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4. Talvez ainda exista uma solução

last update Veröffentlichungsdatum: 02.10.2026 10:30:32

Ouvir aquelas palavras vindas de Guilherme me deixou extasiada.

Jamais imaginei que voltaria a ouvi-las.

Talvez ele realmente tivesse se arrependido.

Mas isso não apagava o fato de que ele havia me traído. Muitas e muitas vezes. Eu não sabia desde quando, nem quantas mulheres haviam passado pela vida dele.

E, pior do que tudo isso, ele havia me agredido.

Ainda assim...

Depois de tanto tempo, ele estava ali, diante de mim.

Meu homem.

Meu esposo.

O homem que um dia havia me olhado como se eu fosse a única mulher no mundo.

E, naquele momento, ele estava novamente sendo gentil. Delicado. Atencioso.

Ah, como eu havia esperado por aquilo.

Por aquele olhar.

Por aquele carinho.

Por ouvir sua voz dizendo que me amava.

Não como uma estranha com quem havia se casado para alcançar seus objetivos.

Mas como sua mulher.

Eu me perco em seus beijos.

Em suas carícias.

Depois de tanto tempo, meu corpo parece reconhecer cada toque antes mesmo que minha mente consiga acompanhá-lo.

— Diz alguma coisa, Laura... — ele sussurra contra minha pele, deixando beijos suaves pelo meu pescoço.

Uma de suas mãos permanece firme em minha cintura, enquanto a outra desliza até minha nuca.

Sinto sua respiração quente contra minha pele.

— Diz que também me ama, meu amor. Eu sinto tanta falta de você. Diga que também sente a minha.

Fecho os olhos.

Meu coração dispara.

— Sim... eu também te amo, Guilherme.

Minha voz sai baixa.

— Amo mais do que a mim mesma.

Digo a verdade.

Meus dedos encontram os botões de sua camisa e começo a desabotoá-los lentamente.

Preciso sentir sua pele contra a minha.

Preciso daquele homem.

Deus...

Como eu o amo.

Nossos beijos ficam cada vez mais intensos.

Guilherme me pega no colo com cuidado, atento aos meus machucados, e me leva até a cama.

Quando me deita, um pequeno gemido de dor escapa dos meus lábios.

Ele para imediatamente.

— Desculpa...

Seus olhos encontram os meus.

Por um instante, vejo culpa neles.

Mas então ele volta a me beijar.

Devagar.

Com cuidado.

Como se cada toque fosse uma tentativa de compensar aquilo que havia feito.

Seus beijos descem pelo meu pescoço, pelos meus ombros, pelo meu corpo, até que ele volta novamente para minha boca.

— Tão linda... — murmura. — Só minha.

Seu olhar se prende ao meu.

Há desejo nele.

Um desejo quase impossível de esconder.

— Vai ser para sempre minha, Laura. Me ouviu?

Apenas balanço a cabeça.

— Diz.

Minha respiração falha.

— Sou sua... somente sua, amor.

Um sorriso satisfeito aparece em seus lábios.

E então ele me beija novamente.

O resto da noite se transforma em uma mistura de beijos, carícias e promessas sussurradas entre nós.

Por algumas horas, não existe passado.

Não existem fotografias.

Não existem outras mulheres.

Não existe contrato.

Não existe Londres.

Existe apenas nós dois.

Eu me entrego àquele momento como se pudesse recuperar, em uma única noite, todos os anos em que senti falta daquele homem.

Quando finalmente ficamos em silêncio, Guilherme permanece próximo a mim.

Seu corpo ainda busca o meu.

Ele está exausto.

Eu também.

Passo os dedos pelos seus cabelos úmidos.

Ele fecha os olhos.

— Desculpa... — murmura. — Eu nunca vou me perdoar por isso.

Não digo nada.

Apenas continuo acariciando seus cabelos.

Ele não insiste.

Ficamos assim por algum tempo.

Seus dedos percorrem distraidamente minha pele, enquanto eu continuo fazendo carinho nele.

E, pouco a pouco, o sono nos vence.

---

Meu celular começa a tocar.

Abro os olhos e vejo o aparelho sobre a cômoda, do outro lado do quarto.

Tento me levantar, mas sinto um peso sobre mim.

Guilherme.

Ainda dormindo.

Tento afastá-lo devagar.

Sem sucesso.

O telefone para de tocar.

Olho para o relógio em seu pulso.

— Caramba! Seis horas!

Levo imediatamente uma mão à boca.

Guilherme se mexe por alguns segundos, vira para o outro lado e volta a dormir.

Aproveito para levantar.

Pego meu celular.

Há inúmeras mensagens da minha mãe.

Desde ontem não respondo nenhuma.

Abro a primeira.

"Tá viva ainda?"

