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Capítulo 4

last update publish date: 2026-09-13 05:34:32

O despertador tocou às seis da manhã. Meu corpo ainda guardava a memória da noite anterior — tanto do cansaço do trabalho quanto do toque arrebatador de Enzo. Ajeitei o cabelo, apliquei um batom marcante e vesti um vestido midi azul-marinho, impecavelmente alinhado. Eu estava decidida: hoje nada quebraria minha postura profissional.

Quando pisei no 42º andar, o ar condicionado gelado da CashWave me recebeu, mas a temperatura subiu no segundo em que me aproximei da minha baia.

Sobre a minha mesa, havia um copo de café fumegante do melhor café da Faria Lima e um post-it amarelo colado no topo.

“Para ajudar a resistir ao dia... amiga. Ass: E.”

Olhei em direção à mesa dele. Enzo estava conversando com o Sr. Monteiro, usando um terno cinza-chumbo que parecia ter sido desenhado em seu corpo. Sentindo meu olhar, ele virou o rosto devagar e piscou para mim, sem que nosso chefe percebesse.

Durante toda a manhã, Enzo levou o seu "teste de resistência" a níveis insuportáveis:

• O toque acidental: Ao me entregar uma pilha de balanços trimestrais, ele não apenas passou os papéis; seus dedos deslizaram devagar pela minha mão, demorando-se no meu pulso onde a pulsação entregava meu nervosismo.

• O sussurro no corredor: Quando passei por ele a caminho da máquina de xerox, ele se inclinou levemente, o hálito quente roçando meu ombro: — Esse vestido valoriza demais o seu quadril, Vivian. Uma pena que 'amigos' não possam comentar sobre isso.

• A reunião de alinhamento: Sentado diretamente à minha frente na sala de conferências, enquanto o Sr. Monteiro explicava as metas do mês, Enzo mantinha a caneta entre os dentes, sustentando um olhar fixo na minha boca que me fez perder o fio da meia da apresentação.

Na hora do almoço, o andar ficou quase vazio. Eu estava concentrada revisando uma planilha complexa quando senti a presença dele parar atrás da minha cadeira. O cheiro do perfume amadeirado me envolveu instantaneamente.

— Precisa de ajuda com esses números? — perguntou ele, a voz rouca bem perto do meu ouvido.

Ele apoiou as duas mãos nos braços da minha cadeira, me encurralando suavemente contra a mesa. Seu corpo quente estava colado nas minhas costas.

— Eu sei me virar sozinha, Sr. Lemes — respondi, tentando manter a voz firme, embora minha respiração já estivesse desregulada.

— Tem certeza? — Enzo se inclinou mais um pouco, os lábios quase tocando o lóbulo da minha orelha. — Porque daqui de cima, parece que você está prestes a ceder.

Inclinei a cabeça para trás, apoiando-a no peito dele, e soltei um riso baixo e provocante.

— Ceder a quê, Enzo? A um copo de café e uns sussurros no corredor? — virei a cadeira devagar, obrigando-o a dar um passo para trás, mas sem romper o espaço mínimo entre nós.

Olhei-o de cima a baixo com um desdém estudado, parando os olhos exatamente no colarinho da sua camisa antes de voltar a encarar suas pupilas dilatadas. Minha mão subiu devagar pelo seu peitoral, ajeitando a gravata dele com uma lentidão calculada. Meus dedos roçaram no nó, subindo pelo seu pescoço até tocar a linha do seu maxilar.

— Se você quer brincar de joguinhos corporativos, Lemes, é bom saber que eu não jogo para perder — murmurei, aproximando meus lábios da boca dele, apenas para me desviar no último milímetro e sussurrar direto no seu ouvido: — E, por enquanto, você só está me divertindo.

Senti o peito dele arfar e o travamento imediato dos seus músculos. Antes que ele pudesse redefinir a estratégia ou me puxar para mais perto, desvencilhei o contato, peguei a minha bolsa sobre a mesa e me levantei com toda a elegância do mundo.

