Home / Romance / Meu Doce Pacto com o CEO / Obra de arte moderna

Share

Obra de arte moderna

Author: G. Asteri
last update publish date: 2026-08-04 02:26:03

CAPÍTULO DOIS — OBRA DE ARTE MODERNA

STELLA CALISTO

O térreo estava vazio, à exceção de dois recepcionistas e dos seguranças nas catracas de acesso. Com o crachá especial de visitante em mãos, atravessei a recepção até o elevador e apertei o botão do andar administrativo. Os últimos andares pertenciam a Nathan Morgan, o presidente da corporação, e à sua equipe direta. Embora fosse um executivo, Vincent nem sequer chegava perto daqueles andares sob o controle rigoroso de seu tio.

— Srta. Calisto — cumprimentou a recepcionista do andar, com um sorriso gentil. — Aceita uma água ou um café?

— Não é necessário, Elena. — Apontei para a sala ao fundo do corredor, cujas persianas entreabertas permitiam vislumbrar o escritório. — Poderia me acompanhar até a sala do Vincent? Preciso deixar algo na mesa dele.

— O Sr. Morgan não está na empresa no momento, Srta. Calisto. Não prefere deixar comigo para que eu entregue assim que ele retornar?

Sorri, tocando suavemente o cotovelo da jovem. Transpareci uma calmaria que contrastava totalmente com o turbilhão dentro do meu peito. Eu precisava encontrar aquele contrato e destruí-lo antes que Vincent saísse da cama da minha irmã e voltasse ao trabalho.

— Não é que eu não confie em você, Elena. Mas é do presente de aniversário do Vincent que estamos falando. Gostaria de fazer uma surpresa na mesa dele. — Pisquei, fixando meus olhos verdes nos dela. Às vezes, era conveniente usar certo charme para que as pessoas não me negassem favores. — Por favor, juro que não vou demorar. Me ajuda com isso?

Ela hesitou por um segundo, mas acabou assentindo e pegando um chaveiro na gaveta. Elena me guiou pelo corredor e senti alguns olhares queimarem sobre mim. A maioria ali já me conhecia, fosse por ter me visto na empresa ou pelas fofocas sobre meu noivado com o herdeiro Morgan. Inveja, medo, admiração, aversão… Eu já me habituara a tudo isso.

— Aqui está, Srta. Calisto. Pode entrar — disse Elena, empurrando a porta até que a maçaneta encostasse na parede.

Entrei observando as paredes decoradas em tons sóbrios de cinza. Havia um sofá preto sob uma das largas janelas, com duas almofadas pequenas. Estantes e armários emolduravam a sala, e os itens mais valiosos de Vincent ficavam protegidos em caixas de acrílico transparente. A mesa redonda ao centro era usada para reuniões frequentes, mas meus olhos se voltaram para a mesa de trabalho dele.

Passei para o outro lado da banca. Elena fechou a porta para me dar privacidade e permaneceu do lado de fora. As gavetas estavam destrancadas; revirei a papelada, mas não encontrei o documento que buscava. Abri os armários, analisando as pastas organizadas por data e assunto. Como não vi o contrato ali, voltei minha atenção para as caixas transparentes nas prateleiras.

Ao erguer a caixa que guardava uma edição limitada de um relógio que Vincent adorava, encontrei uma pasta amarela. Os dizeres “Contrato de Noivado” me fizeram soltar um riso soprado. Passei os olhos rapidamente pelos termos e vi minha assinatura no final.

O som do papel sendo rasgado agiu como gasolina na fogueira do meu peito. Reduzi a folha a pedaços minúsculos e espalhei-os por toda a mesa — uma obra de arte moderna que combinava perfeitamente com a hipocrisia daquele lugar.

Deixei a sacola, agora vazia, sobre a mesa e saí da sala. Eu entregaria aquele presente a outra pessoa que realmente o merecesse, considerando o esforço que fiz para obtê-lo. No fim, eu não provocara um grande escândalo no escritório, mas o gesto foi o suficiente para me devolver o ar. Agora, cabia a mim agir de acordo com a orientação de Julian, sem me desviar do objetivo principal: manter o Pacto intacto.

— Obrigada pelo auxílio, Elena! Por favor, quando o Vincent chegar, avise que estive aqui e deixei uma surpresa na sala dele.

Ela assentiu enquanto trancava a porta. Aguardei o elevador no corredor silencioso, sentindo o peito mais leve. Eu adoraria ver a cara do traidor ao encontrar nosso contrato picado como lixo. No entanto, não tinha tempo a perder esperando que ele terminasse sua foda, e muito menos queria que ele me procurasse sem que eu tivesse uma estratégia pronta para virar o jogo.

— Com licença — murmurei por força do hábito ao entrar no elevador, onde já estavam dois homens. Não ergui o rosto, mantendo o olhar fixo no chão. O botão do térreo já havia sido pressionado.

