MasukA família Cortez conhecia profissionais especializados na escolha de cemitérios. A responsabilidade de decidir o local foi entregue ao Eduardo. A chuva havia parado, e o grupo começou a sair da delegacia. Eduardo abriu a porta do carro e olhou para Valentina antes de entrar. — Você vai participar do funeral? — Vou representar as crianças. — Respondeu Valentina, com serenidade. Eduardo apertou os lábios e assentiu. Ele entrou no carro e partiu sem dizer mais nada. Gustavo, por outro lado, estava completamente desolado. Aquele homem de mais de um metro e oitenta de altura estava agachado ao lado de um Maybach preto, chorando como uma criança. Marcos observou Gustavo, suspirou e comentou em voz baixa: — Gustavo sempre foi leal ao Lucas... Até o fim. Valentina caminhou até Gustavo. Ela abriu a bolsa, tirou um pacote de lenços e o entregou a ele. — Limpe o rosto e se recomponha. O Lucas se foi, mas o advogado ainda está aqui. Ele confiava muito em você. Agora você tem qu
— O resto das questões com a polícia eu resolvo. — Disse Isabela, olhando para Valentina com uma expressão grave. Valentina assentiu levemente com a cabeça. Eduardo, com os olhos ligeiramente avermelhados, olhou para Valentina e perguntou: — E as crianças? O que você pretende fazer? Valentina ficou em silêncio por um instante, ponderando. Depois, respondeu em voz baixa: — Por enquanto, vou esconder a verdade deles. Hoje, só de o Lucas dizer que iria para o exterior, os dois já ficaram tão abalados. Vou esperar que eles se acalmem e, em algum momento mais apropriado, eu conto. — Certo. — Respondeu Eduardo, tentando controlar as emoções, embora sua voz ainda saísse trêmula. — O Lucas me disse, antes de tudo isso, que não queria velório. Ele só me pediu que suas cinzas fossem jogadas no rio... Mas agora... O tom de Eduardo ficou ainda mais carregado. Carro destruído, corpo perdido, e nem mesmo o último desejo de Lucas poderia ser realizado. O cais abandonado ficava muito l
Marcos acompanhou Valentina até a delegacia. Do Retiro das Nuvens até a delegacia, Marcos dirigiu devagar, propositalmente reduzindo a velocidade. Ele estava esperando que Valentina dissesse algo, quebrasse aquele silêncio inquietante. Mas, até chegarem ao estacionamento, Valentina não disse uma única palavra. Sua calma era assustadora, quase irreal. Marcos desligou o carro, soltou o cinto de segurança e virou-se para ela. — Valentina, chegamos. Os cílios de Valentina tremularam levemente. Ela desatou o cinto e abriu a porta do carro. Lá fora, uma chuva fina ainda caía. Marcos pegou um guarda-chuva, saiu do carro e foi até Valentina, segurando o guarda-chuva sobre a cabeça dela. Valentina deu os primeiros passos em direção à delegacia. Assim que entrou, viu Eduardo, Gustavo e Isabela esperando. Os três já haviam terminado os depoimentos e permaneciam ali apenas para aguardar Valentina. O ambiente estava pesado, sufocante. Foi só ao cruzar a porta da delegacia que Va
Depois de colocar Marina na cama, Marcos se virou e viu Valentina entrando no quarto com Noah nos braços. Ele quis perguntar o que tinha acontecido, mas se conteve. — Vou ficar com as crianças até elas dormirem. — Disse Valentina, com a voz baixa e sem nenhuma expressão no rosto. Marcos sabia que ela estava evitando a realidade, fugindo de um confronto. No fim, ele não disse nada. Apenas saiu do quarto e fechou a porta com cuidado. Valentina colocou Noah na cama e, sem dizer nada, deitou-se ao lado dele. — Vou dormir um pouco com vocês, está bem? — Disse ela suavemente. Noah fechou os olhos e, em poucos minutos, já estava dormindo profundamente. Valentina ficou olhando os dois filhos ao seu lado, até que, aos poucos, também fechou os olhos. Do lado de fora, o vento e a chuva ainda castigavam a casa. Dentro do quarto, o silêncio era preenchido apenas pela respiração ritmada das crianças. Com os olhos fechados, Valentina não conseguia afastar da mente as últimas palavra
Ao ouvir isso, Valentina ficou um instante paralisada. Noah, que estava sentado quietinho no sofá, ficou com os olhos marejados ao escutar as palavras de Marina. Ele não chorou, mas seus olhos vermelhos e o jeito pequeno e vulnerável deixavam o menino com um ar extremamente comovente. Valentina percebeu o estado dele e, segurando Marina no colo, sentou-se ao lado de Noah. Com um braço, abraçou a filha; com o outro, trouxe o filho para perto. — Meu amor, não fiquem tristes. Papai só foi para longe por um tempo. — Disse Valentina com uma voz suave, tentando acalmar os dois. O ocorrido tinha sido repentino, e ela precisava tranquilizá-los primeiro. — Noah, Marina, lembrem-se sempre: não importa onde o papai esteja, ele sempre amará vocês profundamente. Noah se aconchegou no colo da mãe e, com uma voz baixa e cheia de esperança, perguntou: — O papai vai ligar para a gente? — Se ele tiver tempo, ele vai ligar, sim. — Respondeu Valentina, passando a mão nos cabelos dele. — Mas, s
Valentina olhava através da janela, e o céu escuro parecia um enorme buraco negro, prestes a desabar sobre a terra. Do celular, o som do vento uivava, misturado à voz trêmula e embargada de Lucas, que soava quase como um choro contido: — Valentina, me desculpa. Nesta vida, te encontrar só te trouxe sofrimento. Se houver uma próxima vida, não me encontre novamente. Valentina apertou levemente os braços ao redor da filha, mas continuou em silêncio. Gustavo segurava o volante com força, seus olhos estavam vermelhos, marejados. Jane, que segurava o celular, parecia perdida, sem saber como reagir. Até ela podia perceber que algo estava muito errado, e era impossível que Valentina não percebesse também. Mas Valentina permanecia calada, sem dizer uma única palavra. A voz de Lucas veio novamente pelo celular: — Valentina, eu deixei algumas coisas na Villa Monteverde. São para as crianças. No futuro, vou precisar que você faça o esforço de levá-las lá todos os anos, no aniversár







