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Doce Armadilha
Doce Armadilha
Author: Oxe

Capítulo 1

Author: Oxe
Eu acreditava que me casar com Carlos tinha sido a maior sorte da minha vida. Por ele, cheguei até a abrir mão da oportunidade de estudar no exterior.

Ele era gentil e atencioso. Durante a gravidez, não me deixava sequer calçar as próprias meias. Até que, na 35ª semana de gestação, fui procurá-lo radiante de felicidade, levando nas mãos o resultado do meu pré-natal.

Mas, do lado de fora do escritório, ouvi Paulo Ferreira, seu amigo de infância, provocá-lo:

— Carlos, a Luana vai voltar para o país. Você ainda pretende continuar ao lado daquela mulher que só serve para te dar filhos?

Ele respondeu com indiferença:

— Vou continuar fingindo até ela dar à luz. Depois, termino tudo.

Paulo soltou um assobio:

— Você é mesmo incrível, Carlos. Aguentou até agora. No nosso círculo, ninguém conseguiu sustentar essa encenação por mais da metade da gravidez.

Carlos soltou uma risada desdenhosa:

— Desse jeito, não tem risco nenhum. Eu jamais deixaria a Luana passar por esse sofrimento.

Não entrei para confrontá-lo. Apenas me virei em silêncio e comecei a preparar os documentos para estudar no exterior.

Continuei parada do lado de fora do escritório, ainda apertando na mão a ultrassonografia que tinha acabado de imprimir.

O contorno do bebê aparecia com nitidez: mãozinhas pequenas, pezinhos minúsculos, como uma sementinha que acabava de brotar.

"Luca." Esse era o nome que Carlos havia escolhido para o bebê. Ele dizia que queria que nosso filho crescesse feliz, cercado de amor.

Naquele momento, porém, o nome, carregado de tantos bons desejos, pareceu insuportavelmente cruel aos meus olhos.

Apertei o papel com tanta força que minhas unhas rasgaram o nome "Luca", escrito à mão.

Que ironia. Quando deu um nome ao nosso filho, era em outra mulher que ele estava pensando.

Meu estômago se revirou de repente, e um gosto ácido e amargo subiu pela garganta. Por instinto, corri para o banheiro ao lado.

Diante da pia, curvei o corpo e tive algumas ânsias, mas não consegui vomitar nada.

Meu olhar caiu sobre a ultrassonografia, que eu já havia amassado até virar uma bola, e senti como se uma mão apertasse meu coração com violência.

O contorno do bebê continuava nítido. Mas, naquele instante, aquelas mãozinhas e aqueles pezinhos pareciam lâminas se cravando profundamente no meu peito.

Então era isso que eu representava aos olhos de Carlos: apenas "uma mulher que só servia para lhe dar filhos".

De repente, ouvi passos apressados atrás de mim.

A mão de Carlos pousou nas minhas costas, e o aroma de menta misturado ao cheiro de cigarro invadiu minhas narinas.

— Você está vomitando de novo? — A voz dele ficou tensa enquanto sua palma quente acariciava de leve minhas costas. — Pedi para Helena preparar alguma coisa nutritiva. Daqui a pouco...

Me afastei bruscamente do toque dele. O movimento foi tão repentino que sua mão ficou suspensa no ar.

— O Luca aprontou com você de novo hoje?

Ele se agachou e afastou do meu rosto os fios de cabelo grudados de suor na testa. No instante em que seus dedos tocaram o lóbulo da minha orelha, um tremor percorreu meu corpo inteiro.

Antes, o calor das mãos dele me trazia segurança. Agora, só me fazia pensar na língua bifurcada de uma serpente venenosa.

— Não toque em mim. — Murmurei, com a voz rouca, o empurrando para longe.

Carlos pareceu surpreso por um instante, mas logo abriu um sorriso resignado:

— São os hormônios da gravidez mexendo com o seu humor? Vou buscar um copo de água morna para você.

Não respondi. Apenas mantive os olhos fixos na tatuagem sobre a clavícula dele: "Só LG".

Ele a havia feito no dia em que confirmamos minha gravidez.

Quando perguntei o que significava, Carlos me explicou:

— L e G são as iniciais dos nossos sobrenomes. Só vou amar você nesta vida.

Só então eu entendi.

LG significava Luana Gomes.

— Abra a boca.

Ele aproximou o copo de água morna, encostando a borda nos meus lábios.

A luz do sol entrava oblíqua pela janela, alongando a sombra de seus cílios. Toda aquela ternura parecia uma armadilha cuidadosamente calculada.

De repente, o celular de Carlos tocou. Ele olhou para a tela e franziu a testa quase imperceptivelmente.

— Atenda. — Falei em voz baixa. — Pode ser alguma coisa da empresa.

Ele hesitou por um segundo antes de caminhar até a janela e atender.

— Certo... Entendi... Estou indo para aí agora mesmo. — Depois de desligar, se virou para mim, a sua expressão estava tomada pela doçura. — Amor, surgiu uma reunião urgente na empresa. Vou pedir para Helena cuidar de você.

Olhei para a tatuagem em sua clavícula e, de repente, sorri:

— Está bem.

Assim que ele saiu, ouvi uma voz abafada vindo do fim do corredor.

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