Mag-log inO ambiente do bar era a meia-luz, com música alta e um clima descontraído que contrastava totalmente com a seriedade do 42º andar. Assim que dei os primeiros passos para dentro, não pude deixar de pensar: Esse convite é um convite ao pecado.
Enzo já estava lá me esperando, mas não sozinho. Ele ocupava uma mesa grande com alguns conhecidos. Assim que me aproximei, reconheci o Hugo, da área de TI, e a Liza, a recepcionista simpática que tinha me atendido de manhã, além de mais duas ou três pessoas da empresa cujos nomes nem me dei ao trabalho de memorizar — não eram importantes para a noite. — Vivian! Chega mais! — chamou Liza, animada, puxando uma cadeira para mim. Acomodei-me ao lado dela, bem de frente para Enzo, que me acompanhava com aquele olhar atento e devorador por cima do copo de cerveja. — E aí, como foi o primeiro dia no hospício? — perguntou Liza, rindo. — Foi puxado, mas estou bem feliz de finalmente ter começado na CashWave — respondi, antes de dar um gole no drink que Enzo pediu para mim. — E o que achou do Sr. Monteiro? — Liza soltou uma gargalhada baixa, se inclinando. — Aquele homem é um espetáculo. Alto, forte, loiro de olhos azuis e cheiroso demais! Dá até raiva. Soltei uma risada com a empolgação dela e dei de ombros, dando um olhar rápido na direção de Enzo. — Ah, eu não achei nada demais... Para falar a verdade, prefiro os morenos. Enzo deu um sorriso de canto, encostando-se na cadeira com um ar absurdamente convencido. — Nesse caso, o seu tipo sou eu — provocou ele em tom alto, sem hesitar um segundo. A mesa toda caiu na risada com a ousadia dele. Eu apenas sostive o olhar, sustentando o jogo sem me entregar totalmente. — É... talvez seja mesmo — devolvi, piscando. Antes que a conversa rendesse mais insinuações, Liza se levantou de repente, puxando o meu braço. — Chega de papo! Vamos dançar que eu já estou sentindo minha bunda ficar quadrada de tanto tempo sentada nessa cadeira. Fomos juntas para a pista de dança improvisada do bar. A música tinha um ritmo envolvente e nós duas começamos a dançar e rir, relaxando o estresse do dia. Não demorou nem dois minutos para que eu sentisse aquela presença inconfundível se aproximar por trás. Enzo surgiu na pista, dispensando qualquer cerimônia ao segurar firme na minha cintura. Ele me colou ao corpo dele, acompanhando o ritmo da música. A química entre nós dois era simplesmente explosiva; o desejo acumulado o dia inteiro no escritório parecia prestes a fulminar tudo ao redor. Seus lábios roçaram no meu pescoço, e quando me virei de frente, a atração falou mais alto: nós nos beijamos ali mesmo, um beijo quente, urgente e cheio de intenção. No meio do beijo, contudo, a sobriedade me deu um estalo. Abrindo os olhos devagar, avistei o pessoal da mesa nos olhando. Droga. Não havia nenhuma regra no código da empresa proibindo relacionamentos, mas se atracar na frente dos colegas de trabalho no primeiro dia era pedir para virar fofoca nos corredores. Gentilmente, apoiei as mãos no peito dele e nos afastei. — Eu preciso ir — falei, tentando recuperar o fôlego. — Já está tarde e estou morta de cansaço. — Eu vou com você — disse Enzo imediatamente, segurando minha mão. — Não precisa, Enzo. Posso pegar um aplicativo. — Eu te chamei para vir, eu te levo para casa. Sem discussão, Vivian — decretou ele, com aquele tom firme que me deixava sem argumentos. O trajeto até o meu prédio foi silencioso, mas carregado de uma tensão palpável. Quando o carro parou em frente ao meu condomínio, ele se virou para mim, mas antes que pudesse se aproximar para outro beijo, eu coloquei a mão em seu ombro, mantendo uma distância prudente. — Enzo, nós precisamos nos controlar — comecei, encarando-o com seriedade. — Não dá para gente ficar se pegando a toda hora assim, por mais que a gente queira. Ele ergueu uma sobrancelha, ouvindo em silêncio. — Nós trabalhamos juntos. Precisamos manter o profissionalismo no escritório. A