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CAPÍTULO 9

Author: Alex Mello
last update publish date: 2021-10-23 11:05:31

O que aconteceu na manhã seguinte foi exatamente o que Maximus havia previsto: Henrique estava com uma azia de derrubar qualquer um. E, graças a ter percebido o que poderia acontecer, tinha trazido antiácidos em quantidade.

“Como não amar mais ainda esse homem.” – agradecia repetida e mentalmente cada vez que sentia a acidez subir até a garganta e comia uma pastilha do remédio para aliviar.

Foi fazer sua caminhada matinal como o de costume, decidindo explorar mais as trilhas da reserva, seguindo as placas indicativas para um ponto pouco explorado, as grutas. Não se aventuraria por dentro delas por uma série de motivos, mas o principal era por estar sozinho.

O caminho em si não era muito diferente da que levava à Pedra do Sol ou à White Oak High, porém o visual das árvores era mais fechado naquela parte e dava um aspecto macabro para aqueles lados por conta da falta da folhagem. Fora o fato de que, cada placa contava uma peculiaridade do local onde se encontrava e do destino.

As grutas eram conhecidas por serem um local de conexão com o submundo dos índios Illinois que viviam naquela região, Yanauluha, o Deus da morte. Claro que era apenas um mito de uma religião nativa, mas a superstição típica do brasileiro o fez pensar mais algumas vezes se iria querer entrar com seu filho em um lugar que cultuava tal divindade.

Muito embora os Illinois não vissem Yanauluha como uma figura de comportamento vicioso, maléfico. Para eles a morte era apenas uma passagem para a vida espiritual e tinham um totem para guiá-los em sua nova jornada.

Sendo brasileiro não tinha como saber de tantas peculiaridades sobre o solo no qual se encontrava, e a curiosidade o instigava a conhecer mais e mais. Já ansiava pela próxima placa indicativa.

A entrada das cavernas era ampla, e fazia eco até com os passos.

Tirou a grossa camada de neve que repousava no banco próximo e sentou-se para descansar um pouco.

“Quando acabar essa temporada de neve e a vegetação se recuperar vou vir aqui com Maxie de novo. Deve ser lindo.” – a placa ao lado do banco dizia que seguindo qualquer uma das mais de dez trilhas dentro da gruta chegaria em uma lagoa de águas termais. – “Agora que definitivamente fiquei com vontade de ir.”

Levantou-se e foi observar os desenhos feitos pelos nativos, cerimônias estranhamente sem qualquer indicativo de haver sacrifícios e lá estavam dois deuses de mãos dadas soltando suas bênçãos sobre o povo. Eram figuras rudimentares, mas que contavam com riqueza de detalhes parte da história dos locais.

“Fascinante.”

A fome começou a bater e ele teria uma longa caminhada de volta para casa. Tinha esquecido de trazer algo para manter sua glicose em níveis aceitáveis.

- Bacana, Sr. Lopes-Fuller...

“Bacana, Sr. Lopes-Fuller, Bacana, Sr. Lopes-Fuller, Bacana, Sr. Lopes-Fuller,...” – o eco da caverna registrou várias vezes.

- Isso é covardia! Eu adoro brincar com eco! – e assim isso se repetiu várias vezes dentro da gruta.

Teve que se forçar a sair do lugar e ir para casa antes que pudesse desmaiar e causar algum mal a sua cria.

“Vamos pra casa, não é?”

Felizmente deu tempo de chegar em casa antes que pudesse sentir qualquer tontura ou enjoo. Comeu logo umas barras de cereal para segurar a onda e enquanto preparava o almoço.

Se largou no sofá e ligou a TV procurando por algo que pudesse assistir. Tentou permanecer acordado após a refeição, porém em vão. O cansaço o venceu de lavada.

Acordou com o barulho de folhas de papel sendo manuseadas e digitação em algum teclado. Maximus estava sentado no chão, com todo material de trabalho espalhado pela mesa de centro.

- Oi, meu amor... que horas são? – bocejou tão alto que poderia ser confundido com um urso.

- Já passa das 7 da noite.

