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Capítulo 2

Penulis: Cece Sartori
last update Tanggal publikasi: 2026-10-01 03:55:40

Liz me levou para um bar longe da universidade.

— Perfeito! Aqui será nosso reduto de alcoolismo clandestino desta noite. Seguro para duas mentes criminosas menores de vinte e um.

Ela anunciou aquilo como se estivesse apresentando nossa nova residência oficial.

— Você sabe que também acabou de chegar a Preston, né?

Liz abriu os braços, satisfeita consigo mesma.

— O mundo é meu quintal, amore!

Antes que eu respondesse, segurou meu braço e me puxou pela calçada.

— Vem. E não se perde.

— Não tenho certeza se quero descobrir que você conhece a cidade inteira.

— Tarde demais.

Ela entrou e, de alguma forma, realmente passou a conhecer pessoas.

Cumprimentou o bartender, acenou para uma garota e elogiou a roupa de outra como se fossem velhas amigas.

Começava a suspeitar que Liz tinha passado os primeiros dezoito anos da vida fazendo amizade com qualquer pessoa que cruzasse seu caminho.

— O que você quer, Emma? — perguntou quando paramos diante do bar.

— Não faço ideia. Só não quero nada muito forte. Eu não tenho costume de beber.

— Então hoje é dia de experimentar.

Pegamos as bebidas e encontramos uma mesa.

O bar era refinado, como quase tudo naquela cidade parecia ser.

Até o lugar onde as pessoas bebiam escondido dos pais tinha lustres bonitos, móveis de madeira escura e garçons que pareciam ter saído de uma agência de modelos.

— Eles realmente precisam ser tão bonitos para servir bebida?

Liz deu uma olhada ao redor.

— Em Preston? Provavelmente.

Ela sorriu, como se aquilo explicasse tudo.

Liz circulava por aquele ambiente como se fosse uma extensão do nosso dormitório.

Eu, por outro lado, ainda me sentia como alguém que havia entrado pela porta errada.

— Tá. Me explica. Eles não pedem identidade?

Liz tomou um gole da bebida, tranquila.

— Não.

Ela me olhou por cima do copo.

— Preston tem outras prioridades.

— E impedir menores de idade de beber não é uma delas?

— Não nesse tipo de lugar.

Ela disse aquilo com tanta naturalidade que fiquei alguns segundos olhando para ela.

Liz riu.

— Relaxa. Se alguém perguntar, você faz aniversário hoje. A gente canta parabéns e tudo!

— Você não ousaria.

Ela ameaçou começar a bater palmas, mas parou assim que viu meu desespero.

— Você é uma graça, Emma! Eu tô só brincando. Calma!

— Foram os três segundos mais longos da minha vida.

Ela riu, e eu acabei rindo também.

Enquanto eu voltava a respirar normalmente, Liz percebeu uma mesa ao lado da nossa.

— Meu Deus! Você customizou um Chanel?

A garota sorriu imediatamente.

— Eu não! Foi meu stylist.

Ela se levantou e mostrou o casaco para Liz.

— Uau! Isso deve ser a coisa mais linda que eu vi hoje!

— Depois de mim, claro — a garota brincou.

Liz riu.

— Meu nome é Sophie. Essas são Georgia e Julie.

— Oi, meninas! Eu sou Liz e essa é a Emma!

Acenei para elas, ainda tentando processar o fato de que uma garota da minha idade tinha um stylist.

As três começaram a falar sobre roupas enquanto eu me distraía com a minha.

Tentava subir o decote e, ao mesmo tempo, puxar a saia para baixo.

A alça do vestido apertava. O salto começava a machucar meu pé.

Eu já estava me perguntando por que tinha aceitado me vestir daquele jeito quando voltei a prestar atenção na conversa.

— …a gente estava na festa do branco do Clube Sterling, nos Hamptons, e o querido fez o favor de espirrar vinho no meu vestido de seda branco. Que ranço!

— Não! E o que você fez? — Georgia perguntou, rindo.

Sophie sorriu.

— Mandei ele procurar outro vestido branco pela cidade inteira.

— E ele encontrou?

— Horas depois. Voltou com dois porque não sabia qual eu ia gostar.

Ela fez uma pequena pausa e sorriu.

— E eu fiquei com os dois, claro.

— Sophie!

— O quê? Danos morais.

A mesa explodiu em risadas.

Eu fiquei em silêncio, sorrindo por educação.

Tinha entendido as palavras. Só não tinha entendido a graça.

Nada daquilo fazia muito sentido para mim.

Depois disso, cada uma começou a contar alguma coisa da própria vida.

Mesmo vindo de lugares diferentes, elas pareciam entender umas às outras sem precisar explicar muita coisa.

Eu não tinha muito a acrescentar.

Então evitei falar de mim.

A cada novo assunto, eu tinha a sensação de estar chegando alguns minutos atrasada na conversa.

Como se todo mundo tivesse recebido um manual de Preston que esqueceram de me entregar.

Conforme as conversas ao nosso redor começaram a se misturar, meu cérebro começou a pedir demissão.

Liz continuava falando, arrancando gargalhadas com uma história sobre Paris.

Aproveitei a distração para me afastar.