Meu coração aperta.

A segunda:

"LAURA! VOU LIGAR PARA A POLÍCIA!"

E outra:

"Se não me responder, vou até aí com seu pai e a polícia. Não duvide!"

Sinto um nó na garganta.

Ligo imediatamente.

Enquanto espero ela atender, caminho até o closet para não acordar Guilherme.

— Mãe...

Ela praticamente explode do outro lado da linha.

Tento acalmá-la.

Digo que estou bem.

Que não aconteceu nada.

Que estava apenas cansada.

Mais uma mentira.

Mas não quero que ela venha até aqui.

Não quero que me veja nesse estado.

---

Quando volto para o quarto, encontro Guilherme sentado na cama, esfregando os olhos.

Vou até ele e deposito um beijo em seus lábios.

Ele retribui.

— Com fome?

Sento em seu colo.

— Muita.

O sorriso malicioso que surge em seus lábios me faz rir.

— Quer jantar fora?

Concordo com a cabeça.

Levanto-me para tomar banho.

Mas, assim que entro no banheiro e me olho no espelho, uma onda de tristeza me invade.

Os hematomas ainda estão ali.

As marcas continuam no meu rosto.

Por alguns segundos, o encanto daquele dia desaparece.

Respiro fundo.

Então volto para o quarto.

Guilherme está ao telefone.

Ele levanta o dedo indicador, pedindo um minuto.

Mesmo assim, aproximo-me e o abraço.

Ele beija meus cabelos sem me afastar.

— Podemos ficar em casa hoje? — pergunto baixinho.

Ele me olha confuso enquanto continua falando ao telefone.

Depois parece entender.

Concorda com a cabeça.

Quando termina a ligação, segura meu rosto entre as mãos.

Seus lábios encontram cada hematoma do meu rosto.

Um beijo em cada marca.

Como se pudesse curá-las.

Depois me solta e sai para terminar o que estava fazendo.

Respiro fundo.

Ainda não consigo acreditar no dia de hoje.

Vou tomar banho.

Dessa vez, entro no chuveiro sorrindo.

Saio enrolada em uma toalha e escolho uma camisola de cetim rosa-pink, que fica perfeita contra minha pele clara.

Coloco também meu hobby da mesma cor.

Desço.

Guilherme está trancado no escritório, então peço a Joana que prepare alguma coisa para comermos.

Abro o computador e verifico meus e-mails.

Faço uma publicação rápida nas redes sociais apenas para mostrar aos meus seguidores que estou viva.

Depois encaminho o contrato para Felipe, nosso advogado.

Hoje é sábado.

Preciso arrumar minhas malas.

Amanhã vou comprar as passagens.

E também preciso avisar Guilherme.

Como ainda não assinei o contrato, David me enviou uma mensagem dizendo que eu poderia viajar na quarta-feira.

O desfile será apenas daqui a duas semanas.

Tenho tempo para fazer as provas das peças, participar das fotos e me organizar.

E, principalmente, para que meus machucados melhorem.

Vou até o escritório.

Guilherme não está mais lá.

Quando entro no quarto, ouço o chuveiro.

Vou até o closet.

Começo a olhar minhas roupas.

Londres.

Outono.

Provavelmente estará frio.

Escolho algumas peças mais quentes, casacos e sapatos.

Estou distraída quando ouço passos atrás de mim.

Viro.

E paro.

Guilherme está parado à porta.

Uma toalha enrolada na cintura.

Meu Deus...

Que homem.

Por um instante, esqueço até como respirar.

Abro e fecho a boca algumas vezes, tentando encontrar alguma coisa para dizer.

Ele percebe.

E sorri.

— Gosta do que vê, Laura?

Sua voz está carregada de desejo.

Ele se aproxima devagar.

Puxa-me pela cintura, tomando cuidado para não pressionar meus machucados, e aproxima meu corpo do seu.

— Você me deixa maluco quando se veste assim.

Não consigo responder.

Seus lábios encontram meu pescoço.

Um beijo.

Depois outro.

Minha pele se arrepia.

Mas, de repente, ele interrompe.

— Então vamos. O jantar vai esfriar.

Franzo a testa.

Ele se afasta com um sorriso discreto e começa a procurar suas roupas.

Veste uma calça de moletom cinza e uma camisa preta.

Fico olhando para ele por alguns segundos.

Ele percebe.

— Para de me olhar assim.

— Assim como?

— Como se quisesse me arrancar a roupa.

Dou risada.

— Talvez eu queira.

Ele apenas sorri.

---

Já são dez da noite.

Dispensei Joana depois do jantar.

Comemos em silêncio.

Mas, pela primeira vez em muito tempo, não era um silêncio depois de uma briga.

Era um silêncio confortável.