Ajustei a saia do vestido midi, dei um sorriso vitorioso e passei por ele, deixando o aroma do meu perfume para trás.

— Vou almoçar. E quando eu voltar, espero ver essa planilha revisada na minha mesa, amigo.

Quando voltei do almoço, o ar no 42º andar parecia ainda mais denso. Enzo não era do tipo que aceitava sair perdendo, e a faísca que acendi antes de ir comer tinha virado um incêndio velado.

Passei a tarde inteira sentindo a tensão na pele, até que, por volta das quatro horas, o Sr. Monteiro me pediu para levar uns documentos urgentes até a sala de arquivo no fundo do andar. Era um espaço reservado, com fileiras de gaveteiros altos, luzes amarelas e nenhuma câmera de segurança.

Entrei, peguei a pasta necessária em uma das prateleiras baixas e, quando me virei para sair, dei de cara com a porta sendo fechada suavemente.

Enzo encostou as costas na madeira, girando a chave na fechadura com um clique seco que ecoou por todo o corredor de metal.

— Que eficiência, Vivian... veio buscar os relatórios ou veio procurar encrenca? — perguntou ele, a voz baixa, grave e carregada de malícia.

Ele deu dois passos lentos na minha direção. Tirou o paletó e o jogou sobre uma mesa de apoio, desabotoando os dois primeiros botões da camisa.

— Enzo, isso é quebra de protocolo — rebati, encostando a cintura contra a borda da mesa de metal atrás de mim, mantendo os braços cruzados para não transparecer o arrepio que desceu pela minha espinha. — Se alguém tentar entrar...

— A sala está trancada por motivo de organização interna — ele interrompeu, parando a centímetros de mim. Ele apoiou as duas mãos na mesa, uma de cada lado do meu corpo, me prendendo totalmente no seu espaço. — Você jogou pesado antes do almoço, gata. Achou mesmo que eu ia deixar barato?

Sostive o olhar dele, dando um sorriso de lado.

— Eu só disse a verdade, Sr. Lemes. Você se distrai muito fácil.

— É mesmo? — Ele se inclinou, descendo a boca até a curva do meu pescoço, sem me tocar com as mãos. Apenas o hálito quente dele roçando a minha pele foi o suficiente para me fazer prender a respiração. — Vamos ver quem se distrai primeiro.

Sua mão subiu devagar pela minha coxa, deslizando pelo tecido do vestido midi até parar bem na borda da barra. Sentindo o calor da sua palma contra a minha pele desnuda, apertei a pasta de arquivos contra o meu peito, me recusando a dar o braço a torcer.

— Você disse que aceitava ser só meu amigo... — provoquei, a voz saindo um pouco mais arfada do que eu gostaria.

— Eu disse que aceitava fingir — corrigiu ele, roçando os lábios no meu queixo antes de morder levemente meu lóbulo da orelha. — Mas amiga nenhuma me deixa nesse estado o dia inteiro.

Em um movimento rápido, desviei o rosto e puxei levemente a gravata dele para baixo, trazendo a boca dele a milímetros da minha, sentindo o peito dele arfar de ansiedade.

— Então prova que você tem controle, Enzo — sussurrei, roçando a ponta da minha língua na borda do lábio inferior dele, fazendo-o soltar um palavrão baixo. — Porque se não tiver... quem ganha esse jogo sou eu.

Ele segurou minha nuca com força, os olhos pegando fogo, pronto para esmagar a minha boca com um beijo desesperado.

Antes que nossos lábios se encontrassem, a maçaneta da porta chacoalhou com violência pelo lado de fora, acompanhada de passos pesados.

— Lemes? Vivian? Vocês estão aí dentro? — a voz grave e imponente do Sr. Monteiro ressoou do outro lado, seguida por uma voz ainda mais profunda e desconhecida.

— Monteiro, onde fica a diretoria executiva neste andar? — perguntou o homem desconhecido ao lado do chefe, com um tom de autoridade pura que fez o ar da sala congelar.

Enzo parou no mesmo segundo, os lábios a um milímetro dos meus, a respiração pesada trancada no peito.

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