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CAPÍTULO 8

Author: Alex Mello
last update publish date: 2021-10-23 11:04:03

Helena e Gustavo ficaram ainda por mais uma semana e meia. Mesmo assim foi tempo suficiente para que ela produzisse três scrapbooks para que Henrique e Maximus colocassem tudo quanto era tipo de informação e as coisas relacionadas com a gravidez: fotos, recortes, anotações, cópias de exames, imagens das ultrassonografias, enfim, o objetivo era não deixar passar nada.

Saber o que estava acontecendo amenizou os efeitos, e alguns até sumiram. Exceto enjoos que passaram a se situar no período da manhã, em especial com o café, o que antes era necessário para iniciar o dia, Henry não podia sentir o cheiro que já corria para o lavabo vomitar.

As malas já estavam prontas e no carro.

- Tem certeza de que vão ficar bem? – perguntou Gustavo.

- Vamos sim, papai. Obrigado por ter bagunçado sua agenda pra ficar um pouco mais com a gente. Se não fosse por isso talvez a gente não tivesse estrutura para passar por essa descoberta.

- Cuidem-se bem. Pega leve nos exercícios, Henry, se possível prefira leves, como caminhadas e atividades de baixo impacto como yoga, pilates, natação ou hidroginástica. Tome as vitaminas que te passei, todas! E me liga se precisar de qualquer coisa.

- Com certeza.

- Mais pro final da gestação voltaremos, mas se precisar de nós antes já sabe.

- É só falar. – completou Henrique revirando os olhos.

- Fale por você! Só vou resolver algumas coisas em casa e já volto para ficar com meu filho.

- Mamãe... eu preciso ficar um pouco com meu marido também, né? Eu sei que você já quer corujar seu neto ou neta, mas segura um pouco essa animação toda, ok?

- Estou disposta a dar um espaço de três meses no máximo. – Henrique olhou para Maximus.

- Tudo bem, podemos conviver com isso.

- Não estava negociando, senhor. Estou falando o que vou fazer, e não adianta...

- Mamãe... mamãe... já sabemos. Tudo bem. – olhou na agenda do celular e marcou a data. – meados de maio você está de volta.

- E como está se sentindo hoje?

- Bem... sem o cheiro de café o dia começa bem, espero continuar bem.

- Vamos logo senão vamos perder o voo. – reclamou o pai de Henrique.

Helena obrigou o filho a ir atrás com ele, deixando o pai fazendo companhia a Mack. A mãezona já começava a passar centenas de dicas para a gravidez e seu pai ia complementando com as informações médicas.

- Pra quando está marcada a próxima consulta mesmo?

- Já na próxima segunda, pai.

- Não esqueça de pedir a lista de exames que te passei. Para AMBOS! – Gustavo olhou para Maximus. – Exatamente, Mack. Você também.

- Ainda bem que não são fumantes, mas evitem estar próximas a fumantes e, por favor, nada de álcool, filho. – falou a mãe.

- Vai continuar com o Dr. Bells?

- E com a Dra. Edwards também. – Já sabendo onde a conversa ia dar, Henrique completou. – Assim que eu tiver os dados deles, passo para você e peço para que eles te deem todas as informações que pedir tanto minhas quanto do bebê.

- Ótimo, era isso mesmo que eu ia pedir.

- Te conheço, Dr. Gustavo. – brincou o filho.

- Essa primeira consulta é importante, Henrique. Vocês por acaso sabem o fator RH e seu tipo sanguíneo, Mack?

- B negativo, Doutor.

- Henrique é O negativo, então provavelmente não terá problema para o bebê. Mas façam o teste mesmo assim. – os dois riam das recomendações, sabiam que teriam que seguir à risca tudo que ele dissesse, pois iria entrar em contato com o obstetra depois para saber da fonte.

- Certo. – Henrique chegou próximo do pai. – E você, meu pai, como está se sentindo com isso tudo? Deixa a razão de lado, se for possível.

- Sua mãe me contamina. – riu. – Estou tão animado quanto a sua mãe, e tão preocupado ou mais que seu marido.

