãos. Parecia esconder algo.
— Costumava ajudar sua mãe a limpar a casa quando ia fazer uma visitinha surpresa — rebateu Frederick, enfiando o esfregão no balde e limpando o suor que escorria pela sua testa — pensei que iria vir de sunga, hoje. Está um ótimo dia para nadar no rio Wax, não acha?
— Ou… pintar o sino de rosa-choque — Daniel abre a mochila e mostra várias tintas spray. Ele era ousado. Sabia estar certo sobre a cor do sino, mas pensou que, se pudesse torná-lo de outra cor, aquela discussão centenária chegaria ao fim.
— Espera… É isso… Você está apaixonado. Poderíamos pintar aquela coisa de preto, de listras vermelhas se fosse preciso, mas não, você quer rosinha como o seu coração agora, batendo pela garota Morris — insinuou ele, mas Daniel concordou com a visão certeira do amigo e não discordou.
— Você é esperto… Irá me provar mais disso quando subir lá e pintá-lo! — assentiu, mostrando a chave da porta onde estava a escada que dava acesso aquela área do teto. A chave brilhava como um diamante recém garimpado, e Frederick era ganancioso. Ele tomou aquelas chaves quase na mesma intensidade que tomou as que o diretor Cooper as entregou mais cedo.
O quarto era uma espécie de depósito onde o diretor colocava inúmeras quinquilharias. O acesso era pelo lado exterior da instituição, exatamente na mesma posição, atrás do que era a diretoria. Para acessar o cômodo, primeiro era preciso abrir um portão, depois uma porta vermelha (de coloração desbotada). A chave curiosamente servia para ambas as fechaduras. Aquele lado do colégio era pouco movimentado. Havia um curto e estreito corredor e as únicas pessoas que passavam por ali, eram alunos que desejavam se esconder e matar aula.
— Uma porta quase imperceptível — disse Frederick assim que chegou até ela. Ele segurou a grade do portão e enfiou a chave na fechadura, sem medo de ser pego pelo zelador. — Me passa a mochila.
— Quando você chegar ao sino esverdeado, não se esqueça de usar os óculos de proteção que estão na mochila. Não quero me responsabilizar caso você caia de lá e quebre o pescoço — Daniel passou a bolsa para ele, sendo ainda mais firme com as palavras. — Tome cuidado.
— Pode deixar papai, farei um bom trabalho — Frederick destrancou a porta, abrindo-a. O local era como imaginado. Sujo, pequeno e esquisito. — Olha, onde será que vai dar aquelas tubulações?
— Você não caberia ali… Mas acho que para a sala do diretor e para a cozinha — respondeu Daniel, olhando para a tubulação conectada a um exaustor. — Agora, olha ali no canto, uma escada de metal. O buraco no teto leva à torre central. Há um parapeito lá, uma base. É usada quando se deseja fazer manutenção. Está vendo a corda? Bem ali, entrando em uma janelinha… É a que o diretor usa para acionar o sino.
— Seria uma pena se…
— Não… Você não vai fazer isso, saco de farinha. Você só vai pintar o sino. Sei que você ia falar que desejaria cortar a corda…
— Como sabia?
— Porque você é meio problemático, Frederick. Como não saber das besteiras que você pensa — Daniel entrou no quarto. Era um pouco barulhento e seco. Partículas de poeira suspensas no ar, contra o feixe de luz que entrava por uma fresta na parede, pareciam planetas no espaço sideral.
— Pintar ele de rosa é super normal, não é? — Frederick reclamou, colocando a mochila nas costas e indo até a escada de metal. Suas mãos seguraram-na com força, sentindo a temperatura fria. Ele sacudiu um pouco, certificando-se de que ela estava firme na parede. Olhou para cima, através do grande vão à parede e mediu com os olhos se caberia no buraco. Era notável que sim, mas ele tinha pouca noção de espaço.
— É uma pegadinha. E faz parte da aposta. Você perdeu, Frederick. Quando você voltar, também irei te dar uns óculos. Eu não sei como você vê o sino dourado… — Daniel falou antes de sair do quarto e fechar a porta.
