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Fique com a Coroa, Eu Escolhi o MIT
Fique com a Coroa, Eu Escolhi o MIT
Author: TJ

Capítulo 1

Author: TJ
Baixei o olhar para as quatro figuras LEGO personalizadas sobre a minha escrivaninha.

Eu as havia encomendado durante minha primeira semana aqui — Eram minha mãe, meu pai, Dante e Luca. Já naquela época, aquilo tinha parecido patético, mas colocar as figuras ao redor dos meus livros fazia o apartamento parecer menos vazio.

Eu estava prestes a guardá-las quando meu celular acendeu.

Mãe: [Volte para casa esta tarde. Precisamos conversar sobre sua decisão da faculdade.]

Meus olhos se fixaram naquela palavra.

Casa.

Algo dentro de mim se agitou antes que eu pudesse impedir.

Talvez eles tivessem se lembrado da promessa.

Chamei um táxi.

Meses antes, eu havia pegado um carro dos Bellini para visitar Bianca no hospital. No momento em que me viu, ela teve outro colapso.

Meu pai me culpou e revogou meu acesso à frota da família, garantindo que eu nunca mais pudesse aparecer sem ser convidada.

Quando o táxi parou diante dos portões de ferro da propriedade, os seguranças o cercaram e interrogaram o motorista antes de finalmente nos deixarem entrar.

Quando entrei no salão principal, Bianca estava sentada no centro da sala, com quatro presentes lindamente embrulhados dispostos à sua frente.

Minha mãe, meu pai, Dante e Luca a cercavam.

— UCLA e USC. — Disse minha mãe, alisando o cabelo de Bianca. — Nossa menina recebeu duas propostas maravilhosas na Califórnia.

Ela não mencionou as doações que meu pai havia feito, os membros do conselho para quem havia ligado ou os favores que havia trocado para garantir aquelas vagas.

Bianca sorriu suavemente.

— Eu ainda não sei qual escolher.

— UCLA. — Disse Dante. — É uma das melhores universidades.

Luca balançou a cabeça.

— A USC seria melhor para ela. É menor, mais reservada, e os Bellini já têm contatos lá.

Minha mãe apertou carinhosamente o ombro de Bianca.

— De qualquer forma, a Califórnia fará bem a ela. Os médicos dela sempre disseram que o sol e o clima mais quente ajudariam na recuperação.

Eles discutiam sobre a aceitação de Bianca como se ela tivesse acabado de conquistar toda a Califórnia.

Mas eu sabia que a recuperação dela nunca havia sido o verdadeiro problema. Eu tinha visto com que rapidez a fragilidade de Bianca desaparecia quando ninguém estava olhando.

Teve uma vez, depois de um de seus ataques de pânico, que a encontrei sozinha, rindo de alguma coisa no celular. No instante em que minha mãe entrou, Bianca largou o celular e suas mãos começaram a tremer novamente.

Contei à minha família o que tinha visto. Minha mãe me acusou de estar com inveja, enquanto Dante disse que eu estava tentando prejudicar a recuperação de Bianca.

Depois disso, parei de tentar provar qualquer coisa.

Meu pai observava de sua poltrona, o orgulho suavizando os traços severos de seu rosto.

Ninguém percebeu que eu estava parada na porta.

Por um momento desconcertante, senti-me uma intrusa dentro da casa onde havia nascido.

Então minha mãe ergueu os olhos.

— Valentina. Você está aqui.

O calor desapareceu de sua voz, não completamente, mas o suficiente para que eu percebesse a diferença.

Bianca seguiu seu olhar. Seu sorriso desapareceu.

Dante fez um gesto em direção ao sofá.

— Não fique aí parada.

Sentei-me na cadeira mais distante de Bianca.

Meu pai me observou do outro lado da sala.

— Todas as suas decisões das faculdades já chegaram?

— Sim. Eu passei para—

— A lista exata pode esperar. — interrompeu minha mãe.

Ela se sentou ao lado de Bianca e segurou sua mão antes de olhar para mim.

— Pedimos que você viesse porque precisamos que recuse qualquer oferta da Califórnia. — Disse minha mãe. — Bianca precisa de um recomeço, e seria melhor se você não estudasse perto dela.

Por um momento, achei que tinha entendido errado.

Minha mãe sabia que eu havia passado os últimos quatro anos trabalhando para chegar a Stanford. Era meu sonho desde o primeiro ano do ensino médio.

Cada disciplina avançada que eu havia cursado, cada competição de que havia participado e cada noite sem dormir que passei estudando tinham sido pela chance de um dia estudar lá.

E agora minha mãe estava me pedindo para abrir mão de tudo como se não significasse nada.

Encarei-a.

— Por que eu faria isso?

Minha mãe continuou com cuidado.

— Bianca trabalhou muito duro este ano. Ela merece começar a faculdade sem sentir que está competindo com você novamente.

Trabalhou duro?

Eu sabia exatamente como Bianca havia conseguido aquelas vagas. Meu pai fizera doações, ligara para membros do conselho e trocara favores até que as portas se abrissem para ela.

Eu era quem havia passado quatro anos conquistando minha aprovação em Stanford. Sem doações. Sem contatos da família. Nem sequer uma palavra de incentivo das pessoas que agora me pediam para jogar tudo fora.

— Eu nunca competi com ela. — Falei.

— Você não precisa. — Sussurrou Bianca. — Você vence sem nem tentar.

Dante colocou uma mão protetora sobre o ombro dela.

Olhei para meu pai.

— Você está realmente me pedindo para jogar fora quatro anos de trabalho só para deixar Bianca confortável?

Seu olhar permaneceu frio e firme.

— A decisão foi tomada. Você ficará longe da Califórnia. Bianca merece ter um lugar onde não precise viver à sua sombra.

Minha mãe concordou.

— Esta família finalmente teve um ano de paz. — Disse ela. — Não podemos correr o risco de qualquer coisa ameaçar a recuperação da sua irmã. Eu sabia que você entenderia.

— Stanford tem um dos melhores cursos de ciência da computação do país. — Insisti.

— E Cornell é uma excelente universidade. — Respondeu meu pai. — Longe o suficiente da cidade para dar espaço a Bianca, mas perto o bastante para que a família ainda possa chegar até você.

Ele já havia escolhido meu futuro.

Assim como havia escolhido meu apartamento. Meu isolamento. A quantidade de proteção que eu merecia.

Tudo sem me perguntar.

Virei-me para Dante.

Ele franziu a testa como se eu fosse a pessoa que estava sendo irracional.

— Você vai se sair bem em qualquer lugar. Você sempre se sai.

Por fim, olhei para Luca.

Ele já havia se sentado ao meu lado na biblioteca dos Bellini enquanto eu preenchia minha inscrição para Stanford. Ele havia beijado minha têmpora e dito que mal podia esperar para que eu me juntasse a ele lá.

Agora, não conseguia me olhar nos olhos.

— Luca?

Sua mandíbula se contraiu.

Por um segundo tolo, ainda esperei que ele me defendesse.

Em vez disso, disse baixinho:

— Você é brilhante, Val. Uma faculdade não muda isso.

Então olhou para Bianca.

— Mas ela não é como você. Ela precisa que alguém cuide dela.

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