- Eu votaria que você está mais preocupado que Maxie.

- Isso é um terreno nebuloso. Obviamente não existe nenhum estudo científico objetivo para o nosso caso, porém existem estudos teóricos e simulados... em situações normais é possível qualquer homem gerar uma vida por meio de fertilização in vitro e implantação do ovo em alguma cavidade abdominal, mas seria absolutamente arriscado tanto para você quanto para o bebê. Mas não é o caso, você desenvolveu um órgão parecido com um útero e não houve fertilização externa.

- Acha que eu deveria fazer algum tipo de biópsia para saber se esse órgão é algo que pode me fazer algum mal?

- Eu tenho praticamente certeza de que Dr. Bells vai indicar isso. E eu recomendo que o faça, por vocês dois.

- Pode deixar. Eu mesmo já tinha pensado em aceitar a recomendação caso acontecesse.

Gustavo virou-se para trás e olhou para a esposa. Sorriu para ela, foi retribuído.

- Agora, vai ser engraçado ouvir as suas histórias da gravidez, como a do desejo da sua mãe, em plena madrugada de domingo querendo comer posta de salmão com leite condensado e pipoca de micro-ondas.

- Não esquece que queria beber Milk Shake de morango com cerveja.

- Pelo amor de Deus. – Henrique fez cara de nojo.

- Acha isso nojento? Minha mãe me contou que quando estava grávida de mim, não dos meus irmãos, só de mim, ela teve desejos de comidas exóticas, digamos. Ela tinha assistido um documentário sobre a China e felizmente para minha sanidade mental e integridade física, ela jamais conseguiria comer isso aqui: espetinho de lacraia com pão de hamburguer embebido no ginger ale, pimenta caiena e pó de tijolo.

- Mentira?!

- Meu pai confirmou. Então... é... sorte minha que ela teve que se contentar com um Big Mac mergulhado no ginger ale, apimentado. Mas ela obrigou meu pai a esfarelar um tijolo para colocar no sanduíche.

- Nossa... me deu até vontade de vomitar depois dessa. – Maximus já estava encostando o carro quando Henry completou. – Só maneira de falar, meu amor, pode continuar a viagem.

- Eu colocava seu pai em situações bem interessantes com isso. Feijoada com esponja, pipoca com mel e detergente, sorvete com calda de sabonete derretido.

- Sério, mãe... para antes que a brincadeira se torne realidade e eu use a sua bolsa como saco de regurgitar.

- Mack, sua missão é me ligar toda vez que Henrique vier com um pedido estranho desses. – Maximus riu.

- Pode deixar. Vou fazer questão de anotar nos scrapbooks também.

- Excelente!

- Já estou começando a me arrepender de ter pedido para ficarem mais tempo.

- Até parece.

Chegaram no aeroporto com alguma folga no horário e uma das primeiras coisas que pensaram foi passar o tempo na cafeteria, de longe o cheiro já embrulhou o estômago de Henrique.

- Que saudade de sentir cheiro de café e pedir um mocaccino duplo sem colocar tudo pra fora. – choramingou.

- Vai passar.

- EU QUERO! – imitou uma criança fazendo pirraça.

- Eu sei, meu Gabe... mas o banheiro mais próximo não fica nem um pouco perto que dê tempo de chegar lá.

- Bem observado. Vou dar uma volta pelas lojas enquanto vocês tomam seus deliciosos cafés.

- Quer companhia?

- Não. Vou aproveitar para comprar umas besteirinhas nessas lojas com preços proibitivos pra compensar. – Maximus riu e deu a ele o próprio cartão de crédito.

- Por minha conta hoje.

- Tem certeza? Eu posso acabar me empolgando um pouco.

- Você merece... papai. – os olhos de Henrique se iluminaram com a declaração.

- Obrigado, sei que você ainda não está muito bem com essa situação bizarra, estranha, maluca. Sei que está se esforçando para me dar o suporte, mas não precisa ser o fodão o tempo todo. Sabe que pode falar comigo, não sabe? Mesmo que a gente não esteja na mesma sintonia.

