LOGIN⚠️ ALERTA DE CONTEÚDO: este capítulo contém violência doméstica.
― Então, no dia seguinte, quando acordei, você estava dormindo tranquilamente. Como um bebê. Minha voz sai baixa. ― Fiquei uns quinze minutos olhando para você dormir. Guilherme permanece imóvel. ― E sabe o que eu fiz? Me culpei. Ele franze levemente a testa. ― Me culpei por não ser uma boa esposa. Por não ser boa o suficiente na cama a ponto de você preferir procurar outras mulheres na rua em vez de ficar comigo. Faço uma pausa. ― Me culpei por não ser a Júlia. O nome parece atingir Guilherme em cheio. Ele franze o cenho e desvia os olhos para o chão, como se alguém tivesse acabado de cravar uma faca em seu peito. Júlia. A ex-namorada dele. ― Laur... ― Eu ainda não terminei. Ele se cala. ― Foi quando eu vi. Engulo em seco. ― Não um. Vários. Meu olhar encontra o dele. ― Chupões. Entre as suas tatuagens. A expressão de Guilherme muda. ― Foi naquele momento que eu parei de me culpar. Minha voz fica mais firme. ― E decidi descobrir a verdade. Ele me encara. ― Um dia, você saiu sozinho para jantar. Mas não saiu sozinho do restaurante. Faço uma pequena pausa. ― Saiu acompanhado. ― Laura... ― Eu tirei uma foto dela. Ele permanece em silêncio. ― Depois contratei um detetive. Seu rosto endurece. ― Com o meu próprio dinheiro. Para que você não desconfiasse. ― Você estava me vigiando? A voz dele agora está carregada de raiva. Os olhos avermelham. ― Não estou mais. Dou de ombros. ― Não quero mais saber da sua vida. Não quero mais descobrir coisas que vão me decepcionar. Respiro fundo. ― Mas eu descobri a Emilly. Ele fica imóvel. ― Entrei em contato com ela. É claro que ela negou tudo. Sorrio sem humor. ― Mas ela terminou com você, não terminou? O maxilar dele se contrai. ― Sabe por que ela terminou com você, garanhão? Aproximo-me um pouco. ― Porque eu paguei. Ele me encara. ― Paguei um bom dinheiro para ela desaparecer da sua vida. Minha voz sai baixa. ― Ninguém te ama, Guilherme. Silêncio. ― Ninguém nunca vai amar você. Ele ergue as mãos em um gesto de rendição. ― Você é louca. ― Já fui. Minha voz falha por um instante. ― Por você. Olho para o homem diante de mim. ― Eu cheguei a querer um filho seu. Ele parece surpreso. ― Já imaginou? Um sorriso triste surge em meus lábios. ― Um garotinho com seus olhos azuis. Sua boca. Seu cabelo loiro. Correndo por essa casa. Por um breve instante, os ombros dele relaxam. Como se também tivesse imaginado. ― Então eu fiz todos os exames. Minha voz fica mais firme. ― E sabe o que descobri? Ele não responde. ― Estou perfeitamente saudável. Engulo o nó na garganta. ― Eu aceitei durante muito tempo quando você dizia que eu não servia nem para te dar um filho. A expressão dele muda. ― Mas hoje eu entendo. Dou um passo em sua direção. ― Você é tão amargo, tão cruel, tão preso às suas próprias escolhas... que talvez Deus tenha decidido lhe tirar o privilégio de ser pai. Ele me encara. Seus olhos agora estão cheios de raiva. Eu deveria parar. Mas não consigo. ― Esse vai ser o seu castigo, amor. A veia em seu pescoço salta. ― Você vai envelhecer sozinho. Minha voz treme, mas continuo. ― E sabe o pior? Aponto para ele. ― Nem seu próprio pai confia em você. Ele fica imóvel. ― Quer que você permaneça casado por cinco anos antes de assumir completamente a empresa. Meu sorriso é amargo. ― Ele quer ter certeza de que você não vai afundar tudo. As palavras saem como facas. ― Nem mesmo seus pais acreditam no seu potencial. Pela primeira vez, Guilherme não responde. Ele simplesmente me encara. As veias de seu pescoço estão saltadas. E eu sei que fui longe demais. Mas já é tarde. ― Cala a porra da boca! O golpe vem rápido. Meu rosto arde. Caio sobre a cama e começo a chorar imediatamente, levando a mão ao rosto. ― Seu covarde! Minha voz sai embargada. Ele se