- Nossa! Dormi isso tudo. – Henrique já dava sinais de estar com o humor alterado, principalmente após sentir o hálito em sua respiração. – Vou tomar um banho e escovar os dentes.

- Quer companhia? – Maxie se ofereceu insinuante.

- Eu estou nojento, melhor continuar o que está fazendo. – Faz um carinho na cabeça do marido e subiu para o quarto.

Ao voltar, com os cabelos molhados, pijama de flanela, enrolado no edredom. Se atirou no sofá e ligou a TV, colocando em um volume bem baixo para não atrapalhar Maximus.

- Teve que trazer trabalho pra casa, é?

- Acordei um pouco cedo demais hoje, né? – sorriu dando um beijo no joelho de Henrique por cima da coberta.

- Desculpe.

- Não precisa se desculpar. Foi ótimo ter presenciado seu primeiro desejo maluco de grávido. Espero que se repita mais vezes.

- Melhor não desejar algo do qual possa se arrepender no futuro. – brincou ainda com o semblante cansado. – Fui até a gruta da reserva.

- Sozinho, Gabe?! É perigoso.

- Eu sei, Maxie. Não entrei na gruta, apenas fui até a entrada. É lindo o lugar, temos que ir lá qualquer dia desses, acho que vai gostar.

- Você me parece mais cansado que o normal. Tá sentindo alguma coisa? Está tudo bem?

- Estou bem, só cansado mesmo. Acho que vou comer algo rápido e vou ficar dormindo aqui até você ir pra cama.

- Tem certeza?

- Queremos ficar pertinho do papai Maxie... além do mais, dormir aqui nesse sofá é tão confortável. Espero que ele dure para sempre.

- Quer que eu faça pra você? A sua comida.

- Acho que vou aceitar. Traz também um comprimido de cada suplemento.

- Vai querer o que?

Henrique pensou um pouco, acariciando a barriga.

- Não me diz que...

- Não, seu bobo. Só um leite morno e um sanduíche normal com ovos e salada de alface e tomate. Não estou com tanta fome. Traz água também. – sacudiu o copo gigante que estava na mesa de apoio lateral. – Acabou.

Deram um longo beijo e Maximus parou o que estava fazendo para preparar tudo, inclusive para ele.

- A caminhada então hoje demorou mais que o normal, não é? – falou da cozinha.

- Foi. Mas tinha um banco lá, pude descansar um pouco antes de voltar... só não posso mais fazer algo desse tipo sem levar alguma coisa pra comer no caminho. Tive medo de ficar hipoglicêmico no caminho e acabar desmaiando.

- Será que teríamos que contratar uma daquelas pessoas para te acompanhar durante a gravidez? Doula, não é como se chama?

- Isso... andou pesquisando, hein.

- Faz parte do processo. Sabe que gosto de ter todas as informações. E então, o que acha?

- Acho que está um pouco cedo pra isso, né? Acho que podemos esperar um pouco mais.

- Tem certeza? Fico preocupado com você sozinho esse tempo todo.

- Fica tranquilo, Maxie. Só hoje que andei exagerando por não saber a real distância de onde estava indo, vou tomar mais cuidado a partir de agora, e seu telefone está na discagem rápida também do celular, eu não saio sem ele.

- Vou ficar te vigiando pelo GPS.

- É uma boa ideia. – Henrique deu uma pausa e ficou admirando Maximus fluindo de um canto a outro da cozinha preparando o lanche deles. Parecia bailar. – Aproveita e traz uma taça de sorvete também...

- Okay.

- Se importa de colocar uma coisinha por cima do sorvete. – Maximus parou e começou a rir. – É... vai zoando, não é com você que essa criança fica inventando moda.

- Diz logo.

- Bacon.

- Bem sequinho e crocante. – falaram juntos e o “cozinheiro” continuou. – certo.

Jantaram juntos, coladinhos no sofá. O problema era quem estava com o controle da televisão. Henrique. Zapeou por mais de duzentos canais, dezenas de streamings, e não conseguia parar em nada.

- Não tem nada passando de interessante nessa joça.

- Como assim, Gabe?! Você parou em várias coisas e não deu nem chance. Em menos de um minuto, até as coisas que você gosta...