- Meu amor, eu só estou bastante surpreso e com muito medo, você já sabe disso. E não acredito que você não esteja.

- É claro que estou com medo, surpreso e assustado também. Mas mesmo com isso tudo, não sei explicar, é como se esse bebê simplesmente se tornasse meu centro gravitacional, assim como você. Por um motivo completamente estranho, as coisas ruins não estão me impedindo de estar extremamente otimista e feliz.

Maximus apenas sorriu sem jeito.

O aeroporto O’Hare estava movimentado como sempre, porém as lojas nem tanto. Aproveitou para olhar as coisas com calma e sem qualquer tipo de pressão. Admirava tudo quanto era tipo de coisas para bebês: de brinquedos e roupas à babás eletrônicas e balanços automáticos para ninar os pequenos.

Evitava ao máximo olhar os preços.

Encantou-se com um monte de pelúcias de todos os tamanhos, em especial os ursos gigantes de todas as cores possíveis, principalmente os pandas, seus favoritos.

- Já escolheu? – tomou um susto quando sua mãe chegou perto.

- Como sabia que estaria aqui?

- Não é muito difícil imaginar que estaria em lojas com itens para crianças, não é?

- Verdade. – abraçou a mãe. – Estou só olhando e viajando mentalmente em como vai ser.

- Quer uma dica?

- Sempre.

- Aproveite cada momento. Passa tão rápido que quando você perceber, seu filho vai estar casado, trabalhando e praticamente na mesma situação que você hoje, aguardando a chegada do seu neto.

- Como foi quando descobriram que estava grávida?

- Você foi uma grata surpresa, querido. Não estávamos tentando, simplesmente aconteceu. Jogamos com a sorte. Era o pacto que tínhamos feito quando nos conhecemos eu e seu pai. Quando finalmente tivemos a conversa sobre filhos antes do casamento, ambos declaramos que queríamos ter filhos e que não forçaríamos nada, simplesmente deixaria acontecer. Nada de controlar períodos férteis ou esperar uma situação financeira melhor ou um estado de espírito melhor. – Ela acariciou um dos pandas gigantes da loja enquanto contava. – E aconteceu quando menos esperávamos, mas no melhor momento possível.

- Sabe que tenho a mesma sensação? Esse milagre, se é que podemos chamar de milagre, veio no momento certo. Estamos bem e estáveis emocionalmente e financeiramente.

- Mas veio e desestabilizou um pouco, já percebeu como Mack está tenso?

- Já. – Henry ficou triste. – Se ao menos ele tivesse a noção de como estou feliz, talvez não ficasse tão preocupado.

- Não se preocupe com isso. Salvo as devidas proporções, seu pai também ficou um pouco desestabilizado quando soubemos que você já estava no forninho.

Henrique sentiu um leve desconforto na região lombar subitamente. O que o fez apoiar-se na mãe.

- O que houve?

- Acho que preciso me sentar um pouco. – Caminharam para o lado de fora da loja e sentaram-se em um dos bancos próximos.

- Dor na lombar?

- Exatamente, como você...? Deixa pra lá... mais um sintoma.

Helena riu alto, chamando a atenção das pessoas que passavam perto.

- Sabe? Acho que isso é uma vingança poética. Somos nós que carregamos esse peso durante nove meses na nossa barriga, passamos por todas essas mudanças no corpo, oscilações de humor, apetites estranhos, dores, cólicas... enquanto vocês que tem só chilique de insegurança: “Será que vou ser um bom pai?”, “Será que vou ter dinheiro suficiente para sustentar minha família?”, “Blá, blá, blá, eu sou o homem da casa!”, “Blá, blá, blá, o peso do mundo está nas minhas costas!” – falou engrossando a voz.

- Muito engraçado, Dona Helena.

- Pode não ser para você, mas para mim está sendo um deleite. E se outras mulheres soubessem, estariam pensando o mesmo que eu.

- Não tenho dúvidas disso.

Henrique levou uma das mãos à lombar e começou a massagear.