Do topo da torre central, no parapeito estreito, Frederick ficou de joelhos e verificou no relógio as horas. Seria trágico a seus ouvidos se o sino fosse atingido naquele momento. Respirando fundo, esfregou os olhos, como se estivesse se preparando para ver se o sino era realmente esverdeado e os abriu. Ainda era possível ver algo dourado na medida que sua visão borrada da pressão das mãos aos globos oculares, se restaurava. Ele não podia acreditar. Era um infeliz sino esverdeado. Como a cor da Estátua da Liberdade. Que bruxaria era aquela. Frederick pensou, seguindo de uma vontade irresistível de gritar o mais alto possível: você estava certo seu bunda-mole. A porra do sino é verde. Verde como a grama que os alunos do diretor biruta costumam comer. Mas ele só suspirou fundo, colocando a mochila no chão do parapeito. Ele limpou um pouco de suor que escorria de suas mãos, e a abriu, vasculhando-a. Havia três tintas spray e um óculos. A proteção foi a primeira coisa que ele colocou no rosto, seguido de um chiclete de morango que tirara do bolso de suas calças que guardou por dois dias. Sino verde… agora… sino rosinha. Pensou ele, antes de retirar a tampa do spray e sacudir. A bolinha de metal dentro do recipiente fez um barulho incubado. Ele puxou o colarinho da camiseta e colocou sobre o nariz e boca, pressionando o disparador e fazendo um teste em uma das paredes. A tinta rosa entrou em contato com a parede negra de concreto, que a absorveu como uma esponja. Era uma bonita cor, ele pensou, após mais um jato de tinta. O cheiro ainda era perceptível, e Frederick pensou estar um pouco tonto, mas só estava enjoado por estar tão alto. Ele apontou o spray para o sino e apertou o botão do disparador de tinta. A tinta atingiu a superfície do sino como um ovo recém-quebrado em uma frigideira, se espalhando. O metal não o absorveu. A tinta escorreu como o sangue que escorre de um joelho ralado. Ele continuou, fazendo por todo o corpo do objeto. Não demorou muito para ele estar completamente rosa. Do alto da torre central, Frederick pôde ver Daniel, que levantava as duas mãos em um sinal de joia, enquanto sorria, pelo feito que fizera.
No final do intervalo do lanche, o sino tocou, mas ninguém notou que ele era rosa agora. Talvez tardasse um pouco até alguém perceber, admirado, que de dourado, ou melhor, esverdeado, ele acabou se tornando rosa-choque.
— Eu estava certo — falou Daniel, quando Frederick retornou. Eles correram para a quadra de esportes.
— Agora sinto medo do que você está querendo que eu faça — rebateu ele, sabendo que Daniel era especialista em causar situações embaraçosas.
— Relaxa… você já fez parte do plano — Daniel retirou um envelope do bolso e esticou o braço em direção ao amigo —, agora só falta colocar meu poema nas coisas da Samara.
— Você está falando sério? Ou está querendo pregar uma peça nela? — Frederick não conseguia entender como Daniel poderia gostar de Samara, porque ele não conseguia vê-la como as outras garotas. Era uma coisa que ele mesmo criou, e usava como desculpa para fazer brincadeiras com ela e com os outros alunos.
— Você tem que parar de incomodar as pessoas. Você sabe que eu reprovo isso — Daniel deu um soco de leve no braço dele. — Pega logo o envelope. Se tentar uma gracinha, eu quebro seus dedos, ouviu?
— Ah! Dá isso aqui — Frederick tomou o envelope dele.
— Ouviu? — Daniel perguntou em busca da confirmação.
— Ouvi… Mas ainda não gosto dela — falou ele, saindo com uma cara amarrada. Frederick só estava fazendo aquilo porque ele tinha que cumprir a aposta, caso contrário, teria amassado aquele envelope e mandado Daniel se catar. Havia semanas que eles estavam com os gênios opostos em um atrito perigoso, e agora que Daniel começou a se interessar pela garota, ele ficou ainda mais incomodado.