- Não sei por que a gente paga tão caro se não colocam nada que valha a pena. – Maximus percebeu que se tratava da alteração de humor e procurou não entrar na discussão. – Não vai falar nada?!

- Meu amor, fica calmo. Quer que eu procure algo pra você?

- Não. – respondeu seco. – Vou ver se tem algo melhor pra fazer no celular.

Rodou diversos aplicativos, internet, jogos e até aplicativos de meditação. Mas assim como com os programas, não ficava mais de alguns minutos. Ficou impaciente. Atirou o aparelho do outro lado do grande sofá e virou-se para o lado, ficando de costas para Maximus.

- Gabe?!

- Oi.

- Quer ir pra cama? Eu vou com você.

- Não estou com sono.

- Tudo bem então. Vou continuar meu trabalho aqui e se precisar de algo estou aqui.

Henrique nada respondeu e continuou olhando para o lado de fora, na fresta que a cortina permitia. Outro fato que começou a incomodá-lo. Queria a cortina aberta, mas estava com preguiça de se levantar.

- Maxie. Abre a cortina pra mim?

- Tem certeza? Não tem nada para ver lá fora essa hora... – o olhar fulminante de Henrique foi a única resposta que recebeu e, sendo assim, escancarou a cortina da janela mais próxima.

O grávido nem deu tempo do marido voltar para o trabalho e virou na direção oposta. Maximus achou graça, mas segurou a vontade de rir para não irritá-lo ainda mais. Foi até a cozinha pegar mais sorvete e sentou-se novamente no sofá, com o balde gelado entre as pernas e ligou novamente a TV.

Finalmente conseguiu se concentrar em um filme. Não era nada demais. Tiro, porrada e bomba, bem estilo filmes dos anos 80-90, sem qualquer tipo de profundidade na história: mocinho conhece mocinha, mocinha é raptada, mocinho enfrenta um exército sozinho, quase morre, resgata a mocinha e salva o mundo.

Maximus ouviu um soluço e se virou para olhar para Henrique no final do filme. Estava aos prantos.

- Não acredito. – zombou.

- O quê?! Foi lindo o final!

- Jura?! Quem é você? O que fez com meu marido? – colocou a mão na barriga de Henry. – Você está enlouquecendo seu papai, criaturinha. E vai acabar me levando à loucura também.

Os dois riram.

- É... bizarro isso. Em outros momento não teria conseguido assistir 5 minutos desse filme.

- Pois é.

- Maxie, acho que você vai ter que me internar no hospício.

- De jeito nenhum, você é o meu louquinho. E eu cuido de você, pode deixar. – pegou o scrapbook e começou a registrar o que tinha acontecido.

- Nosso bebê quando puder ler essas coisas vai achar que eu sou um desequilibrado.

- Não se preocupe, vou registrar que a culpa é dele ou dela.

- Tadinho do nosso bebê, Maxie! Vai traumatizar a criança!

- Mas estou falando alguma mentira? Essa criatura está desregulando todos os seus hormônios, fazendo comer coisas bem interessantes para não dizer bizarras, alterando completamente sua rotina e seu humor.

- Mas não precisa jogar na cara dele ou dela, não é?

- Tá bom. Ainda acho que falar a verdade é a melhor alternativa, ou você quer parecer mesmo maluco das ideias?

- Deixa de besteira. – olhou para a TV. – Vou deixar você com as suas anotações e vou ver mais alguma coisa.

Acordou no meio da madrugada, mais ou menos no mesmo horário da noite anterior. Louco para comer algo diferente de novo. Ele estava deitado na chaise do sofá enquanto Maximus estava esticado no restante do móvel, coberto apenas com a manta que eles mantinham ali.

A cortina tinha sido fechada, a TV desligada e apenas a luz regulada em penumbra no abajur da mesa na outra ponta do sofá estava acesa, bem como a luz do lavado com a porta semi-fechada.

Henrique se levantou, cobriu o marido com o edredom, colocou o sobretudo, pegou a carteira, as chaves da casa e do carro e saiu sem fazer um barulho. Dirigiu até um mercado 24 horas aberto do outro lado da cidade e comprou as iguarias que precisava para comer.

O telefone vibrou.