aproxima. ― Eu vou matar você, sua vagabunda! Ele segura meus cabelos e força meu rosto para que eu olhe para ele. As lágrimas escorrem. Mesmo assim, encontro forças para responder. ― Não vai. Um sorriso trêmulo aparece em meus lábios. ― Faltam seis meses para o nosso quinto aniversário de casamento. Ele aperta os dentes. ― Você não vai me matar. Limpo com as costas da mão o sangue que escorre pelo meu lábio. ― Mas eu posso fazer isso por você. Ele me encara. ― Se um dia você chegar em casa e encontrar sua esposa com os pulsos cortados, não diga que não avisei. O golpe seguinte me faz perder o equilíbrio. Sinto meu corpo sendo empurrado. Minha cabeça b**e contra o chão. Tudo fica escuro. --- Quando abro os olhos, uma dor terrível pulsa na minha cabeça. Demoro alguns segundos para entender onde estou. Minha roupa está manchada de sangue. Procuro meu celular. Três da manhã. Tento me levantar, mas todo o meu corpo dói. Ele teve ao menos a decência de me colocar na cama. Ouço passos. A porta se abre. ― Você acordou? A voz dele é estranhamente tranquila. ― Aqui, doutor. Ela está aqui. Um homem jovem entra no quarto. Moreno, alto e magro. Ele me olha com atenção e imediatamente parece desconfiado da situação. ― Olá, senhora Laura Mantovani. Sou o doutor Mateus. Ele se aproxima. ― Pode me contar o que aconteceu? Abro a boca. Mas Guilherme responde antes. ― Ela estava participando de um evento. Na volta para casa, foi assaltada. Olho para ele. ― Bateram muito nela. Alguém me ligou e eu fui buscá-la. Ele fala com tanta naturalidade que chega a ser assustador. ― Amanhã vamos à delegacia prestar queixa. O doutor olha para mim. Depois para Guilherme. Claramente não parece convencido. ― Certo. Ele volta a atenção para mim. ― É verdade, senhorita? Olho para minhas mãos sujas de sangue. ― Sim. ― Onde dói? Solto uma risada sem humor. ― Em todo lugar. Faço uma pausa. ― Parece que fui atropelada por um caminhão. O doutor continua fazendo perguntas. Guilherme responde a maioria delas. Depois de me examinar, Mateus me passa alguns medicamentos. ― Não parece haver nada que indique uma emergência neste momento, mas você precisa ir ao hospital para realizar exames e descartar lesões mais graves. Guilherme se levanta. ― Eu o acompanho até a porta, doutor. Os dois saem. Pego meu celular rapidamente. Abro a conversa com meu advogado. Felipe, preciso que prepare os documentos para o divórcio. O quanto antes. Envio. Guardo o celular. Quando tento me levantar para tomar banho, a porta se abre. Guilherme entra. ― Ei, ei. Fica aí. Ele se aproxima. ― Onde você vai? ― Tomar banho. ― O doutor pediu repouso. Reviro os olhos. ― O médico já foi embora, Guilherme. Pode parar com o teatro. Ele respira fundo. ― Tudo bem. Olha para mim. ― Eu vou ajudar você a tomar banho. Depois vamos dormir. Pausa. ― Quer comer alguma coisa? Olho para ele, incrédula. Como alguém consegue agir como se nada tivesse acontecido? Ele se aproxima para me ajudar a levantar. ― Não! Minha voz ecoa pelo quarto. ― Fica aí. Ele para. ― Não encosta em mim. Guilherme parece confuso. Estende a mão para tocar meus cabelos. Afasto-me antes que consiga. ― Nunca mais. Ele abaixa a mão. ― Laura... ― Não. Ele respira fundo. ― Você me forçou a fazer isso. Meu estômago revira. ― Eu não sou um covarde. Mas você me humilhou. Fez eu me sentir um merda. Ele fala baixo. ― A culpa é sua, querida. Olho para ele por alguns segundos. Então sorrio. ― Você é um... Paro. ― Não vale a pena. Respiro fundo. ― Liguei para o Felipe. O olhar dele muda. ― Pedi para ele preparar o contrato. Faço uma pausa. ― Amanhã ele vai até você com os termos. ― Laura... ― Ainda não terminei. Minha voz fica firme. ― Amanhã também vou ligar para David. Ele imediatamente entende. ― O rapaz que conheci no evento. ― Laura... ― Ele vai enviar o contrato para