Havia um vestiário feminino ao lado oposto da quadra. Um lugar tão misterioso para os garotos que eles tinham a impressão de que poderia haver um portal para outra dimensão. Um local onde as garotas se banhavam em lagos de cor púrpura e comiam frutas frescas colhidas diretamente das árvores. Nenhum aluno, garoto, ousou cruzar aquela linha. Era para ser vestuários iguais. O que haveria de diferente? As duchas eram as mesmas… Algum armário, um espelho… Teria uma pista de boliche lá? Algumas garotas davam altas gargalhadas, como se estivessem num clube, aproveitando o segredo delas mesmas.
Fredrick viu que as garotas estavam jogando vôlei na quadra e que a distância até o vestiário era significantemente curta, mas se ele fosse rápido, poderia entrar ali e sair sem ser descoberto. Samara era boa com vôlei, principalmente quando jogava contra Katarina Lens. Ela parecia descontar todo o ódio nas sacadas. A bola deslizava no ar como uma rocha espacial, pronta a estragar o que estivesse pela frente. Oleee. Gritou em coro a plateia, assim que a capitã do time contrário ao de Samara rebateu o saque. Foi um baque tão forte que a mão dela ficou vermelha e pulsante. Era como levar um tapa na cara do Tyson Fury. Frederick aproveitou a euforia da plateia para entrar no vestiário feminino. A magia havia sido destruída quando ele se deu conta de que o local era igualzinho ao masculino com pequenas exceções que as meninas deveriam descobrir se invadissem deliberadamente o vestiário oposto. Era fácil para ele reconhecer as coisas da Samara. Ela usava a mesma mochila e botas. Aquele par de calçados foi motivo de piada no começo do ano, mas logo os meninos trocaram para algo mais invasivo como as roupas e até o cabelo dela. Eles eram tão maldosos que se juntassem todos em um quartinho, o nível de radiação seria superior ao de Chernobyl.
Frederick olhou para os lados antes de ir até um dos armários e vasculhar em busca da mochila da Samara. Ele não teve sucesso nos primeiros, mas observou a posição das botas, que estavam encostadas próximo a um longo banco entre os armários. A posição só poderia indicar que o armário estaria ali em frente. Rápido, levou suas mãos ao pequeno puxador e abriu a porta, e por um momento sentiu-se ter descoberto um tesouro, que lhe traria muito azar, mas ele ainda não sabia… O jovem colocou o envelope na mochila e afastou-se. Era pouco para ele. Ele ainda estava aborrecido. Estava inquieto e com uma sensação de que poderia fazer mais. Ainda com a mochila nas costas, pesada pelo restante das latas de spray, ele se sentou no banco e pegou as botas de Samara. Abriu a mochila e retirou uma das tintas. Sua mente pensava em uma pegadinha. Pensava que poderia dar uma nova cor e vida àqueles calçados tão desgastados. Olhando para os lados, Frederick posicionou uma das botas sobre o banco e começou a pintá-la com o spray, vendo a cor do objeto mudar tão rapidamente quanto o sino mudara, minutos antes. Um pingo de arrependimento e remorso iniciava no meio do seu peito, por deixar novamente seus impulsos de grande zombador, sobressaíram a razão. Ele pensou em pintar a outra bota, quando finalizou a primeira e a colocou no chão, mas ele não fez. Deveria sair dali rapidamente. Sentia que o mundo cairia aos seus pés se continuasse. E ele descobriu mais tarde, que jovens valentões também teriam certas intuições, tão certeiras quanto as das mulheres.