[Onde você está, Gabe?]

- No mercado.

[Amor, devia ter me acordado.]

- Você precisa dormir, Maxie. Ainda estamos no meio da semana e não quero você trazendo trabalho pra casa. Em casa você tem que ser só meu e do nosso bebê agora.

[Certo. Mas você está bem?]

- ESTAMOS bem, estou só comprando umas coisinhas para comer agora, daqui a pouco estou em casa. Volte a dormir. Te amo.

[Te amo mais.]

Maximus ainda dormia no sofá quando ele chegou em casa. Foi em silêncio até a cozinha, colocou a carne moída em uma tigela de vidro, temperou com pimenta e sal, modelou em bolas como se fossem almondegas e as organizou em um prato fundo, formando uma pirâmide de bolas de carne. Por cima despejou mel, muito mel e polvilhou com açúcar de confeiteiro.

No caminho de volta para casa, passou no drive-thru de uma lanchonete local e pegou o maior copo de milk-shake de baunilha deles. Colocou em um copo ainda maior, misturou com cerveja preta e canela em pó.

Colocou tudo em uma bandeja, incluindo o dispense com mel, caso precisasse colocar mais, a embalagem com as pastilhas mastigáveis de antiácido e voltou para a chaise do sofá, ligando a televisão sem som, deixando rolar alguns desenhos animados enquanto comia.

- Gabe?!

- Oi amor...

- O que você... – esfregou os olhos e viu o que o grávido tinha preparado. – Kibe cru?!

- Mais ou menos. Só a carne moída com mel e açúcar. Milk-shake de baunilha com canela e cerveja preta.

- Não devia estar bebendo álcool, né?

- Só hoje... ninguém precisa saber.

Maximus se arrastou pelo sofá até a mesa lateral oposta, pegou o scrapbook e anotou tudo.

- Fala sério, Maxie!

- Sua mãe pediu, e eu não vou decepcioná-la. E também quero dar para nosso bebê a oportunidade de te zoar quando for maiorzinho.

- Muito engraçadinho. – em seguida mandou por mensagem de texto a iguaria para a sogra. – MAXIE?!

- O quê?!

- Jura que vai acordar minha mãe pra isso?

- Foi ela quem pediu, ora!

- Acho que fomos trocados de mãe antes de descer pra Terra. Você faz tudo que Da. Helena pede.

- E você faz tudo o que a Da. Justine pede... é, acho que você tem razão. Quer ficar com a minha mãe? Eu deixo.

- Tarde demais, as duas já são de nós dois. A gente se casou, lembra? Agora venha aqui para o meu colo e volte a dormir, pelo amor de Deus, senão vai parecer um zumbi no trabalho mais tarde.

Henrique acordou no dia seguinte com um bilhete próximo de seu celular:

“Fiquei com pena de te acordar, estava parecendo um anjinho, com as mãos na barriga.

Provavelmente chegarei mais tarde em casa hoje. Se quiser posso passar na Claire e trazer os seus donuts favoritos, quer?

Manda mensagem quando acordar.

Te amo,

Maxie.”

Henrique abraçou o bilhete, dormiu por quase duas horas mais e foi tomar um banho para acordar e fazer as coisas. Tinha que resolver algumas coisas no consultório e na academia.

Pegou o celular antes de se levantar e mandou mensagem para Maximus

Henrique

[Bom dia, Maxie. Acordei agora. Vou tomar um banho rápido. Tenho que passar no consultório e na academia. Não precisa passar na Claire, vou tomar café lá. Como você está? Conseguiu dormir?]

Maxie

[Bom dia, meu amor. Dormi bem sim. Se precisar de alguma coisa me liga, ok?]

Henrique

[Ok. Te amo.]

Maxie

[Te amo mais.]

Henrique chegou no consultório, tinham dois pacientes de Kaito esperando na sala de espera, os cumprimentou e entrou em seu consultório, porém deixou a porta entreaberta. Quando o amigo saiu de seu consultório pediu um instante ao próximo paciente e foi até Henry.

- E aí, cara? Como está?

- Bem. Ainda muito cansado, me sentindo estranho na maior parte do tempo, mas estou bem.

