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Capítulo 4

Author: Cece Sartori
last update publish date: 2026-10-01 04:17:11

Eu tinha esperado muito por aquela segunda-feira.

Durante meses, imaginei como seria o meu primeiro dia em Hamilton.

Como seria finalmente entrar na universidade que eu tinha passado tanto tempo sonhando em conhecer, sentar nas salas de aula e começar, de verdade, aquela fase da minha vida.

E agora eu estava ali.

Ainda parecia estranho pensar que aquele lugar era meu também.

Passei boa parte da manhã tentando absorver tudo.

Os prédios, os corredores cheios, os grupos de alunos que pareciam já conhecer cada canto da universidade.

Pessoas andando apressadas com livros debaixo do braço, outras sentadas nos bancos conversando como se estudassem ali há anos.

Eu queria guardar cada detalhe.

Talvez porque tivesse imaginado aquele momento tantas vezes que agora parecia impossível que finalmente tivesse acontecido.

Minha primeira aula era Literatura Comparada.

De todas as disciplinas que eu teria naquele semestre, era a que eu mais queria cursar.

Era o tipo de coisa que eu imaginava quando pensava em estudar em uma universidade como Hamilton.

Só de pensar nisso, eu deveria estar completamente animada.

E estava.

Ou pelo menos tentava estar.

Porque, no meio de toda aquela ansiedade boa, havia uma lembrança que insistia em aparecer.

Sexta-feira.

Dante.

Eu ainda não sabia exatamente o que pensar sobre aquela noite.

Talvez fosse porque eu não estava acostumada a fazer aquilo.

Não estava acostumada a dormir com desconhecidos que nem sabia o sobrenome.

Quando acordei no sábado, com a cabeça doendo, a boca seca por causa da ressaca e pouca lembrança da noite anterior, a primeira coisa que senti foi muita vergonha.

A segunda foi a certeza de que precisava ir embora.

Não queria ficar ali tempo suficiente para transformar a situação em algo ainda mais constrangedor.

Então peguei minhas coisas e, sem me despedir de Dante, fui direto para casa.

Assim que entrei, Liz quis saber de tudo.

Ela estava sentada na cama quando me viu entrar.

Ouviu tudo atentamente.

— Então você simplesmente desapareceu?

— Basicamente.

Ela franziu a testa.

— Sem dizer nada?

— Sim.

Ela ficou alguns segundos em silêncio, claramente tentando processar.

Então sorriu.

— E vocês vão se ver de novo?

Balancei a cabeça.

— Não.

— Como você sabe?

— Enquanto eu ia embora, me dei conta de que não tinha nenhuma informação dele. Nem ele tem a minha.

Liz me encarou por alguns segundos, como se estivesse tentando entender a situação.

Então soltou uma risada.

— Emma, você saiu melhor que a encomenda.

— O que isso quer dizer?

— Você conseguiu passar a noite com um cara lindo, não deu seu telefone, não pegou o dele e ainda foi embora sem olhar para trás.

— Eu olhei para trás.

— Isso não melhora.

Revirei os olhos, mas não consegui evitar um sorriso.

— Eu estava com vergonha.

— Vergonha?

— Eu não faço isso.

— Dormir com um homem bonito?

— Dormir com alguém que eu mal conheço.

Liz me observou por um instante.

— Mas você gostou.

Não respondi.

Ela abriu um sorriso ainda maior.

— Você gostou.

— Não começa.

— Eu nem comecei.

Peguei uma almofada e joguei nela.

Liz riu.

— Está bem. Não vou perguntar mais nada.

Mas aquela conversa só fez com que eu pensasse ainda mais naquela noite.

Tentei esquecer aquilo tudo por dias.

Não consegui.

A conversa, as provocações, os olhares… tudo continuava voltando para a minha cabeça.

E eu odiava admitir o quanto tinha gostado daquela noite.

Talvez fosse justamente por isso que eu tivesse ido embora daquele jeito.

Antes que aquela noite pudesse se transformar em alguma coisa que eu não soubesse como lidar.

Mesmo assim, naquela segunda-feira, eu queria me permitir sentir a felicidade de estar exatamente onde sempre quis estar.

Olhei ao redor da sala.

Alguns alunos conversavam baixo enquanto esperavam o professor. Outros já tinham os cadernos abertos sobre as mesas.

Escolhi um lugar e me sentei.

Passei os dedos pela capa do meu caderno novo.

Era uma coisa boba, mas aquilo me deixou feliz.

Tudo parecia novo.

O lugar.

As pessoas.

As matérias.

A possibilidade de descobrir quem eu seria naquela nova fase da minha vida.

Eu tinha esperado tanto por aquilo.

Não queria deixar uma noite impulsiva ocupar mais espaço do que deveria.

Respirei fundo e sorri sozinha.

Era o meu primeiro dia.

A minha primeira aula.

A vida que eu tinha imaginado por tanto tempo estava finalmente começando.

E eu não deixaria uma noite impulsiva estragar aquilo.

A sala já estava quase cheia quando tirei o celular da bolsa.

Estava tão concentrada na tela que nem percebi quando alguém entrou na sala.

Só notei a presença quando ouvi o som de um giz riscando o quadro.

Levantei os olhos rapidamente.

Um homem estava de costas para a turma, escrevendo no quadro.

Quando terminou de escrever, deu um passo para trás.

Foi então que eu vi o nome no quadro.

DR. MOREAU.

Fiquei olhando para aquelas duas palavras por alguns segundos.

Então ele se virou.

E finalmente eu vi o rosto.

Meu coração simplesmente parou.

Não era possível.

Era ele.

Dante.

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