eu assinar. Olho diretamente para Guilherme. ― E eu vou para Londres. A raiva toma conta do rosto dele. ― Vou ficar provavelmente uma semana. Talvez mais. Ele dá um passo na minha direção. ― E você não vai fazer absolutamente nada. ― Laura... ― Porque basta eu fazer um exame de corpo de delito e você está acabado. Silêncio. ― Entendeu? Ele cerra os dentes. ― Laura, porra... ― Cala a boca e me deixa terminar. Minha voz sai mais firme do que eu esperava. ― Eu vou para Londres. Respiro fundo. ― E quando voltar, nós vamos continuar casados por mais sete meses. Ele me olha sem entender. ― Assim que você assumir a presidência, eu quero o divórcio. ― Você está com a cabeça quente. Ele passa as mãos pelos cabelos. ― Não. Olho para ele. ― Estou muito calma. ― Laura... ― Durante esses sete meses, você não vai dirigir a palavra a mim. Ele me encara. ― Muito menos tocar em mim. ― Você está louca? Ele se exalta. ― Você é minha esposa, caralho! ― Sim. Minha resposta é tranquila. ― Mas você deixou de agir como meu marido há muito tempo. Silêncio. ― E, já que você parece estar muito bem acompanhado pelas ruas, a partir de hoje será assim. Ele fica me encarando. ― Espero ter sido clara. Guilherme respira fundo. Esfrega as mãos sobre os joelhos. Finalmente, baixa os olhos. ― Eu vou... Ele parece não conseguir terminar a frase. ― Vou dormir no quarto de hóspedes. Levanta-se. Sai sem olhar para trás. A porta b**e. Meu corpo inteiro estremece. Olho para o teto. ― Hoje tinha tudo para ser um dia incrível. Dou uma risada amarga. ― E agora estou aqui com a cara toda quebrada. Fecho os olhos. ― Muito obrigada, digníssimo esposo. --- Na manhã seguinte, acordo com o corpo inteiro dolorido. Vou tomar banho com cuidado. Meu tórax está roxo. Provavelmente machuquei algumas costelas quando caí. Tomo os analgésicos receitados pelo doutor Mateus. Felizmente, o pior está concentrado na boca e na bochecha. Espero que o inchaço diminua antes da viagem. Não vejo Guilherme. Quando acordo, ele já saiu. Joana me conta que ele sequer tomou café da manhã. Depois de acalmá-la, porque ela ficou desesperada quando viu meu estado, sento-me à mesa. Apesar da dor, não consigo evitar um sorriso. Vou para Londres. Vou desfilar. E ninguém vai me impedir. Olho para o relógio. Dez da manhã. Pego o celular e ligo para David. Ele atende no segundo toque. ― Alô? ― David? ― Sim. Quem fala? ― Oi, é a Laura. Sorrio. ― Tive que viajar às pressas e queria saber se você poderia enviar o contrato por e-mail. Assim consigo ler tudo com calma e encaminhar para meu advogado. ― Claro, Laura. Já está pronto. Meu coração acelera. ― Vou enviar agora. Se você concordar com os termos, poderá embarcar na segunda-feira. ― Segunda? Quase grito. ― Mas está tão em cima da hora! Ele ri. ― Sim. Você precisa fazer algumas provas, tirar algumas fotos e resolver alguns detalhes antes do desfile. ― Entendi. ― Vou mandar tudo explicado por e-mail. Se tiver qualquer dúvida, pode me ligar. ― Muito obrigada, David. Pela atenção e pela paciência. ― Imagina. Preciso desligar agora, mas estarei com o celular por perto. Qualquer coisa, me procure. ― Pode deixar. ― Tenha um ótimo dia, Laura. ― Você também. Até. Desligo. Finalmente. Londres. Vou mesmo para Londres. Levanto-me devagar para trocar de roupa e passar uma maquiagem que esconda um pouco os hematomas. É quando ouço passos apressados no corredor. ― Senhora! Senhora Laura! É Joana. ― Sim? Ela aparece na porta. ― O senhor Guilherme está entrando com o carro. Meu coração aperta. ― E não parece feliz. Respiro fundo. ― O que ele quer agora? ― A senhora quer que eu chame alguém? ― Não será necessário. Penso por alguns segundos. ― Mas, se precisar, ligue para o meu pai. Joana assente. ― E diga que pedi para ele fazer uma visita surpresa. Nesse instante, Guilherme aparece na