- E o que você está fazendo aqui?

- Até onde eu sei, esse consultório ainda me pertence. – riu. – Vim dar uma olhada na minha agente, talvez eu pegue um paciente ou dois para me manter ocupado.

- Acha mesmo prudente? Tem se sentido tão cansado, e logo você que mexe com campo energético.

- É, você tem razão. Tenho me sentido tão inútil nesses dias. Sem energia pra nada, com oscilações bruscas de humor...

- Nem me fala, quando Yuriko tinha as crises dela, eu tinha que sair de perto. E olha que nem morávamos juntos, ainda bem que ela nunca esteve na minha sala com a coleção de espadas, provavelmente não estaria aqui hoje.

- Deixa de drama. Yuriko de mal humor não se compara a ninguém que eu conheço.

- Exatamente! Ela era o dragão!

- Eu me referia justamente ao contrário, K-San. Ainda por cima comigo ajudando a equilibrar ela. Aliás... isso me remete a uma coisa. – foi até o cômodo onde tinha improvisado um laboratório para fazer os florais, colocou na bolsa de transporte refrigerada alguns extratos.

- Vai fazer alguns florais.

- Pra mim. Antes que eu me torne um homicida na próxima alteração de humor. E preciso também controlar essa criança, meus desejos são elaborados demais para ter todos os ingredientes em casa.

- Me conte sobre isso depois, tenho que atender mais dois pacientes. Vai ficar até o final do dia?

- Não, já estou pensando na minha casa. Minha vontade é de ficar entocaiado direto.

- Tá ficando bipolar, Henry. Acabou de me dizer que queria estar aqui para manter-se ocupado.

- Não é?! Olha de quem é a culpa! – apontou para a barriga.

- Isso é covardia, ele ou ela nem sabe se defender ainda.

- Vai lá, K... a gente se fala depois. Vou passar na academia para resolver umas coisas e depois vou pra casa.

A academia de musculação ficava bem próxima do consultório, nem precisou entrar no carro. Caminhou devagar e apreciando a arquitetura vitoriana da parte oeste do rio Aurora da cidade.

O local estava vazio, o horário teria se tornado o predileto de Henrique caso estivesse trabalhando normalmente. O recepcionista sempre sorridente dançava ao som da música ambiente tão animado que seria contagiante se Henry não estivesse se sentindo mais inchado que antes.

- Olá, Sr. Lopes-Fuller!

- Lembra meu nome, ora!

- A cidade não é tão grande assim, e eu tenho memória boa. – deu uma piscadela para ele. – Me diz, em que posso te ajudar?

- Então... vou precisar trancar minha matrícula por alguns meses, tem algum problema?

- Que pena! Alguma coisa que eu possa fazer? Algum problema com as mensalidades...

- Não, não... nada disso. Estou passando por uns probleminhas de saúde comigo e na família e isso tem me deixado fora de órbita, e meu médico pediu para maneirar nos próximos meses nas atividades mais pesadas.

- Espero que se recupere logo.

- Obrigado. Não é nada muito sério, mas preciso cuidar disso agora para não piorar.

- Claro! – digitou algumas coisas no computador da recepção. – Vou deixar sua matrícula suspensa e quando retornar não precisará pagar nova taxa. Fique o tempo que precisar para se recuperar, Sr...

- Henry. Não precisa me tratar pelo sobrenome.

- Certo. Henry. Se quiser participar de umas atividades mais leves, fique à vontade, é meu convidado. – deu à ele um panfleto com todas as atividades que a academia tinha.

- Obrigado. Vou ver com meu médico quais dessas atividades posso fazer e qualquer coisa retorno e falo com você.

- Faça isso! Estarei esperando. E se eu puder ajudar em algo mais, não precisa ficar envergonhado, sou nascido e criado em New Casterside, conheço todos os cantos possíveis e tudo o que precisar.

- Pode deixar. Obrigado, Carl.

“Última parada, Le Bonbon de Rêve.” – sorriu. Mais uma quadra de caminhada e chegou à sua loja predileta: a dos deliciosos donuts de pão de mel. – “Vai ser difícil voltar pra academia depois do que está fazendo comigo, criança.”

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