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last update 게시일: 2026-10-21 00:04:46

Paola sentiu uma pontada de surpresa quando Ana a conduziu até o estacionamento da emissora, em vez de levá-la a uma sala de entrevistas. Permaneceu em silêncio por alguns instantes, sem saber se deveria perguntar o motivo daquela mudança de planos. No entanto, Ana pareceu perceber sua expressão confusa e lançou-lhe um sorriso irônico.

— O que foi, Paola? Achou que alguém tão importante quanto ele se daria ao trabalho de vir até aqui? — Ana balançou a cabeça, demonstrando certo desprezo. — Temos sorte de ele ter aceitado conceder sequer dez minutos de entrevista. Não é qualquer um que consegue uma oportunidade dessas.

Paola piscou, ainda mais confusa. Todos sabiam que a TCL, a emissora para a qual começara a trabalhar, era a mais importante do país. Em geral, as personalidades mais influentes faziam questão de aparecer em seus programas para serem entrevistadas. Afinal, uma única aparição naquela rede poderia ampliar consideravelmente a visibilidade de qualquer pessoa.

Quem, então, era aquele homem que considerava a emissora pouco mais do que um detalhe insignificante?

Durante o trajeto de carro, Paola tentou controlar o nervosismo e concentrar-se na tarefa que tinha pela frente. Entretanto, assim que chegaram diante de uma mansão imponente, sua curiosidade e seu espanto se intensificaram.

A residência era elegante e grandiosa, cercada por jardins impecavelmente cuidados. A fachada de mármore reluzia sob a luz do dia, transmitindo uma impressão inegável de luxo e poder. Havia algo quase intimidante na maneira como a construção se erguia diante delas, como se estivessem prestes a atravessar os limites de um mundo completamente diferente, reservado a pessoas privilegiadas e repleto de segredos inacessíveis aos demais.

Ana estacionou o veículo, e uma assistente saiu da mansão para recebê-las. Paola mal teve tempo de absorver os detalhes daquele ambiente antes de ser conduzida para uma das salas internas.

A mulher caminhava depressa, com uma eficiência quase mecânica e uma frieza que a fazia parecer indiferente à presença das duas visitantes. Não trocou olhares com elas nem se preocupou em iniciar uma conversa. Limitou-se a guiá-las pelos corredores até chegarem diante de um enorme par de portas de madeira entalhada, abertas de par em par.

Paola e Ana trocaram um olhar breve e cauteloso.

Havia algo estranho na cena diante delas, como se estivessem prestes a testemunhar uma situação que jamais deveriam ter presenciado. Ao perceber o que acontecia no interior da sala, a assistente ficou tensa. Sem pronunciar uma única palavra, recuou alguns passos e as deixou sozinhas diante da entrada.

Paola e Ana observaram o que se passava lá dentro, tomadas por uma mistura de surpresa e apreensão.

Diante delas, um homem estava ajoelhado no chão, tremendo enquanto implorava por misericórdia. Sua voz carregava um medo tão evidente que parecia contaminar o próprio ar.

— Por favor, senhor Maxwell... Perdoe-me! — O homem mal conseguia erguer os olhos. Mantinha as mãos unidas diante do peito, num gesto desesperado de súplica. — Eu não tinha outra escolha... Juro que não tinha!

O homem a quem ele chamava de senhor Maxwell estava sentado em um sofá de couro preto, segurando uma taça enquanto girava lentamente o líquido em seu interior. Agia com tanta tranquilidade que as súplicas pareciam não passar de ruídos insignificantes ao fundo.

Embora estivesse de perfil, Paola conseguiu perceber sua presença imponente. Seu corpo atlético e sua postura elegante transmitiam uma autoridade absoluta. O rosto de traços marcantes, a expressão fria e o olhar calculista acentuavam ainda mais a aura de poder que o envolvia.

— Como ousa me trair? — perguntou Maxwell em voz baixa, quase num sussurro carregado de desprezo. — Você não passa de um peão insignificante. Não merece sequer o meu tempo.

O homem ajoelhado começou a gaguejar, tentando encontrar palavras para justificar suas ações, mas Maxwell não lhe permitiu continuar.

Levantou-se abruptamente e, num movimento rápido, agarrou-o pela lapela do paletó. Ergueu-o do chão com uma facilidade assustadora, deixando o rosto a poucos centímetros do seu.

— Você fala demais... — murmurou Maxwell, com a voz cortante. — Sua covardia me enoja.

Com um movimento firme, arremessou o homem contra uma das paredes. O impacto foi violento, e ele caiu no chão com um baque ensurdecedor.

A taça na mão de Maxwell mal havia perdido uma gota. Como se nada de extraordinário tivesse acontecido, ele a ergueu novamente e tomou um gole, mantendo a mesma expressão impassível, sem demonstrar o menor sinal de compaixão.

