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Mônica e o FBI

Author: Liberation
last update publish date: 2026-07-16 08:57:18

Monica estava sentada no escritório de advocacia de Simon, analisando os registros financeiros de Germany Slater. Três dias de investigação revelaram a extensão de seu esquema. Acusações de fraude bancária, peculato, chantagem e conspiração o manteriam atrás das grades por décadas.

"O FBI quer se encontrar com você e George amanhã", disse Simon. "O agente Rodriguez está construindo o caso federal."

"E quanto a Sharon?"

"Ela está cooperando. Deu a eles tudo sobre o plano de Germany em troca de uma redução de pena."

Monica não se surpreendeu. Sharon sempre fora uma covarde por baixo de sua fachada manipuladora.

George entrou no escritório carregando café e com uma aparência melhor do que em meses. Barba feita, camisa passada, olhos claros. Quase como o homem com quem Monica havia se casado.

"A ordem de restrição foi aprovada", anunciou George. "Germany não pode me contatar nem se aproximar da Winston Corporation."

"Ótimo. Isso nos dá tempo para garantir as provas antes que ele perceba o que está acontecendo."

O celular de Monica vibrou com uma mensagem do consultório médico confirmando sua consulta para a semana seguinte. A gravidez estava progredindo normalmente, mas ela ainda não tinha contado para George.

"Monica, você está bem?" George percebeu sua distração.

"Estou bem. Só cansada com toda essa preparação legal."

George sentou-se à sua frente. "Eu sei que isso é muito estressante. Você ainda pode ir para Boston se quiser. Simon e eu podemos cuidar do resto."

"Vou acompanhar isso até o fim. A Alemanha precisa pagar pelo que fez."

"Para nós dois", disse George baixinho.

Os últimos três dias tinham sido estranhos. Trabalhando juntos novamente, relembrando por que haviam se sentido atraídos um pelo outro inicialmente. Mas Monica mantinha distância emocional. A confiança levaria tempo para ser reconstruída.

"Há outra coisa que precisamos discutir", disse Simon. "Seu casamento com Sharon, George. O processo de anulação."

"Quanto tempo vai levar?"

"Seis meses no mínimo. O tribunal precisa analisar todas as provas de coerção." Monica sentiu uma pontada de decepção. Ela esperava que George fosse libertado mais cedo.

"Enquanto isso, vocês estão legalmente separados. Sharon se mudou da cobertura ontem."

"Finalmente. Não aguento mais morar com ela."

O telefone de Monica tocou. Número desconhecido.

"Alô?"

"Monica Charleston? Aqui é Germany Slater."

O sangue de Monica gelou. Ela gesticulou freneticamente para Simon e George.

"O que você quer, Germany?"

"Eu sei o que você está planejando. A pequena investigação do Simon. Os encontros com o FBI. Muito esperto."

Simon já estava ligando para o FBI para rastrear a ligação.

"Você vai para a prisão, Germany. As provas são esmagadoras."

"Talvez. Mas eu tenho garantia. Fotos suas e do George no hotel. Fotos bem íntimas."

O estômago de Monica revirou. "Você estava nos observando?"

"Eu monitoro tudo que diz respeito aos meus negócios. Essas fotos poderiam ser muito constrangedoras se chegassem aos veículos de comunicação certos."

George arrancou o telefone da mão de Monica. "Deixe-a em paz, Alemanha. Isso é entre nós."

"Nada mais é só entre nós, George. Monica tornou isso pessoal quando decidiu te ajudar."

"O que você quer?"

"Simples. Retire as acusações. Esqueça as provas. Deixe-me ficar com o dinheiro que ganhei administrando sua empresa."

"Você quer dizer o dinheiro que você roubou."

"Detalhes. Você tem 24 horas para decidir. Caso contrário, essas fotos vão viralizar e a reputação de Monica estará destruída."

A ligação caiu.

Monica sentiu um enjoo. "Ele tem fotos nossas?"

"Câmeras de segurança nos corredores do hotel", disse Simon, sombriamente. "Ele deve ter subornado alguém para ter acesso."

"A culpa é minha", disse George. "Eu nunca deveria ter ido ao seu quarto de hotel naquela noite."

"Nós dois fizemos essa escolha." "As fotos não importam", declarou Simon. "Agora o temos sob chantagem. Gravar esta ligação foi a prova perfeita."

