Mag-log inLuiza estava com toda a atenção concentrada na massagem que ela fazia na Sra. Patrícia. Ela não percebeu em momento nenhum o olhar carregado de rancor vindo do canto do corredor e ainda conversou e riu com Íris, despreocupada.A Sra. Patrícia, sob a pressão precisa e firme das mãos de Luiza, foi relaxando aos poucos, até a expressão dela se suavizar. Ela não resistiu a comentar com Íris: — Se a Jennifer estivesse aqui, com certeza ela ia me encher de massagem também.Quando Jennifer tinha menos de dois anos e tinha vindo com Íris e Durval para Cidade B passar o Natal, ela já falava pelos cotovelos.Na idade em que a maioria das crianças mal juntava duas sílabas, ela emendava frases inteiras.Jennifer era a caçula da casa e sabia ser carinhosa, esperta e dengosa na medida certa. Até o avô Callum, que era durão por natureza, se derretia todo com ela. Ele não reclamava nem quando ela pegava as medalhas de honra militar dele para brincar.Ao ouvir falar da filha mais nova, Íris sentiu o
Ninguém disse nada na mesa, e Amanda acabou fechando a boca, engolindo a própria raiva.Ela realmente não tinha previsto que até Nina, que sempre detestara socializar, fosse olhar para aquela Luiza com tanta consideração.De repente, Cauã soltou uma risada e ainda resolveu provocar: — Pai, ouviu isso? A Nina mandou a sua filhinha querida calar a boca e você não vai falar nada?Durval franziu a testa na mesma hora e encarou o filho: — Você também pode calar a boca.Naquela casa, não existia ninguém que nunca tivesse levado bronca de Nina.Até o vício de décadas que Callum tinha em cigarro tinha sido arrancado à força por ela. Quando ele arriscava uma tragada escondido e ela pegava no flagra, ele ainda acabava ouvindo sermão, mesmo sendo o avô.Cauã resmungou, num meio-riso: — Vocês só sabem escolher em quem bater.Edson deu risada: — A culpa é sua que resolveu ser o rebelde. Se não fosse isso, capaz de hoje você ser quem mais manda aqui dentro.Na época em que Cauã fez questão d
No dia do aniversário de Callum, Luiza acordou cedo e primeiro fez uma sessão de acupuntura em Íris.A festa estava marcada para a noite, então, na hora do café da manhã, além dos Frota, ela era a única convidada na mesa.Íris, com receio de que ela se sentisse deslocada, pediu de propósito que ela se sentasse ao seu lado, para poder servir comida no prato dela com mais facilidade.Amanda observava as duas, já íntimas como se fossem mãe e filha. Debaixo da mesa, ela apertou os dedos com tanta força que a ponta das unhas deixou marcas vermelhas na palma da mão.Anos atrás, tinha sido por causa do nascimento de Jennifer que Íris começara a dar menos atenção a ela.Agora, a história se repetia.Ela nem queria imaginar: se Luiza realmente virasse a “Jennifer” da família Frota, até onde aquela gente ia mimar e proteger Luiza?E, quando esse dia chegasse, será que ainda haveria lugar para ela dentro daquela casa?Quanto mais Amanda pensava, mais ela tinha certeza de uma coisa: custasse o que
Se a Lilian tivesse algum tipo de acerto de contas com a família dele, isso já seria o suficiente para mostrar que havia problema dos dois lados — ou, quem sabe, só do lado da família dele.Se ele escolhesse a Lilian, por mais que a família ficasse furiosa, ela pelo menos não se sentiria totalmente desamparada. No máximo, os parentes iam xingar ele, chamá-lo de irresponsável, de cabeça dura.Mas, se ele escolhesse a família, aí sim a Lilian ficaria sem nada.A resposta deixou Luiza um pouco surpresa: — Você não ia culpar a Lilian, nem um pouco?— Não ia. — Cauã respondeu sem pestanejar.Luiza subiu a escada de volta para o quarto com a cabeça tomada por aquela pergunta.Ela não tinha previsto que a resposta de Cauã seria um “não” tão firme, tão imediato.E o Gustavo?Luiza saiu do banho, com o cabelo ainda pingando, e sentou-se na beira da cama. Ela ficou ali, tentando imaginar, com toda a honestidade, qual seria a resposta que ele daria.Talvez… Talvez ela devesse, pelo menos, fazer
Edson desceu muito rápido com o estojo de agulhas e entregou para Luiza.Quando Edson e Durval saíram do quarto, Luiza pegou as agulhas e começou a aplicá-las, uma a uma, com precisão em cada ponto certo.Em menos de dois minutos, Íris recobrou a consciência.Luiza apoiou o corpo dela com cuidado: — Dona Íris, não se mexa ainda. Eu estou aplicando acupuntura na senhora.— Ah… Está bem. — Íris respondeu baixinho. À medida que a lucidez voltava, a lembrança do que tinha acontecido antes do desmaio também voltava. Ela olhou para Luiza e soltou um suspiro mudo. — As coisas que Amanda falou… Não leve aquilo pro lado pessoal.Aquela frase era, na verdade, um pedido de desculpas pelo barraco que Amanda tinha armado de manhã, quando tinha mandado Luiza ir embora.Depois, Íris continuou: — E quanto ao que ela levantou na mesa do jantar, você menos ainda precisa se preocupar.Dessa vez, Íris deixava claro que a família Frota não tinha nenhuma intenção de empurrar um casamento entre Amanda e
O beijo, tão inesperado, deixou Gustavo completamente surpreso.O beijo dela era desajeitado, sem técnica nenhuma. Ainda assim, só com aquilo, ele sentiu o corpo inteiro reagir, incapaz de segurar o que estava nascendo ali de novo — e disposto a se perder junto com ela.No instante seguinte, Gustavo tomou o controle. Ele puxou Luiza inteira para dentro do abraço, passou o braço em volta da cintura dela e, sem deixar espaço para recuo, aprofundou o beijo.A respiração dele trouxe aquele perfume leve de colônia masculina, e Luiza, por um segundo, não conseguiu evitar o pensamento: se o tempo pudesse parar ali, se tudo pudesse congelar exatamente naquele momento, seria perfeito.A brisa da noite passou, fria, e fez Luiza voltar à realidade num sobressalto. Ela se desvencilhou dos braços dele de uma vez, recusando-se a continuar se afundando naquilo. Ela respirou rápido, tentando, à força, puxar de volta a própria lucidez.Ela encheu o peito de ar e soltou, com um sorriso que soou quase le