O silêncio reinou enquanto a cabine descia. Senti minha nuca queimar sob um olhar pesado vindo do homem logo atrás de mim. Ele exalava uma presença forte, dominante, e seu perfume preencheu o espaço de tal forma que pareceu borrifado no ar ao meu redor.

Contive a tentação de me virar e mantive os olhos fixos nas portas metálicas. Com o entardecer caindo sobre a cidade, eu precisava manter minhas emoções sob rédeas curtas para conseguir voltar para casa e encarar a mulher que, mais uma vez, tentava roubar o que era meu. Se eu a confrontasse, meu pai a defenderia e daria um jeito de me colocar como a vilã da história.

— Stella Calisto — uma voz grave chamou assim que pisei no hall do térreo.

Virei-me e dei de frente com o dono daquela presença marcante: Nathan Morgan. Seus cabelos castanhos estavam alinhados para trás, exceto por algumas mechas rebeldes que caíam sobre a testa. Ele usava os óculos de armação fina reservados para leitura, e seus olhos escuros me avaliaram de cima a baixo com precisão cirúrgica.

— Senhor Morgan — cumprimentei, surpresa. — Peço desculpas, não percebi que era o senhor no elevador. Estou com a cabeça longe hoje.

Ele fez um gesto sutil com a mão, dispensando minhas desculpas. Naquele instante, as palavras de Vincent ecoaram na minha mente: o plano dele era derrubar o próprio tio usando a força do nome Calisto. Mas Nathan era inteligente demais para não farejar as ambições do sobrinho — e não chegara ao topo daquela dinastia sem saber como lutar.

— Imaginei que estivesse aqui por causa do aniversário do meu sobrinho. — Ele ajustou o paletó escuro sob medida e indicou o café elegante no canto da recepção. — Aceitaria me acompanhar para um café? Gostaria de discutir alguns... negócios. Prometo não tomar muito do seu tempo, pois tenho uma reunião importante em breve.

Embora meu único desejo fosse me afundar na cama, seria um erro estratégico recusar um convite de Nathan Morgan. Pela sua posição de poder e influência, mantê-lo ao meu lado seria essencial para anular o casamento com Vincent sem causar uma guerra imediata. Além disso, ele era um bom amigo de Julian.

— Não vejo motivos para recusar.

O homem que acompanhava Nathan afastou-se discretamente, e eu segui o Chefe da Família Morgan até uma mesa reservada junto às janelas panorâmicas. Sentei-me, esforçando-me para não transparecer o desconforto que aquela aura imponente me causava. Ao abrir o cardápio, fui direta:

— Que tipo de negócios o senhor gostaria de discutir comigo?

Ele me encarou em silêncio por um segundo, como se estivesse decifrando cada linha do meu rosto.

— Você não deveria se casar com o Vincent.

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • Meu Doce Pacto com o CEO   Covarde sem serventia

    CAPÍTULO NOVE — COVARDE SEM SERVENTIASTELLA CALISTOA memória mais antiga que tenho de Nathan é de um dia de neve e festividades. Mamãe sempre preparava as melhores festas, e a família Morgan era convidada como membro de honra, vista a proximidade que ela possuía com eles. Julian tinha estragado meu boneco de neve, e todas as suas tentativas de melhorar a situação apenas me faziam chorar ainda mais.Naquele momento, o garoto quieto e observador que permanecia afastado dos pais e das outras crianças — embora se mantivesse ao lado de um jovem adulto de roupas formais — apareceu com mãos hábeis e transformou o meu pesadelo em uma obra de arte. Ele bagunçou meus cachos com os dedos longos e gelados e pediu para que eu não chorasse mais, com um pequeno sorriso nos lábios. As lágrimas pararam como mágica.Quando crianças, é normal termos alguém para considerar nosso herói: uma pessoa que nos salvaria de tudo e de todos. Eu tinha três: mamãe, Julian e o caçula da família Morgan.Embora muit

  • Meu Doce Pacto com o CEO   A melhor decisão

    CAPÍTULO OITO — A MELHOR DECISÃOSTELLA CALISTOVirei a taça de vinho de uma vez e a preenchi com o que restava na garrafa. Julian continuou escondendo o rosto, enquanto Nathan mantinha a atenção fixa em mim, provavelmente esperando para avaliar a minha reação.Meu irmão havia me chamado e convidado o chefe da família Morgan para propor algo impensável: uma tentativa de me resgatar do casamento miserável que eu teria com Vincent. Aparentemente, ele não encontrara nenhuma outra brecha no acordo, exceto a cláusula que ditava que eu deveria me casar com um herdeiro direto. Embora fosse absurdo vê-lo apelar para o melhor amigo, eu me sentia grata por ter um irmão capaz de tudo por mim.— Você não deveria beber vinho como se fosse água — alertou Nathan.Ignorei o aviso, terminando o líquido na taça e apertando o botão na mesa para chamar o atendimento.— Para discutir o que o Jules acabou de dizer, preciso estar bêbada o suficiente.Uma mulher de uniforme se aproximou discretamente, exibin

