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CAPÍTULO 7

Author: Alex Mello
last update publish date: 2021-10-23 11:03:50

Quando Henrique acordou na manhã seguinte ainda era muito cedo, certamente seus pais ainda estariam dormindo no quarto de hóspedes e Maximus ressonava ao seu lado, mas parecia estar com o semblante tenso. Fez uma suave carícia no rosto do marido, fazendo-o suavizar um pouco a expressão.

“Te amo tanto, meu Maxie.”

Seus pensamentos sobre o que estava acontecendo com eles não o deixaram dormir novamente. Apesar de já ter tomado sua decisão, o peso dela ainda o esmagava o peito como se um elefante estivesse sentado nele. Sentiu o ar faltar. Levantou-se com cuidado para não despertar Mack foi até o banheiro, jogou várias vezes água no rosto para se acalmar.

“Preciso sair daqui...”

Trocou de roupa rapidamente, deixou um bilhete na cama, em cima de seu travesseiro e desceu as escadas sem fazer um ruído sequer. Encheu um enorme copo térmico com um chá bem quente, uma barra de cereais e um pacote pequeno de mix de castanhas e se dirigiu para a entrada da trilha da reserva mais próxima.

O dia estava claro, mas não ainda totalmente claro. Nuvens finas cobriam o céu dando um ar melancólico, porém Henrique não se sentia assim. Ele estava com uma mistura de felicidade intensa, uma segurança que só não era absoluta por conta de um medo colossal.

Seguia as placas da trilha para a Pedra do Sol. E, por mais que adorasse o ambiente acinzentado e branco por conta da neve e do gelo, não se fixou em nada específico, apenas caminhou pensando um bilhão de coisas ao mesmo tempo. Nunca teve sentimentos tão conflitantes ao mesmo tempo.

“De onde eu tirei essa coragem tão grande para levar essa loucura adiante.” – não percebeu, mas falava acariciando a própria barriga com ternura e um sorriso abobalhado no rosto.

Quando chegou na clareira próxima do penhasco onde ficava a famosa Pedra do Sol se deu conta de que era a sua primeira vez ali naquele lugar. Uma energia tão positiva, tão avassaladora tomou conta dele, era como se ele estivesse destinado a chegar naquele lugar e naquela hora.

O chão estava coberto com uma neve muito fina, fofa e imaculadamente branca. Os primeiros raios do sol já despontavam pelo cume das montanhas da reserva o que daria uma foto mágica. Porém, apesar de todo o ambiente estar coberto de neve, até os galhos mais finos das árvores, havia um único local que não tinha sequer um único cristal de neve: a própria e mítica Pedra do Sol.

Se aproximou dela e notou pictogramas e escritas rudimentares nas laterais, traçava os desenhos e caracteres com os dedos, tirou até algumas fotos com seu celular.

Uma imagem se repetia muito, uma espécie de cachorro ou lobo. Parecia estar sendo reverenciado e alguma pessoa entalhou abaixo de uma dessas imagem um nome.

- Kitchesmanetoa. – falou em voz alta.

Novamente um sentimento de conforto e amor invadiu sua alma ao pronunciar o nome. Redundante dizer que instantaneamente levou as mãos ao pequeno ser que crescia dentro dele.

Apoiou-se na superfície da pedra para se levantar.

“Como essa pedra pode estar confortavelmente morna nesse frio?!” – ao sentar-se de pernas cruzadas admirando o outro lado do penhasco foi que pode notar que suas calças estavam gélidas e foram sendo aquecidas pela temperatura da pedra até ficar confortável.

“Assim não vou mais sair daqui.” – brincou.

Passou a imaginar como seria trazer seu filho ou filha ali para um piquenique, brincando com ele e Maximus, seu amigo Kaito levando o não tão mais pequeno Mini-K, ou talvez a sobrinha de Mack, além de Kurama Youko, seu cachorro.

Essa visão o encheu de esperança até ficar turva novamente de preocupação e medo. Não tinha ideia de como seria para o nascimento da crianças. Aliás ninguém tinha noção direito de como seria, talvez os médicos, mas não ele. E se tudo isso fosse algo que traria riscos à sua vida... à vida do bebê.

