LOGINVivian Deixamos o Palácio dos Bandeirantes antes mesmo do servir da sobremesa. Com a garantia do contrato de 15 bilhões no bolso, a formalidade do evento já não nos servia para nada. Rômulo dispensou o motorista particular e assumiu a direção do seu conversível clássico. A brisa amena da noite de São Paulo bagunçava levemente o meu cabelo enquanto deixávamos os holofotes do palácio para trás. Ele dirigiu até um pequeno bistrô italiano às margens do Jardim Europa — um refúgio discreto, escondido atrás de uma fachada de tijolos aparentes, frequentado apenas por quem buscava silêncio e distância do burburinho da Faria Lima. O maître nos guiou até uma mesa reservada nos fundos, sob a meia-luz de velas e cercada por adegas de vidro. Assim que nos sentamos, tirei o casaco de pele sintética e o dobrei sobre a cadeira. O decote generoso do vestido esmeralda e a fenda pronunciada na minha perna ganharam um tom dourado e intimista sob a luz ambiente. — Uma mesa sem analistas, sem mon
Vivian O pregão de sexta-feira mal havia fechado quando o convite oficial do Banco Central Europeu e da Aliança Global de Investimentos chegou à minha mesa. Um jantar de gala exclusivo no Palácio dos Bandeirantes, reunindo os maiores players do mercado financeiro internacional. O objetivo da noite era selar a contratação do consórcio que intermediaria a fusão de 15 bilhões de dólares da gigante de tecnologia alemã Aethel no Brasil. A disputa era feroz, e a CashWave estava lado a lado com os três maiores bancos globais. Às vinte horas, desci do carro na entrada do palácio. O vestido que escolhi para a ocasião era de um tom esmeralda profundo em cetim pesado: um decote generoso que valorizava a postura ereta e uma fenda profunda na perna esquerda que trazia uma elegância ousada, perfeitamente emoldurada por joias discretas e um salto prateado. Rômulo já me aguardava no foyer. Ele vestia um smoking preto impecável, sob medida, com uma gravata borboleta perfeitamente ajustada. Quando
Vivian Rômulo deu meio passo à frente, segurando a minha mão com a compostura de um rei que acabara de reaver o seu domínio sem disparar uma única palavra em tom alto. — Uma pena, senhor Lemes — a voz de Rômulo ressoou pelo salão, clara, pausada e amplificada pelo silêncio sepulcral que dominava o Hyatt. — Pelo visto, a sua arquitetura não passa de um castelo de cartas. Uma cópia mal executada de um código que você nunca teve capacidade de compreender por inteiro. Os diretores da Vanguard tentavam em vão conter o pânico. O presidente do banco concorrente aproximou-se do palco com o rosto vermelho de fúria, exigindo explicações de Enzo enquanto os repórteres de finanças começavam a metralhar perguntas e disparar os flashes das câmeras diretamente para o painel em colapso. Enzo desceu os degraus do palco a passos descompassados. A gravata desalinhada, o olhar desorientado e o suor escorrendo pelas têmporas contrastavam de forma humilhante com o terno impecável que vestia no início
Vivian Às sete e meia da manhã de terça-feira, tomei um banho gelado, vesti um terno de alfaiataria preto, corte impecável e postura ereta, e me arrumei como se estivesse indo assumir a presidência da Faria Lima. Não havia espaço para vestígios de cansaço ou vestígios de derrota no meu rosto. Com o notebook pessoal na bolsa e a compilação da Hidra pronta, peguei o carro e fui direto para a torre da CashWave. Quando passei pelas catracas de vidro, o segurança da recepção hesitou por um segundo, sabendo do meu afastamento, mas a minha postura implacável fez com que ele liberasse a minha entrada sem questionar. Subi pelo elevador até o 45º andar. O andar da presidência estava tenso. Os analistas conversavam em voz baixa e as telas da TV continuavam exibindo os desdobramentos da contratação de Enzo pela Vanguard Capital, acompanhados da alta expressiva nas ações do banco concorrente. Caminhei a passos firmes até a sala de Rômulo Vance. Passei pela secretária dele antes que ela pudess
Vivian A garganta secou de uma forma tão violenta que por alguns segundos a minha voz simplesmente não saiu. A tela do terminal piscava com o erro de banco de dados formatado enquanto a foto do Enzo, no painel da Bloomberg, parecia zombar da minha ruína diante do conselho de administração da CashWave. Sentada na cabeceira da mesa, sentia o olhar gélido de Rômulo Vance cravado em mim como duas lâminas. Os conselheiros me encaravam com uma mistura de indignação e desprezo indisfarçáveis. — Vivian... — a voz de Rômulo veio num tom baixo, pausado e perigosamente calmo. — O que significa isso? Tentei me levantar, mas minhas pernas vacilaram ligeiramente antes que eu conseguisse me apoiar na borda da mesa de jacarandá. Alisei a saia do meu terno azul-marinho num gesto reflexo, buscando desesperadamente resgatar qualquer resquício da postura imbatível que eu ostentava até cinco minutos atrás. — Rômulo... membros do conselho... eu... — engoli em seco, gaguejando diante dos homens mais p
Vivian No domingo à noite, a torre da CashWave parecia um gigante adormecido sob o céu escuro de São Paulo. Rômulo pedira que fizéssemos o carregamento prévio da base consolidada diretamente no terminal de testes do 45º andar. O objetivo era simples: garantir que na manhã de segunda-feira, quando o conselho de administração se reunisse, a simulação em tempo real da Operação Fênix rodasse de forma instantânea e sem margem para falhas. Subi pelo elevador privativo ao lado de Enzo. Ele vestia calça jeans escura, terno sem gravata e mantinha uma expressão calma, compenetrada. — Tá tudo pronto do meu lado, Vivian — disse ele, a voz calma quebrando o silêncio da cabine de vidro. — A ponte do 42º andar tá limpa. Assim que você autenticar o token final no terminal da presidência, a Fênix tá oficialmente no ar. — Essa noite fecha um ciclo, Lemes — respondi, sorrindo de canto e ajeitando o blazer. — Amanhã o conselho aprova o fundo e a minha promoção sai antes do fim do mês. Enzo olh