gente pode ser amigo, continuar saindo como colegas e manter as coisas assim, sob controle. Enzo encostou as costas no banco do passageiro, me encarando por alguns segundos em silêncio. Um sorriso lento e carregado de deboche começou a surgir no canto dos seus lábios. — Amigos? Entendi — disse ele, a voz calma, mas cheia de intenção. — Então é só isso? Duas pessoas adultas, trabalhando no mesmo departamento, mantendo uma relação estritamente profissional e amigável. Perfeito, Vivian. Eu aceito suas regras. Suspirei aliviada, achando que tinha conseguido impor um limite. Mas, antes que eu pudesse pegar na maçaneta da porta para sair, Enzo se inclinou rápido na minha direção. Ele não me tocou, mas aproximou o rosto a milímetros do meu pescoço, desacelerando a respiração bem ali, onde a minha pulsação estava descontrolada. — Só tem um detalhe... — murmurou ele, a voz rouca roçando a minha pele e fazendo todos os pelos do meu corpo se arrepiarem instantaneamente. Ele desceu o olhar para a minha boca, demorando-se ali, antes de voltar a encarar meus olhos. — Eu sei exatamente o quanto a sua pele esquenta quando eu te toco assim. E sei que você está louca para me puxar para dentro desse apartamento agora mesmo. Dei uma arfada curta, tentando manter a postura enquanto meu coração disparava. — Enzo... Ele se afastou devagar, voltando para o seu lugar com um olhar vitorioso ao ver a minha reação. A resistência que eu tentava transparecer tinha acabado de ruir por completo. — Viu só? Você não aguenta dois segundos de provocação — ele deu uma risadinha baixa, balançando a cabeça. — Eu posso até fingir ser seu 'amigo' lá no 42º andar para poupar a fofoca da rádio corredor. Mas não ache nem por um segundo que eu tenho qualquer intenção de ser só seu amigo fora daquele prédio. Ele deu um piscadela, encostando a mão no volante. — Boa noite, Vivian. Bom descanso... amiga.A reunião da tarde no auditório da diretoria reuniu a cúpula da CashWave e os analistas seniores do 42º andar. O clima era tenso. Rômulo estava na cabeceira da mesa, impecável e gélido, enquanto eu apresentava a reestruturação da carteira internacional no projetor.Na metade da minha apresentação, Enzo pediu a palavra. Dava para ver no olhar dele que a postura de provocador sensual tinha sido completamente soterrada pelo orgulho ferido. Quatro anos de dedicação na empresa, quatro anos tentando cavar uma vaga na diretoria executiva... e eu, em menos de vinte e quatro horas, estava ali no centro dos holofotes, liderando o projeto.— Excelente teoria, Vivian — interveio Enzo, a voz firme, cruzando os braços e tentando me encurralar no campo técnico na frente de todos. — Mas a sua projeção ignora o risco de liquidez no mercado asiático caso os juros subam na abertura de Tóquio. É uma manobra arriscada demais para a CashWave assumir agora.Rômulo nem piscou, apenas desviou os olhos cinzent
O som do salto alto no mármore importado da recepção executiva era o único ruído que quebrava o silêncio absoluto do 45º andar. Eram exatas 06:52 da manhã. Vesti um conjunto de alfaiataria acinzentado, corte reto, impecável. Batom neutro, cabelo preso em um coque baixo e alinhado. Eu não estava ali para ser bonita; estava ali para ser inquestionável. Quando a porta metálica do elevador privativo se abriu, dei de cara com a silhueta de Enzo parado junto ao painel de vidro que dava para a Faria Lima. Ele segurava um copo de café expresso, sem paletó, com as mangas da camisa social dobradas até os antebraços e os botões do colarinho abertos. Ele parecia não ter dormido. O ego dele estava nitidamente em carne viva. Assim que me viu, ele deu um riso seco, balançando a cabeça devagar enquanto dava um gole no café. — Chegou cedo, Dra. Vivian — ironizou ele, o tom carregado de uma amargura velada. — Veio garantir que o teto da diretoria continue sem poeira ou já veio assinar o contrato d