Queria optar pela vida do bebê, mas pensou na promessa que fez ao marido. Se sentiu egoísta por pensar que poderia ter que escolher e na hora H mudasse de ideia.

“Será que Maxie seria capaz de olhar para você com o mesmo amor que eu já sinto, mesmo sendo difícil para ele não te ver como o responsável por me perder?”

Começou a hiperventilar novamente. Respirou fundo, deu um gole no chá e olhando para o céu falou:

- Kitchesmanetoa deve ter sido uma espécie de líder ou xamã... ou até mesmo um Deus aparentemente. Se for isso, espero que me ajude a enfrentar esse desafio maluco que aceitei... como se eu tivesse alguma escolha.

Do outro lado da clareira, por trás dos arbustos de folhas secas e congeladas saiu um coiote, e o barulho que fez chamou a atenção de Henry.

Um coiote. Sua pelagem era quase tão branca quanto a neve se não estivesse sujo por conta das folhagens, porém tinham dois detalhes que se destacavam: suas orelhas e seu atipicamente peludo rabo eram ruivos, vermelhos.

Em uma situação normal ele ficaria congelado de medo. Mas algo naquele animal o acalmava: o olhar, a atitude, a própria presença dele era reconfortante. Estendeu a mão, chamando o coiote para ir até ele.

Diferentemente de qualquer outro animal selvagem, este andou de forma imponente, majestosa até Henrique. Cheirou sua mão e, como um cachorrinho domesticado, passou sua cabeça como se estivesse pedindo carinho de Henry.

“Você é uma gracinha.” – imediatamente o coiote pulou na pedra e se aninhou ao lado dele. Enroscou-se colocando a cabeça em cima da perna dele.

Ficou acariciando o animal por um tempo, dando goles em seu chá para aquecer um pouco e abriu o pacote de castanhas, chamando a atenção do coiote.

- Você quer um pouco? – colocou um pouco em sua mão e ofereceu à ele. Comeu um pouco e virou suas atenções para um barulho vindo da trilha e saiu correndo de volta de onde veio. – Ei!

Viu Maximus chegando com outro copo gigante. Trazia um cobertor com ele.

- Por que não me chamou? Teria vindo com você. – se beijaram docemente.

- Me pareceu que teve uma noite agitada. Não quis te despertar. E...

- Precisava de um tempo para pensar, não é?

- Também.

- Sei como é. – olhou para o montinho de castanhas ao lado de Henrique. – Estava alimentando algum pássaro?

Henry olhou para o montinho, ia responder, mas percebeu de imediato uma coisa: o coiote não havia deixado rastro algum na neve fofa.

“Como?!”

- Gabe?!

- O-oi... não... sabe como eu sou desastrado, né? Não tenho coordenação suficiente para abrir esses sacos se não for com tesoura.

- Se tivesse esperado por mim...

- Como eu iria saber que você viria aqui, sabichão? Pra mim você ainda estava dormindo.

- Verdade. Que vista linda daqui.

- Não é? – admirou o marido por alguns instantes. – Maxie? Como você está se sentindo com isso tudo? Seu semblante era tenso agora de manhã na cama.

- Meu amor, não vou negar que estou uma pilha de nervos com isso tudo. Preocupado ao extremo com você, principalmente. Eu não saberia viver sem você na minha vida, Gabe. – a voz dele falhou um pouco.

- Maxie. Você não vai ficar sem mim, nunca. Eu... eu confesso que apesar de ter feito a promessa de optar pela minha vida e não do bebê eu...

- Você está em dúvida.

- É mais que isso. É conflito. Quero ser racional, mas se existe algo que não consigo ser agora é exatamente isso. A voz da razão que sempre está presente na minha cabeça deve ter tirado férias, porque a única coisa que me vem à cabeça é a segurança e o amor que sinto por esse serzinho que está aqui dentro. Não quero ficar me sentindo pressionado para tomar uma escolha que nem sabemos ainda se teremos que fazer.

Maximus abraçou Henrique e o envolveu com o cobertor.

- Não queria colocar essa pressão em você, meu amor. Juro. Colocando as coisas dessa forma sinto como se estivesse sendo egoísta por preferir você vivo e não... e não...

