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Capítulo 3 – A Oferta

Author: Marghie
last update publish date: 2026-09-23 13:32:35

Nancy

“Mãe? Porque é que a senhora não gosta dela? A Janella é uma atriz famosa. Ela tem muitos contratos publicitários e programas. A senhora gostaria dela. Tenho a certeza de que conseguiria convencê-la a ser minha esposa temporária; a única exigência no testamento do papá é que eu esteja casado antes de ele falecer”, disse Sir Dwayne.

“Não gosto dela. Acha que não investigo a vida das mulheres com quem sai? A Janella é conhecida por encontros secretos com vários políticos e homens ricos. E tenho a certeza de que aquela mulher é uma interesseira; ela não aceitaria ser apenas uma esposa de contrato e certamente não concordaria com um acordo pré-nupcial”, respondeu Madame Elena com seriedade.

Assenti involuntariamente, fazendo com que Madame Elena me olhasse de forma pensativa.

“Dwayne, porque não a Nancy?”, perguntou ela.

Fiquei atónita e apontei para mim mesma. “E-Eu?”

“Porque não pedir à Nancy? Ela é-lhe leal. Para ela, seria apenas mais uma parte do trabalho”, disse Madame Elena, enquanto lhe massajava o queixo.

Engoli em seco e olhei para Sir Dwayne. Ele retribuiu o olhar e respirou fundo.

“Nancy, casa comigo. Vou pagar-te cem milhões de dólares. Continuaremos casados ​​até o meu pai falecer. Depois disso, divorciámo-nos. Sem sexo. Sem emoções. Apenas negócios.”

Sem sexo? Estou fora.

Na verdade, queria morder — ou melhor, levar à boca — aquele "amiguinho" grande e grosso dele mais cedo!

Fiquei chocada e magoada. Para ele, era um negócio. Mas para ela? Era um sonho — um sonho que ela sabia que não iria durar. “Senhor...”

Sir Dwayne segurou-me a mão. “Por favor... será apenas um casamento civil, e vamos divorciar-nos de qualquer maneira assim que receber a minha herança. Ninguém saberá sequer que nos casámos. Será o nosso segredo”, disse, o que me magoou ainda mais.

O nosso segredo?

Ninguém saberia? Provavelmente tinha vergonha de me ter como esposa. E porque não teria? Afinal, sou feia. “Nancy, tu e o Dwayne terão um acordo pré-nupcial, mas não te preocupes: além de 100 milhões de dólares em dinheiro, também te daremos uma participação de 1% na empresa. Desde que o casamento permaneça em segredo e não contes a ninguém... se for verdade que resta apenas um mês de vida para o Leo, então o seu casamento será igualmente breve; o divórcio será providenciado assim que o meu filho garantir a sua herança”, explicou a Madame Elena.

“Por favor, aceite. Não se preocupe, vou até multiplicar o seu salário por dez”, acrescentou Sir Dwayne de forma persuasiva.

Respirei fundo, olhando para as nossas mãos unidas. “T-Está bem. Eu aceito.”

Assustei-me quando Sir Dwayne me beijou a mão de repente. “Obrigado. Vamos casar amanhã.”

******

Quando cheguei a casa, não tinha apetite. Antes de partir mais cedo, Sir Dwayne tinha-me dito que, a partir de amanhã — após o casamento civil —, eu viveria em casa deles durante a vigência do nosso casamento.

Não sabia se ficava feliz ou triste.

Feliz, porque estaria casada com o primeiro homem — e, sentia, o último — que amaria na vida.

Mas também triste, porque sabia que tudo não passava de uma farsa. Não havia amor, nem qualquer tipo de sentimento.

Eu seria a esposa dele apenas no papel. De repente, dei por mim a desejar que Sir Leo vivesse mais dez anos ou até mais.

Já me sentia triste só de pensar que, eventualmente, teríamos de nos separar. Tinha a certeza de que, assim que Sir Dwayne garantisse a sua herança, se casaria com Janella numa cerimónia religiosa.

As lágrimas brotaram-me de repente dos olhos — que coisa irritante. Amar alguém em segredo acabou por ser tão difícil. Abanei a cabeça, limpei os olhos rapidamente e comecei a arrumar a roupa.

No dia seguinte, em vez de ser na conservatória, o nosso casamento civil teve lugar no interior da imponente mansão dos Johnson. Provavelmente, Sir Dwayne pagara uma quantia avultada ao juiz responsável.