Estamos no sofá.

Minha cabeça repousa sobre o peito de Guilherme enquanto ele passa os dedos pelos meus cabelos.

Assistimos a um filme romântico.

O mocinho morre no final.

Como sempre, estou acabada em lágrimas.

Mesmo depois de assistir centenas de vezes, continuo chorando.

Guilherme ri da minha cara.

— Laura, você sabe que é ficção, não sabe?

— Eu sei.

— Então por que está chorando?

— Porque ele morreu!

Ele ri.

Reviro os olhos.

Quando os créditos começam a subir, ficamos em silêncio.

Guilherme bufa.

Parece procurar alguma coisa para dizer.

Eu também preciso contar sobre Londres.

Mas ainda não sei como.

Então ele fala primeiro.

— Laura... vou viajar na segunda.

Olho para ele.

— Vou ficar uma semana fora. Talvez alguns dias a mais.

Ele faz uma pausa.

— Posso...

Antes que eu consiga terminar, ele me interrompe.

— Não. É a negócios. Não é uma lua de mel.

Sua voz é ríspida.

Guilherme sendo Guilherme.

Faço uma careta.

Talvez essa seja a hora.

Respiro fundo.

— Vou para Londres na quarta.

A expressão dele muda imediatamente.

Seu rosto fecha.

— De novo com isso, Laura? Achei que já tivéssemos conversado.

— Amor... só porque tivemos um dia maravilhoso não significa que eu mudei de opinião.

Ele tenta me interromper.

Não deixo.

— Eu ainda vou viajar. Você nem vai estar em casa. Não vai fazer diferença. E vai ser rápido.

Ele passa a mão pelos cabelos.

O maxilar se contrai.

Parece pensar em alguma coisa.

Mas guarda para si.

Aproximo-me.

— Amor, por favor... não vamos brigar hoje. Pelo menos hoje.

Passo a mão por seu pescoço.

Minha voz sai doce.

Ele respira fundo.

Então se levanta.

— Vou para o escritório resolver algumas coisas. Não me espere para dormir.

E sai.

A porta se fecha.

---

O domingo passa voando.

Guilherme mal fala comigo.

Tudo o que pergunto recebe respostas monossilábicas.

Depois de algum tempo, desisto.

---

Abro os olhos.

Sinto alguém me observando.

Guilherme está sentado na ponta da cama.

— Desculpe. Não quis acordar você. Já estou indo.

Ele se inclina e deposita um beijo na minha testa.

— Que horas são?

Pergunto ainda sonolenta, com um olho aberto e outro fechado.

Ele sorri.

— Muito cedo. Volte a dormir.

Passa a mão pelos meus cabelos.

Sorrio.

Então percebo algo diferente em sua expressão.

— Você vai voltar, não vai?

A pergunta carrega uma angústia que me surpreende.

— Aonde mais eu iria, seu bobo?

Passo a mão sobre a dele.

Ele parece relaxar.

— Suas passagens e a reserva do hotel estão na mesa do meu escritório. Tem dinheiro na gaveta, se precisar.

Fico imóvel.

— Te amo.

Olho para ele em choque.

Ele percebe.

E ri.

— Vou mandar mensagem quando chegar.

Sento-me na cama, franzindo a testa.

— Tá legal... quem é você e o que fez com o meu marido?

Ele ri.

— Não me faça mudar de ideia. Só aceita.

Levanta-se e beija o topo da minha cabeça.

Fico observando enquanto ele termina de se arrumar.

Está lindo.

Blazer azul-marinho.

Camisa branca com a gola aberta, sem gravata.

Calça de alfaiataria em tom grafite.

O cabelo perfeitamente alinhado, penteado para o lado.

Meu marido parece ter saído de uma revista.

Ele se vira para sair.

Assim que chega à porta, saio correndo atrás dele.

Abraço-o por trás.

— Se cuida. Te amo.

Beijo suas costas.

Ele segura minhas mãos e se vira para mim.

Seus olhos encontram os meus.

Então me beija.

Um beijo quente.

Demorado.

Daqueles que fazem meu corpo inteiro se arrepiar.

Quando se afasta, ele continua me olhando.

— Laura...

Sua voz fica mais baixa.

— Se eu não tivesse que ir, te comeria aqui e agora.

Sinto meu rosto esquentar.

Ele sorri de canto.

Então se afasta.

— Até depois.

E sai.

Fico parada na porta, observando-o desaparecer pelo corredor.

Ainda sinto seus lábios nos meus.

E, por alguns segundos, acredito que talvez tudo possa ser diferente.

Talvez meu marido tenha finalmente voltado.

Talvez aquele homem que eu amava ainda estivesse ali.

Só espero que, quando eu voltar de Londres, ele ainda esteja.

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