HOTEL HUSTER - CELEBRANDO A VIDAO Hotel Huster foi palco de grandes eventos durante os anos oitenta e costumava receber muitos hóspedes durante a alta temporada, mas os anos de glória do Huster estavam com os dias contados. Administrado pelo ex-banqueiro de Liontown, Chad J. Graham, os negócios pareciam ter atrofiado. Os moradores costumavam chamar o Chad de dedo de ouro, por ser bom nos negócios, mas aquele em especial, fora sua primeira e última investida no ramo da hotelaria. O hotel perdeu capital por 20 anos, antes de fechar as portas há dez anos. Agora, era uma construção inútil à beira da rodovia Clyde. Clyde era conhecida por cortar toda a cidade e ser um dos principais pontos de entrada e saída do município. Mas não tinha um ser humano sequer que saísse ou entrasse em Liontown e não reparasse o hotel. Ele ainda par
4 de novembro de 1977 - 16:30— Se você não falar para onde foi aquela retardada, pode ter certeza que eu tiro todos os dentes de sua boca e te mando para o céu, santinho — disse James, dando um soco na barriga de Paul. Tony segurava-o pelos braços, como alguém que segura um porco para o abate. — Fala!Paul puxou o ar para os pulmões e olhou para a floresta que havia logo depois da rua atrás do colégio. Era um aglomerado de árvores altas e densas. Era o caminho mais rápido se quisesse chegar à rodovia principal da cidade.— Ela foi para lá…— Maldita hora para ir pela floresta, aberração — falou James. Tony soltou Paul, que
4 de novembro de 2007Quando o opala preto que Adam Wason estava dirigindo parou frente a antiga casa dos Morris. Ele teve uma intuição esquisita de que Edward não estaria ali. O tipo de intuição que ele não poderia compartilhar com os outros. Ele achava que essas coisas só eram sentidas por mulheres. Sua intuição se intensificou ao perceber haver rastros de pneu de carro por toda parte. Se Edward estivesse ali, não estaria mais.— Será que chamamos a atenção? — perguntou Melissa, com uma preocupação evidente. — Aqui é muito silencioso.— Se chamamos, quero estar preparado e saber que estou armado — retrucou Adam, com orgulho. Um orgulho quase doentio.
4 de novembro de 1977.Ninguém quer morrer. Pelo menos é assim que a maioria das pessoas pensa. Temos um instinto de defesa e sobrevivência que evoluiu há milhares de anos e nos preparou para os piores cenários. Algo que Bill Lewis sabia muito bem. Lutar ou fugir, estas eram as duas opções interessantes quando a questão era apenas sobreviver, e Bill estava usando-as. Já Samara Morris, em seu íntimo, tinha uma certeza que era assustadora. O tipo de certeza que ela tinha medo de verificar para ver se era realmente aquilo tudo, pois sabia que poderia ser muito pior. Ela ia morrer. Assassinato talvez. Só não sabia quando, como e porquê, o que era péssimo também. Entretanto, ela tinha esperança, do tipo que a fazia viver e esquecer o inevitável. A esperança que ela encontrou t
Liontown. 4 de novembro de 2007Bill achou fácil convencer sua mãe a sair depois do almoço, pelo fato de que haviam prendido o suspeito do desaparecimento de duas crianças na região e de… Ele se esforçou para manter a imagem de Edward em um lugar seguro, mas ele só conseguia vê-lo flutuando de barriga para baixo, às margens do rio Wax. Isso o deixava mal. Mas era difícil de deixar de pensar em coisas ruins. Sua mente estava viciada em possibilidades negativas e ele se odiava por isso. Bill cruzou a avenida principal da cidade e se encontraria com Melissa e Adam depois dos trilhos da estação ferroviária de Liontown e ficariam ali debatendo as investigações. E entre fatos verdadeiramente concretos e imaginários, Bill e Adam estariam sempre divididos nas opiniões. Era o que cos
Edward estava algemado à cama em um quarto escuro com paredes azuis. Suas roupas eram elegantes e pareciam ser da década passada. Um suéter de lã de cor vermelha-escura cobria seu torso — na vestimenta havia um broche. Era uma pombinha dourada. — O jovem olhou para os lados quando acordou novamente de seu sono nada agradável e viu, agora que seus olhos se adaptaram à escuridão, que o ambiente estava repleto de fotos de uma garota. Era Samara? Edward sabia que sim. Até onde ele se lembrava, ele veio para a casa dos Morris e sabe-se lá o motivo, ele estava no quarto que intuitivamente soava ser de uma garota. De uma garota morta. Os olhos do garoto varreram o quarto, observando cada canto e com um receio que estava no centro de sua garganta, como uma bola de muco quando se está muito gripado. Edward então escutou alguns passos que faziam as madeiras do piso rangerem