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Capítulo 2

Author: Ella
last update publish date: 2026-08-26 06:13:23

— Dona de casa, não é? A mulher que foi submissa a você. Que deixava tudo pronto para quando chegasse de um dia estressante e sem resultados. Ninguém acreditava em você, mas eu acreditei. 

— Acreditar em mim, não me fez ser o homem de sucesso que sou hoje. 

Ela engoliu as palavras que queriam sair de sua boca. 

— Acreditar em mim, não me fez ter a empresa que hoje eu conquistei. 

Ela balançou a cabeça, puxando os documentos para perto junto a caneta, assinando rapidamente em todas as vias necessárias. 

— Meus parabéns. – Bateu a ponta da caneta na última assinatura. – Homem de sucesso. Você ganhou tudo que desejou na vida. – Se levantou. – Mas a que preço, não é mesmo? 

— Tire suas coisas da minha casa até o fim de tarde. 

Aimé riu.

— Sua casa? 

— Minha e de minha nova esposa. 

Aquelas palavras doeram. 

— Minha amada. 

Ela apertou a caneta com força entre os dedos. 

— E não se preocupe em explicar para nossa governanta, ela já a conhece e tem conhecimento de meu relacionamento com ela. 

Seu estômago embrulhou, imaginando como aconteceu.

Mas foi forte.

Respirou fundo e se virou para o advogado ao lado. 

— Encaminhe para que tudo seja feito às pressas. 

O outro, penalizado, anuiu, e ela saiu, tentando manter a mesma pose.

Tentando não demonstrar que se abateu com o que aconteceu e com as palavras que escutou. E quando saiu, não olhou para o crápula nenhuma vez. Estava livre. Era o que ele queria. Jamais imaginou que ele fosse ser tão cruel. Mesmo depois de decidir pelo divórcio. Aquele homem foi terrível. E se não estivesse errada, o traidor de seu ex-marido poderia agora ter a mulher que ele merece. Uma golpista. Ou talvez uma vagabunda que está louca para tirar dele até o último centavo que ele tem. 

— Você tem certeza de que vai fazer isso?

— Preciso disso para ser livre. 

— Livre? Você vai se casar. 

Ela tentou não prestar atenção na conversa dos rapazes enquanto esperava por um Uber.

— A moça que você falou, tem tudo que preciso saber sobre ela aí?

— Claro, claro. Solteira, família pequena, só mãe e pai, não tem relacionamentos... 

— Ótimo. 

— Ela é bem bonita. 

— É um casamento de contrato, River, não me importo se ela é bonita. 

— Deveria. Ela vai viver sobre o mesmo teto que você. 

— É um contrato. Sem sexo, lembra?

Aimé não queria, mas acabou revirando os olhos enquanto soltava uma risada debochada. 

— Ai, vocês homens, sabem ser idiotas quando querem. – Os olhos deles sobre ela fez com que ela percebesse que tinha falado em voz alta, mas não se arrependeu. – Usam as mulheres e depois se vitimizam, culpando-as por todos seus erros. Nós servimos para tudo, exceto para um casamento adequado. Porque mulher para vocês é só isso. Um objeto. 

— Por acaso te deram um pé, boneca?

— Por acaso, te faltaram alguns pés, babaca?

O loiro ao lado do de cabelos negros, muito bonito, diga-se de passagem, riu. E ela não escutou o que o moreno responderia porque o Uber tinha finalmente chegado. Ela entrou e simplesmente ignorou a indignação do rapaz de olhos azuis. Era tão incrível, que parecia com o mar. Que olhos. E que rosto. E que corpo. É, ela prestou atenção a isso, mesmo diante de tal situação. Ele era um gato. Babaca. Mas um gato. 

E agora, ali estava ela, em um quarto luxuoso, tentando não pensar no quanto foi idiota em acreditar que um dia foi amada por aquele homem. Easton Tucker. Como pode cair em suas mentiras? Claro, há um motivo para ela ter acreditado nele. Ele nunca foi um babaca antes. Ele foi carinhoso, amoroso, gentil, um homem incrível que a fazia se sentir a mulher mais linda do mundo. Ele a enganou direitinho. Se tivesse escutado sua melhor amiga, não estaria agora, se sentindo uma idiota, humilhada e ressentida.

E pior, se arrependia de ter sido uma idiota com o rapaz que ela não conhecia e que nem mesmo sabia seus motivos para estar fazendo um contrato de casamento. É claro que quem aceitasse, estaria entrando nessa sabendo que não devia esperar muito dele. Ele não era o idiota. Ela era. Ela estava culpando-o por algo que nem tinha culpa. Estava irritada com Easton, e descontando no rapaz desconhecido. 

Se levantou, tomou uma ducha rápida, e decidida, saiu daquele quarto pronta para uma nova vida. Ela estava livre. Não era mais casada. Podia fazer o que for. Não seria julgada. Andou pela praia segurando a sandália de dedinhos amarela com uma flor no centro. Sentiu a areia tocar sua pele. Era quente, mas suportável. O toque da água do mar foi gelado, o que a fez se arrepiar um pouco. Olhou para aquele oceano magnifico, tentando encontrar uma forma de recomeçar. 

Por onde começar? 

Um corpinho bateu no seu de repente. O resmungo chamou sua atenção. A garotinha era linda. Cabelos negros, olhos azuis, pele branquinha como a neve. 

— Você está bem, querida?

— Eu molhei meu vestido. 

O biquinho que ela fez, causou uma risada em Aimé. 

— Que feio rir, moça, isso não se faz. 

— Perdão, de verdade, eu te ajudo a levantar. 

— Não, não quero sua ajuda. 

Aimé ficou chocada, mas não disse uma palavra. 

— Você riu de mim e agora quer me ajudar.

— Perdão, pequena. 

A garotinha a olhou finalmente, nos olhos, e abriu a boca de repente. 

— O que? Tem algo de errado no meu rosto?

— Você... é tão bonita. 

Aimé abriu um sorriso. 

— Uau! Parece uma princesa. 

— Eu, uma princesa?

— De contos de fadas. Eu amo contos de fadas. 

— Eu posso apertar suas bochechas? Você é tão fofa. 

— Mia!

A menina arregalou os olhos. 

— Você está encrencada quando eu te encontrar. 

— Me salva. 

Aimé arregalou os olhos vendo a criança se esconder atrás de si, parecendo desesperada. A acompanhou com os olhos, levando sua mão aos cabelos curtos e sedosos, levantando o olhar para quem havia ameaçado a pequena. E novamente, ali estava ela, chocada. Era dia de chocarem Aimé Bianchi, inclusive, o mundo devia estar rindo disso, ela pensou. 

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