Share

CAPÍTULO 3

Author: Ara Pereira
last update publish date: 2026-09-09 08:04:28

Como uma obsessão que eu ainda não conseguia explicar, passei praticamente metade da festa acompanhando todos os passos daquela garota, e quanto mais eu tentava convencer a mim mesmo de que aquilo era apenas curiosidade, mais difícil ficava acreditar na minha própria desculpa, porque eu a observava beber, dançar, rir, provocar, flertar e caminhar pelo salão como se soubesse exatamente o efeito que causava nas pessoas ao redor, enquanto vários caras não faziam sequer questão de disfarçar que estavam de olho nela, alguns tentando se aproximar, outros apenas acompanhando seus movimentos de longe, e ela parecia se divertir com aquilo, como se toda aquela atenção fosse apenas mais uma parte da noite que havia decidido aproveitar.

Algumas vezes nossos olhares se cruzaram no meio daquela multidão, e todas as vezes ela fazia a mesma coisa, inclinava levemente a cabeça e deixava escapar aquele sorriso irônico por trás da máscara, como se soubesse perfeitamente que eu estava observando e, pior, como se estivesse gostando de me deixar desconfortável com isso, e eu não entendia por que uma coisa tão simples conseguia mexer tanto comigo, mas cada vez que aqueles olhos claros encontravam os meus, eu sentia alguma coisa percorrer meu corpo inteiro, uma inquietação que não fazia sentido e que eu não estava acostumado a sentir.

Eu não sabia o que estava acontecendo comigo, só sabia que estava hipnotizado por aquela garota.

Eu calculava que ela deveria ter, no máximo, vinte e quatro anos, embora não soubesse sua idade exata, mas pela aparência e pelo momento da graduação em que parecia estar, aquela era uma estimativa razoável, e eu preferia não pensar demais sobre isso, porque havia uma parte de mim que sabia muito bem que deveria simplesmente deixar aquela curiosidade morrer antes que ela se transformasse em alguma coisa maior.

Mas eu nunca fui particularmente bom em ignorar aquilo que despertava meu interesse.

E ela havia despertado.

Foi então que, no meio de toda aquela confusão, ela caminhou na minha direção, e eu acompanhei cada passo sem sequer tentar esconder a minha atenção, esperando talvez que ela passasse por mim como havia feito anteriormente, mas ela parou justamente diante de mim e, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, simplesmente estendeu a mão, tirou minha bebida dos meus dedos e levou o copo aos lábios.

Ela tomou um gole, um único gole.

Depois devolveu o drink à minha mão como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.

Eu fiquei olhando para ela por alguns segundos, tentando entender o que diabos tinha acabado de acontecer, enquanto ela apenas sustentava meu olhar com aquela expressão divertida que parecia existir exclusivamente para me provocar.

Então ela se virou e começou a andar, sem dizer uma palavra.

Foi naquele momento que eu deixei o copo de lado, nem pensei, apenas coloquei a bebida sobre uma superfície próxima e fui atrás dela, porque se havia uma coisa que aquela garota já tinha conseguido fazer naquela noite era transformar a minha curiosidade em uma necessidade quase impossível de ignorar.

Ela atravessou uma porta e entrou em um dos corredores que davam acesso às salas da universidade, e, assim que passei pela mesma porta, a música da festa começou a ficar mais distante, abafada pelas paredes, enquanto o silêncio daquele lugar tornava cada passo muito mais perceptível.

Não havia quase ninguém ali.

Nas primeiras salas, ainda era possível encontrar alguns alunos aproveitando a privacidade para trocar beijos e carícias longe da multidão, mas quanto mais avançávamos, menos pessoas apareciam pelo caminho, até que os corredores ficaram praticamente vazios, iluminados apenas pelas luzes discretas espalhadas pelo teto.

Ela continuava andando, eu continuava seguindo.

E havia alguma coisa naquela situação que me fazia sentir como se estivéssemos deixando a festa para trás pouco a pouco, como se ela soubesse exatamente para onde estava indo e eu estivesse simplesmente permitindo que minha curiosidade me conduzisse atrás dela.

Até que ela chegou a uma área mais reservada, parou diante de uma das salas, abriu a porta e entrou.

Eu esperei apenas alguns segundos antes de fazer o mesmo.

Quando atravessei a porta, a encontrei sentada sobre uma das mesas, completamente à vontade, como se aquele lugar tivesse sido escolhido justamente para aquela conversa silenciosa que vinha se construindo entre nós desde o primeiro momento em que nossos olhares haviam se cruzado.

Ela me encarou e abriu as pernas.

Eu fechei a porta atrás de mim.

E, pela primeira vez naquela noite, estávamos completamente sozinhos.