Paola ficou sem fôlego.

A cena tornou-se ainda mais macabra quando o homem caído começou a tossir violentamente. Sangue escorreu de sua boca, manchando o chão com um vermelho escuro.

A atmosfera ficou sufocante. Dois homens vestidos com ternos escuros se aproximaram do ferido, sem demonstrar a menor preocupação com seu estado. Agarraram-no com brutalidade e o ergueram do chão. Seu corpo pendeu inerte, como o de uma marionete sem fios, e, em poucos segundos, eles o arrastaram para fora da sala, como se estivessem retirando dali um cadáver, e não alguém que ainda lutava para respirar.

Maxwell sequer se deu ao trabalho de acompanhar a saída dos homens.

Voltou ao sofá com uma calma aterradora, acomodou-se e ergueu a taça diante dos olhos, observando o líquido em seu interior como se estivesse à espera de algo. A violência que acabara de presenciar parecia não ter provocado nele a menor reação.

— Levem esse inútil daqui — ordenou, com uma voz fria e distante, desprovida de qualquer emoção.

Em seguida, virou-se na direção de Paola e Ana, que continuavam paradas à entrada, incapazes de esconder a incredulidade.

Paola não conseguia desviar os olhos de Maxwell.

Não era apenas a frieza daquele homem que a deixava atônita. Havia algo mais profundo, uma sensação inexplicável que se apoderava dela. O reconhecimento foi imediato, embora sua mente ainda não conseguisse compreender de onde vinha aquela impressão.

Os olhos de Maxwell, o contorno firme de sua mandíbula, a maneira como se movimentava... Tudo lhe parecia estranhamente familiar.

Maxwell não demorou a voltar toda a sua atenção para as duas mulheres. Seu rosto permanecia impassível, e sua expressão autoritária não deixava espaço para questionamentos.

Quando falou, sua voz controlada cortou o silêncio da sala.

— Vocês têm dez minutos para fazer suas perguntas. Nem um segundo a mais.

Ana, visivelmente nervosa, mas empenhada em manter o profissionalismo, assentiu depressa e começou a organizar os preparativos para a entrevista. Movimentou-se com agilidade, ajustando a câmera e indicando a Paola que assumisse seu lugar atrás do equipamento.

Ainda atordoada, Paola obedeceu sem dizer uma palavra. Mal conseguia reagir à intensidade da situação. A violência que acabara de testemunhar ainda reverberava em sua mente, deixando-a completamente desnorteada.

Mesmo assim, enquanto seguia as instruções de Ana, uma sensação insistente crescia dentro dela: aquele encontro não podia ser uma simples coincidência.

Ao se posicionar e ajustar a câmera, Paola finalmente teve a oportunidade de observar Maxwell mais de perto.

Foi então que seu coração pareceu parar por um instante.

Ela reconheceu aqueles olhos. Reconheceu a maneira como ele contraía a mandíbula. Cada detalhe de seu rosto despertava uma lembrança que, até aquele momento, permanecera enterrada no fundo de sua memória.

Aquele homem não era apenas uma figura poderosa que ela já havia visto nas notícias ou na televisão.

Não.

Era o mesmo homem com quem compartilhara uma noite intensa e arrebatadora seis anos antes. Uma noite que, ao contrário do que ela imaginara na época, havia dado origem a algo muito maior do que um simples encontro passageiro.

Aquele homem era o pai de seus gêmeos.

O choque a atingiu de uma só vez.

Sua mente ficou em branco, incapaz de assimilar a revelação que acabara de emergir de suas lembranças. Paola voltou a encarar Maxwell, mas, dessa vez, seu olhar já não refletia apenas espanto. Havia também um profundo desconforto, acompanhado por uma inquietação que ameaçava consumi-la por dentro.

Como era possível que, depois de todos aqueles anos, ela estivesse novamente diante dele? E como o destino poderia colocá-los frente a frente em circunstâncias tão inesperadas?

Maxwell não pareceu perceber a reação de Paola. Ainda assim, por um breve instante, seus olhos se fixaram nela com uma intensidade peculiar, como se fossem capazes de atravessar suas defesas e alcançar os recantos mais secretos de sua alma.

Talvez alguma coisa em sua expressão ou em sua presença também tivesse despertado nele um vago sentimento de reconhecimento. Contudo, ele não fez qualquer comentário.

Impaciente para dar início à entrevista, Ana deu um leve toque no braço de Paola, sinalizando que começasse a gravar.

Paola, porém, continuava incapaz de desviar o olhar de Maxwell.

A situação estava prestes a se tornar muito mais complicada do que já era.

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