porta. Parece estar soltando fumaça pelas narinas. ― Querido! Forço uma expressão surpresa. ― O que faz aqui tão cedo? Ele ergue alguns papéis. ― Que porra de papel é esse, Laura? Pego os documentos de sua mão. Reconheço imediatamente. O contrato que pedi para Felipe preparar. ― Já está pronto? Dou um sorriso debochado. ― Ele é muito eficiente. Você deveria dar um aumento. ― Só pode estar de brincadeira. ― Não estou. Viro as páginas. ― O que você não gostou? Começo a subir as escadas. ― Você não pode dirigir a palavra a mim? Ele vem atrás. ― Isso aqui diz que, se eu falar com você, tenho que pagar uma multa! ― São mil reais. ― Mil reais! ― Vou pensar em outra punição. Olho para trás. ― Ou você pode ir à falência antes do divórcio. Entro no quarto. Tiro o robe lentamente. Quando fico diante dele, percebo seus olhos percorrendo meu corpo. Mas não é desejo. É choque. As marcas ainda estão ali. Roxas. Impossíveis de esconder. ― Mais alguma coisa, Guilherme? Ele pisca algumas vezes. Olho para minhas costelas. ― Gosta do que vê? Ele desvia o olhar. ― Foi você quem fez isso. O silêncio pesa entre nós. Então, quase num sussurro, ele diz: ― Desculpa. Não respondo. Passo por ele em direção ao closet. Quando esbarro nele, sem querer, sua mão segura meu braço. Meu corpo inteiro fica rígido. Ele me puxa para perto. Desta vez, não é com força. É um abraço. Guilherme parece tenso. Abaixa o rosto e encosta o nariz nos meus cabelos, respirando profundamente, como se aquele simples gesto fosse algo de que precisava havia muito tempo. Ficamos assim por alguns segundos. Em silêncio. ― Desculpa, Laura. A voz dele está diferente. ― Eu nunca quis machucar você. Tento me afastar. Ele não me solta imediatamente. Quando finalmente nossos olhos se encontram, ele se inclina. Seus lábios tocam os meus. Um beijo suave. Quase uma súplica. ― Eu te amo tanto, Laura... Ele deixa pequenos beijos sobre meus lábios. ― Não me deixe. Fecho os olhos. Meu coração quer acreditar. Mas uma parte de mim já sabe: algumas palavras não conseguem apagar aquilo que aconteceu.Ficamos em silêncio por alguns minutos.Cada um com seu copo, perdido nos próprios pensamentos.Pelo que eu conseguia perceber, Jamie também parecia estar na fossa. Talvez por motivos completamente diferentes dos meus, mas havia alguma coisa naquele olhar que denunciava que ele também carregava os próprios problemas.— Você poderia trazer outra, por favor? — pedi, acenando para o garçom.Já havia tomado umas cinco doses e, ainda assim, não sentia nada.A dor continuava ali.Intacta.Correndo pelo meu peito como se tivesse encontrado um lugar para morar.Jamie virou-se para mim, um pouco intrigado. Apoiou os cotovelos no balcão e pressionou os dedos contra os lábios, observando-me em silêncio.Só então consegui reparar melhor nele.Seus olhos eram de um azul tão escuro que, sob a iluminação baixa do bar, quase pareciam cinzentos. A boca pequena, bem desenhada e rosada, contrastava com a barba po
Olho pela janela enquanto o carro de Guilherme arranca e desaparece pela rua.Assim que entro em casa, subo para tomar um banho enquanto Joana prepara meu café.Joana é um amor de pessoa. É como uma mãe para mim. Tem dois filhos, ambos casados, e é viúva. Atualmente, tem um namorado que vem buscá-la todos os dias.Quando não fica para me fazer companhia, vai embora no fim do expediente. Mas já houve noites em que ela ficou comigo até de madrugada, me consolando porque meu marido havia dormido fora.Ela sabe de muita coisa.Talvez até mais do que deveria.Hoje é o último dia da Semana de Moda e, como só participei do primeiro dia, resolvo ir. Quero aproveitar para conseguir algum conteúdo para o blog.Robert não gostou nem um pouco quando falei que não iria desfilar nos quatro dias.Dei a ele a mesma desculpa que dei a David: uma viagem de última hora.Ele acreditou.Afinal, quando se
