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Capítulo 2

Author: Jinny Cacá
O paciente que havia protestado ficou paralisado por um instante.

— Você está falando... Do Sr. Valença, do Grupo Monteluz?

O homem de terno ergueu o queixo, com evidente desprezo.

— Pelo menos sabe de quem estamos falando. Então tenha um pouco de bom senso. Assine logo, pegue o dinheiro e cuide da sua recuperação. Não precisa tornar as coisas desagradáveis para todo mundo.

O quarto mergulhou em silêncio.

As expressões variavam, mas ninguém ousou retrucar. Um após o outro, os pacientes cerraram os dentes e assinaram.

Até que uma voz feminina, fria e firme, quebrou o silêncio.

— Você disse que a Srta. Nogueira é a esposa do Sr. Valença. Ele sabe que você está dizendo isso?

Todos se viraram para o leito no fundo do quarto.

Helena era esguia e estava muito pálida, mas havia uma serenidade quase glacial em seus olhos cor de âmbar, uma firmeza difícil de ignorar.

Por um segundo, aquela presença fez o homem hesitar.

Quem era aquela mulher?

A dúvida, porém, durou pouco. Ele logo abriu um sorriso de escárnio.

Ela não tinha sequer um familiar ou acompanhante ao lado.

Devia ser apenas mais uma pessoa de fora que viera à cidade em busca de trabalho.

Helena sustentou seu olhar e falou pausadamente, marcando cada palavra:

— Todo mundo conhece a reputação do Sr. Valença. Ao longo dos anos, ele participou de inúmeras ações sociais e projetos beneficentes. Quem deu a você o direito de usar o nome dele para agir como criminoso e ainda manchar a reputação do Grupo Monteluz?

A Monteluz havia sido fundada por Leonardo.

Com competência e pulso firme, ele fizera a empresa crescer numa velocidade impressionante, até transformá-la, quase da noite para o dia, em um dos grupos mais comentados do país.

Para quem acompanhava tudo de fora, restavam apenas as manchetes sobre sua ascensão meteórica.

Só Helena sabia quantas noites em claro, quantas humilhações engolidas e quanto sofrimento existiam por trás daquele sucesso.

Leonardo queria provar seu valor à própria família.

E ela estivera ao lado dele durante todo o caminho, apoiando-o com tudo o que tinha.

Não importava qual fosse a relação de Leonardo com a mulher que provocara o incêndio.

Nem por que aquele cheque havia sido emitido de uma conta dele.

Helena acreditava em Leonardo.

Tinha certeza de que ele jamais faria algo tão baixo.

Muito menos permitiria que alguém usasse seu nome para pisotear a reputação da Monteluz.

O homem de terno soltou uma risada, sem esconder o deboche.

— Olha só... Do jeito que você fala, parece até que conhece o Sr. Valença pessoalmente. E você é quem, afinal, para vir me questionar?

Ele puxou o celular, abriu o Instagram e praticamente enfiou o aparelho na cara dela.

— Abra bem os olhos e veja por si mesma!

Uma sequência de manchetes apareceu diante de Helena.

[Sr. Valença, da Monteluz, assume relacionamento e encanta a internet!]

[CEO e sua esposa na vida real: Sr. Valença, da Monteluz, esbanja romance!]

[Agora é oficial: primeiro post do Sr. Valença no Instagram é uma declaração para a esposa!]

Desde que a Monteluz começara a ganhar projeção nacional, uma foto de Leonardo tirada por acaso havia viralizado nas redes sociais.

O rosto marcante e impecavelmente bonito, seus 1,85 m de altura e a silhueta de ombros largos e cintura estreita sob ternos perfeitamente cortados fizeram com que os internautas passassem a chamá-lo de "CEO saído de um romance".

Em uma única noite, ele conquistara milhões de seguidores.

Leonardo, porém, mal dera importância à febre em torno de seu nome.

Depois de olhar algumas postagens, apenas comentara, incomodado:

— Esse pessoal exagera demais.

E nunca mais tocara no assunto.

Até agora.

Naquele perfil que sempre permanecera vazio, havia surgido sua primeira e única publicação.

[Que bom que você voltou.]

O post vinha acompanhado de três fotos.

A primeira mostrava a cidade à noite.

A segunda, um jantar à luz de velas.

Na terceira, uma mulher aparecia de costas.

Ela vestia um moletom oversized de corte masculino e fazia um animado sinal de vitória com os dedos.

A publicação havia sido feita três horas antes.

Ao perceber que Helena permanecera imóvel, o homem abriu um sorriso ainda mais satisfeito e entrou nos comentários.

— Olha direito. Foi o próprio Sr. Valença quem confirmou!

Entre a enxurrada de mensagens, havia apenas uma à qual Leonardo respondera.

[@CamiSemFiltro: Ainda bem que você sempre esteve comigo. Nem sei o que faria sem você~]

[@leovalenca: Estou aqui. Não precisa ter medo.]

