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last update publish date: 2026-10-20 12:09:37

Paola havia retornado à cidade cheia de esperança e determinação. Com suas economias, conseguira alugar um pequeno apartamento para si e para os dois filhos, Clara e Ethan. Embora o espaço fosse modesto, ela o enchera de aconchego, decorando as paredes com os desenhos de Clara e espalhando os brinquedos favoritos de Ethan pelos cômodos. Aos poucos, transformara aquele lugar em um verdadeiro lar para sua pequena família.

Todas as manhãs começavam da mesma maneira: Paola preparava o café da manhã enquanto Clara e Ethan se sentavam à mesa, prontos para iniciar o dia com suas risadas e travessuras. Clara, sempre sorridente e educada, ajudava a mãe a colocar os pratos na mesa e fazia perguntas curiosas sobre a cidade, os edifícios e a escola onde começaria a estudar em breve. Ethan, por sua vez, era o travesso da família. Com seu riso contagiante e seus comentários inesperados, conseguia arrancar gargalhadas tanto de Paola quanto da irmã. Embora às vezes fizesse mais barulho do que o necessário, Paola sabia que sua alegria enchia de vida cada cantinho daquele pequeno apartamento.

— Mamãe, você já conseguiu um emprego? — perguntou Clara certa manhã, enquanto terminava o café da manhã.

Paola parou por um instante, forçando um sorriso para tranquilizar a filha.

— Ainda não, meu amor, mas tenho certeza de que logo vou conseguir.

Ela já havia enviado seu currículo para mais de vinte empresas, candidatando-se a qualquer vaga que pudesse ajudá-la a arcar com as despesas da nova vida na cidade. No entanto, a espera começava a preocupá-la. O dinheiro que havia economizado não duraria muito, e cada dia que passava sem receber uma resposta aumentava sua ansiedade. Embora tentasse esconder a preocupação, às vezes, quando acreditava que os filhos não estavam olhando, Paola soltava um suspiro profundo, perguntando-se como conseguiria seguir em frente.

Ainda assim, todas as manhãs ela despertava com a esperança de que aquele seria o dia em que tudo mudaria. Preparava as crianças para irem à creche e, depois de deixá-las lá, voltava a enviar currículos, verificando constantemente o e-mail e o celular, à espera de uma ligação que trouxesse boas notícias.

Certa tarde, depois de passar horas diante do computador procurando novas oportunidades, recebeu uma notificação. Era uma mensagem de uma empresa para a qual havia se candidatado algumas semanas antes. Estavam convidando-a para uma entrevista no dia seguinte.

Seu coração deu um salto de alegria e, com um sorriso genuíno nos lábios, chamou os filhos para compartilhar a notícia.

— Crianças! — exclamou Paola, entusiasmada. — Mamãe tem uma entrevista de emprego amanhã!

Clara e Ethan correram até ela, animados ao perceber a alegria estampada no rosto da mãe.

— Isso quer dizer que você não vai mais ficar só em casa com a gente, mamãe? — perguntou Ethan, com uma mistura de curiosidade e tristeza.

Paola riu e depositou um beijo em sua testa.

— Quer dizer que vamos poder comprar mais coisinhas para vocês e que a mamãe vai ficar mais tranquila.

Clara, sempre observadora, abraçou Paola e sussurrou:

— Tenho certeza de que vão lhe dar o emprego, mamãe. Você é a melhor em tudo!

A manhã da entrevista finalmente chegou. Paola se preparou com todo o cuidado, relembrando suas experiências profissionais e pensando em como demonstrar que era uma excelente candidata. Ao se despedir de Clara e Ethan na creche, recebeu beijos enviados pelas pequenas mãos dos dois, que lhe desejaram boa sorte da porta.

Emocionada e nervosa, Paola chegou ao edifício onde seria realizada a entrevista. Ao observar a imponente construção moderna e as câmeras de segurança instaladas na entrada, percebeu que estava diante de uma importante emissora de televisão. Respirou fundo e entrou no saguão, admirando a decoração sofisticada e as telas que transmitiam notícias e programas em tempo real.

Não teve muito tempo para observar o ambiente. De repente, uma jovem elegantemente vestida, com uma expressão severa, aproximou-se dela. Os cabelos estavam impecavelmente presos, e ela segurava um tablet em uma das mãos.