Ouvir aquelas palavras vindas de Guilherme me deixou extasiada.Jamais imaginei que voltaria a ouvi-las.Talvez ele realmente tivesse se arrependido.Mas isso não apagava o fato de que ele havia me traído. Muitas e muitas vezes. Eu não sabia desde quando, nem quantas mulheres haviam passado pela vida dele.E, pior do que tudo isso, ele havia me agredido.Ainda assim...Depois de tanto tempo, ele estava ali, diante de mim.Meu homem.Meu esposo.O homem que um dia havia me olhado como se eu fosse a única mulher no mundo.E, naquele momento, ele estava novamente sendo gentil. Delicado. Atencioso.Ah, como eu havia esperado por aquilo.Por aquele olhar.Por aquele carinho.Por ouvir sua voz dizendo que me amava.Não como uma estranha com quem havia se casado para alcançar seus objetivos.Mas como sua mulher.Eu me perco em se
⚠️ ALERTA DE CONTEÚDO: este capítulo contém violência doméstica.― Então, no dia seguinte, quando acordei, você estava dormindo tranquilamente. Como um bebê.Minha voz sai baixa.― Fiquei uns quinze minutos olhando para você dormir.Guilherme permanece imóvel.― E sabe o que eu fiz? Me culpei.Ele franze levemente a testa.― Me culpei por não ser uma boa esposa. Por não ser boa o suficiente na cama a ponto de você preferir procurar outras mulheres na rua em vez de ficar comigo.Faço uma pausa.― Me culpei por não ser a Júlia.O nome parece atingir Guilherme em cheio.Ele franze o cenho e desvia os olhos para o chão, como se alguém tivesse acabado de cravar uma faca em seu peito.Júlia.A ex-namorada dele.― Laur...― Eu ainda não terminei.Ele se cala.― Foi quando eu vi.Engulo em seco.― Não um. Vários.Meu olhar encontra o dele.― Chupões. Entre as suas tatuagens.A expressão de Guilherme muda.― Foi naquele momento que eu parei de me culpar.Minha voz fica mais firme.― E decidi d
Viro-me num pulo, visivelmente assustada.Diante de mim está um homem alto, loiro, de olhos azuis e corpo musculoso. Pelo sotaque e pela aparência, provavelmente é estrangeiro. Ele me encara com um sorriso entusiasmado e, ao perceber que me assustou, imediatamente muda a expressão.― Desculpe. Não foi minha intenção assustá-la.Forço meu melhor sorriso, tentando esquecer o que acabou de acontecer com Guilherme.― Tudo bem. Em que posso ajudá-lo?Ele sorri novamente.E que sorriso.― Sou David Montenaro, diretor-geral de uma das filiais da Calvin Klein, em Nova York.Arregalo os olhos.― Ah... é um prazer conhecê-lo, senhor David.― Sem formalidades. David, por favor.Ele estende a mão e aperto-a.― Você trabalha como modelo há muito tempo?Solto uma pequena risada.― Na verdade, esse foi meu primeiro desfile.― Jura?A surpresa em sua voz me faz sorrir.― Mas então você é conhecida no Brasil, não é? Como conseguiu chegar à SPFW?― Na verdade, tenho um blog de moda. Tenho bastante segu
― Que diabos eu estou fazendo aqui?A pergunta escapa dos meus lábios em um sussurro enquanto encaro meu próprio reflexo no espelho.― Onde é que eu estava com a cabeça quando resolvi aceitar cobrir esse evento?Hoje começa a semana de moda mais conhecida do país: a São Paulo Fashion Week.E, para completar o meu desespero, hoje também será o meu primeiro trabalho como modelo.Tecnicamente, não sou exatamente uma modelo. Tenho um blog de moda há cerca de três anos e, desde então, faço trabalhos para diversas marcas, participo de campanhas, fotografo looks e apareço em eventos. Já estou acostumada com câmeras, flashes e pessoas me observando.Mas nunca desfilei.Muito menos em uma passarela como aquela.Ali estavam alguns dos maiores nomes da moda nacional e internacional, além de jornalistas, influenciadores, empresários e uma quantidade assustadora de pessoas que pareciam saber exatamente o que estavam fazendo.E eu?Eu só queria descobrir como não cair do salto.Entrei nesse mundo p