Monica não estava tão convencida. "Meu pai vai ver essas fotos. Minha mãe. Todo mundo em Connecticut."

"Monica, não deixe que ele a manipule da mesma forma que me manipulou."

"É diferente para as mulheres, George. Essas fotos podem destruir minha reputação para sempre."

"Então, o que você quer fazer?"

Monica pensou no bebê. Se aquelas fotos fossem divulgadas, seu filho acabaria vendo-as. A vergonha e o constrangimento os perseguiriam para sempre.

"Vamos continuar com o caso do FBI", decidiu ela. "Mas precisamos estar preparados para as consequências."

"Tem certeza?"

"A Alemanha vem controlando pessoas com chantagem há muito tempo. Alguém precisa pará-lo."

George pareceu aliviado. "Obrigado por não desistir."

"Não me agradeça ainda. Isso vai ficar feio."

Naquela noite, Monica voltou exausta para o quarto do hotel. A reunião com o FBI durou quatro horas. O agente Rodriguez parecia confiante de que poderiam processar a Alemanha com sucesso, mas avisou que lutaria com todas as suas forças.

Monica estava se trocando quando alguém bateu na porta.

"Serviço de quarto", disse uma voz.

Monica não havia pedido serviço de quarto. Ela...

Espiou pelo olho mágico e viu um uniforme de entregador, mas não conseguiu ver o rosto da pessoa claramente.

"Eu não pedi nada."

"Entrega para Monica Charleston. Pré-pago."

Algo parecia errado. Monica ligou para a recepção.

"Alguém solicitou serviço de quarto para o quarto 412?"

"Não, senhora. Não há entregas programadas para o seu quarto esta noite."

O coração de Monica disparou. Ela ligou para George imediatamente.

"A Alemanha está aqui. Alguém está tentando entrar no meu quarto fingindo ser do serviço de quarto."

"Vou chamar a polícia. Não abra a porta."

"Não vou abrir."

Monica ouviu passos se afastando da porta. Motores de carros ligando no estacionamento. Quando a polícia chegou, vinte minutos depois, quem quer que estivesse lá já tinha ido embora.

"Vamos aumentar o patrulhamento ao redor do hotel", prometeu o policial Martinez. "Mas talvez a senhora queira considerar se mudar para um local mais seguro."

Depois que a polícia foi embora, George chegou com uma mala de viagem.

"Vou ficar aqui esta noite. No sofá", esclareceu rapidamente.

"George, você não precisa—"

"Preciso sim. A Alemanha está intensificando as coisas porque estamos perto de expô-lo. Não vou deixar que ele te machuque."

Mônica estava com muito medo para discutir. "Tudo bem. Mas só por esta noite."

George arrumou sua roupa de cama no pequeno sofá. "Mônica, preciso te contar uma coisa."

"O quê?"

"Durante nosso casamento, eu nunca estava fingindo quando dizia que te amava. A parte do acordo comercial era verdade, mas meus sentimentos eram reais."

O coração de Mônica doeu. "George..."

"Eu sei que é tarde demais. Eu sei que destruí tudo. Mas eu precisava que você soubesse que te amar era a única coisa real na minha vida."

Mônica tocou a barriga onde o bebê deles estava crescendo. "Nem tudo é tarde demais."

"O que você quer dizer?"

Ela quase contou a ele sobre a gravidez. As palavras estavam ali, na ponta da língua. Mas o medo a impediu.

"Quero dizer que ainda podemos ser amigos. Parceiros para derrubar a Alemanha."

George assentiu, embora um lampejo de decepção brilhasse em seus olhos.

"Amigos é mais do que eu mereço depois de tudo o que te fiz passar."

Monica apagou as luzes e se deitou na cama. No escuro, ouviu George se acomodar no sofá desconfortável.

"George?"

"Sim?"

"Quando tudo isso acabar, quando a Alemanha estiver na prisão e seu casamento for anulado, o que você vai fazer?"

"Tentar reconstruir a Corporação Winston. A Alemanha prejudicou muitos relacionamentos comerciais."

"E pessoalmente?"

Longo silêncio.

"Espero que alguém me dê uma segunda chance algum dia. Alguém que me conhecesse antes de eu me tornar o homem que destruiu o próprio casamento."

Monica fechou os olhos e colocou a mão na barriga.

"Talvez alguém o faça", ela sussurrou.

Mas primeiro, eles precisavam sobreviver às últimas e desesperadas tentativas de vingança de Germany Slater.

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