LOGINDentro do quarto, Leandro estava recostado na cama, resolvendo assuntos de trabalho. Ao ver Tatiane entrar, pareceu um pouco surpreso, mas logo entendeu quem devia ter contado a ela.— Tati, você veio.Tatiane deixou as flores e a cesta de frutas sobre a mesa de centro. Em seguida, voltou o olhar para Leandro, reparando na palidez do rosto dele.— Professor, está se sentindo melhor?— Bem melhor. Não se preocupe.Tatiane se aproximou e olhou para o notebook e os documentos à frente dele.— A empresa não vai falir se o senhor descansar um dia, vai?Os lábios pálidos de Leandro se curvaram num sorriso. Ele tirou os óculos e olhou para Tatiane.— Achei que, para você, trabalhar doente fosse a coisa mais normal do mundo.Tatiane não conseguiu segurar o riso.Nos últimos cinco anos, trabalhar e estudar mesmo doente tinha sido rotina para ela. Ninguém conseguia convencê-la do contrário.Os dois conversaram por algum tempo, e Leandro finalmente deixou o trabalho de lado.O tempo estava agradá
Henrique abriu um sorriso.— Vai lá comer bolo com a Bia.Colocou a caixa sobre a mesa de centro, abriu e pegou duas colheres, entregando uma para cada menina.— Obrigada, papai. — Disse Bia.— Obrigada, tio Henrique. — Acrescentou Ceci.— De nada.Então se voltou para Tatiane, que continuava sentada no sofá, em silêncio.— Não sabia de que sabor vocês gostam, então trouxe dois diferentes.Noemi observava Henrique. Ele falava com gentileza, mas, no momento em que tirou os olhos das crianças e olhou para Tatiane, a expressão dele esfriou claramente.Podia ser só impressão, mas Noemi teve a nítida sensação de que ele a detestava.Para quem visse de fora, sem conhecer a história, Henrique pareceria apenas um marido exemplar, dedicado à família.Noemi esboçou um leve sorriso e agradeceu em silêncio.Henrique fez um aceno discreto com a cabeça.— Se a Ceci quiser jantar alguma coisa, é só pedir à babá.— Tudo bem. — Respondeu Noemi.Ele não acrescentou mais nada. Virou-se e subiu as escadas
Henrique puxou o cobertor, cobriu Bia e se inclinou para beijar a testa da filha. Depois, virou-se e saiu do quarto.Tatiane ficou olhando para a porta fechada por um instante. Então baixou os olhos, afastou os pensamentos e voltou a se concentrar no trabalho.Bia tirou dois dias de licença da escola para se recuperar em casa.Durante esse período, Tatiane trabalhou da mansão enquanto fazia companhia à menina.Henrique continuou saindo para o trabalho e voltando normalmente, mas passou a chegar mais cedo para ficar com Bia.Ainda assim, naqueles dois dias, embora se encontrassem o tempo todo, os dois mal trocavam palavras. Conversavam apenas o indispensável quando se sentavam juntos para acompanhar as refeições de Bia.Foi nesse intervalo que Tatiane também recebeu uma ligação do advogado Augusto.O tribunal não havia concedido o divórcio.Era exatamente o que ela já esperava.Naquele mesmo dia, depois da aula, Ceci foi visitar Bia com Noemi.As duas meninas se sentaram no tapete da sa
Tatiane passou o dia inteiro na mansão, fazendo companhia para Bia.Perto do jantar, foi pessoalmente até a cozinha preparar a refeição da menina.Pegou o celular e ligou para Leandro.— Professor, me desculpe... Hoje à noite não vou poder ir ao concerto. — Disse Tatiane.Leandro não pareceu nem um pouco surpreso.— A Patrícia me contou que a Bia passou mal. — Disse ele.Tatiane soltou um murmúrio baixo, confirmando.— E como ela está agora? — Perguntou Leandro.— Já está melhor. — Respondeu Tatiane.— Ainda bem. Concerto a gente ouve em qualquer outro dia. Cuide primeiro da Bia. — Disse Leandro.— Ok. — Respondeu ela.Enquanto cozinhava, Bia ficou o tempo todo ao lado dela, grudada como uma sombrinha, ajudando a lavar e separar os legumes.Naquela noite, Tatiane permaneceu ali para ficar com a menina.Por volta das oito, Henrique voltou.Tatiane estava sentada na sala com Bia, assistindo a um desenho animado.— Papai. — Chamou Bia.Henrique a pegou no colo, e os dois ficaram por um te
— Certo. — Respondeu a professora Jussara.O tempo passou, até que Patrícia apareceu para falar com Tatiane sobre trabalho.— Tati.Tatiane levou um susto e voltou a si de repente.Ergueu os olhos para Patrícia, recompôs a expressão e disse:— Paty, você chegou.Percebendo que ela não estava bem, Patrícia franziu a testa, preocupada.— O que foi? Você está com uma cara péssima.Já fazia uma hora desde que a professora Jussara tinha falado com ela.Henrique provavelmente já sabia.Tatiane então se lembrou da outra vez em que discutira com Henrique. Bia acabara ouvindo, entrara em desespero e caíra no choro. Lembrou-se também da reação dele naquele momento.Pensou ainda na primeira vez em que Bia foi para a casa da família Oliveira. Naquela noite, a menina fez um escândalo, chorou sem parar, e Henrique correu para lá assim que soube.Sempre que Bia ficava emocionalmente abalada, ele parecia entrar em estado de alerta.As palavras do professor Lúcio também voltaram à mente de Tatiane. Emb
Tatiane lançou a Henrique um olhar gelado e passou direto por ele, sem sequer diminuir o passo.Entrou no carro do advogado Augusto e foi embora.Henrique permaneceu parado onde estava, observando o carro se afastar. Quando se virou para o advogado, seu rosto continuava impassível.— Sr. Henrique...— Falamos disso na empresa.— Sim, senhor.De volta ao escritório de Augusto, o desfecho daquele dia não surpreendeu ninguém.Era exatamente o que todos já esperavam.Em processos de divórcio, traição ou desgaste emocional, por si só, nem sempre bastavam para que a separação fosse decretada de imediato. Ainda mais agora, com Henrique deixando claro, de forma expressa, que não aceitava o divórcio.Isso não queria dizer que não houvesse saída.Havia.Só levaria tempo.Como a situação acabara se misturando a questões patrimoniais, talvez o melhor caminho fosse disputar a partilha de bens dentro do próprio divórcio.A essa altura, Tatiane já estava mais calma.Aceitou a situação como ela era.—