- O bebê. – Mack balançou a cabeça afirmativamente. – Desculpa, Maxie, mas acho que só vou conseguir tomar qualquer decisão nesse sentido se essa situação se apresentar, mesmo tendo feito uma promessa à você, aos meus pais e ao Dr. Bells. Mas tenta se por no meu lugar...

- Isso não é possível, Henrique. – Maximus olhou no fundo dos olhos dele. – Como eu poderia me colocar no seu lugar?! Jamais imaginei que algo desse tipo aconteceria com alguém, muito menos com a gente.

O grávido olhou para o céu novamente. Ele sabia que Mack não estava falando nada demais, mesmo assim aquilo não bateu muito bem dentro dele.

- Desculpa,... me desculpa, Gabe. Não quero que essa situação te decepcione comigo... Desculpa por estar sendo egoísta e já estar pensando em uma situação hipotética.

- Deixa pra lá, Maxie. Eu entendo o que está se passando na sua cabeça, queria ser capaz de fazer você entender o que se passa na minha nesse momento, talvez você entendesse um pouquinho do meu dilema... Eu já amo esse bebê tanto que nem sei como isso é possível.

- Mas do que à mim?

- Como assim?! Não é o mesmo tipo de amor, Maxie. Eu sinto como se ser pai fosse tudo que eu sempre quis ser na vida. Você é meu marido, meu companheiro, meu cúmplice, meu amigo, meu parceiro... Não tente se comparar ao nosso bebê, não existe comparação.

Permaneceram em silêncio por mais uns instantes.

- Maxie.

- Oi?!

- Consegue pelo menos me permitir pensar nisso caso o médico confirme que é um risco grave à esse ponto? Por favor.

Maximus sentiu no olhar do marido o conflito, a angústia de ter que pensar nesse assunto e nesse instante conseguiu se colocar um pouco no lugar dele e percebeu que o que estava fazendo poderia ser extremamente prejudicial não apenas para a situação em si, mas para o relacionamento deles.

- Gabe, eu não posso te perder, isso é fato. Mas eu acho que te entendo. – respirou fundo e beijou as bochechas geladas de Henrique. – Tudo bem. Me desculpe por colocar tanta pressão em cima de você por uma definição disso. Eu te amo, e mesmo que sua decisão não me agrade no futuro, vou respeitar.

- É tudo que estou pedindo. – sorriu.

O dia no shopping era tudo que Helena e Henrique precisavam. E tinham a desculpa perfeita: o grávido da família precisava comprar calçados novos e calças mais largas. Estava se sentindo inchado, e seus tênis, coleção de pantufas, sandálias e sapatos estavam todos extremamente apertados no seu pé.

- A gente precisa mesmo se tornar pé-grande mesmo? Isso é irritante! Daqui a pouco vou ter que andar descalço, não fabricam tênis tamanho 60.

- Você pode ir à um sapateiro e pedir por encomenda. – Helena falou entre risos.

- Muito engraçadinha. – Henry retrucou imediatamente e sério. – Não tem nada pior que olhar para seus amados tênis e pantufas e simplesmente não entrarem no seu pé. Pelo menos eu não calço nenhum número absurdamente grande.

- Mas vai agora.

- Mãe?! Você tirou o dia para me colocar pra baixo, é?

- Relaxa, meu querido. Depois que essa criança sair daí, você vai voltar ao normal. E te conhecendo como eu te conheço, vai voltar pra academia assim que o médico te liberar.

- Não tenha dúvida disso! – Henrique procurou desesperadamente uma loja esportiva para comprar um tênis com amortecimento e o mais confortável possível.

- Olá! Eu sou Pamela, em que posso ajudá-los? – a vendedora chegou perto de Henry com um sorriso iluminado.

- Bom dia, meu anjo... eu preciso DESESPERADAMENTE de um tênis com amortecimento e o mais confortável possível.

- Tem algum específico que queira?

- Não, só quero que seja muito, muito, MUITO confortável mesmo. Se der pra sentir que estou pisando em uma nuvem, é assim que eu quero. – forçou um sorriso, mas as dores nas pernas e nos pés já estavam matando qualquer resquício de bom humor dentro dele.

- Volto já, qual seu número?

- Originalmente eu calço 40, mas... como meus pés estão se transformando em bolas, melhor trazer um 41 e um 42 pra garantir. – A vendedora riu.