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • MEU PADRASTO OBSESSIVO   CAPÍTULO 5

    Eu já tinha colocado os olhos naquele homem no momento em que ele entrou na festa, e talvez ele tivesse acreditado que tinha sido ele quem me encontrou no meio daquela multidão, mas a verdade era bem diferente, porque eu o observei antes mesmo que ele percebesse a minha presença, acompanhei seus movimentos discretamente, reparei na maneira como caminhava, na postura, no jeito como parecia completamente confortável naquele ambiente e, principalmente, naquele olhar que tinha parado em mim por tempo suficiente para me dizer exatamente o que eu precisava saber.Ele tinha me notado, e eu gostei disso.Não porque eu precisasse da atenção de um homem para me sentir bonita, muito menos porque estivesse procurando alguém para levar para casa naquela noite, mas porque eu gostava do jogo, gostava daquela troca silenciosa de olhares, daquela disputa quase infantil para descobrir quem perderia a paciência primeiro, e aquele homem tinha exatamente o tipo de presença que despertava em mim uma vontad

  • MEU PADRASTO OBSESSIVO   CAPÍTULO 4

    LAIKA*Finalmente eu tinha chegado ao fim da minha vida universitária, e, sinceramente, ainda parecia estranho pensar que depois de tantos trabalhos, provas, noites maldormidas, professores que pareciam acreditar que nós não tínhamos absolutamente mais nada para fazer além de estudar e aquela quantidade absurda de coisas que eu precisava decorar para depois esquecer assim que saísse da sala, eu finalmente estava prestes a concluir aquela etapa da minha vida, mas, se existia uma coisa que eu estava esperando com muito mais ansiedade do que a própria formatura, era a tão famosa festa sigilosa de máscaras.Era praticamente um evento obrigatório para quem estava chegando ao fim da universidade, embora ninguém dissesse isso oficialmente, é claro, porque oficialmente aquela festa sequer existia, e talvez fosse justamente esse o motivo de todo mundo ficar tão interessado nela, afinal, tudo aquilo que é proibido, escondido ou simplesmente não deveria acontecer costuma despertar uma curiosida

  • MEU PADRASTO OBSESSIVO   CAPÍTULO 3

    Como uma obsessão que eu ainda não conseguia explicar, passei praticamente metade da festa acompanhando todos os passos daquela garota, e quanto mais eu tentava convencer a mim mesmo de que aquilo era apenas curiosidade, mais difícil ficava acreditar na minha própria desculpa, porque eu a observava beber, dançar, rir, provocar, flertar e caminhar pelo salão como se soubesse exatamente o efeito que causava nas pessoas ao redor, enquanto vários caras não faziam sequer questão de disfarçar que estavam de olho nela, alguns tentando se aproximar, outros apenas acompanhando seus movimentos de longe, e ela parecia se divertir com aquilo, como se toda aquela atenção fosse apenas mais uma parte da noite que havia decidido aproveitar.Algumas vezes nossos olhares se cruzaram no meio daquela multidão, e todas as vezes ela fazia a mesma coisa, inclinava levemente a cabeça e deixava escapar aquele sorriso irônico por trás da máscara, como se soubesse perfeitamente que eu estava observando e, pior,

  • MEU PADRASTO OBSESSIVO   CAPÍTULO 2

    Assim que cheguei à festa, percebi que aquela noite seria exatamente como as outras, ou pelo menos foi o que pensei nos primeiros minutos, porque bastava olhar ao redor para perceber que ninguém estava realmente interessado apenas em dançar, beber ou aproveitar a última grande noite antes da formatura, no fundo, todos queriam descobrir quem estava escondido por trás das máscaras, e aquela curiosidade pairava no ar como uma brincadeira silenciosa entre desconhecidos que se observavam o tempo inteiro, tentando reconhecer uma voz, um jeito de andar, um gesto ou qualquer pequeno detalhe capaz de entregar uma identidade.Eu também fazia parte daquele jogo, embora tivesse uma vantagem que a maioria deles não possuía, eu sabia exatamente quem era quando colocava aquela máscara, enquanto eles jamais imaginariam que o professor que encontravam todos os dias pelos corredores estava ali, misturado entre eles, aproveitando uma festa que oficialmente eu sequer deveria saber que existia.Não demoro

  • MEU PADRASTO OBSESSIVO   CAPÍTULO 1

    ZIAN*Meu nome é Zian Montclair, tenho trinta anos e sou professor universitário na área de Arquitetura Paisagística da Universidade da Califórnia, ou, pelo menos, é assim que gosto de me apresentar quando alguém pergunta quem sou, porque a verdade é que, dependendo de quem está fazendo a pergunta, meu nome costuma vir acompanhado de uma segunda informação que parece despertar muito mais interesse do que deveria...sou o professor mais jovem da universidade.Eu não sei exatamente quando as pessoas começaram a transformar a minha idade em uma espécie de atração à parte, mas aprendi cedo que ser jovem demais em um ambiente onde a experiência costuma ser medida pelos fios brancos e pelos anos acumulados pode ser tão inconveniente quanto vantajoso, principalmente quando você está diante de uma sala cheia de universitários e percebe que alguns deles ainda estão tentando decidir se devem me chamar de professor ou simplesmente descobrir quantos anos eu tenho antes de decidir como me tratar.

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status