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O som dos saltos ecoava a cada passo que ela dava elegantemente ao balcão. Sucinta e tentando não demonstrar o sofrimento em seu coração, ela pediu por um quarto. Puxando sua única mala, ela entrou no elevador. O quarto era grande. Espaçoso. Luxuoso. Até demais, na opinião dela. Não que não gostasse de luxo. Estaria mentindo se dissesse que não gostava. Mas naquele momento, o luxo era o menos importante. Suspirando, ela fitou a paisagem diante dela. Era possível ver o mar. E ao redor dele, alguns prédios altos e também luxuosos. Deixou a mala no meio do cômodo e enquanto retirava os saltos andou até a cama super-king. Se jogou nela, levando o braço direito até sua testa, pousando-o ali. Não queria pensar. Não queria se lembrar. Se lembrar do motivo de ela estar em um hotel e não em sua casa. Sua. Mas ainda assim, não mais sua. Seu estômago se revirava só de se lembrar.
Como é que sua vida tinha virado de cabeça para baixo em tão pouco tempo?
Não conseguia entender o que havia de errado ali. Até aquele momento. Apesar dos altos e baixos durante aquele tempo de casada, ela não conseguia entender como ele acabou daquela forma. Tudo bem que ele vinha evitando qualquer contato com ela, mas ela estava tentando se reconciliar com ele. Primeiro pensou que a culpa era dela mesma, mas então entendeu que na verdade, nada que ela tivesse feito mudaria o que aconteceu. Ela era uma boa pessoa. Ela era gentil com todos. Ela era feliz. E fazia o impossível para fazer as pessoas ao redor dela também serem felizes. Ela enalteceu até mesmo seu marido.
Marido.
Ela nem tinha mais um marido. E a culpa não era dela. Não. Ela foi uma boa esposa para ele. Ela fez de tudo para que ele crescesse na vida. Ela usou seu poder, que ele não sabia que ela tinha, usou sua influência, que ele também não sabia que ela tinha, para que ele se tornasse quem ele é hoje. Um homem respeitado. Mas que não merecia isso. Um homem que vinha ganhando influência. Mas que também não o merecia. Um homem com uma empresa magnânima. Ela era o motivo de ele ser quem é hoje. E assim que ele conquistou tudo isso, ele a descartou como se ela fosse um lixo.
Ela se odiou por querer chorar. Se odiou por sentir falta dele. Se odiou por deixar aquela casa para ele. Se odiou por tantos motivos. Era injusto. Ele não merecia nada dela. E mesmo assim ela deixou com ele tudo que ela conquistou para ele. Não que estivesse em um momento difícil. Ela era Aimé Bianchi. Filha de um dos homens mais poderosos de toda a Flórida. E ele? Bem, ele podia ter influências agora, ser um homem de negócios, mas ele não tinha o nome e nem mesmo a influência que ela tinha. Era “peixe pequeno”. Mesmo que tivesse conquistado muito desde que se conheceram.
Ela nunca foi daquelas que gostava de se amostrar. Mesmo sendo quem era, mesmo tendo a fama que tinha por ser quem era. Por esse motivo e mais outros que nunca contou ao próprio marido quem era de verdade. Ele nem mesmo conheceu sua família. Ela temeu que ele fizesse o que fez. Ela esperou que ele conquistasse seus objetivos, conseguisse ser alguém na vida. Fez isso para que ele não se sentisse “pequeno” diante dela. E quando decidiu finalmente contar, ele jogou a bomba do divórcio em sua cara. Na casa deles. Sem um pingo de ressentimento. De compaixão. Simplesmente jogou os papeis e disse que era para ela assinar. Simples assim. Deixando-a em choque.
Por um momento, ela não conseguiu reagir. De tão chocada. Ela não esperava por isso, afinal. Vinha se esforçando ao máximo pelo bem do relacionamento deles. Não que eles estivessem sendo um “casal” nos últimos meses, mas ela estava se esforçando. E por isso preparava um jantar romântico quando ele chegou. Tudo estava quase pronto. A mesa estava posta, havia uma vela ou outra. Ela estava ansiosa. Feliz. E tudo ruiu quando ele chegou todo pomposo, com a roupa que ela escolheu para ele naquela manhã, jogando os papeis do divórcio em cima da bancada. E ela ali, do outro lado, chocada, sem conseguir dizer uma palavra, tentando acreditar que era uma brincadeira de muito mal gosto. Mas estava enganada. O olhar firme dele era real. E quando ele lhe deu as costas, ela percebeu que seu casamento realmente tinha acabado. Doeu. Muito. Mas ela pode ter a noite inteira para pensar. Até mesmo entender o que tinha acontecido. Não conseguiu, é claro, mas ao menos chegou à conclusão de que se era o que ele queria, ela não se jogaria a seus pés para que ele voltasse atrás com sua decisão. Ela não era dessas, afinal.
Se lembrou de como ele mal a olhou no dia seguinte já no cartório. Mesmo depois de quase uma semana já separados. O advogado dela já a esperava, do outro lado da grande mesa retangular. Ela respirou fundo, fitando o homem que por dois anos, foi seu companheiro. Bem, se fosse contar o tempo de namoro, era bem mais que isso. Quase três anos. Quase três anos ajudando-o conquistar o mundo. Seus sonhos. E ali estava ele, se achando o dono do mundo inteiro. Era até engraçado. Seria, se não fosse tão catastrófico.
— Você tem certeza disso?
— Assine de uma vez.
Ela respirou fundo.
— Posso saber... por quê? Quando decidiu que não me queria mais como esposa?
Não houve resposta e ela balançou a cabeça algumas vezes.
— Você conseguiu tudo que queria, não é mesmo? Não precisa mais de mim.