  • Meu Doce Pacto com o CEO   Um CEO importante e ocupado

    CAPÍTULO SETE — UM CEO IMPORTANTE E OCUPADONATHAN MORGAN— Cancele a reunião com a equipe das Indústrias Jark — ordenei a Damian assim que ele entrou na minha sala. Sua boca se abriu para protestar, mas o interrompi antes que pronunciasse uma única palavra: — Apenas cancele. Tenho assuntos mais importantes para tratar.Vesti um casaco por cima do terno e arranquei a gravata incômoda, largando-a sobre a mesa. Saí do escritório antes de dar tempo para meu assistente reconsiderar a decisão ou tentar me convencer do contrário. Afinal, a reunião seria apenas uma desculpa para pedirem financiamento e investimento, alegando lucros promissores caso selássemos a parceria. Negócios como esse não eram mais importantes do que decidir o rumo da minha família e, consequentemente, o da família Calisto.Embora estivessem acostumados a me ver todos os dias, os olhares da equipe ainda se voltavam para mim enquanto eu caminhava em direção ao elevador. Por mais indiferente que parecesse, foram necessári

  • Meu Doce Pacto com o CEO   A única saída

    CAPÍTULO SEIS — A ÚNICA SAÍDASTELLA CALISTOEncarei a tela do tablet, aberta em um aplicativo de design, e resetei o projeto por completo. A inspiração não tinha dado as caras nos últimos dias e, não importava o quanto eu tentasse desenhar, tudo parecia terrível e sem nexo.Suspirei ao pensar na mesa digitalizadora do meu escritório. Eu estava há três dias enfurnada no apartamento de Kira, depois que me avisaram que Vincent e meu pai tinham deixado homens à minha espera — provavelmente para me arrastar de volta para casa assim que me vissem. Eles não tinham como me obrigar a aceitar o casamento; porém, com certeza estavam arranjando um jeito de me chantagear.Ao menos, minha equipe era autossuficiente para continuar com os trabalhos sem mim. As ligações eram breves e os fornecedores mantinham contato direto com meus colaboradores. Os laboratórios permaneciam em perfeito funcionamento, o que era uma preocupação a menos para a minha cabeça lotada.Levantei para pegar mais uma xícara de

  • Meu Doce Pacto com o CEO   Um abrigo seguro

    CAPÍTULO CINCO — UM ABRIGO SEGUROSTELLA CALISTO— Ellie, você deveria me largar logo — resmungou Kira, se debatendo para se livrar do meu abraço. Apertei ainda mais, temendo o que ela faria se eu a deixasse sair do apartamento em meio à sua crise de fúria.— Se eu fizer isso, vou ter que aparecer na delegacia com um advogado para livrar sua cara — respondi, lutando contra os fios escuros do cabelo da minha melhor amiga que insistiam em entrar na minha boca. — Não te contei toda essa merda para você ir atrás do Vincent ou da Liana. Eu vou me certificar de que eles se arrependam do que me fizeram, pode ficar tranquila.Kira suspirou e seus ombros caíram. Soltei-a quando percebi que já não apresentava mais perigo. Com o rosto sombrio, ela pegou a garrafa de vinho branco e tomou alguns goles como se fosse água.A sala do apartamento estava um verdadeiro caos. Caixas de pizza e garrafas vazias se enfileiravam na mesa de centro, na poltrona de couro e no carpete. O jantar tinha começado ca

  • Meu Doce Pacto com o CEO   Aviso claro

    CAPÍTULO QUATRO — AVISO CLARONATHAN MORGANPelas paredes de vidro da minha sala, era possível contemplar grande parte do horizonte da cidade. A vista há muito deixara de me surpreender, mas eu ainda costumava me perder em pensamentos enquanto observava a selva de edifícios, as vias expressas e o mar de pessoas em movimento lá embaixo.— Sr. Morgan — a voz do meu assistente interrompeu minhas reflexões. Ele permanecia parado junto à porta, segurando um tablet com firmeza. — O Vincent está causando um escândalo no andar administrativo. As pessoas estão assustadas e há uma funcionária machucada na recepção.Soltei um suspiro pesado e fechei os olhos por um segundo, reclinando-me na cadeira. Amaldiçoei silenciosamente meu falecido irmão por ter me deixado como herança o fardo que era Vincent. Se minha cunhada não fosse tão cega e superprotetora, talvez eu tivesse conseguido enfiar algum juízo na cabeça do meu sobrinho. Porém, ela preferiu mimá-lo além de todos os limites razoáveis, priva

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status