Logo abaixo, milhares de internautas surtavam.

Os comentários se acumulavam em velocidade absurda, formando uma massa de palavras que Helena já não conseguia distinguir.

Sua visão começou a embaçar.

Ainda assim, ela continuou encarando a foto de perfil de Leonardo.

Era como se algo tivesse agarrado seu coração e o apertasse sem piedade.

Uma dor surda se espalhou por seu corpo, deixando seus braços e pernas dormentes.

O homem guardou o celular com arrogância e empurrou o acordo para as mãos dela.

— Agora entendeu? Escuta o conselho de quem está tentando te ajudar: gente desse nível não é alguém com quem você possa mexer. Não arrume problema para si mesma.

Helena era a única pessoa no quarto que ainda não havia assinado.

Os seguranças começaram a avançar, cercando seu leito.

— Assina logo!

Helena pegou o documento.

E, diante de todos, rasgou as folhas em pedaços.

— O que você pensa que está fazendo?!

O homem de terno arregalou os olhos. Não parecia acreditar que ela ainda tivesse coragem de resistir.

Helena se levantou diante dos seguranças, que já cerravam os punhos, e apertou o celular quebrado com força na mão.

— Eu já mandei uma mensagem para a polícia. Eles estão vindo para cá agora mesmo!

O rosto do homem de terno se fechou. Cerrando os dentes, ele disparou, com a voz carregada de ameaça:

— Muito bem! Se você está tão decidida a cavar a própria cova, depois não diga que não avisamos. Quando alguém lá de cima resolver cuidar disso pessoalmente, você nem vai entender o que aconteceu antes que seja tarde demais!

A polícia chegou pouco depois. Após ouvir os envolvidos e registrar os depoimentos, porém, aquele grupo simplesmente se recusou a sair do hospital.

Como se não bastasse, eles ainda apareceram com duas caixas de som enormes, sabe-se lá de onde. Colocaram-nas diante do quarto e aumentaram o volume ao máximo, fazendo um ruído estridente ecoar por todo o corredor.

O barulho tomou conta de todo o andar, forte o bastante para fazer o peito doer.

Pelo jeito, não era a primeira vez que faziam algo assim.

Eram abusados, escorregadios e experientes em contornar os limites sem dar margem suficiente para que a polícia os retirasse dali à força.

Sem conseguir descansar, os outros pacientes começaram a lançar olhares irritados para Helena.

— Afinal, o que você quer? Você nem se machucou tão gravemente! Se estão oferecendo dinheiro, pega logo! Quanto tempo você levaria para ganhar quinhentos mil?

— Pois é, moça! Já chega. Aceita e pronto. Olha a confusão que isso virou... A gente também precisa descansar!

Helena respirou fundo.

Pegou o celular e, ignorando a dor que castigava seu corpo a cada movimento, se levantou e caminhou para fora do quarto.

Os policiais impediram que os seguranças fossem atrás dela.

O homem de terno assobiou na direção de suas costas e provocou:

— Não ache que vai escapar dessa! Só espera!

Helena não olhou para trás.

A dor espalhada pelo corpo já parecia tão pesada que começava a se transformar em dormência.

O que restava era apenas o coração ainda estremecendo dentro do peito...

E o zumbido agudo e incessante em seu ouvido esquerdo.

Quando chegou em casa, o céu já começava a clarear.

Helena tomou um banho rápido, tirou as roupas chamuscadas e cobertas de fuligem e as jogou no lixo.

Depois vestiu o pijama e praticamente desabou na cama. Puxou o cobertor sobre o corpo gelado e se encolheu sob as cobertas.

As lágrimas começaram a escorrer em silêncio.

Ela sabia que deveria confrontá-lo.

Precisava descobrir exatamente o que estava acontecendo...

Mas não tinha forças para nada.

O cansaço extremo tomou conta de seu corpo. Entre lágrimas amargas e pensamentos inquietos, sua consciência foi se apagando aos poucos.

Quando despertou, sentiu alguém ajeitando delicadamente o cobertor ao seu redor.

Helena abriu os olhos de repente.

E deu de cara com Leonardo.

Havia leves olheiras sob seus olhos, e ele parecia cansado. Assim que percebeu que ela estava acordada, porém, sua expressão se suavizou.

— Te acordei?

Helena acabara de sair de um pesadelo sufocante. Uma fina camada de suor frio cobria sua testa.

Ao encarar o homem diante dela, ficou atordoada por alguns segundos.

Leonardo percebeu que havia algo errado e levou a mão até sua testa.

— O que foi? Está sentindo alguma coisa...

Pá!

O estalo seco interrompeu a pergunta.

A força do tapa fez o rosto de Leonardo virar para o lado.

Por um instante, ele ficou imóvel.

Depois, tocou a bochecha ainda ardendo e, para surpresa dela, soltou uma risada.

— Helena... Tudo isso porque eu não atendi suas ligações?

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