- Tudo bem. Volto já, já com algumas opções. E para a senhora?

- Tem uns modelos bem interessantes aqui. Gostei daquele vermelhinho, pode ver um pra mim. Tamanho 36.

Pamela demorou cerca de quinze minutos e veio com a ajuda de outro vendedor com várias caixas, inclusive o vermelho que a mãe de Henrique queria experimentar.

- Vamos começar por esse aqui. – Ela tirou da caixa um tênis com aparência muito confortável, parecia ter um colchão no lugar da sola. – Esse modelo é o acqua. Aqui na loja ele está apenas inflado com ar, mas você pode trocar por água, ele fica um pouco mais pesado, mas dá uma sensação ótima no andar.

Tentaram colocar o tamanho original do Henrique, mas ficou tão apertado que desistiram de colocar o par. Passaram para o número seguinte e em seguida o outro. Acabou optando por um número ainda maior. Só então Henry achou que ficou confortável o suficiente.

- Que delícia. Agora sim. Quero dois pares desse, por favor. Um de cada cor. – Um deles era preto com verde-limão e laranja fluorescente, e o outro era branco com roxo elétrico e a segunda cor só apareceria ou no escuro ou com luz-negra. – quando meu corpo voltar ao normal eu vou querer no meu número.

Dois modelos de calçados e doze pares de meia depois, estavam saindo da loja com algumas sacolas e Henrique já usava o tênis acqua com o solado cheio d’água.

- Meu santo Deus... se eu soubesse que esse tênis era tão bom assim já teria comprado ele antes... isso é sensacional. – o humor já estava dando sinais de melhora, mesmo tendo que comprar um tênis três números maior que seu pé. – Só estou me sentindo usando um pé-de-pato, mas isso pouco importa agora.

Maximus e Gustavo riam dos comentários de Henry.

- Agora preciso comprar pelo menos duas pantufas para andar em casa.

- Já sei onde vamos. – Maximus os levou até a loja da marca preferida de Henrique.

Durante todo o trajeto até a loja, Henrique reclamava que o tênis era grande demais e tropeçava com uma frequência maior que o de costume, além do tamanho, o peso do calçado começou a incomodar.

- Se eu tropeçar mais uma vez, juro que atiro esse tênis do outro lado do shopping e fico descalço aqui. – reclamou.

- Gabe, senta aqui. – o marido e seus pais se sentaram em um banco próximo. Maximus se ajoelhou, tirou o tênis dos pés de Henry. – Helena, me dá o outro par que está só com ar mesmo.

Ele o calçou, trocou os cadarços tradicionais pelos cadarços elásticos que compraram na loja. Despejou a água do tênis que foi retirado no vaso de plantas próximo, sem que ninguém visse. Helena morreu de vergonha com isso, e os outros três riram das reações dela.

- Prontinho. Vamos ver se pelo menos melhora um pouco. – Henry caminhou em volta do banco e sorriu. – Viu?! E você nem percebeu, mas olha ali.

Apontou para a loja às costas do marido.

- O que eu faria sem você, meu Maxie. – deram um selinho e Henrique entrou na loja, já solicitando dois pares das suas pantufas prediletas no mesmo tamanho dos tênis. – posso já andar de pantufa pelo shopping?

- Eu não vejo problema algum. – falou Maximus, mas ambos sabiam que Helena ia dar um chilique se ele fizesse isso e só aguardaram sua reação.

“Três... dois... um...” – pensaram ambos juntos contando também com os dedos dentro dos bolsos.

- DE JEITO NENHUM. – quase gritou a mãe dele, dito e feito.

- Calma, mãe... não vou fazer isso com você. Se eu tivesse só com Maxie, provavelmente faria, mas eu jamais faria a senhora passar por essa vergonha. – brincou Henrique.

- Como você aguenta isso? – virou-se para o genro perguntando.

- É o que eu mais amo no seu filho, Helena. Ele é autêntico e tá pouco se lixando para o que os outros vão pensar. Aprendi muito com ele, na verdade, aprendo muito com ele até hoje. – olhou apaixonadamente para o marido.

- Obrigado, meu Maxie. Te amo.

- Também.