Ao longo de toda a tarde no 42º andar, a tensão entre mim e Enzo se transformou em uma guerra fria de olhares, sorrisos de canto e toques calculados.Toda vez que cruzávamos pelos corredores de vidro ou nos esbarrávamos na iluminação moderna da área do café, havia algo não dito pairando entre nós. Enzo parecia disposto a provar a cada segundo que minha promessa de "apenas amigos" era uma ilusão frágil e, por mais que eu tentasse manter a postura profissional diante das planilhas, a lembrança do hálito quente dele no meu pescoço dentro do elevador me perseguia.Ao mesmo tempo, a presença invisível de Rômulo Vance pesava sobre todo o escritório. O relatório que eu havia deixado na mesa dele de manhã parecia uma bomba-relógio. Nenhum feedback, nenhum e-mail, nenhuma ligação. Apenas o silêncio gelado da diretoria executiva pairando sobre o meu dia.Por volta das cinco e meia da tarde, quando a movimentação já começava a diminuir e o pessoal organizava suas mesas para ir embora, ajeitei me
— Só um instante, Sr. Monteiro! — respondi rápido, usando a voz mais profissional que consegui engolir. Enzo soltou minha nuca devagar, mas sem pressa. Com um sorriso sacana e vitorioso, deu um passo para trás, abotoou a camisa e vestiu o paletó em um movimento perfeitamente ensaiado. Eu arrumei a barra do vestido midi, passei a mão pelo cabelo e segurei a pasta de arquivos contra o peito. Ele destrancou a porta e a abriu com calma, mantendo a postura impecável. — Pois não, Sr. Monteiro? Estava ajudando a Vivian a localizar as pastas do último trimestre — explicou Enzo, com uma serenidade invejável. — As prateleiras mais altas estavam com o travamento emperrado, então dei uma força. O Sr. Monteiro nos olhou de cima a baixo. Por um segundo, meu coração quase saiu pela boca, mas o chefe pareceu engolir a desculpa sem desconfiar de nada. — Perfeito, Lemes. Ótima iniciativa — disse Monteiro, ajeitando os óculos. Em seguida, ele se deu conta do homem alto que estava ao seu lado. — Ah,
O despertador tocou às seis da manhã. Meu corpo ainda guardava a memória da noite anterior — tanto do cansaço do trabalho quanto do toque arrebatador de Enzo. Ajeitei o cabelo, apliquei um batom marcante e vesti um vestido midi azul-marinho, impecavelmente alinhado. Eu estava decidida: hoje nada quebraria minha postura profissional. Quando pisei no 42º andar, o ar condicionado gelado da CashWave me recebeu, mas a temperatura subiu no segundo em que me aproximei da minha baia. Sobre a minha mesa, havia um copo de café fumegante do melhor café da Faria Lima e um post-it amarelo colado no topo. “Para ajudar a resistir ao dia... amiga. Ass: E.” Olhei em direção à mesa dele. Enzo estava conversando com o Sr. Monteiro, usando um terno cinza-chumbo que parecia ter sido desenhado em seu corpo. Sentindo meu olhar, ele virou o rosto devagar e piscou para mim, sem que nosso chefe percebesse. Durante toda a manhã, Enzo levou o seu "teste de resistência" a níveis insuportáveis: • O toq
O ambiente do bar era a meia-luz, com música alta e um clima descontraído que contrastava totalmente com a seriedade do 42º andar. Assim que dei os primeiros passos para dentro, não pude deixar de pensar: Esse convite é um convite ao pecado. Enzo já estava lá me esperando, mas não sozinho. Ele ocupava uma mesa grande com alguns conhecidos. Assim que me aproximei, reconheci o Hugo, da área de TI, e a Liza, a recepcionista simpática que tinha me atendido de manhã, além de mais duas ou três pessoas da empresa cujos nomes nem me dei ao trabalho de memorizar — não eram importantes para a noite. — Vivian! Chega mais! — chamou Liza, animada, puxando uma cadeira para mim. Acomodei-me ao lado dela, bem de frente para Enzo, que me acompanhava com aquele olhar atento e devorador por cima do copo de cerveja. — E aí, como foi o primeiro dia no hospício? — perguntou Liza, rindo. — Foi puxado, mas estou bem feliz de finalmente ter começado na CashWave — respondi, antes de dar um gole no dr







