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Capítulo 2

Bamboo
No fim, quase todo mundo que estava ali entrou na aposta.

— Porra, uma aposta dessas? Fugir do próprio casamento, isso nunca vai acontecer. Bota meu nome aí também.

— Pois é. A Maísa pode até ser uma cadela sem vergonha, mas eu não acredito que ela vá se rebaixar a esse ponto!

A mão com que eu segurava o celular estava tremendo. Eu apertei várias vezes o botão para encerrar a ligação, mas eu não consegui desligar. Em algum momento, uma lágrima escorreu pelo meu queixo, caiu e encostou bem na tecla do viva-voz.

Eu, assustada, apertei o botão de desligar o aparelho. Eu fiquei com o olhar perdido, encarando o vazio e, de repente, eu comecei a rir.

"Que absurdo, que patético. Era exatamente isso a minha relação com o Félix. Todo mundo sabia que eu gostava dele, mas ninguém sabia que eu e o Félix já tínhamos ficado juntos por muito tempo."

Antes de Félix ir estudar fora, ele tinha me pedido para esperar três anos por ele. Ele disse que, quando fizesse sucesso, ele ia voltar para casar comigo. Mas, quando eu o vi de novo, ele já estava cercado de mulheres.

Ele realmente tinha vencido na vida. Eu perguntei se ele ainda lembrava do que ele tinha me prometido. O olhar dele me pareceu completamente estranho:

— Quem nunca fez besteira quando era jovem? Você veio aqui para usar isso contra mim?

Depois disso, por mais que eu tentasse me aproximar, eu não conseguia encurtar a distância entre nós. Eu acabei desistindo.

"Mas por quê? Eu já estava prestes a me casar, já tinha aceitado perder e seguir em frente. Por que ele simplesmente não conseguia me deixar em paz?"

— Maísa, você é muito burra. Se eu fosse o cara que vai casar com você, eu entrava ali e te dava um tapa na cara. Você não faz ideia de como está se rebaixando desse jeito? — Félix me xingou sem dó.

Mas eu já estava completamente cansada dele. Eu afastei a mão com que ele me segurava:

— É mesmo? Então presta atenção.

Eu me afastei alguns passos. A voz de Félix veio atrás de mim, carregada de impaciência:

— Está bem. Depois, quando você passar vergonha, não vem chorar no meu ombro.

Eu não olhei para trás em momento nenhum. Quando eu entrei de novo no salão da cerimônia, os canhões de confete posicionados na entrada dispararam no ar e caíram sobre a minha cabeça. Lá dentro, todo mundo começou a bater palmas.

— Antes, quando falaram que ia ter um momento em que um homem ia vir roubar a noiva, eu não acreditei. Mas aconteceu mesmo.

— Deu até uma adrenalina, hein.

— Acho que falaram que isso significava alguma coisa tipo… depois de passar por tantos obstáculos, os apaixonados finalmente ficam juntos, não é?

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