Sentei em um dos bancos do bar, pedi outra bebida e apoiei os cotovelos no balcão.

Respirei fundo.

O dia tinha sido intenso.

Estava lidando com coisas demais.

Eu só precisava de cinco minutos sem precisar parecer interessada em alguma coisa.

— Dia difícil?

Abri os olhos e virei o rosto na direção da voz.

Ele estava sentado a algumas banquetas de distância.

Os cabelos castanho-escuros caíam levemente sobre a testa. Havia uma calma no jeito como ele observava o bar, completamente alheio à agitação ao redor.

Levou o copo aos lábios.

Meu olhar acompanhou o movimento antes que eu pudesse impedir.

Ele vestia uma camisa de botão escura, com as mangas dobradas até os antebraços. Nada nele parecia feito para chamar atenção.

Ainda assim, eu o havia notado.

Quando afastou o copo dos lábios, percebi que continuava olhando para mim.

Ele sorriu.

Foi pequeno. Quase divertido.

O suficiente para me lembrar de que eu estava encarando um desconhecido.

— Ai, desculpa — falei, desviando os olhos. — Fiquei um pouco fora do ar. Não sou muito sociável. E hoje está sendo… intenso.

Ele acompanhou meu olhar até Liz.

— Sua amiga aparentemente não compartilha do mesmo problema.

Sorri.

— Acho que ela compensa por nós duas.

Por alguns segundos, observamos Liz em silêncio.

De repente, fiquei consciente demais da presença dele ao meu lado.

Ele virou o corpo na minha direção e estendeu a mão.

— Dante.

Olhei para a mão e depois para o rosto dele.

— Alighieri?

Dessa vez, ele riu de verdade.

— Meus pais tinham expectativas bastante altas. Ou um senso de humor duvidoso.

Sorri.

— É. O nome já vem com uma jornada.

— Você está doida para perguntar se a história comigo começa no Inferno ou se podemos ir direto ao Paraíso?

— Eu estava pensando em perguntar se você tem certeza de que quer se apresentar a uma desconhecida usando o nome Dante.

— E você tem certeza de que quer continuar conversando com um?

A pergunta ficou entre nós por um instante.

— É isso ou voltar pro idioma estranho que estão falando na minha mesa.

Inclinei o olhar para onde as meninas estavam.

Georgia falava alguma coisa enquanto mostrava um bracelete de brilhantes.

Ele acompanhou meu olhar.

— Deixa eu adivinhar… você se entende melhor com os livros?

Não esperava essa resposta.

Dante percebeu minha surpresa e girou o copo entre os dedos.

— Dizem que eu sou perspicaz.

— E humilde.

Ele inclinou a cabeça, como se estivesse considerando a possibilidade.

O canto de sua boca se ergueu outra vez.

Só então percebi que ele já havia recolhido a mão. Eu tinha deixado o gesto sem resposta.

Estendi a minha, um pouco sem jeito, e sorri.

— Emma.

Ele apertou minha mão e repetiu meu nome em voz baixa.

— Emma.

A palavra saiu sem pressa.

Por algum motivo, senti calor no rosto e alcancei o copo antes que minhas mãos denunciassem qualquer outra coisa.

Talvez fosse a bebida.

De qualquer forma, por alguns minutos, esqueci completamente o resto do bar.

— Emma!

Virei o rosto.

Ela estava perto da nossa mesa, fazendo sinais exagerados para que eu fosse até ela.

— Já vou!

Quando olhei novamente para Dante, ele ainda me observava.

Levantei-me.

— Acho que minha amiga está prestes a me denunciar por abandono.

— Parece grave.

— Muito.

Dei um último sorriso e me afastei.

Caminhei até Liz, mas não resisti a olhar para trás.

Dante continuava no mesmo lugar.

Nossos olhos se encontraram outra vez.

Ele ergueu levemente as sobrancelhas, como se tivesse sido pego.

— Vamos? — Liz perguntou.

Olhei para ela e depois para a porta.

— Já?

— Eu te prometi conhecer a cidade. As meninas vão com a gente.

Voltei a olhar para Dante.

Ele permanecia ali, tranquilo, com uma das mãos apoiada no balcão.

Não fez nenhum gesto para me chamar.

Apenas sustentou meu olhar por mais um instante antes de baixar os olhos para o copo.

Ele não estava tentando me convencer a ficar.

E, ainda assim, eu quis ficar.

— Acho que mudei de ideia.

Liz arqueou uma sobrancelha, acompanhou meu olhar e voltou a me encarar.

Um sorriso lento surgiu em seu rosto.

— Ah.

Ela segurou meu braço.

— Então fica. Só não faz nada que eu não faria — disse, me abraçando antes de ir.

Olhei para ela.

— E tem alguma coisa que você não faria?

— Provavelmente não — ela respondeu, já se afastando.

Liz se juntou às meninas e seguiu em direção à saída.

Eu fiquei.

Aquela provavelmente foi a primeira decisão realmente impulsiva da minha vida.

Mas alguma coisa me dizia que aquela noite ainda não tinha terminado.

E eu estava prestes a descobrir o quanto uma decisão tão pequena poderia mudar tudo.

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