Esperava uma cerimónia a sério — afinal, era um casamento, não é? Mas não foi assim que aconteceu; Simplesmente assinámos os papéis e, num ápice, fomos declarados marido e mulher.

Hã? Sem beijo? Sem alianças?

Então, eu era agora a Sra. Nancy Johnson?

Sir Dwayne e Madam Elena apertaram a mão ao juiz e entregaram-lhe um envelope grosso — presumivelmente cheio de dinheiro. Foi-se embora com os documentos em mãos.

Quando o advogado Bernard Sandoval chegou, ficou surpreendido ao descobrir que eu era a mulher que o meu chefe tinha escolhido para esposa.

Porque é que o sujeito parecia tão decepcionado? Fiz um ligeiro bico.

“Então, Sir Dwayne, já encontrou uma esposa de fachada? Que pena; eu planeava apresentá-lo à minha sobrinha.”

Então era isto! Aquele advogado tinha os seus próprios planos ocultos.

“Sim”, assentiu Sir Dwayne. “Agora, por favor, resolvam a questão da minha herança.”

“Certo, não se preocupe”, respondeu o advogado Sandoval, lançando-me outro olhar. *Vou arrancar-te os olhos!*

“Nancy, o teu quarto temporário será o quarto de hóspedes no final do segundo andar, mesmo ao lado do quarto do Dwayne.”

Olhei para a Madam Elena e assenti: “Sim, Sra. Johnson”.

Ela aproximou-se e segurou a minha mão: “Muito obrigada pela tua ajuda, Nancy”.

"Não é incómodo nenhum, minha senhora; ajudarei no que puder", disse eu com um sorriso.

"Aliás, não perguntámos: tens namorado?", indagou.

Sir Dwayne, de repente, passou o braço pelos meus ombros. "Ela não tem namorado".

"S-Sim, não tenho", respondi.

"Ainda bem, porque sabe que queremos manter isto em sigilo", disse Madame Elena.

"Não se preocupe; vamos tratar isto estritamente como negócios — nada de pessoal."

Sir Dwayne, de repente, abraçou-me. "É por isso que confio tanto em ti, Nancy. Posso contar contigo para qualquer coisa." *****

A cama no quarto de hóspedes é tão macia e enorme. É realmente diferente ser rica. 100 milhões de dólares, uma participação de 1% na empresa e um aumento de dez vezes no meu salário.

Certamente não estou a perder no negócio, então porque não estou feliz?

O meu chefe é agora o meu marido — o homem que amo e... desejo... ou melhor, com quem sonho.

Soa maravilhoso dizer que somos um casal, mas quando penso em como tudo isto não passa de uma farsa, sinto pena de mim.

Parece que me vêem como nada mais do que uma escrava a quem se pode ordenar qualquer coisa — alguém que se pode comprar e mandar por aí.

Devíamos estar na nossa lua de mel agora, mas aqui estou eu, sozinha no quarto. Vi Sir Dwayne sair pela janela; provavelmente foi encontrar uma das suas mulheres.

Ou talvez a Janella...

Será que ele algum dia também aprenderá a amar-me?

*****

Sir Dwayne e eu chegámos juntos ao trabalho no dia seguinte; ninguém achou estranho, uma vez que somos vistos juntos com frequência. É como se eu fosse a sombra dele ou alguém que vive a reboque.

Ao entrarmos no átrio da empresa, vimos uma multidão de funcionários reunida em torno de alguém, pelo que nos dirigimos imediatamente para lá — mas fiquei chocada quando vi o motivo.

Era Janella Anderson.

Quase toda a gente queria tirar uma foto com ela. Atendeu-os alegremente, mas, assim que avistou Dwayne, pediu licença e entrelaçou imediatamente o braço com o dele.

“Dwayne, finalmente chegaste!” disse ela, feliz, dando-lhe um beijo nos lábios.

*Aquele é o meu marido!* apetecia-me gritar.

Os funcionários começaram a brincar com eles, e quase toda a gente ficou encantada. Permaneci em silêncio, mas, de repente, Sir Dwayne olhou na minha direção.

Não sabia o que aquele olhar significava, mas desviei rapidamente o rosto, mandei os funcionários voltarem ao trabalho e corri para o elevador.

Entrámos os três, e eu posicionei-me atrás deles. O meu coração ficou literalmente destroçado quando eles se beijaram de repente, enquanto as portas se fechavam.

Não me consegue ver?

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