- Isso tem um fim? – reclamou da dor.

- Tem. Claro que tem. Quando...

- O bebê nascer. – Henrique completou e os dois riram juntos. – Que Deus me ajude a passar por isso.

Alguns minutos depois fizeram o caminho de volta para a cafeteria. O grávido não percebeu, mas o cheiro de café já não estar mais o incomodando. Aliás, nenhum deles notou.

- Vamos liberar os papais-pombinhos, Dr. Gustavo? Já está quase na hora de qualquer forma.

Se dirigiram para o terminal de embarque.

- Tomem cuidado na volta para casa. Assim que desembarcarmos no Rio, mandamos mensagem.

- Por favor. – Henrique abraçou o pai apertado. – Mais uma vez obrigado, pai. Sei o sacrifício que foi pedir para refazerem toda a sua agenda.

- Não foi sacrifício nenhum, meu filho. Por você nunca vai ser um sacrifício, ainda mais agora. – passou a mão na barriga de Henrique. – Tome conta do meu neto.

- E se for neta?

- Não importa, engraçadinho. Se cuidem.

A volta para casa teria sido silenciosa se não tivessem colocado uma lista de músicas para tocar que fizeram questão de cantar junto. Isso ajudou Maximus a manter a cabeça longe do assunto recorrente dos últimos dias.

Ao parar na porta da garagem de casa, Henrique notou duas caixas grandes na varandinha da entrada.

- Você encomendou alguma coisa? – perguntou a Mack quando saiu do carro.

- Não, por quê?

- Tem duas caixas enormes na nossa entrada. – se aproximaram. Henrique viu o nome do pai de Maximus na nota fiscal anexada à caixa maior. – Seus pais mandaram.

- Meu Deus, o que eles aprontaram dessa vez?

Maximus pegou uma das caixas e deixou as duas menores para Henrique, que ao tentar levantar sentiu uma fisgada na lombar.

- Maxie... acho que vou ter que deixar para você. – era realmente um pouco mais pesadas que a maior, se carregadas juntas.

Colocaram as caixas na sala. Ao abrir a primeira deles, haviam diversos itens de criança que Mack reconheceu de imediato.

- Meus antigos brinquedos, roupinhas enfeitas de quando era criança. – segurou um dos carrinhos que tinha ganho quando tinha sete anos de idade.

A segunda caixa era basicamente de roupas de cama e banho, também da época em que ele e seus irmãos eram pequenos. Nessa tinha um bilhete.

“Façam bom uso!

Desculpem pela nossa primeira reação. Foi tudo muito repentino e, obviamente, surreal demais, mas queremos dizer que estamos animados por sermos avós novamente.

Amamos vocês e esperamos que gostem da surpresa.

Com amor,

Justie e Will.”

- Seus pais sempre foram uns fofos.

- Não diga isso perto deles, ainda por cima agora. Lembra como eles ficaram quando Sophie nasceu? Imagina agora. – Henrique se lembrou instantaneamente do dia do nascimento da sobrinha quando os sogros não deixavam ninguém se aproximar da criança sem passar pelo pré-exame deles. Não podiam estar cheirando a nada forte, principalmente cigarros e afins, não podiam estar sem uma camisola de hospital imaculadamente limpa por cima, luvas. E se tivesse suspeita de alguma doença ainda tinham que suar luvas, máscaras e óculos de segurança para chegar perto da neném.

A terceira, e maior das caixas, foi aberta.

- Eles leram meus pensamentos?! – brincou Henrique.

Vários ursos de pelúcia, de várias cores e tamanhos, sendo o gigante, que ocupava mais da metade da caixa, um panda de mais de um metro e meio de altura sentado.

- Por que será que tenho a ligeira impressão de que os avós já foram completamente dominados por essa criança? – Mack zombou.

- Acho até que demorou. – Sentiu novamente uma pontada na lombar. – Só acho que não vou sentir falta alguma de sentir essas dores. A lombar tá me matando.

- Vou fazer uma bolsa de água quente. Deita no sofá.

- Faz duas.

