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CAPÍTULO 9: Convivência

Author: Dália
last update publish date: 2026-10-13 04:32:36

A mão de Dominic continuou firme na minha cintura, os dedos cravando-se com uma pressão quente contra o tecido da minha blusa. O toque dos seus lábios no meu pescoço era lento, quase doloroso de tão denso, subindo devagar pela minha pele até o contorno da minha saboneteira.

Fiquei completamente sem jeito. Minha respiração falhou, o copo de água na minha mão direita pareceu pesar uma tonelada e meus ombros se tencionaram de imediato. A proximidade excessiva do seu corpo, o aroma amadeirado do se
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    O final da tarde passou em um ritmo tranquilo e silencioso. Conforme Dominic prometera durante o almoço, Marta bateu à porta do meu quarto por volta das dezessete horas, acompanhada por duas funcionárias que traziam capas de proteção com três opções de vestidos de alta-costura, além de caixas aveludadas com joias discretas e sapatos de salto alto. Escolhi um modelo em tom azul-noite, confeccionado em seda fluida, com um decote sutil em V e alças finas que contornavam minhas costas. O corte era elegante, sóbrio e perfeito para a ocasião: sem exageros ostensivos, mas com uma presença inquestionável. Prendi os cabelos em um coque elegante, deixando apenas duas mechas suaves emoldurando o rosto, e apliquei uma maquiagem leve que destacava meus olhos. Quando olhei no espelho em tamanho real antes de descer, mal reconheci a imagem refletida. A garota assustada e exausta que chorava pelos corredores do hospital parecia ter sido substituída por uma mulher serena, dona de seus gestos e a

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    A mão de Dominic continuou firme na minha cintura, os dedos cravando-se com uma pressão quente contra o tecido da minha blusa. O toque dos seus lábios no meu pescoço era lento, quase doloroso de tão denso, subindo devagar pela minha pele até o contorno da minha saboneteira.Fiquei completamente sem jeito. Minha respiração falhou, o copo de água na minha mão direita pareceu pesar uma tonelada e meus ombros se tencionaram de imediato. A proximidade excessiva do seu corpo, o aroma amadeirado do seu perfume e o calor sufocante que emanava dele pareciam paralisa os meus sentidos, criando uma paralisia confusa no meu peito.Percebendo a minha rigidez, Dominic afastou o rosto do meu pescoço devagar. Sua mão livre subiu do meu quadril até o meu rosto, os dedos compridos e firmes envolvendo o meu maxilar com uma autoridade calculada, forçando o meu queixo para cima até que eu fosse obrigada a olhar diretamente no fundo dos seus olhos azuis-acinzentados.— Não desvie o olhar, Maya — ordenou ele

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    ​A sexta-feira passou em um ritmo arrastado, marcada pelo silêncio dos corredores e pela expectativa que consumia meus pensamentos. Cada segundo parecia uma eternidade enquanto eu contava as horas para a manhã de sábado. A mansão Vance, em sua imponência fria, tornara-se o cenário de uma espera angustiante, onde minha única âncora de sanidade era a promessa de Dominic.​Quando o sol de sábado finalmente despontou no horizonte, cobrindo o céu de tons acinzentados e alaranjados, eu já estava de pé. Vesti uma calça de alfaiataria em tom azul-marinho e uma blusa de seda branca de mangas compridas, simples e sóbria, exatamente como ele exigia. No espelho do quarto, os sinais de cansaço ainda permaneciam em meus olhos, mas havia também uma chama renovada de determinação.A porta do quarto destravou às sete e meia da manhã. Ao cruzar o batente, encontrei Dominic no corredor, vestindo um terno cinza-chumbo sob medida. Ele não disse uma palavra de início; apenas me avaliou da cabeça aos pés co

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    Os dias seguintes não trouxeram reviravoltas dramáticas, mas sim uma mudança lenta, quase imperceptível, na textura do meu confinamento. O tempo parecia ter desacelerado, escorrendo como mel espesso. A ordem de Dominic para que eu deixasse o isolamento do quarto não significava liberdade, mas sim a transição para uma cela maior, cujas grades agora abarcavam a rotina silenciosa da prisã... obs, da mansão.Minhas manhãs começavam cedo. O sol mal surgia no horizonte quando a porta do quarto era destravada sem o alarde dos dias anteriores. Gabriel já não ficava de pé no corredor com a mão no coldre; em vez disso, ele permanecia posicionado no final do corredor do segundo andar, lendo relatórios em um tablet ou conversando em voz baixa ao rádio.Conforme prometido por Dominic, o acesso aos jardins dos fundos fora liberado, desde que eu mantivesse o trajeto restrito à área da piscina e ao pequeno orquidário de vidro nos limites do gramado.Caminhei pelo gramado úmido de orvalho por volta da

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    O tempo dentro daquele quarto deixou de ser medido pelo relógio de parede e passou a ser contado pelas sombras que cruzavam o teto a cada pôr do sol. Sete dias inteiros haviam se passado desde a noite catastrófica do jantar no salão principal. Sete dias em que a minha existência fora reduzida a quatro paredes luxuosas, um silêncio sufocante e a vigilância ininterrupta de homens armados posicionados do outro lado da porta de carvalho.A rotina era milimetricamente controlada, quase mecânica em sua frieza. Três vezes ao dia, a governanta, uma mulher de meia-idade chamada Marta, que mantinha os olhos sempre fixos no chão, entrava para trazer refeições que eu mal tocava. Ela nunca vinha sozinha. Gabriel permanecia a um passo da entrada, a mão direita repousando casualmente sobre o coldre da arma sob o terno, lembrando-me constantemente da minha condição de prisioneira. Minha mão direita, cortada pelo vidro da taça de cristal que se partira no chão da varanda, fora limpa e enfaixada por um

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    A dor física na palma da minha mão cortada não era nada comparada ao rasgão queimante na minha alma. Levantando-me do chão de mármore do salão sob os risos abafados daquela elite nojenta e sob o olhar gélido de Dominic Vance, recusei-me a soltar uma única lágrima na frente deles. Segurei a barra do vestido manchado de vinho tinto, dei as costas a Bianca e marchei direto em direção à escadaria principal, subindo os degraus de mármore sem olhar para trás.Assim que alcancei o corredor do segundo andar e atravessei a porta do meu quarto, o silêncio do cômodo pareceu desabar sobre mim como um bloco de chumbo. A tranca automática nem sequer teve tempo de soar; a fúria cega que estava contida no meu peito finalmente explodiu.— Canalha! Filho da puta! — gritei a plenos pulmões, a voz embargada pelo ódio e pela vergonha sufocante.Agarrei o primeiro vaso de porcelana chinesa que vi sobre a aparador e o arremessei com toda a minha força contra a parede oposta. O som do objeto se estilhaçando

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