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CAPÍTULO 2

作者: Ara Pereira
last update 公開日: 2026-09-09 08:00:59

Assim que cheguei à festa, percebi que aquela noite seria exatamente como as outras, ou pelo menos foi o que pensei nos primeiros minutos, porque bastava olhar ao redor para perceber que ninguém estava realmente interessado apenas em dançar, beber ou aproveitar a última grande noite antes da formatura, no fundo, todos queriam descobrir quem estava escondido por trás das máscaras, e aquela curiosidade pairava no ar como uma brincadeira silenciosa entre desconhecidos que se observavam o tempo inteiro, tentando reconhecer uma voz, um jeito de andar, um gesto ou qualquer pequeno detalhe capaz de entregar uma identidade.

Eu também fazia parte daquele jogo, embora tivesse uma vantagem que a maioria deles não possuía, eu sabia exatamente quem era quando colocava aquela máscara, enquanto eles jamais imaginariam que o professor que encontravam todos os dias pelos corredores estava ali, misturado entre eles, aproveitando uma festa que oficialmente eu sequer deveria saber que existia.

Não demorou muito para que algumas garotas começassem a se aproximar, e eu seria hipócrita se dissesse que aquilo não despertava meu interesse, afinal, sempre fui mulherengo e nunca fiz questão de esconder que gostava de mulheres, tinha uma vida completamente separada da universidade e não costumava transformar minha personalidade em algo diferente apenas porque havia escolhido uma profissão que exigia certo nível de discrição, eu gostava de sair, conhecer pessoas, provocar e ser provocado, e naquela noite, escondido atrás de uma máscara, parecia ainda mais fácil esquecer qualquer tipo de responsabilidade.

Eu gostava daquela sensação de liberdade, gostava de não precisar pensar demais, de observar aquelas garotas tão confiantes, bonitas e jovens, todas aproveitando a noite como se ela tivesse sido criada exclusivamente para elas, e talvez fosse justamente por isso que eu nunca conseguia simplesmente permanecer como espectador quando participava daquela festa, eu sempre acabava me envolvendo em alguma conversa, aceitando alguma provocação ou deixando que uma noite que deveria ser apenas mais uma se transformasse em alguma coisa um pouco mais interessante.

Até que uma garota específica atravessou o meu caminho.

Eu não soube o nome dela naquele instante, nem precisava.

Algumas pessoas simplesmente conseguem chamar nossa atenção antes mesmo de dizer uma palavra, e aquela garota fez isso comigo no segundo em que entrou no meu campo de visão.

Os cabelos cacheados emolduravam o rosto mascarado de uma maneira quase hipnotizante, os olhos claros eram intensos e vivos, daqueles que pareciam carregar uma provocação própria, mesmo quando permaneciam em silêncio, e a fantasia que ela usava acompanhava perfeitamente suas curvas, com um decote em V que valorizava sua silhueta sem parecer exagerado, enquanto a saia curta deixava à mostra suas pernas grossas e bem definidas.

Ela tinha uma presença impossível de ignorar, e eu até tentei.

Juro que tentei.

Mas quando ela passou por mim, meu olhar acompanhou seus passos sem que eu sequer precisasse pensar a respeito, e só percebi o quanto havia ficado interessado quando me dei conta de que estava olhando para trás enquanto ela atravessava uma porta que levava aos corredores mais afastados do local.

Talvez estivesse indo ao banheiro, ou procurando alguém, ou talvez simplesmente quisesse ficar longe daquela multidão, eu não fazia ideia, mas, naquele momento, nenhuma dessas possibilidades parecia importante o suficiente para me impedir de segui-la.

Caminhei pelo corredor mantendo certa distância, observando seus passos enquanto ela avançava, até que, depois de alguns metros, percebi que ela havia diminuído o ritmo.

Ela com certeza sabia que estava sendo seguida, então ela parou de andar, virou o rosto por cima do ombro e, alguns segundos depois, se virou completamente na minha direção, colocando uma das mãos na cintura enquanto me encarava com uma tranquilidade que me surpreendeu.

— Você está me seguindo?

A pergunta veio acompanhada de uma sobrancelha arqueada.

Eu deveria ter negado.

Qualquer homem com um mínimo de bom senso provavelmente teria feito isso, mas eu nunca tive muita paciência para fingir aquilo que era óbvio.

— Eu estava prestes a chamar você para uma conversa mais reservada.

Ela olhou ao redor do corredor vazio e depois voltou os olhos para mim.

— Mais reservado do que isso?

Houve uma pequena pausa antes de ela inclinar a cabeça, me analisando por trás da máscara.

— Cuidado. Eu posso começar a achar que você é um maníaco.

Eu ri baixo, ela tinha atitude, e aquilo tornou tudo muito mais interessante.

Dei alguns passos em sua direção, diminuindo a distância entre nós, mas parei antes de invadir o espaço dela.

— Eu não sou um maníaco.

— Que alívio...

Respondeu imediatamente.

— Já estava começando a procurar uma saída.

Soltei uma risada curta.

— Mas não posso negar que você chamou minha atenção.

— Isso eu percebi.

— Então talvez não precise fingir que não gostou.

Ela cruzou os braços.

— Quem disse que eu gostei?

— Seu jeito de continuar aqui.

— Ou talvez eu só esteja esperando você terminar de falar para poder ir embora.

Aquilo me fez sorrir novamente.

Não era comum alguém me responder daquela maneira, muito menos alguém que eu tinha acabado de conhecer.

— Você sempre é assim?

— Assim como?

— Insolente.

Ela abriu um sorriso por baixo da máscara.

— E você sempre segue mulheres desconhecidas pelos corredores?

— Só as interessantes.

— Então espero que sua noite não seja muito decepcionante.

Ela passou por mim, simples assim, sem esperar minha resposta e sem continuar o caminho que estava seguindo antes, e o pior, sem olhar para trás.

Eu fiquei parado por alguns segundos, acompanhando seus passos enquanto ela se afastava, e aquela foi a primeira vez naquela noite em que alguma coisa realmente me incomodou.

Eu estava acostumado a conseguir o que queria, acostumado com olhares interessados, aproximações fáceis e mulheres que não faziam questão de esconder quando estavam interessadas em mim.

Ela tinha feito exatamente o contrário, tinha me provocado, me desafiado, e depois simplesmente ido embora.

Passei a língua lentamente pelo interior da bochecha, contendo o sorriso que insistia em aparecer.

Eu ainda não sabia quem aquela garota era, não sabia seu nome, nem de onde vinha.

Não sabia absolutamente nada sobre ela.

Mas, pela primeira vez naquela noite, eu tinha encontrado alguém que não parecia minimamente interessada em descobrir quem estava por trás da minha máscara.

E, estranhamente, aquilo fez com que eu quisesse descobrir quem estava por trás da dela.

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