— Até que enfim você chegou! — disse a mulher, lançando-lhe um olhar de desaprovação. — Não é uma boa maneira de causar uma primeira impressão no seu primeiro dia de trabalho, sabia?

Paola ficou atônita, sem entender exatamente o que estava acontecendo. Tentou explicar que havia ido até ali para uma entrevista, mas algo na maneira como a mulher a encarava fez com que hesitasse.

— Desculpe... Eu não fazia ideia de que... — começou Paola, mas a jovem fez um gesto para que a acompanhasse.

— Não temos tempo para desculpas. Sou Ana Collins, sua supervisora. Você será minha assistente e, hoje, temos uma missão importante. A emissora fará uma entrevista exclusiva com uma pessoa influente da cidade, então preciso que siga minhas instruções à risca.

Ana tirou um cartão de acesso do bolso e o entregou a Paola.

— Isto permitirá que você circule pelas áreas de trabalho. Não o perca.

Ainda atordoada, Paola pegou o cartão e seguiu Ana sem dizer mais nada. Sentia-se sobrecarregada com aquela situação inesperada, mas não quis corrigir a mulher. Afinal, aquela poderia ser sua única oportunidade de demonstrar sua capacidade e conquistar um emprego.

Na sala de equipamentos, Ana lhe entregou uma câmera surpreendentemente pesada, acompanhada de vários acessórios. Sem muita experiência no manuseio de câmeras profissionais, Paola tentou disfarçar o constrangimento enquanto se esforçava para segurá-la corretamente.

— Muito bem, Paola. Esta será sua responsabilidade hoje. Espero que consiga manuseá-la sem problemas — disse Ana em tom autoritário, enquanto ambas caminhavam em direção à saída da sala. — Lembre-se de que hoje vamos entrevistar uma figura de grande importância para a cidade. Quero que esteja preparada para qualquer situação.

Paola assentiu, tentando assimilar tudo o que estava acontecendo. Em sua mente, tentava se lembrar da última vez em que havia segurado uma câmera. Não tinha sido nada sofisticado, muito menos algo que pudesse prepará-la para um evento tão importante. Ainda assim, havia alguma coisa naquela situação que a impedia de recuar. Pela primeira vez em muito tempo, alguém parecia confiar nela para realizar algo grandioso.

Paola engoliu em seco enquanto ouvia as últimas instruções de Ana, que a observava com um olhar severo, como se estivesse avaliando cada movimento seu.

— Escute, Paola — disse Ana, ajeitando os cabelos e lançando-lhe um último olhar crítico. — Tudo o que você precisa fazer é segurar a câmera de maneira que ninguém perceba que é uma iniciante. Se estragar tudo, estará fora, e não moverei um dedo para ajudá-la. Entendeu?

Paola assentiu nervosamente, tentando se lembrar dos poucos conhecimentos que tinha sobre câmeras, enquanto ajustava o equipamento. No entanto, uma inquietação tomou conta dela. Havia algo na maneira como Ana falava daquela entrevista que despertava uma curiosidade impossível de conter.

— E quem é a pessoa que vocês vão entrevistar? — perguntou, tentando parecer casual.

Ana soltou um suspiro impaciente, como se considerasse a pergunta desnecessária.

— Isso não deveria ser da sua conta, Paola. A única coisa que precisa saber é que se trata de alguém poderoso, alguém que move os fios por trás de tudo o que acontece nesta cidade. Todos o bajulam, e as mulheres... — Fez uma pausa, esboçando um sorriso irônico. — Bem, elas praticamente disputam a chance de ir para a cama com ele. Hoje você tem sorte de conhecer alguém assim. Espero que aproveite, porque não é todo dia que se tem a oportunidade de ficar diante de uma pessoa tão influente.

Paola assentiu em silêncio, sentindo uma mistura de fascínio e nervosismo. Enquanto seguiam para o local da entrevista, sua mente começou a divagar, imaginando como seria aquele homem. Seria um empresário importante? Um político? Ou talvez alguém ainda mais carismático e enigmático?

A ideia de que estava prestes a conhecer alguém tão poderoso provocava nela uma estranha vertigem. Aquele trabalho inesperado a havia lançado em um mundo completamente desconhecido e, embora estivesse cheia de dúvidas, alguma coisa dentro dela a impulsionava a continuar.

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