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Capítulo 3

Bamboo
Eu subi de novo no palco do casamento sem mostrar nenhuma expressão. Eu simplesmente segui com o resto da cerimônia.

Alguém fechou a porta do salão. Félix ficou parado no mesmo lugar, sem conseguir se mexer, com os olhos arregalados de choque.

Nós trocamos as alianças, os dois lados fizeram seus votos.

Quando chegou a hora de circular entre os convidados e brindar com os amigos, eu peguei o meu celular e vi que Félix tinha me mandado várias mensagens.

[O que foi aquilo agora há pouco?]

[Maísa, você está brincando comigo?]

De fato, eu tinha feito aquilo de propósito. Eu já estava exausta e eu não queria mais ser a mulher que ele chamava e mandava embora quando bem entendia.

Eu só esperava que ele tivesse um mínimo de bom senso e soubesse a hora de parar.

Eu não respondi às mensagens e, quando eu estava prestes a bloquear o número dele, ele me ligou.

Eu recusei a chamada, mas o celular tocou de novo. Sem saída, eu atendi.

A voz de Félix veio carregada de raiva:

— Maísa, eu vou te dar três minutos. Sai daí e vem me explicar direito o que você fez.

Eu respondi no automático:

— Félix, a sua aposta já acabou, não acabou? E, pelo visto, você ficou bem satisfeito com o resultado.

Do outro lado, ele inspirou fundo, como se estivesse se segurando para não explodir. Quando eu já ia encerrar a ligação, Félix mudou totalmente o tom:

— Para me provocar uma vez, você caprichou, hein. E aí, casamento de mentirinha é divertido assim?

— Casamento de mentirinha?

— Maísa, eu vou falar só uma vez. Depois de hoje, se você quiser me ver, não vai conseguir nem chegar perto.

Félix sempre tinha sido arrogante e cheio de si. Mas, se ele acreditava nisso ou não, eu já não me importava mais. Depois de tanto tempo me enroscando com ele, eu só estava cansada. Eu apertei a ponta dos dedos contra a testa e falei a verdade:

— Melhor ainda.

Depois que eu desliguei, uma sombra alta se aproximou de repente ao meu lado.

Quando eu virei o rosto, eu dei de cara com o rosto marcante de George Paiva. Ele estava encostado na parede, um pouco mais alto até do que o Félix, e o terno preto que ele usava dava a ele uma presença estranhamente opressiva.

— Você estava no telefone?

Eu fiquei um pouco surpresa. Eu tive a impressão de ouvir um leve tom de desagrado naquela pergunta. Mas eu não conhecia o George há muito tempo, e o nosso casamento também tinha sido decidido de repente.

Antes que eu respondesse, ele se inclinou na minha direção. As nossas respirações ficaram bem próximas, e eu prendi o ar, sem querer.

A frase "não está tudo rápido demais?" quase escapou da minha boca.

Ele pegou um copo que estava na mesa ao meu lado, olhou para as minhas orelhas coradas e sorriu.

— Vamos comemorar. Toma uma comigo?

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