— Você sempre foi uma inútil.
Mais uma vez, ali estava o choque em seus olhos.
— Estive com você por compaixão.
— Compaixão?
— Era gostoso dividirmos a cama, mas isso se tornou pequeno para mim. Eu quero mais. E com você, eu vou sempre estar me sujeitando a ter que lidar com a menininha fraca e dona de casa. Você iria me envergonhar.
— Você perdeu alguém importante? Olha que cara de defunto. — Você é o defunto, River. O loiro de olhos azuis se indignou. — Conseguiu o que eu pedi? — Sim, sim, eu acho isso uma loucura, mas consegui. — E? — E? Bem, as moças são... legais. — Eu preciso de uma que vai ficar quieta e aceitar tudo que estiver no contrato. — Sabia que isso me dá arrepios? — Você me dá arrepios e mesmo assim fico ao seu lado. — O que?! Garrett riu. — Fala logo, idiota, como vai ser isso? De repente, uma moça sai de dentro do cartório. Ela parecia estar devastada. Algo fez com que ele prestasse atenção nela. E não era o corpo, que realmente, era muito belo. A bunda, então, fez com que ele não conseguisse desviar os olhos por vários minutos. Os cabelos eram ruivos e os olhos esverdeados. Linda. Mas de primeira, o que o fez se atentar a ela, era sua feição nada agradável e a forma como ela parecia estar “soltando fogo pelas ventas”. — Está me ouvindo? — Hum? — Tira o olho da bunda da mu
Os passos dele eram pesados enquanto andava pelos corredores daquele colégio. Já tinha feito aquele caminho várias vezes, inclusive quando era mais novo. Ele estudou ali desde a pré-escola. Seus irmãos também. Ambos. Então não era muito difícil chegar à diretoria, mesmo que já tivesse se passado muitos anos desde a última vez que esteve ali. Ele tinha dezessete. Agora, com quase trinta, era normal desejar nunca mais estar em uma sala de diretoria, ainda mais quando o problema era sua filha de apenas cinco anos de idade. Sim, era pai de uma garotinha. Mas não casado. Nunca tinha se casado antes. Mia era filha de uma aventura dele com a mãe dela e isso causou uma gravidez inesperada. Ou talvez não. Ele ainda acreditava que aquela criatura sempre esteve de olho em sua grana. Ele só não foi mais duro com ela do que ela merecia, porque na época ela estava com uma gravidez de risco e precisava de descanso e não de estresse. Mas por muito tempo ele realmente acreditou que ela desejasse ser
— Há. Se não é a boneca de mais cedo. Aimé fuzilou o rapaz com os olhos. — Está mais calminha? — Eu devo ter feito algo ao mundo. – Murmurou. — Não quero brigar, até porque, estou procurando uma criança. – Mostrou o tamanho usando a mão direta. – Ela é desse tamanho, tem cabelos negros e olhos... Aimé olhou de soslaio para onde ele olhava, encontrando apenas a cabeça da menina ao lado de uma de suas pernas, o restante do corpo dela ainda estava atrás de seu próprio corpo. — Pestinha. Você estava aí o tempo todo. — Moça, eu não sei quem é ele, não. — Mia. O viu repreender a menina. — Ele é doido. Está me perseguindo. — Isso não tem graça, Mia Grace. — Moça, não deixa ele me levar, não. — Ela é minha filha. — Não sou, não. — Você vai ficar de castigo pela eternidade, mocinha. Aimé achou que deveria acabar logo com aquilo e ter explicações, porque já estava ficando tonta. Um dizia uma coisa enquanto o outro dizia outra coisa. Talvez, muito provavelmente, ela
— Dona de casa, não é? A mulher que foi submissa a você. Que deixava tudo pronto para quando chegasse de um dia estressante e sem resultados. Ninguém acreditava em você, mas eu acreditei. — Acreditar em mim, não me fez ser o homem de sucesso que sou hoje. Ela engoliu as palavras que queriam sair de sua boca. — Acreditar em mim, não me fez ter a empresa que hoje eu conquistei. Ela balançou a cabeça, puxando os documentos para perto junto a caneta, assinando rapidamente em todas as vias necessárias. — Meus parabéns. – Bateu a ponta da caneta na última assinatura. – Homem de sucesso. Você ganhou tudo que desejou na vida. – Se levantou. – Mas a que preço, não é mesmo? — Tire suas coisas da minha casa até o fim de tarde. Aimé riu. — Sua casa? — Minha e de minha nova esposa. Aquelas palavras doeram. — Minha amada. Ela apertou a caneta com força entre os dedos. — E não se preocupe em explicar para nossa governanta, ela já a conhece e tem conhecimento de meu relaciona
O som dos saltos ecoava a cada passo que ela dava elegantemente ao balcão. Sucinta e tentando não demonstrar o sofrimento em seu coração, ela pediu por um quarto. Puxando sua única mala, ela entrou no elevador. O quarto era grande. Espaçoso. Luxuoso. Até demais, na opinião dela. Não que não gostasse de luxo. Estaria mentindo se dissesse que não gostava. Mas naquele momento, o luxo era o menos importante. Suspirando, ela fitou a paisagem diante dela. Era possível ver o mar. E ao redor dele, alguns prédios altos e também luxuosos. Deixou a mala no meio do cômodo e enquanto retirava os saltos andou até a cama super-king. Se jogou nela, levando o braço direito até sua testa, pousando-o ali. Não queria pensar. Não queria se lembrar. Se lembrar do motivo de ela estar em um hotel e não em sua casa. Sua. Mas ainda assim, não mais sua. Seu estômago se revirava só de se lembrar. Como é que sua vida tinha virado de cabeça para baixo em tão pouco tempo? Não conseguia entender o que havia de er