- Cólicas? – Apenas assentiu e se deitou no sofá da forma que se sentiu menos incomodado. Passou a mão por cima da barriga e pensou. – “Já vi que vai me dar trabalho pelos próximos meses, hein?”

Acordou no meio da madrugada, sem sentir praticamente nada exceto uma fome assombrosa. Foi até a cozinha, abriu a geladeira e pegou algumas coisas para fazer um sanduíche: três hamburgueres caseiros, o queijo ementhal fatiado que tanto gostava, tomate, maionese temperada, ketchup, bacon fatiado, mas ainda faltava algo.

Subiu as escadas sem fazer barulho, se demorou um pouco no banheiro, mas o que procurava não tinha em casa, olhou a despensa da casa, até no porão ele foi investigar se tinha o que procurava.

“Não é possível... a gente sempre compra isso.” – reclamou mentalmente. Maximus se levantou trôpego e foi até a cozinha, hipnotizado pelo cheiro delicioso que vinha de lá.

- Tem ideia de que horas são, Gabe?

- Três e vinte e cinco da manhã... vinte e seis para ser mais exato. – olhou o relógio do painel inteligente da geladeira. – Acordei faminto, mas vou até o mercado 24 horas para comprar uma coisinha que está faltando.

- Como assim?!

- A gente sempre compra papel higiênico perfumado, certo?

- Normalmente sim, mas não é uma regra. – esfregou os olhos e pegou o celular já se preparando para registrar o momento. – não vai me dizer que...

- Nem pense em contar isso pra sua sogra.

- Não posso desobedecer a uma ordem dela, Gabe... sinto muito. – começou a digitar no aplicativo de mensagens para a sogra cada um dos ingredientes do sanduíche que ainda tinha: pasta de dente e sorvete de menta. – E o que pretende fazer com o papel higiênico? Aliás, tem no banheiro, porque não pega de lá?

- Enrolar no hamburguer e fritar. – falou triunfante. – E sobre sua observação, sabia que a quantidade de bactérias que sobem do vazo sanitário quando damos descarga? Não! Tem que ser rolo novo, recém saído do pacote.

- Nossa... vai ficar uma delícia. – Maximus sentiu o estômago embrulhar. – Então vamos recapitular, você vai preparar um sanduíche de hamburguer enrolado no papel higiênico perfumado, só por curiosidade, qual fragrância?

- Lavanda, óbvio.

- Na verdade eu estava te zoando com o cheiro do papel, não pensei que fosse levar a sério, enfim, Lavanda... okay. Vai derreter o queijo antes ou depois.

- Sem derreter, vou colocar por cima do hamburguer quente, tomate, ketchup, maionese. – desligou o fogo antes de prosseguir com o restante, tinha acabado de tostar o bacon, deixando-o perfeitamente seco e crocante. – e por cima do pão um pouquinho de pasta de dente.

- E o sorvete de menta?! Vai usar onde?

- Não sei ainda, só sei que fiquei com vontade.

- Tuuuudo bem. E o pão... qual pão?! – Maximus esfregava os olhos ainda acordando, mas já processando os pedidos do marido.

- Se puder trazer também, pão australiano seria melhor, mas se não tiver, pode ser qualquer um com gergelim.

- Se no seu primeiro desejo maluco o pedido já é elaborado desse jeito, imagino como serão os outros, espero que nada absurdo. Quem devia ir ao mercado é você, mas agora estou entendendo que é melhor eu ir para não sair comprando tudo que ver pela frente...

- Já que acordou, é você vai ter que ir, porque vou preparar algo pra beber.

- E eu vou querer saber o que é? – fez uma cara exagerada esperando algo bizarro.

- Milk shake de baunilha com café.

- Menos mal. – mal fez uma cara de alívio quando veio o complemento.

- Com calda de morango e marshmallow.

- Acho melhor passar na farmácia também pra trazer um antiácido, né?

- Ótima ideia. – sorriu animado dando uma mordida em uma das mais de dez tiras de bacon que tinha preparado.