- Vamos parar com essa melação. Ainda temos coisas para comprar. Próxima parada?

- Mamãe, você no shopping é um perigo.

- Olha só quem fala. – Gustavo e Maximus levaram as mãos ao rosto. Henrique só riu.

- Tá bom... preciso de calças de moletom, bermudas de moletom. Tudo mais confortável e elástico e nada apertado possível.

- Excelente ideia. Pelo menos vai poder aproveitar as roupas até o final. – primeira coisa que seu pai falou desde quando entraram no antro de consumo.

A tarde de compras teria sido bem mais modesta se não fosse pela fúria consumista de Helena toda vez que ia ao shopping com o filho, como se ela precisasse justificar a animação de gastar às turras.

Em situações normais, Henrique conseguiria ficar no shopping até a hora de fechar, e forçou o máximo que pôde, mesmo tendo que parar para descansar de dez em dez minutos.

- Acho melhor voltarmos pra casa. – Henry sussurrou para Mack desanimado. – sinto meus pés e pernas inchando, e estou sonhando com a minha cama já.

- As quatro e meia da tarde?! – zombou Maximus. – Eu sei meu amor, estava só brincando. Helena, Gustavo. Fiquem com o carro, vou chamar um carro para irmos pra casa, ele já está muito cansado.

- Tudo bem, vamos aproveitar para jantar em algum lugar, não é, Gu?

- Se você diz. – sorriu para a esposa.

A primeira coisa que Henrique fez ao colocar os pés em casa, alguns minutos depois foi subir para o quarto na velocidade que seu cansaço permitia e com o auxílio do marido. E ambos entraram no chuveiro.

- Água quente... nas pernas... tudo que eu precisava! Como é bom. Descobri mais um ponto positivo nessa gravidez.

- Ah é?

- Estou dando mais valor a coisas que antes passavam despercebido. Se eu soubesse que essa água quente seria tão deliciosamente relaxante, teria enchido a banheira ao invés da ducha.

- E não teria minha companhia.

- Bem... isso é verdade. Temos que fazer uma obra urgente nessa casa. Colocar uma banheira que caiba nós dois.

- É uma ótima ideia.

Henrique e Maximus começaram a se acariciar e se beijar debaixo d’água até que o grávido o abraçou, apoiando a cabeça em seu ombro e relaxando o corpo, forçando Mack a segurá-lo melhor.

- Posso dormir aqui, assim desse jeito... está tão bom? – Maximus riu.

- Também estou adorando, mas não seria mais fácil você apoiar sua cabeça no meu peito, na cama, debaixo do edredom? – rapidamente Henrique saiu, enxugou-se de maneira precária e se enfiou nas cobertas.

- Você está demorando!

- Já estou indo.

Maximus terminou seu banho alguns minutos depois, se enxugou com calma como era de praxe e quando saiu do banheiro e olhou para a cama, Henrique parecia um anjo dormindo na posição que ele mais gostava.

Sentou-se ao seu lado. Afastou os cabelos do rosto de Henry e sorriu olhando o marido.

A penumbra do quarto dava um ar sonhador no ambiente.

“E pensar que essa paz toda vai acabar quando essa criaturinha sair da sua barriga.” – pensou acariciando a barriga de Henrique suavemente e por cima do edredom. Começava a imaginar como a vida ficaria em um cenário onde tudo estaria bem. Seu filho ou filha acordando no meio da madrugada com medo dos trovões, ou do bicho-papão; indo para a escola; brincando com Kurama no quintal e dormindo no sofá depois de assistir pela enésima vez um desenho animado com Pan ao lado.

Essas imagens fizeram seu coração se aquecer e esquecer um pouco da preocupação maior que era não ter certeza de como tudo isso poderia ser possível e de como resolveriam as coisas em um cenário oposto.

“Não agora... me deixa apenas imaginar como poderá ser bom...” – realizou uma autocensura, se posicionou de forma que Henrique instintivamente se aninhou em seu colo, com uma de suas pernas por cima das de Maximus.

Só então se deu conta do quanto estava cansado, talvez não tanto quanto Henry, mas o peso do corpo sobre a cama denunciou como estava precisando daquilo: ambos, deitados na cama, do jeito que vieram ao mundo.

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