Mack revirou os olhos. Colocou o sobretudo por cima do pijama mesmo, pegou as chaves do carro e lá foi ele passar no mercado para atender aos desejos do grávido.

- Espero que ele sobreviva depois de comer isso tudo. – murmurou ao ligar o veículo. – pelo menos ele vai cagar tudo isso já embrulhado.

Gargalhou sozinho no carro tanto na ida quanto na volta pra casa. Ficou tentando imaginar a gororoba que Henrique estaria preparando e se realmente teria coragem de colocar essa “iguaria” pra dentro.

“Estou com pena dessa criança.” – pensou enquanto pegava um pacote do pão australiano predileto do marido. – “Se bem que... dizem que na verdade é o que a criança pede e não a mãe.”

- Gabe! – chamou pelo grávido ao fechar a porta de casa atrás dele.

- Na cozinha ainda. – ao chegar lá, já estava tudo separado aguardando os preciosos ingredientes. À medida que ia tirando as compras das sacolas, os olhos de Henrique brilhavam.

Maximus sentou-se em uma das banquetas do outro lado da bancada da ilha, com os cotovelos apoiados sobre a madeira e a cabeça apoiada sobre as mãos, ficou olhando o marido separar cada um dos itens.

- Acertou em tudo, meu amor. – foi até Mack e o beijou.

- Que bom. Estou curioso para ver o resultado final. – pegou o celular e começou a filmar Henrique preparando cada um dos ingredientes e montar o sanduíche.

Ele fritou o hamburguer, depois o envolveu delicadamente no papel higiênico, fazendo uma espécie de trouxinha, colocou duas fatias de queijo por cima, duas rodelas de tomate, maionese temperada, ketchup, muito bacon, achatou o pão com a mão e espalhou uma camada fina de pasta de dente por cima de tudo.

Maximus olhava com uma leve expressão de nojo no rosto, mas estava se divertindo com aquilo tudo.

Depois preparou o milkshake de baunilha com pó de café solúvel, decorou o copo com calda de morango, colocou uns cubos de marshmallow no fundo.

- Ainda não vi onde vai ficar o sorvete de menta... – brincou Mack.

- Sobremesa.

- Simples assim?! – achou estranho não ter nenhum preparo especial.

- Acho que sim. Tem alguma ideia?

- Eu?! Jamais interferiria nos desejos de um grávido. – brincou.

Henrique deu a primeira mordida no sanduíche e fez uma cara de prazer intenso, como se estivesse comendo a melhor comida de todo o mundo.

- Nossa, Maxie... isso está maravilhoso, quer experimentar?

- Você tá maluco?! Nem por um milhão de dólares. Pode comer tudo! Se quiser ainda preparo mais um.

- Não precisa, acho que vai ser suficiente. – Comeu em pé mesmo e com satisfação. – Se eu soubesse que isso era tão bom, teria feito isso antes.

- Perdoe o Henrique, Ó deuses da culinária. Ele não sabe o que diz.

- Esse milkshake também está ótimo, só ficou difícil de tomar por causa do marshmallow, devia ter pedido para trazer aquele tipo líquido.

- Verdade, se quiser posso ir buscar.

- Eu não faria você sair de novo, Maxie. Tem trabalho amanhã.

- Me fez sair uma vez, o que seria sair mais uma vez?

- Não precisa, meu amor. – Abriu o pote grande de sorvete de menta e foram para o sofá da sala.

Apesar do frio que fazia nessa época, Henrique não queria nem saber, estava mais interessado em continuar tomando seu sorvete até sentir-se satisfeito.

- Acho que vou ter que maneirar alguns dias, hein rapazinho? – acariciou a barriga.

- Rapazinho?!

- Ou “rapazinha”... – os dois riram. Fechou o pote de sorvete e se aninhou no colo de Maximus.

- Está satisfeito?

- Obrigado, meu Maxie. Estava tudo ótimo. – nem deu cinco minutos já estava dormindo, enquanto o marido ainda se controlava para não gargalhar de toda a situação.

“Isso vai ser divertido de assistir depois.” – olhou para o celular, fechou os olhos.

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